Carlos Roberto Zanirato

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Carlos Roberto Zanirato
Nome completo Carlos Roberto Zanirato
Nascimento 09 de setembro de 1949
Ourinhos, São Paulo, Brasil
Morte 29 de junho de 1969 (19 anos)
São Paulo, Brasil
Nacionalidade Brasil brasileira
Ocupação soldado, militante


Carlos Roberto Zanirato (Ourinhos, 9 de novembro de 1949São Paulo, 29 de junho de 1969) foi um soldado e militante da Vanguarda Popular Revolucionária desaparecido na ditadura militar brasileira.

É um dos casos investigados pela Comissão da Verdade, que apura mortes e desaparecimentos na ditadura militar brasileira.

Juventude[editar | editar código-fonte]

Carlos Roberto Zanirato nasceu no dia 9 de novembro de 1949 na cidade de Ourinhos, em São Paulo. Foi filho de Hermínio Zanirato e Ernestina Furtado Zanirato. Com 18 anos entrou para o Exército Brasileiro e em janeiro de 1969, com 19 anos, Zanirato e outros soldados sob a liderança do capitão Carlos Lamarca saíram do 4º Regimento de Infantaria, em Quitaúna, em Osasco, após a instauração do Ato Institucional Número 5, para formar a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), organização da guerrilha armada de extrema-esquerda que combatia o regime militar. [1]

Ditadura Militar[editar | editar código-fonte]

O soldado foi preso no dia 23 de junho de 1969 pelo Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) de São Paulo, onde ficou preso e foi assassinado no dia 29.

Segundo a versão dada pela polícia na época, no dia 29, Zanirato foi conduzido ao encontro dos seus companheiros militantes da guerrilha no cruzamento da Rua Bresser com a Avenida Celso Garcia, na zona leste de São Paulo e em um descuido dos policiais, Zanirato teria se jogado na frente de um ônibus em movimento, vindo a falecer por causa das fraturas. [2]

Porém, no exame microscópico realizado pelo Instituto Médico Legal (IML) ficou comprovado que o soldado estava usando um par de algemas [3] quando foi morto, o que prova que ele estava preso e que não haveria brechas para um descuido por parte dos militares. Além disso, o exame também mostrou que o corpo de Zanirato estava cheio de escoriações e fraturas. [4]

Na Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos (CEMDP), a relatora do caso, Suzana Lisbôa concluiu que a morte do militante foi ocasionada por torturas.

"Ficou comprovada a prisão e morte por torturas, já que o corpo parece não ter espaço onde não haja equimoses, escoriações ou fraturas (todas as costelas no lado direito, osso ilíaco, clavículas e úmero); e ainda ferimentos, escoriações, ruptura do pulmão – certamente o resultado de seis dias de tortura no DOPS de São Paulo”.[5]

Carlos Roberto Zanirato foi enterrado como indigente, no Cemitério de Vila Formosa, também na zona leste da cidade, mesmo com todos os seus dados cadastrados na qualificação do exame microscópico, o que mostra que os militares queriam ocultar o cadáver de Zanirato. [6]

Vanguarda Popular Revolucionária (VPR)[editar | editar código-fonte]

O campo de treinamento da Vanguarda Popular Revolucionária ficava em um sítio próximo à cidade de Jacupiranga, no interior de São Paulo, onde se concentravam os militantes de movimentos estudantis de São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.

Em homenagem a alguns militantes mortos durante a ditadura, a guerrilha se organizava em dois grupos, a base Carlos Roberto Zanirato e a base Eremias Delizoikov, que formavam o núcleo Carlos Marighella.

Esses grupos tinham uma série de exercícios pesados diariamente e realizavam caminhadas de 18 km carregando mochilas com 30 quilos. [7]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências