Carlos Selvagem

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Carlos Selvagem
Nascimento 13 de agosto de 1890
Lisboa, Portugal
Morte 4 de junho de 1973 (82 anos)
Lisboa, Portugal
Nacionalidade Portugal Português
Ocupação Escritor, militar, jornalista, autor dramático e historiador

Carlos Tavares de Andrade Afonso dos Santos (Lisboa, 13 de Agosto de 1890 — Lisboa, 4 de Junho de 1973), mais conhecido pelo nome literário de Carlos Selvagem, foi um militar, jornalista, escritor, autor dramático e historiador, que notabilizou pelas suas obras de trama histórico, por vezes de pendor marcadamente nacionalista. Na vertente dramática escreveu peças de grande rigor construtivo, tendo na vertente da comédia de costumes criado figuras que, pela sua crueza, provocaram estranheza junto do público mais conservador. A sua obra caracteriza-se por uma escrita marcadamente poética, de grande originalidade, onde perpassa um conteúdo ideológico e de crítica social de grande coerência.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Frequentou o Colégio Militar entre 1901 e 1907 onde lhe deram a alcunha (Selvagem) que mais tarde veio a incorporar no pseudónimo literário que adoptou. Formou-se em Cavalaria pela Escola do Exército e participou no Niassa e no norte de Moçambique na frente africana da Primeira Guerra Mundial. Chegou a major.[1]

Foi grande amigo e politicamente sempre muito próximo do capitão Henrique Galvão, com quem partilhou a autoria da obra Império Ultramarino Português: Monografia do Império, Lisboa: Empresa Nacional de Publicidade, 1950-1953 (4 vols.). Henrique Galvão, apesar de ser então deputado à Assembleia Nacional, foi o seu defensor no julgamento da tentativa de golpe da Junta de Libertação Nacional (10 de Abril de 1947), também conhecida por Abrilada. Quando em Janeiro de 1961 Henrique Galvão liderou o assalto ao paquete Santa Maria, chamou-lhe Operação Dulcineia, do título de uma peça de teatro de Carlos Selvagem (Dulcinéa ou a última aventura de D. Quixote, Lisboa: Editorial Aviz, 1943).

Entre as obras de que foi autor mereceram particular destaque os contos infantis Picapau - Bonecos Falantes, a obra historiográfica e didáctica Portugal Militar e o romance A Espada de Fogo. As peças de teatro Entre Giestas (1915), Ninho de Águias (1920), Telmo, o Aventureiro e, sobretudo, Dulcineia ou a última aventura de D. Quixote, tiveram grande sucesso junto do público sendo consideradas entre as mais representativas da dramaturgia portuguesa do século XX.[2] Encontra-se colaboração da sua autoria na revista Ilustração [3] iniciada ema 1926. Foi distinguido com o Prémio Gil Vicente.

Foi escolhido em concurso público para escrever o compêndio a utilizar nas escolas militares, tendo produzido para esse fim a obra Portugal Militar. Compêndio de História Militar e Naval de Portugal desde as Origens do Estado Portucalense até ao fim da Dinastia de Bragança, publicada em 1931, corrigida e anotada pelo autor em 1936 e reeditada em 2006. Todas as edições pela Imprensa Nacional.


O seu nome perdura na toponímia portuguesa, em nomes de arruamentos.

Principais obras publicadas[editar | editar código-fonte]

Para além de uma vasta obra dispersa por periódicos diversos, publicou as seguintes obras:

  • Ninho de Águias, comédia dramática em 3 actos, Porto, 1920;
  • Entre Giestas, drama rural em três actos, Porto, 1922;
  • O Herdeiro, Paris, 1923;
  • Cavalgada nas Nuvens, Lisboa, 1922;
  • Auspicioso Enlace, Paris, 1923 (em colaboração com André Brun);[4]
  • Bonecos Falantes, Paris, 1925;
  • Ave do Paraíso, romance, Paris, 19--;
  • Tropa d'África: jornal de campanha dum voluntário do Niassa, Lisboa, 1931;
  • Telmo, o Aventureiro, 1937;
  • Papagaio Real, contos para crianças, Lisboa, 1937;
  • A Encruzilhada, Lisboa, 1941;
  • Dulcineia ou a Última Aventura de D. Quixote, Lisboa, 1944;
  • O Problema das Elites no Mundo Moderno, Lisboa, 1944;
  • O Ribatejo no Mapa da Nação, Lisboa, 1945;
  • Os Távoras, Lisboa, 1961;
  • A Batalha de La Lys e o Marechal Gomes da Costa, Lisboa, 1963;
  • O Anjo Rebelde, Lisboa, 1964;
  • A Bela Impéria, Lisboa, 1969;
  • Picapau - Bonecos Falantes, Lisboa, 2007 (ISBN 9789722204675);
  • Portugal Militar. Compêndio de História Militar e Naval de Portugal desde as Origens do Estado Portucalense até ao fim da Dinastia de Bragança, Lisboa, 2006 (ISBN 9789722704427);
  • A Espada de Fogo, peça em três actos, Lisboa, 1990 (edição póstuma);
  • Carlos Selvagem: Teatro Completo com Peças Inéditas, Lisboa, 1997 (colectânea organizada por Duarte Ivo Cruz).

Referências

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Meninos da Luz – Quem é Quem II. Lisboa: Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar. 2008. ISBN 989-8024-00-3 
  • Matos, Alberto da Costa; prefácio: António dos Santos Ramalho Eanes (2009). O Colégio Militar na Toponímia Portuguesa. Lisboa: Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar. ISBN 978-989-96104-0-8 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]