Carmen Mayrink Veiga

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Carmen Mayrink Veiga
Nome completo Carmen Therezinha Solbiati Mayrink Veiga
Nascimento 24 de abril de 1929 (86 anos)
Pirajuí, São Paulo,  Brasil
Nacionalidade Brasileira
Ocupação Socialite

Carmen Therezinha Solbiati Mayrink Veiga (Pirajuí, São Paulo, 24 de abril de 1929), mais conhecida como Carmen Mayrink Veiga, é uma famosa socialite brasileira.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Filha de Maria de Lourdes de Lacerda Guimarães e Enéas Solbiati, [1] , nasceu numa tradicional família do sudeste brasileiro. Pelo lado materno, é neta do barão de Arari e sobrinha-neta do barão de Araras. Sua mãe era prima-irmã de Ana Paulina de Lacerda Guimarães, casada com Antônio Álvares Leite Penteado (depois titulado conde de Álvares Penteado, pela Santa Sé, na pessoa do papa Pio X). Ambos eram pais de Armando Álvares Penteado, criador da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP). Sua mãe era também prima-irmã do senador Antônio de Lacerda Franco, banqueiro e fazendeiro.[carece de fontes?]

O pai de Carmen, Enéas Solbiati, era um rico financista do interior de São Paulo. Foi cônsul honorário do Reino da Itália.[1]

Carmen, já famosa no mundo da moda, frequentadora assídua dos desfiles da alta costura francesa, atraiu a imprensa especializada como a Paris Match quando se casou, a 25 de junho de 1956, com o empresário Antônio (Tony) Alfredo Mayrink Veiga, filho de Antenor Mayrink Veiga e herdeiro de uma fortuna multimilionária. O casal teve dois filhos: Antenor e Tereza Antônia.

A empresa da família de Tony, a Casa Mayrink Veiga, foi representante de fornecedores de armamentos para o Exército Brasileiro e a Guarda Nacional, desde a época do Império do Brasil (1822-1889), acumulando vultosa fortuna durante a Guerra do Paraguai (1864-1870), acumulação que prosseguiu até os anos 1980, quando a empresa se tornou também fabricante dos armamentos - segundo Tony, por pressão da Marinha - e iniciou sua trajetória descendente, até ser atingir o fundo do poço, em 1992, na sequência do Plano Collor (1991-1993)[2] Além disso, houve a quebra do conglomerado inglês Ferranti, em 1993, que devia muito à sua empresa. Uma outra explicação para a derrocada da Casa Mayrink é que, com o fim da ditadura militar no Brasil, não foram renovados os polpudos contratos com o Exército, a Marinha e a Aeronáutica. [3] [4]

A família também era proprietária da rádio Mayrink Veiga, que foi fechada após o golpe militar de 1964.

Para pagar as dívidas, os Mayrink Veiga tiveram que se livrar dos bens, inclusive o retrato de Carmen, pintado por Cândido Portinari, em 1959. "Não sinto falta dessas coisas. Aproveitei bastante e não me arrependo de nada", diz Carmen. "Mas vou ficar com saudade de meu Portinari", completaou. O casal teve penhoradas centenas de obras de arte, tapeçarias persas exclusivas para realezas do século XVIII, um serviço de porcelana Imari para 200 pessoas, carros de luxo, incluindo seu Rolls-Royce 1951, e jóias pessoais, além de algumas propriedades rurais e urbanas, que foram leiladas para saldar dívidas. [3] [5] O destaque, no leilão realizado em 2007, foram onze obras do artista Milton Dacosta, cujo valor sultrapassou R$ 1,5 milhão. O conjunto de jantar de porcelana japonesa alcançou R$ 420 mil. Já o retrato de Carmen, pintado por Cândido Portinari e cujo valor inicial era de R$ 350 mil, não obteve lance e continua com a família. O casal continuou por mais alguns anos em seu mega-apartamento de quase 1.000 metros quadrados na Praia do Flamengo, de frente para o Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro, ainda bem provido de peças de arte e decoração.

O casal, Tony e Carmen, considerado por Truman Capote, Diana Vreeland e Anna Wintour, na revista Vogue estadunidense, como "as pessoas mais chiques da América do Sul", participou de diversos eventos do jet set internacional, entre caçadas na África,[2] e festas com multimilionários de diversos países. Costumava fazer muitas festas na sua residência e transportava convidados a bordo de supersônicos Concorde para temporadas de caça na Inglaterra, França e Áustria. Carmen foi retratada por artistas como Portinari, Andy Warhol e Di Cavalcanti,[6] e fotografada por Francesco Scavullo, Richard Avedon, Mario Testino, Bob Wolfenson, Tuca Reinés e outros.

Carmen também recebeu uma polêmica "homenagem" no videoclipe da canção "Imitation of life", da banda R.E.M., que mostra caricaturas inspiradas em Carmen, Madonna e Demi Moore. Quando o videoclipe estava para ser produzido, Carmen causou admiração quando, depois de comparecer à entrega do Óscar, demorou 20 minutos para desembarcar de uma limusine para o jantar oferecido por Madonna e Demi Moore em Los Angeles. A demoradeveu-se ao tamanho do vestido de Carmen, que entrou no salão ao lado de Madonna. Carmen fez parte das listas das mulheres mais elegantes do Brasil e, em 1981, entrou para a seleta lista das pessoas mais bem vestidas do mundo, da revista Vanity Fair.[7] É também a única brasileira citada na biografia oficial de Yves Saint Laurent e listada nos registros de clientes da alta costura de Paris desde jovem.

Ela escreveu o livro ABC de Carmen, publicado pela Editora Globo em 1997, sobre etiqueta e seu estilo pessoal. Foi convidada para atualizar e comentar, para a América do Sul, o O Livro Completo de Etiqueta de Amy Vanderbilt, publicado no Brasil pela Editora Nova Fronteira.

Em 2003, a Casa de Arte e Cultura Julieta de Serpa, no Rio de Janeiro, organizou uma exposição com 67 de seus mais de 400 vestidos de alta costura - uma coleção considerada rara pelos especialistas em arte e alta moda.[8]

Atualmente, o casal Carmen e Tony Mayrink Veiga, já idoso, enfrenta problemas de saúde. Tony teve um infarto, e Carmen sofre de paraparesia espástica tropical, doença que limita seus movimentos.[4]

Em 2013, num novo leilão, mais de 100 peças de arte e decoração foram arrematadas em São Paulo. No entanto, a peça mais cobiçada do leilão - o retrato de Carmem, pintado por Portinari em 1959 - não encontrou comprador. O motivo do leilão, segundo Carmem, é a mudança para um imóvel menor, contíguo ao seu apartamento da Praia do Flamengo . "Desde que me tornei cadeirante e que meus empregados foram se aposentando, não faz mais sentido ficar num apartamento tão grande."[9]

Ela se tornou uma espécie de ativista pela causa dos cadeirantes, conseguindo que rampas de acesso e outras facilidades indispensáveis para deficientes físicos fossem instaladas em grandes hotéis como o Copacabana Palace,[10] restaurantes e edificações históricas, como o Teatro Municipal do Rio de Janeiro, que ganhou um elevador panorâmico específico para cadeirantes, que Carmen inaugurou. Carmen também é conhecida por ser expert em porcelanas orientais, arte e gemas preciosas e, principalmente, conhecida por sua paixão por gatos, incentivando a castração e adoção de gatos vira-latas. Carmen conseguiu criar a raça "gato brasileiro tigrado pêlo curto" para os gatos que antes não tinham raça definida.

Referências

  1. a b O Rolls Royce, o político, a madame e seus segredos, por Hugo Studart, 13 de novembro de 2008.
  2. a b Outono do caçador. Por Roberta Paixão. Veja, ed.1632, 19 de janeiro de 2000 (disponível no arquivo da revista), pp 68-69.
  3. a b Carmem perde os anéis. ISTOÉ Dinheiro, 19 de outubro de 2005.
  4. a b Leilão de obras dos Mayrink Veiga atinge R$ 2,5 milhões. Por Marina Ito. Conjur, 25 de julho de 2007.
  5. Consultor Jurídico, 4 de outubro de 2005. Carmen Mayrink Veiga não consegue evitar penhora de bens
  6. Carmen Mayrink Veiga: "Pobre não pode ser elegante". Por Eliane Lobato. ISTOÉ nº 2157, 11 de março de 2011
  7. International Best-Dressed List. The International Best-Dressed Hall of Fame 2015. Vanity Fair, 5 de agosto de 2015
  8. "Carmen Mayrink Veiga, a Papisa da Alta Sociedade". Por Jamill Barbosa Ferreira, 2005]
  9. Socialite Carmem Mayrink Veiga leiloa mais de 100 peças de arte: "Não me apego a nada" . Época, 23 de novembro de 2013
  10. Carmen Mayrink Veiga será homenageada na festa de reabertura do prédio principal do Copacabana Palace . Época, 19 de novembro de 2012.
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