Carlos Augusto, Grão-Duque de Saxe-Weimar-Eisenach

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Carlos Augusto
Grão-Duque de Saxe-Weimar-Eisenach
Grão-Duque de Saxe-Weimar-Eisenach
Reinado 1815-1828
Predecessor Novo título
Sucessor Carlos Frederico, Grão-Duque de Saxe-Weimar-Eisenach
Duque de Saxe-Weimar-Eisenach
Reinado 1758-1815
Sucessor Elevado a grão-ducado
Esposa Luísa de Hesse-Darmstadt
Descendência
Luísa Augusta de Saxe-Weimar-Eisenach
Carlos Frederico, Grão-Duque de Saxe-Weimar-Eisenach
Carolina Luísa de Saxe-Weimar-Eisenach
Bernardo de Saxe-Weimar-Eisenach
Casa Wettin
Pai Ernesto Augusto II, Duque de Saxe-Weimar-Eisenach
Mãe Ana Amália de Brunsvique-Volfembutel
Nascimento 3 de setembro de 1757
Weimar, Ducado de Saxe-Weimar
Morte 14 de junho de 1828 (70 anos)
Graditz, perto de Torgau, Reino da Prússia
Religião Luteranismo

Carlos Augusto, Grão-Duque de Saxe-Weimar-Eisenach (3 de Setembro de 1757 - 14 de Junho de 1828), foi um duque das casas de Saxe-Weimar e de Saxe-Eisenach (em união pessoal desde 1758), duque de Saxe-Weimar-Eisenach desde a fundação do ducado em 1809, depois elevado a grão-duque do mesmo título em 1815, funções que manteve até falecer. Ficou conhecido pelo brilho intelectual da sua corte[1] .

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Nascido em Weimar, era o filho mais velho de Ernesto Augusto II, Duque de Saxe-Weimar-Eisenach, e da duquesa Ana Amália de Brunsvique-Volfembutel.

O seu pai morreu quando ele tinha apenas nove meses de vida (a 28 de Maio de 1758) e Carlos Augusto foi criado num período de regência e sob a orientação da sua mãe, uma mulher do iluminismo, mas com um temperamento autoritário. O seu governador era o conde Johann Eustach von Görtz, um nobre alemão puritano. No entanto, a sua educação assumiu um aspecto mais humanista quando, em 1771, Christoph Martin Wieland foi nomeado para seu tutor. Em 1774, o poeta Karl Ludwig von Knebel mudou-se para Weimar para se tornar tutor do seu irmão mais novo, o príncipe Frederico Fernando Constantino, e, no mesmo ano, os dois príncipes partiram com o conde Görtz e Knebel para Paris. A caminho da capital francesa, numa paragem em Frankfurt, Knebel apresentou Carlos Augusto a Johann Wolfgang von Goethe, dando início à amizade entre os dois que duraria o resto das suas vidas.

Duque de Saxe-Weimar-Eisenach[editar | editar código-fonte]

Weimar, o centro intelectual da Alemanha[editar | editar código-fonte]

Carlos Augusto com a sua mãe, Ana Amália, e o irmão Frederico Fernando.

Depois de regressar a Weimar e assumir o governo do seu ducado, Carlos Augusto casou-se em Karlsruhe com a princesa Luísa de Hesse-Darmstadt, filha do marquês Luís IX de Hesse-Darmstadt, a 3 de Outubro de 1775.

Uma das primeiras decisões que o jovem grão-duque tomou foi convidar Goethe para Weimar e, em 1776, nomeou-o membro do seu conselho privado. Sobre a nomeação, Carlos Augusto afirmouː "As pessoas com discernimento dão-me os parabéns por ter este homem comigo. O seu intelecto, o seu génio, são bem conhecidos. Não me importo se o resto do mundo se sente ofendido por ter tornado o Dr. Goethe membro do meu collegium mais importante sem que ele tenha passado pelas posições de professor oficial menor e conselheiro de estado." Muitos não viram de imediato os benefícios desta nomeação. Com Goethe, o espírito Sturm und Drang chegou a Weimar, e as tradições rígidas da pequena corte desapareceram para dar lugar a uma revolução de exuberância jovem.

O duque bebia muito, mas era também um bom desportista, e as festas da corte eram muitas vezes trocadas por corridas a cavalo cheias de adrenalina pelo campo, que acabavam em noites passadas à volta de uma fogueira a ver as estrelas. Também se pensa que foi Carlos Augusto quem desenvolveu o Weimaraner, uma raça pura de cão de caça que ainda é popular nos dias de hoje. No entanto, o duque tinha também gostos mais sérios. Interessava-se por literatura, arte e ciência, financiou Goethe, criou a Escola Principesca de Desenho Livre de Weimar e encorajou o período classicista de Weimar. Os críticos elogiavam os seus gostos em pintura, os biólogos achavam que era um grande especialista em anatomia. Além de tudo isto, Carlos Augusto nunca negligenciou o governo do seu pequeno estado.

As suas reformas foram o resultado de algo mais do que o simples espírito dos déspotas esclarecidos do século XVIII, uma vez que não demorou a compreender que os poderes que tinha para ser uma figura divina na terra eram muito limitados. Assim, o seu maior objectivo foi educar o seu povo para que pudessem construir a sua própria visão política e social. Explicou que o objectivo das suas políticas educativas era, ao contrário do que defendiam Matternich e os seus seguidores, ajudar os homens a terem uma opinião própria e independente. Para isso, chamou Herder a Weimar para levar a cabo uma reforma no sistema educacional e não é de admirar que, sob a orientação de um patrono iluminado, a Universidade de Jena se tenha tornado numa das mais conhecidas do mundo e Weimar no centro intelectual da Alemanha.

Política externa[editar | editar código-fonte]

Carlos Augusto por Georg Melchior Kraus.

Entretanto, nos assuntos da Alemanha e do resto da Europa, a personalidade de Carlos Augusto proporcionou uma influência extraordinária à sua posição como príncipe soberano. Enfrentou desde logo o problema do enfraquecimento do Sacro Império Romano e começou a trabalhar no sentido de unir os estados da Alemanha. Os planos do sacro-imperador José II, que ameaçava incorporar uma grande parte dos estados alemães na monarquia heterogénea dos Habsburgo, fez com que se virasse para a Prússia e foi ele um dos primeiros a incentivar a ideia da criação da liga dos príncipes (Fürstenbund) em 1785 que, sob a liderança do rei Frederico, o Grande, deitou por terra as intrigas de José II. No entanto, Carlos Augusto não tinha ilusões relativamente ao poder da Áustria e, de forma sensata, em 1787, recusou a coroa da Hungria, que lhe foi oferecida pela Prússia numa altura em que os magiares se revoltavam contra o sacro-imperador, afirmando secamente que não tinha qualquer desejo de se tornar noutro rei de inverno, como tinha sido Frederico V, Eleitor Palatino.

Em 1788, Carlos Augusto passou a prestar serviço militar no exército da Prússia, ocupando a posição de major-general em comando activo de um regimento. Foi nessa posição que combateu, juntamente com Goethe, na Batalha de Valmy, em 1792, assim como no Cerco de Mainz em 1794 e nas batalhas de Pirmasenz, a 14 de Setembro, e Kaiserslautern, de 28 a 30 de Novembro do mesmo ano. Depois desta experiência militar, insatisfeito com a atitude das grandes potências, decidiu reformar-se do exército, mas acabaria por voltar quando o seu amigo, o rei Frederico Guilherme III, subiu ao trono da Prússia. Seguiu-se a desastrosa campanha militar de Jena (1806). A 14 de Outubro, no dia seguinte à batalha, a cidade de Weimar foi saqueada e, de modo a prevenir o confisco dos seus territórios, Carlos Augusto foi obrigado a juntar-se à Confederação do Reno. A partir desse momento, e até à campanha de Moscovo em 1812, o seu contingente lutou ao lado de Napoleão Bonaparte, sob a bandeira francesa, em todas as suas guerras. No entanto, em 1813, juntou-se à Sexta Coligação e, em inícios de 1814, assumiu o comando de um corpo militar com 30.000 homens que lutava nos Países Baixos.

Congresso de Viena e elevação a grão-ducado[editar | editar código-fonte]

Carlos Augusto esteve presente no Congresso de Viena (1815) e protestou em vão contra a política fechada das grandes potências que se limitavam a discutir os direitos dos seus príncipes e punham de lado os direitos do seu povo. Pelo serviço que prestou na guerra de libertação, recebeu como recompensa vários territórios e o título de grão-duque (Großherzog), mas a sua atitude liberal levantou suspeitas e acabou por sair em confronto com as potências reaccionárias. Foi o primeiro príncipe alemão a conceder uma constituição ao seu estado, ao abrigo do Artigo XIII do Acto Confederativo (5 de Maio de 1816). A constituição garantia liberdade de imprensa, o que fez com que, durante algum tempo, Weimar se tornasse num centro jornalístico contra a ordem existente. Metternich apelidou-o com desdém de "der grosse Bursche", por ter protegido o revolucionário Burschenschaften. Em 1818, quando permitiu a celebração de um festival em 1818 no qual houve manifestações políticas, Carlos Augusto tornou-se novamente alvo de criticas por parte das grandes potências. Depois deste incidente, o grão-duque acabaria por ceder às pressões da Prússia, Áustria e da Rússia e voltou a restringir a liberdade de imprensa no grão-ducado, mas, graças à boa relação que tinha com o seu povo, o regime dos Decretos de Carlsbad era menos rígido em Weimar no que noutros estados alemães.

Morte e legado[editar | editar código-fonte]

Carlos Augusto na sua velhice.

Carlos Augusto morreu em Graditz, perto de Torgau, em 1828. Deixou uma grande impressão em todo o tipo de pessoas que conheceu ao longo da sua vida. Karl von Dalberg, o seu primeiro-ministro, afirmou que nunca conheceu um príncipe tão compreensivo, expressivo, honesto e verdadeiro. Quando visitou Milão, os seus habitantes apelidaram-no de uomo principe ("o príncipe-homem") e o próprio Goethe disse que ele tinha "o dom de distinguir intelectos e personalidades, e de colocar cada um no seu lugar. Era a mais pura boa-vontade que o inspirava, o mais puro humanismo, e, com toda a sua alma, desejava apenas aquilo que era melhor. Havia nele algo de divino. Teria todo o prazer em fazer toda a humanidade feliz. Por fim, era maior do que aquilo que o rodeava (...) Via e julgava tudo o que via e, em todo o lado, a fonte em quem confiava mais era ele próprio." A correspondência trocada entre Carlos Augusto e Goethe foi publicada em dois volumes, em Weimar, em 1863.

Deixou dois filhos varõesː Carlos Frederico, que o sucedeu, e Carlos Bernardo, um soldado notável que, após o Congresso de Viena, se tornou coronel de um regimento ao serviço do rei dos Países Baixos, destingiu-se como comandante das tropas holandesas na campanha belga de 1830 (a Campanha dos Dez Dias) e, entre 1847 e 1850, foi comandante das forças das Índias Orientais Holandesas. O filho de Bernardo, o príncipe Guilherme Augusto Eduardo, conhecido como príncipe Eduardo de Saxe-Weimar (1823-1902) combateu no exército britânico e terminou a sua carreira como marechal-de-campo.

A única filha de Carlos Augusto, a princesa Carolina Luísa, casou-se com Frederico Luís, grão-duque hereditário de Mecklenburg-Schwerin, e uma das suas filhas, a princesa Helena, casou-se com Fernando Filipe, Duque de Orleães, filho mais velho do rei Luís Filipe I de França.

Descendência[editar | editar código-fonte]

Os três filhos de Carlos Augusto que chegaram à idade adultaː Bernardo, Carolina Luísa e Carlos Frederico.

Carlos Augusto teve sete filhos com a sua esposa, a princesa Luísa de Hesse-Darmstadtː

  1. Luísa Augusta de Saxe-Weimar-Eisenach (3 de Fevereiro de 1779 – 24 de Março de 1784), morreu aos cinco anos de idade.
  2. Filha nadomorta (10 de Setembro de 1781).
  3. Carlos Frederico, Grão-Duque de Saxe-Weimar-Eisenach (2 de Fevereiro de 1783 – 8 de Julho de 1853), casado com a grã-duquesa Maria Pavlovna da Rússia; com descendência.
  4. Filho nadomorto (26 de Fevereiro de 1785).
  5. Carolina Luísa de Saxe-Weimar-Eisenach (18 de Julho de 1786 – 20 de Janeiro de 1816), casada com Frederico Luís, grão-duque hereditário de Mecklenburg-Schwerin; com descendência.
  6. Filho nadomorto (13 de Abril de 1789).
  7. Bernardo de Saxe-Weimar-Eisenach (30 de Maio de 1792 – 31 de Julho de 1862), casado com a princesa Ida de Saxe-Meiningen; com descendência.

Além dos seus filhos legítimos, Carlos Augusto teve pelo menos cinco filhos fora do casamento:

Com Eva Dorothea Wiegand (1755 – 1828)

  1. Johann Karl Sebastian Klein (9 de Junho de 1779 – 28 de Junho de 1830), casado com Anna Fredericka Henriette Müller. Tiveram três filhos que devem ter morrido novos.

Com Luise Rudorf (1777 – 1852)

  1. Karl Wilhelm de Knebel (18 de Janeiro de 1796 – 16 de Novembro de 1861), casado primeiro com Fredericka de Geusau, com quem teve um filho que morreu novo e de quem se divorciou em 1837; casou-se uma segunda vez com Josephine Karoline Emilie Trautmann, de quem teve um filho e duas filhas.

Com Karoline Jagemann (1777 – 1848), recebeu o título de Frau von Heygendorf

  1. Carl de Wolfgang (25 de Dezembro de 1806 – 17 de Fevereiro de 1895)
  2. August de Heygendorff (10 de Agosto de 1810 – 23 de Janeiro de 1874).
  3. Mariana de Heygendorff (8 de Abril de 1812 – 10 de Agosto de 1836), casada com Daniel, barão Tindal.

Genealogia[editar | editar código-fonte]

Os antepassados de Carlos Augusto, Grão-Duque de Saxe-Weimar-Eisenach em três gerações
Carlos Augusto, Grão-Duque de Saxe-Weimar-Eisenach Pai:
Ernesto Augusto II, Duque de Saxe-Weimar-Eisenach
Avô paterno:
Ernesto Augusto I, Duque de Saxe-Weimar-Eisenach
Bisavô paterno:
João Ernesto III, Duque de Saxe-Weimar
Bisavó paterna:
Sofia Augusta de Anhalt-Zerbst
Avó paterna:
Sofia Carlota de Brandemburgo-Bayreuth
Bisavô paterno:
Jorge Frederico Carlos, Marquês de Brandemburgo-Bayreuth
Bisavó paterna:
Doroteia de Schleswig-Holstein-Sonderburg-Beck
Mãe:
Ana Amália de Brunsvique-Volfembutel
Avô materno:
Carlos I, Duque de Brunsvique-Volfembutel
Bisavô materno:
Fernando Alberto II, Duque de Brunswick-Wolfenbüttel
Bisavó materna:
Antónia Amália de Brunsvique-Volfembutel
Avó materna:
Filipina Carlota da Prússia
Bisavô materno:
Frederico Guilherme I da Prússia
Bisavó materna:
Sofia Doroteia de Hanôver
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Notas

  1. Ulich, Robert, The Education of Nations, Harvard University Press, Cambridge, Mass. 1961, p.193
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