Carlota Joaquina, Princesa do Brazil
Carlota Joaquina, Princesa do Brazil
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| Pôster oficial do filme. | |
1995 • cor • 100 min | |
| Género | comédia, história |
| Direção | Carla Camurati |
| Roteiro | Carla Camurati Melanie Dimantas Angus Mitchell |
| Elenco | Marieta Severo Marco Nanini Ludmila Dayer Ney Latorraca Antonio Abujamra Maria Fernanda |
| Diretor de fotografia | Breno Silveira Ricardo Madeira Adalberto Ferreira Jr. Franklin Toledo Costa |
| Direção de arte | Emilia Duncan e Tadeu Burgos |
| Figurino | Fernanda Marinho Patrícia Gwinner Laura Andrade |
| Distribuição | Warner Bros. Pictures |
| Lançamento | 6 de Janeiro de 1995 |
| Idioma | português, espanhol e inglês |
Carlota Joaquina, Princesa do Brazil é um filme histórico e satírico, lançado em 1995 e dirigido por Carla Camurati. Estrelado por Marieta Severo e Marco Nanini, o longa-metragem é amplamente reconhecido como o marco inaugural do movimento conhecido como Cinema da Retomada, responsável por reerguer a produção cinematográfica nacional após um período de crise profunda no início da década de 1990. Ao atrair mais de 1,2 milhão de espectadores aos cinemas, Carlota Joaquina demonstrou que o público brasileiro estava disposto a consumir o cinema nacional novamente, injetando otimismo e recursos no mercado. O filme foi produzido com um orçamento estimado em R$ 500,00 mil. Foi relançado nos cinemas com patrocínio da Petrobrás em 14 agosto de 2025[1] remasterizado em resolução 4k.[2]
Sinopse
[editar | editar código]O filme começa na Escócia, onde a menina Yolanda escuta de seu tio a história da infanta espanhola Carlota Joaquina de Bourbon, também explicando sobre a monarquia portuguesa, e a elevação do Brasil, de colônia do império ultramarino português, a reino unido com Portugal, circunstâncias que levaram-na a ser Princesa do Brasil.
A morte do rei de Portugal D. José I de Bragança, em 1777, e a declaração de insanidade da rainha Dona Maria I, em 1792, levam seu filho, o então príncipe D. João de Bragança e sua esposa, Carlota Joaquina, ao trono real português. Em 1807, para escapar das tropas napoleônicas que invadiam Portugal, o casal e a corte transferem-se às pressas para o Rio de Janeiro, onde a família real e grande parte da nobreza portuguesa vive exilada por 14 anos. Na colônia aumentam os desentendimentos entre Carlota e D. João, que após a morte da mãe, deixa de ser príncipe-regente e torna-se rei de Portugal e, posteriormente, do reino unido de Portugal, Brasil e Algarves.[3]
Elenco
[editar | editar código]- Marieta Severo - Carlota Joaquina de Bourbon
- Marco Nanini - Dom João VI de Bragança
- Maria Fernanda - Rainha D. Maria I
- Marcos Palmeira - D. Pedro I
- Beth Goulart - Princesa Maria Teresa de Bragança
- Antônio Abujamra - Conde de Mata-Porcos
- Vera Holtz - Maria Luísa de Parma
- Ney Latorraca - Jean-Baptiste Debret
- Chris Hieatt - Lorde Strangford
- Eliana Fonseca - Custódia
- Norton Nascimento - Fernando Leão
- Romeu Evaristo - Felisbindo
- Lisandra Souto - Daniele
- Bel Kutner - Francisca
- Aldo Leite - Lobato, o 1.° visconde de Vila Nova da Rainha
- Maria Ceiça - Gertrude Petra Carneiro Leão
- Ludmila Dayer - Carlota Joaquina de Bourbon (criança)
- Thales Pan Chacon - médico
Recepção
[editar | editar código]No Papo de Cinema, Bruno Carmelo avaliou com nota 8/10 dizendo que "o deboche crítico, aliado ao evidente cuidado de produção (....) torna a obra uma exceção entre exceções: a diretora conseguiu financiamento para um filme oneroso, sobre um tema a princípio hermético para o público médio, no momento em que o mercado sequer sabia como distribuir um filme nacional."[4] Na Folha de S.Paulo, Marcelo Coelho disse que "o trabalho de Carla Camurati merece elogios. Cria um mundo de estranha opulência visual, em que o luxo e o grotesco parecem conviver como num quadro de Salvador Dalí.[5]
Outros críticos teceram comentários negativos sobre o filme. Ronaldo Vainfas disse que "é uma história cheia de erros de todo tipo, deturpações, imprecisões, invenções", e para Luiz Carlos Villalta, "constitui um amplo ataque ao conhecimento histórico", reforçando estereótipos que a historiografia recente já derrubou e conduzindo o espectador "mais ao deboche do que à reflexão crítica sobre a história do Brasil."[6]
Sátira, Estética da Corte e Anacronismos (Traços da Chanchada)
[editar | editar código]O estilo de Carlota Joaquina se destaca por desmistificar figuras históricas e apresentá-las de forma leve e divertida, utilizando a sátira política para dialogar com o público. Essa abordagem estabeleceu uma forte ligação com o Cinema de Chanchada, que utilizava o deboche e o humor popular para criticar as elites.[7]
- Dom João VI é retratado de maneira patética e cômica por Marco Nanini, como um monarca que é constantemente subjugado, com medo de se posicionar politicamente e preocupado principalmente com comida.
- Carlota Joaquina (Marieta Severo) é exibida como uma mulher excessivamente ambiciosa, insatisfeita e de moral promíscua.
Essa desconstrução do mito da realeza, por meio de caricaturas e exageros, é o cerne da crítica social do filme.
Um aspecto crucial da obra é a liberdade artística em relação à História. O filme optou deliberadamente por não se prender à veracidade histórica, usando anacronismos como ferramenta cômica e crítica.[8]
O renascimento da produção se deu com a criação de novas leis de incentivo, como a Lei do Audiovisual (Lei 8.685/93). Esta nova política cultural baseou-se na renúncia fiscal, permitindo que empresas privadas investissem em projetos cinematográficos em troca de abatimento no imposto de renda.[9]
- Pioneirismo: Carlota Joaquina foi um dos primeiros filmes a utilizar com sucesso os mecanismos da nova legislação de incentivos.
- Modelo de Produção: O filme provou que era possível realizar produções ambiciosas e de qualidade técnica fora do modelo estatal anterior.
- O sucesso do filme em 1995 abriu as portas para uma série de produções que viriam a seguir, consolidando o período da Retomada[10], caracterizado por uma produção mais diversificada e com foco na qualidade técnica.
Carlota Joaquina, enquanto produção fílmica, abriu espaço para que o cinema brasileiro voltasse a investir em obras de caráter histórico, escolar e educativo. ainda que essas categorias não fossem novidade no Brasil, a maneira como o filme foi posicionado no mercado criou um entendimento entre o público.
Prêmios e indicações
[editar | editar código]Prêmios
[editar | editar código]Festival de Havana (1995)
- Menção Honrosa.
Grande Prêmio Cinema Brasil (1996)
- Melhor Filme e Melhor Atriz (Marieta Severo)
Ver também
[editar | editar código]Referências
- ↑ «(relançamento) Carlota Joaquina, Princesa do Brazil». Filme B. Consultado em 14 de agosto de 2025
- ↑ «'Carlota Joaquina', clássico da Retomada do cinema brasileiro, volta às telonas em 4K». Ingresso.com. Consultado em 25 de junho de 2025
- ↑ Cardoso, José Luís (2022). «A REVOLUÇÃO LIBERAL DE 1820: GUIÃO DE UMA REVOLUÇÃO INACABADA». Almanack (30). ISSN 2236-4633. doi:10.1590/2236-463330ed00422. Consultado em 5 de dezembro de 2025
- ↑ «Carlota Joaquina, Princesa do Brazil». Papo de Cinema. Consultado em 25 de junho de 2025
- ↑ «"Carlota Joaquina" debocha da história». Folha de S.Paulo. Consultado em 25 de junho de 2025
- ↑ Villalta, Luiz Carlos. "Carlota Joaquina, Princesa do Brazil": entre a história e a ficção, um "Romance" crítico do conhecimento histórico. Departamento de História - UFMG, s/d. pp. 1-34
- ↑ Itaú Cultural, Enciclopédia, ed. (10 de agosto de 2018). Estudo do gênero conto com base na leitura de Lygia Fagundes Telles. [S.l.]: Itaú Cultural. Consultado em 4 de dezembro de 2025
- ↑ Azevedo da Fonseca, Vitoria. «Historia imaginada no cinema». Consultado em 4 de dezembro de 2025
- ↑ Azevedo da Fonseca, Vitoria. «Historia imaginada no cinema». Consultado em 4 de dezembro de 2025
- ↑ «Chanchada». Wikipédia, a enciclopédia livre. 9 de novembro de 2025. Consultado em 4 de dezembro de 2025
- Filmes dirigidos por Carla Camurati
- Representações culturais de Pedro I do Brasil
- Filmes sobre a colonização da América
- Filmes em língua portuguesa
- Filmes em língua espanhola
- Filmes de drama biográfico do Brasil
- Filmes do Brasil de 1995
- Representações culturais de João VI de Portugal
- Filmes ambientados no Brasil colonial
- Filmes ambientados no século XIX
- Filmes de ficção histórica do Brasil
- Representações culturais de Carlota Joaquina de Bourbon
- Representações culturais de Maria I de Portugal
- Escravidão no Brasil nas artes
