Carlos Chagas Filho

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Carlos Chagas Filho Academia Brasileira de Letras
Nascimento 12 de setembro de 1910
Rio de Janeiro, Rio de Janeiro1908.gif Distrito Federal
Morte 16 de fevereiro de 2000 (89 anos)
Rio de Janeiro,  Rio de Janeiro
Nacionalidade  Brasileiro
Ocupação Médico, professor, diplomata, cientista e ensaísta

Carlos Chagas Filho (Rio de Janeiro, 12 de setembro de 1910 — Rio de Janeiro, 16 de fevereiro de 2000) foi um médico, professor, diplomata, cientista e ensaísta brasileiro. Ocupou a cadeira 9 da Academia Brasileira de Letras.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Filho do renomado médico sanitarista Carlos Chagas e Íris Lobo Chagas, ambos originários de Minas Gerais. Cursou no Rio de Janeiro o Colégio Resende e depois prestou exames preparatórios no Colégio Pedro II. Matriculou-se na Faculdade de Medicina da atual Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1926. No segundo ano, começou a trabalhar no Hospital São Francisco e no Instituto de Manguinhos.

Casou-se com Ana Leopoldina de Melo Franco, filha de Afrânio de Melo Franco e de sua esposa Sílvia Alvim, sendo, portanto, irmã de Afonso Arinos de Melo Franco (1905-1990) e concunhado de José Tomás Nabuco, que era casado com Maria do Carmo de Melo Franco.

Findado o curso em 1931, recebeu a Medalha Antonia Chaves Berchon des Essarts, concedida ao alunos que obtiveram as melhores notas no decurso da faculdade. A seguir, passou o ano de 1932 dirigindo o Hospital de Lassance, mantido pelo Instituto de Manguinhos, na terra onde seu pai, Carlos Chagas, descobriu a doença de que leva o seu nome. Em 1935, casou-se com Ana Leopoldina de Melo Franco, com quem teve quatro filhas.

Encaminhou-se para as carreiras básicas de Medicina Biológica, tendo trabalhado com Costa Cruz, Miguel Osório de Almeida e Carneiro Felipe que provavelmente foi o mestre em ciências que mais o influenciou. Um ano após sua formatura, prestou concurso para a docência-livre de física biológica e passou a Assistente desta cadeira na Faculdade de Medicina. Com a morte do Prof. Lafayette Rodrigues Pereira, vagou-se a cátedra de Física Biológica e Chagas se apresentou ao concurso, do qual participaram 6 candidatos; tendo vencido as provas, assumiu o cargo de Professor Titular.

Com recursos próprios, decidiu viajar à Europa, onde trabalhou com René Wurmser e Alfred Fessard em Paris e Archibald Vivian Hill na Inglaterra.

À sua volta, dedicou-se à organização de um grupo de pesquisadores para o laboratório de Biofísica em que faria prevalecer seu lema "A Universidade é um local onde se ensina porque se pesquisa". Em 1945, o laboratório veio a se transformar em Instituto de Biofísica e em pouco tempo, com a vinda ao Brasil de vários cientistas estrangeiros tornou-se um centro de estudos de renome, onde se realizaram vários colóquios e simpósios de nível internacional em que se destacaram aqueles cujo tema era a Bioeletrogênese.

A partir da fundação do CNPQ, em 1951, teve participação ativa no Conselho Deliberativo. Participou, como Delegado do Brasil, na 1ª Conferência Geral da UNESCO, em Paris, assim como na 2ª Conferência desta entidade realizada no México. A seguir, foi convidado para o Comitê de Pesquisa da Organização Pan-americana de Saúde em que atuou até 1962 e em 1963 organizou, como secretário especial, a 1ª Conferência das Nações Unidas para Aplicação da Ciência e Tecnologia ao Desenvolvimento.

Foi nomeado Presidente do Comitê Especial das Nações Unidas para Aplicação da Ciência e Tecnologia ao Desenvolvimento, função que exerceu por seis anos quando também fundou, junto com Abdus Salam, a International Federation of Institutes for Advanced Sciences (IFIAS). Em 1966, foi nomeado Embaixador do Brasil junto a UNESCO. De 1965 a 1967 foi eleito Presidente da Academia Brasileira de Ciências retornando também à direção do Instituto de Biofísica que passou a levar seu nome.

Em 1972, Carlos Chagas foi nomeado pelo Papa Paulo VI, Presidente da Pontifícia Academia das Ciências, cargo que exerceu durante 16 anos, tendo organizado mais de 80 reuniões científicas em Roma, das quais participaram renomados cientistas.

Carlos Chagas Filho recebeu 16 títulos de Doutor Honoris Causa em Universidades nacionais e internacionais. No decurso de sua vida Acadêmica, recebeu 19 condecorações entre as quais Comendador-Ordre Nationale de la Légion d'Honneur - França, 1979; é Membro, entre outras academias científicas, da Académie des Sciences de l'Institut de France.

Membro titular ou correspondente de várias outras academias, entre as quais a Academia Brasileira de Ciências, Pontifícia Academia das Ciências, Academia das Ciências de Lisboa, Institut de France, American Academy of Arts and Sciences, American Philosophical Academy, Academia Nacional de Medicina da França, Academia Real da Bélgica, Academia de Ciências da Romênia e Academia Internacional de História das Ciências.

Obras[editar | editar código-fonte]

Sua obra científica é composta, de aproximadamente, 200 artigos científicos e de obras publicadas sob sua coordenação e orientação.

  • Homens e coisas da ciência
  • Carlos Chagas
  • Plaquete
  • O minuto que vem, reflexões sobre a ciência no mundo moderno
  • Contribuição da ciência e da tecnologia à melhoria da qualidade de vida

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


Precedido por
Arthur Alexandre Moses
Presidente da Academia Brasileira de Ciências
1965 — 1967
Sucedido por
Aristides Azevedo Pacheco Leão
Precedido por
Marques Rebelo
Lorbeerkranz.png ABL - terceiro acadêmico da cadeira 9
1974 — 2000
Sucedido por
Alberto da Costa e Silva