Carnavais da São Clemente nos anos 2000

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2000[editar | editar código-fonte]

No carnaval temático, com o enredo "No ano 2000 a São Clemente é Tupi, com Sergipe na Sapucaí", a São Clemente destacou as riquezas culturais, históricas e naturais de Sergipe, dos sítios arqueológicos ao seu fabuloso folclore, questionando os 500 anos do Brasil, de forma respeitosa, incorporando o indígena não como ser exótico, mas como elemento da nossa identidade histórica. Em anos cada vez mais competitivos, a escola fez uma parceria com o governo de Sergipe, fugindo um pouco de seu estilo. Duas zebras, especialmente a vinda de São Cristóvão e com apoio de Eurico Miranda, se colocaram na frente da escola.

2001[editar | editar código-fonte]

Com fantasias leves, bem-humoradas e claras, a São Clemente sacudiu a Sapucaí, que cantou junto o samba, bateu palmas, gritou "É campeã" e delirou com a bateria da escola. Logo no abre-alas, todo branco e prata, a escola pedia paz em pequenos estandartes que enfeitavam o carro: um enorme balde, com duas garrafas de champanhe, cercado por taças. A festa que a escola levou para a avenida era a resposta aos que fazem do país um lugar nem sempre alegre. Por isso, depois do abre-alas, vinha a dura realidade: a alegoria da favela tinha sinais de trânsito, postes com fios e placas onde se lia "não jogue lixo", além de vasos sanitários que serviam de base para os destaques. O vestido da porta-bandeira e a capa do mestre-sala eram cobertos de notas de dólares. O enredo "A São Clemente mostrou e nada mudou nesse Brasil gigante" fez referência aos diversos enredos antigos e críticos da escola. Apesar deles, nada parece ter mudado. O desfile teve direito até a ala de mendigos, repetindo a Beija-Flor de 1989, ano de "Ratos e Urubus, Larguem a Minha Fantasia". Mas o campeonato foi para o Porto da Pedra. É aquela eterna discussão. Dar o campeonato a uma escola impecável ou a que uma escola que mexeu com o público, mas que não tinha a mesma riqueza que a outra. Os jurados optaram pela primeira opção, ou seja, nada mudou, os tempos modernos trouxeram outra cara para o carnaval

2002[editar | editar código-fonte]

No ano dos enredos comercializados, a São Clemente não fugiu à regra. A São Clemente comemorou os 40 anos de avenida com um tema de alerta para a necessidade de preservação do meio ambiente: "Guapimirim, paraíso ecológico abençoado pelo Dedo de Deus". O alerta veio logo atrás da comissão de frente, com as 180 baianas. A ala desfilou divida com fantasias em duas cores (branco e preto), representando a Baía de Guanabara, suas águas e a poluição. Com carros gigantescos, a escola teve problemas com um deles, que quebrou e os destaques tiveram que desfilar no chão. Era o segundo carro que apresentava os primeiros sinais da presença do homem na região de Guapimirim - que significa "nascente pequena", na língua indígena. Com alguns problemas na evolução, a escola acabou disputando com a Tradição o rebaixamento, levando a pior, talvez por ter sido a primeira a desfilar, posição comumente sacrificada pelos jurados. A escola mudou, as alegorias cresceram, não houve racionamento de alegria, mas ainda assim precisava de algo mais.

2003[editar | editar código-fonte]

A São Clemente é a grande campeã do Grupo de Acesso do carnaval carioca. A escola obteve nota máxima em todos os quesitos, somando 180 pontos. O resultado foi contestado pelas concorrentes. No dia do desfile, a São Clemente fez um belo desfile em homenagem a Mangaratiba, trazendo índios antropofágicos na comissão de frente e no abre-alas um Deus Trovão iluminado com néon. Havia ainda o carro das pedras preciosas, que reluzia na avenida, e o carro do tráfico negreiro, que veio com teatralização. Porém, nada comparado aos desfiles de Tuiuti e União da Ilha. Novos tempos, desfile campeão sem conquistar o coração

2004[editar | editar código-fonte]

No ano das reedições, a São Clemente abriu o desfile e também revisitou, não um enredo, mas sua tradição de carnavais bem-humorados, marcados pela crítica política e social, irreverentes, abandonada nos últimos anos. Sob pressão de deputados e senadores, Milton Cunha foi obrigado a mudar na última hora a escultura que mostrava Tio Sam sentado no Congresso como num vaso sanitário no enredo "Boi voador sobre o Recife - Cordel da galhofa nacional" e ainda foi ameaçado de processo por machos magoados e mal-humorados de Pelotas (RS) só porque criou uma fantasia e deu o nome de "Veadinhos de Pelotas". Desviou da crise de identidade gaúcha mudando o nome da fantasia. Virou: "Não dou pelotas para os veadinhos". O símbolo do poder norte-americano estava lá, de calças arriadas, num carro alegórico, amordaço, mas não causou o impacto desejado. Prejudicada pela chuva, a irreverência do enredo, que partiu da primeira cobrança de pedágio do Brasil, por João Maurício de Nassau, no Recife, para criticar ferozmente os políticos brasileiros, não foi suficiente para manter a escola de Botafogo no Grupo Especial. O boi voou, a escola caiu e ele aterrissou e ficou o pé em Brasília em pleno governo petista.

2005[editar | editar código-fonte]

Apesar de desfilar para arquibancadas quase vazias, no fim da chuvosa madrugada, a São Clemente emocionou e divertiu quem ficou para ver "Velho é a vovozinha: a São Clemente enrugadinha e gostosinha". A escola entrou na Sapucaí com uma enorme escultura de um preto velho no abre-alas. Ali já disse a que veio. Arrepiou. Da ala das baianinhas (seguida pela ala das baianas, simbolizando o caminho da juventude a maturidade) até o último carro alegórico, onde estavam baluartes do samba, e a grande homenageada, Vó Maria, viúva de Donga, a escola cantou com precisão - ajudada pela segurança da bateria - as glórias da terceira idade. A alegria dos próprios componentes pôde ser vista no fim, já na dispersão. A irreverência e a alegria estão de volta, mas a modernidade chegou na frente da São Clemente meia-idade.

2006[editar | editar código-fonte]

A São Clemente entrou luxuosa e com carros grandes e bem acabados na sua homenagem a dupla Luiz Gonzaga e Gonzaguinha. Colorida (as fantasias das baianas, bem na frente da escola, eram decoradas com fitas), a agremiação cantou com vibração e alegria. A bateria foi bem-sucedida ao inserir uma bossa de baião no meio do samba. O carro abre-alas, "Pernambuco feito de Glórias", prestou uma homenagem à terra natal que tanto inspirou Luiz Gonzaga. A maioria das alegorias e alas faziam referências à cultura nordestina. Logo atrás do abre-alas, uma ala simulava uma típica festa de quadrilha nordestina. Uma ala lembrou o poder da censura durante o período ditadura. Vestidos de soldados, com direto a capacete e cassetete, os componentes traziam no peito a imagem de um vinil sendo cortado por tesouras. Outro grupo protagonizou uma crítica social - uma das marcas da São Clemente. A ala trazia malas com dinheiro transbordando, lembrando o escândalo do Governo Lula. O Brasil nordestino, sertanejo e simples de Gonzagão, encontrou o Brasil urbano, carioca e malandreado de Gonzaguinha. A São Clemente arrebatou o estandarte de ouro de melhor escola, mas ficou apenas com o vice-campeonato. A São Clemente, sem medo de ser feliz, levantou a poeira, mas ainda não foi dessa vez que soltou o grito de campeã que está atravessado na garganta.

2007[editar | editar código-fonte]

A São Clemente entrou na avenida disposta a acabar com todos os tipos de preconceitos. O enredo ‘Barrados no Baile’ trouxe hippies, gays, nordestinos, funkeiros, black power e todas as tribos sujeitas a qualquer tipo de discriminação se espalharam por suas 1.400 fantasias. Com 2.500 componentes na Avenida, a São Clemente não cometeu deslizes e conquistou o título do Grupo de Acesso A, que lhe deu o direito de voltar ao Grupo Especial em 2008.[1] No 1º Setor, denominado ‘A utopia pós-modernidade’, a escola se baseou na obra do arquiteto espanhol Antônio Gaudi. A comissão de Frente trouxe as torres utilizadas na construção da Catedral da Sagrada Família. No 2º Setor, a São Clemente fez uma grande homenagem aos homossexuais, no qual o carro "Apogeu cor de rosa" foi uma grande boite, tendo no centro um ônibus rosa que lembra o filme "Priscila, a rainha do deserto". Para celebrar a força da cultura negra, a escola abusou dos sons e símbolos originados a partir de seus descendentes como o grafite, o hip hop, o funk, basquete de rua, jongo, etc. Composta por 210 ritmistas, a bateria veio com a fantasia Funk`n lata, em referência ao grupo homônimo de Ivo Meirelles. A dura realidade vivida pelos deficientes físicos e visuais foi mostrada no 4º Setor: "Perante os olhos de Deus, somos todos iguais". Como contraste, foram mostradas as glórias do esporte paraolímpico brasileiro, que sempre obtém mais medalhas. Sem destaques, a 4ª alegoria teve uma gigantesca escultura chamada "Um ser de luz". No encerramento, a escola promoveu um grande baile onde a São Clemente recebe os representantes de cada minoria. Uma das grandes surpresas foi uma ala que trouxe a dança do minueto feita por mendigos e moradores de rua. Logo atrás, uma ala simbolizou a paz no carnaval ao juntar fantasias dos blocos Bafo da Onça e Cacique de Ramos. Enfim, a São Clemente mostrou, mais uma vez, porque é considerada uma das agremiações mais antenadas do carnaval. Mesmo abordando um tema sério - o preconceito sofrido pelas minorias - ela conseguiu passar uma bela mensagem e fez um belo desfile.

2008[editar | editar código-fonte]

De volta ao Grupo Especial, a São Clemente abriu os desfiles com luxo, ao apresentar a chegada da família real portuguesa ao Brasil, em 1808, sob a ótica da mãe do rei d. João 6º, Dona Maria, "a Louca". Para contar essa história, a São Clemente mostrou os fogos de artifício que marcaram o casamento do nobre, cenas da descoberta do Brasil, as loucuras de Maria, mãe de Dom João, além da chegada ao Rio de Janeiro e do crescimento da cidade. A transformista Rogéria foi o grande destaque da comissão de frente como "Dona Maria, A Louca". Antes do abre-alas, passaram 12 grandes cisnes. O menor tapa-sexo usado no Carnaval levou à fama a modelo Viviane Castro. Os 3,5 cm de pano, no entanto, custaram 0,5 ponto à escola. A Comissão de Verificação das Obrigatoriedades Regulamentares da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro entendeu que a passista estava nua, o que é proibido pelo regulamento. A punição piorou suas notas, mas não foi a causa de sua queda para o Grupo de Acesso.[2]

2009[editar | editar código-fonte]

No seu retorno ao Grupo de acesso A, a São Clemente abriu pela segunda vez o desfile, nesse grupo, com a manutenção do carnavalesco Mauro Quintaes, que iria desenvolver um enredo sobre a malandragem com o carnavalesco Wagner Gonçalves, mas a direção da escola resolveu mudar e trouxe Alexandre Louzada, para desenvolver o carnaval ao lado de Mauro Quintaes, o enredo O Beijo Moleque da São Clemente. A escola foi prejudicada pela organização dos desfiles, já que não liberaram a área de concentração, o que fez com que o desfile sofresse um atraso de mais de 40 minutos. A escola contou a história do primeiro palhaço negro Benjamin de Oliveira. A escola ficou na 4ª colocação com 238,5 pontos, permanecendo no mesmo grupo em 2010.[3]

2010[editar | editar código-fonte]

Com o enredo Choque de Ordem na folia a São Clemente fez uma exibição correta e segura e sagrou-se campeã do Grupo de Acesso ganhando nota 10 em todos os quesitos, com exceção de um 9,7 para mestre-sala e porta-bandeira. Com xerifes na bateria, a escola mesclou as ações do Choque de Ordem coordenado pela atual gestão da Prefeitura do Rio de Janeiro e situações do carnaval contemporâneo. O abre-alas representou a Copacabana dos anos 50. Mas o grande destaque foi um enorme gato, que fez alusão às ligações clandestinas de luz e água.[4]

2011[editar | editar código-fonte]

A São Clemente levou para avenida uma homenagem ao Rio de Janeiro, suas belezas e seus principais pontos turísticos. Concebido pelo carnavalesco Fábio Ricardo - que estreou na elite e saiu como Guarda Municipal na avenida - o desfile teve como ponto alto o belo conjunto de alegorias e uma ótima qualidade no conjunto de fantasias, com uma variação cromática muito interessante e os componentes sempre com adereços de mão. Com muito brilho e cor foram lembrados alguns cartões postais do Rio. A Baía de Guanabara veio representada numa enorme ala antecedendo o abre-alas, com um bonito efeito representando as ondas do mar. O Pão de Açúcar, símbolo da escola, esteve presente no abre-alas prateado. O Jardim Botânico veio na segunda alegoria, com o chafariz e a fonte que jorravam água, antecedidos pelas alas que exaltou o café e o desmatamento da floresta da Tijuca. Na sequencia, um tripé com a montanha da Esfinge representou a Pedra da Gávea, cujas inscrições vieram representadas na belíssima fantasia da ala das baianas, seguido do carro dos fortes do Rio, uma referência ao momento de fundação da cidade após a briga entre franceses e portugueses até a expulsão da tropa de Villegagnon. A bateria fantasiada de "General da Guanabara" fez paradinha e coreografia e animou o público. O carro do Império trouxe o brasão antigo do Rio, cujos peixes soltavam bolinhas de sabão na avenida. A construção do Aterro do Flamengo e a derrubada dos morros de Santo Antônio e do Castelo ilustram o quarto setor, que trouxe o carro das transformações da cidade como a demolição do Palácio Monroe, considerado um dos edifícios mais bonitos do Rio. A quinta alegoria, em forma de um gramofone, reproduzia um disco de 78 rotações e destacava a musicalidade, também representada na alas onde 20 casais, em ritmo de gafieira, dançaram pela avenida. O sexto carro tinha um grande bote nas laterais, para retratar as chuvas, o trânsito caótico e os problemas de urbanização, destacando as favelas. A exaltação do próprio carioca encerrou o desfile, com imensas alas enfileiradas de várias cores que representavam o carioca alegre, apaixonado, energético, esperançoso, culminando com a passagem do carro que prestava uma homenagem aos 50 anos da escola, no qual o gari Renato Sorriso deu um show em cima de uma escultura de um surdo. Na parte técnica, no entanto, a escola da Zona Sul apresentou problemas, que começaram na comissão de frente. Representando a reunião dos principais santos de devoção no Rio. São Jorge, São Pedro, São Sebastião e São Clemente em um conselho deliberativo para decidir a fundação da cidade, foram mostrados o calçadão, um tripé representando quiosque, bicicletas, guarda sol, prancha de surfe e pessoas pulando corda. Durante a apresentação, um dos integrantes levou um tombo com a bicicleta. Outra falha foi registrada na apresentação do primeiro casal de mestre sala e porta-bandeira, Bira e Jacqueline. A ala da frente não parou e um enorme buraco se abriu. Jaqueline cometeu o deslize de enrolar a bandeira durante a dança. Um dos destaques foi o samba, que tinha boa melodia e o apoio de versos de fácil memorização, cantado pelo novato intérprete Igor Sorriso, que estreou com o pé direito e comandou o carro de som com maestria.

Referências