Carmen Mayrink Veiga

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Carmen Mayrink Veiga
Nome completo Carmen Therezinha Solbiati Mayrink Veiga
Nascimento 24 de abril de 1929
Pirajuí, São Paulo,  Brasil
Morte 03 de dezembro de 2017 (88 anos)
Rio de Janeiro
Nacionalidade Brasileira
Ocupação Socialite, Jet-Setter, Consultora de Moda e etiqueta.

Carmen Therezinha Solbiati Mayrink Veiga (Pirajuí, São Paulo, 24 de abril de 1929Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 03 de dezembro de 2017)[1], mais conhecida como Carmen Mayrink Veiga, foi uma famosa socialite brasileira com maior projeção na moda e no jet-set internacionais e considerada uma das mulheres mais elegantes e bem-vestidas do mundo.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Filha de Maria de Lourdes de Lacerda Guimarães e Enéas Solbiati,[2], nasceu numa tradicional família do sudeste brasileiro. Pelo lado materno, é neta do barão de Arari e sobrinha-neta do barão de Araras. Sua mãe era prima-irmã de Ana Paulina de Lacerda Guimarães, casada com Antônio Álvares Leite Penteado (depois titulado conde de Álvares Penteado, pela Santa Sé, na pessoa do papa Pio X). Ambos eram pais de Armando Álvares Penteado, criador da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP). Sua mãe era também prima-irmã do senador Antônio de Lacerda Franco, banqueiro e fazendeiro.[carece de fontes?]

O pai de Carmen, Enéas Solbiati, era um rico produtor de café e financista do interior de São Paulo. Foi cônsul honorário do Reino da Itália.[2]

Carmen, já famosa no mundo da moda desde adolescente, era, ao lado da mãe, frequentadora e cliente assídua dos desfiles da alta costura francesa e atraiu a imprensa especializada como a Paris Match quando se casou, a 25 de junho de 1956, com o empresário Antônio (Tony) Alfredo Mayrink Veiga, filho de Antenor Mayrink Veiga e herdeiro de uma fortuna multimilionária. O casal teve dois filhos: Antenor e Tereza Antônia.

A empresa da família de Tony, a Casa Mayrink Veiga, foi representante de fornecedores de armamentos para o Exército Brasileiro e a Guarda Nacional, desde a época do Império do Brasil (1822-1889), acumulando vultosa fortuna durante a Guerra do Paraguai (1864-1870), acumulação que prosseguiu até os anos 1980, quando a empresa se tornou também fabricante dos armamentos - segundo Tony, por pressão da Marinha - e iniciou sua trajetória descendente (1992), na sequência do Plano Collor (1991-1993)[3] Além disso, houve a quebra do conglomerado inglês Ferranti, em 1993, que devia muito à sua empresa. Uma outra explicação para a derrocada da Casa Mayrink Veiga é que, com o fim da ditadura militar no Brasil, não foram renovados os polpudos contratos com o Exército, a Marinha e a Aeronáutica.[4][5]

A família também era proprietária da rádio Mayrink Veiga, que foi fechada após o golpe militar de 1964.

Para pagar as dívidas, os Mayrink Veiga tiveram que leiloar vários bens. "Não sinto falta dessas coisas. Aproveitei bastante e não me arrependo de nada", diz Carmen. "Mas vou ficar com saudade de meu Portinari", completou. O casal teve penhoradas centenas de obras de arte, tapeçarias persas exclusivas para realezas do século XVIII, um serviço de porcelana Imari para 200 pessoas, carros de luxo, incluindo seu Rolls-Royce 1951, jóias e algumas propriedades rurais e urbanas.[4][6] O destaque no leilão, realizado em 2007, foram onze obras do artista Milton Dacosta, cujo valor ultrapassou R$1,5 milhão. O conjunto de jantar de porcelana japonesa alcançou R$420 mil. Já o retrato de Carmen, pintado por Cândido Portinari e cujo valor inicial seria de R$350 mil, foi retirado do leilão por decisão da própria Carmen e continuou com o casal até o fim. O casal continuou em seu mega-apartamento de 1.000 metros quadrados na Praia do Flamengo, de frente para o Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro, ainda bem provido de peças de arte e decoração.

O casal, Tony e Carmen, considerado por Truman Capote, Diana Vreeland e Anna Wintour, na revista Vogue estadunidense, como "as pessoas mais chiques da América do Sul", participou de diversos eventos do jet set internacional, entre caçadas na África e Europa,[3] e festas com realezas como a rainha Elizabeth II da Inglaterra e a Princesa Diana, multimilionários de diversos países como os Rothschild e os Rockfeller, artistas plásticos e personalidades da música, cinema e da alta moda mundial. Costumava fazer jantares de gala em suas residências e castelos alugados e transportava convidados a bordo de supersônicos Concorde para temporadas de caça em castelos na África, Inglaterra, França e Áustria. A exuberância era tamanha que a Revista Veja noticiou, em novembro de 2017, que um Aston Martin de Tony foi deixado, esquecido, num castelo da França após uma temporada de caça [7]. Carmen foi retratada por artistas plásticos mundialmente famosos, como Portinari, Andy Warhol e Di Cavalcanti,[8] e fotografada por importantes nomes como Francesco Scavullo, Richard Avedon, o famoso fotógrafo de jet-setters Slim Aarons, Mario Testino, Bob Wolfenson, Tuca Reinés e outros. Carmen também recebeu uma polêmica "homenagem" no videoclipe da canção "Imitation of life", da banda R.E.M., que mostra caricaturas inspiradas em Carmen, Madonna e Demi Moore. Quando o videoclipe estava para ser produzido, Carmen causou admiração quando, depois de comparecer à cerimônia de entrega do Óscar, demorou quase 20 minutos para desembarcar de uma limusine para o jantar oferecido por Madonna e Demi Moore em Los Angeles. A demora deveu-se ao tamanho do vestido de Carmen, que entrou no salão ao lado de Madonna. Carmen fez parte das listas das mulheres mais elegantes do Brasil e do mundo e, em 1981, entrou para a seleta lista das pessoas eternamente mais bem-vestidas do mundo, a lista "Hall of Fame" da revista americana Vanity Fair, fundada pela jornalista norte-americana Eleanor Lambert.[9] É também a única brasileira citada na biografia oficial de Yves Saint Laurent, a primeira personalidade brasileira a ser entrevistada pelo entrevistador americano David Letterman [10], foi a mulher que mais voou no Concorde [11], e listada nos registros de clientes da alta costura de Paris desde adolescente. Recebeu muitas homenagens do mundo da moda, como no desfile de despedida de Yves Saint Laurent, quando o designer francês elegeu um vestido shocking pink, feito para Carmen, como o seu preferido de toda sua história [12], como também um desfile de moda praia de luxo da designer brasileira Adriana Degreas, no Copacabana Palace, em 2008 [13] e tantas homenagens nas semanas de moda no Brasil, França e Estados Unidos e exposições de moda.

Ela escreveu o livro ABC de Carmen, publicado pela Editora Globo em 1997, sobre etiqueta e estilo pessoal. Foi convidada para atualizar e comentar, para a América do Sul, o O Livro Completo de Etiqueta de Amy Vanderbilt, publicado no Brasil pela Editora Nova Fronteira. Também assinou uma coluna semanal no jornal carioca O Dia e uma outra coluna mensal na Revista Quem, da Editora Globo. Além disso, Carmen apresentou, nos anos 90, um quadro de etiqueta no Programa de Domingo, na extinta TV Manchete.

Em 2003, a Casa de Arte e Cultura Julieta de Serpa, no Rio de Janeiro, e a jornalista Hildegard Angel, sua amiga, organizaram uma exposição com 67 de seus mais de 400 vestidos de alta costura - uma coleção considerada rara pelos especialistas em arte e alta moda.[14]

Em 2013, num novo leilão, mais de 100 peças de arte e decoração foram arrematadas em São Paulo. No entanto, a peça que seria a mais cobiçada do leilão - o retrato de Carmem, pintado por Portinari, em 1959 - não estava na lista, novamente, por decisão de Carmen. O motivo do leilão, segundo Carmen, seria a mudança para um imóvel menor, contíguo ao seu apartamento da Praia do Flamengo. "Desde que me tornei cadeirante e que meus empregados foram se aposentando, não faz mais sentido ficar num apartamento tão grande."[15]

Ela se tornou ativista pela causa dos cadeirantes, conseguindo que rampas de acesso e outras facilidades indispensáveis para deficientes físicos fossem instaladas em grandes hotéis como o Copacabana Palace,[16] restaurantes e edificações históricas, tombadas, como o Teatro Municipal do Rio de Janeiro, que ganhou um elevador panorâmico específico para cadeirantes, que Carmen inaugurou. Carmen Mayrink Veiga também era conhecida por ser expert em porcelanas orientais, arte e gemas preciosas e, principalmente, conhecida por sua paixão por gatos, incentivando a castração e adoção de gatos vira-latas. Inclusive, Carmen conseguiu criar a raça "Gato Brasileiro Tigrado Pêlo Curto" para os gatos que antes não tinham raça definida. O primeiro gato registrado com a nova raça foi o seu ex-vira-lata So Happy, um gato amarelo que morou com Carmen em Paris e no Rio de Janeiro, premiado diversas vezes em exposições de felinos.

O casal permaneceu em seu apartamento abarrotado de obras de arte até o fim. Tony era fumante e tinha problemas cardíacos. Carmen sofria de paraparesia espástica tropical, doença que afetava e dificultava a movimentação das pernas e o equilíbrio. A doença começou a mostrar sinais em 1985, fazendo Carmen, inicialmente, caminhar com o uso de bengala e, mais tarde - em 2011 -, a usar cadeira de rodas. Tony Mayrink Veiga morreu em 28 de junho de 2016, sob cuidados hospitalares, no Rio de Janeiro. Carmen Mayrink Veiga morreu durante o sono, em 03 de dezembro de 2017, em seu apartamento no Rio de Janeiro.[5]

Referências

  1. «Morre Carmen Mayrink Veiga, aos 88 anos». O Globo. 3 de dezembro de 2017 
  2. a b O Rolls Royce, o político, a madame e seus segredos, por Hugo Studart, 13 de novembro de 2008.
  3. a b Outono do caçador. Por Roberta Paixão. Veja, ed.1632, 19 de janeiro de 2000 (disponível no arquivo da revista), pp 68-69.
  4. a b Carmem perde os anéis. ISTOÉ Dinheiro, 19 de outubro de 2005.
  5. a b Leilão de obras dos Mayrink Veiga atinge R$ 2,5 milhões. Por Marina Ito. Conjur, 25 de julho de 2007.
  6. Consultor Jurídico, 4 de outubro de 2005. Carmen Mayrink Veiga não consegue evitar penhora de bens
  7. "VEJA: Leilão dos Mayrink Veiga"
  8. Carmen Mayrink Veiga: "Pobre não pode ser elegante". Por Eliane Lobato. ISTOÉ nº 2157, 11 de março de 2011
  9. International Best-Dressed List. The International Best-Dressed Hall of Fame 2015. Vanity Fair, 5 de agosto de 2015
  10. "FOLHA: Carmen Mayrink Veiga foi a primeira brasileira entrevistada por David Letterman"
  11. "O GLOBO: Carmen Mayrink Veiga: uma mulher que soube fazer história."
  12. "Amaury Jr: Amaury Jr. relembra entrevista de Carmen Mayrink Veiga, ícone da alta sociedade brasileira"
  13. "W MAGAZINE: British It Girls Can't Get Enough of This Brazilian Swimwear Designer"
  14. "Carmen Mayrink Veiga, a Papisa da Alta Sociedade". Por Jamill Barbosa Ferreira, 2005]
  15. Socialite Carmem Mayrink Veiga leiloa mais de 100 peças de arte: "Não me apego a nada" . Época, 23 de novembro de 2013
  16. Carmen Mayrink Veiga será homenageada na festa de reabertura do prédio principal do Copacabana Palace . Época, 19 de novembro de 2012.
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