Carnaval do Brasil

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Carnaval do Brasil
Desfile da Mangueira no Carnaval do Rio de Janeiro de 2013.
Local(is) Todo o país
Data(s) Sete semanas antes do Domingo de Páscoa

Carnaval do Brasil é a maior festa popular do país. A festa acontece durante os quatro dias que precedem a quarta–feira de cinzas (início da Quaresma). É comumente referida pelos brasileiros como o "Maior Espetáculo na Terra".[1]

A indústria do carnaval, o nome dado ao conjunto de atividade para produção de fantasias, adereços, e materiais para os carros alegóricos, movimentou cerca de 6,25 bilhões de reais e gerou mais de 20 mil empregos em 2018.[2] Só as escolas de samba do grupo especial gastam cerca de 100 milhões de reais em matéria-prima — sem contar salários e serviços — para pôr seu enredo na avenida.

História e expansão[editar | editar código-fonte]

Colônia[editar | editar código-fonte]

Comemorado em Portugal desde o século XV,[1] o entrudo foi trazido pelos portugueses para a então colônia do Brasil. Segundo alguns autores e historiadores,[3][4] o Carnaval da Madeira, em Portugal, que remonta ao período áureo da produção de açúcar, no século XVI, e a sua ligação aos escravos enquanto porto de passagem de bens e pessoas, teria acompanhado a expansão do comércio internacional açucareiro no Atlântico a partir daquela ilha,[5] influenciando as tradições carnavalescas do Brasil com as tradições e expressões lúdicas madeirenses.[6]

Os primeiros sinais dos festejos carnavalescos no Brasil sugiram ainda no século XVII, em Pernambuco, quando trabalhadores das Companhias de Carregadores de Açúcar e das Companhias de Carregadores de Mercadorias se reuniam para a Festa de Reis, formando cortejos carregando caixões de madeira e improvisando cantigas em ritmo de marcha.[7]

Em finais do século XVIII[1] já era praticado por todo o território. Muitos consideravam o Entrudo uma festa suja e violenta, embora a maioria dos senhores liberasse os escravos pra folia.[8] Consistia em brincadeiras e folguedos que variavam conforme o local e os grupos sociais envolvidos. Com a mudança da corte portuguesa para o Rio de Janeiro, em 1808, surgiram as primeiras tentativas de civilizar a festa carnavalesca brasileira,[1] através da importação dos bailes e dos passeios mascarados parisienses, colocando o Entrudo Popular sob forte controle policial. A partir do ano de 1830, uma série de proibições vai se suceder na tentativa, sempre infrutífera, de acabar com a festa grosseira.

Império e República[editar | editar código-fonte]

Jogos durante o entrudo no Rio de Janeiro
Aquarela de Augustus Earle, c.1822

Em finais do século XIX, toda uma série e grupos carnavalescos ocupam as ruas do Rio de Janeiro, servindo de modelo para as diferentes folias. Nessa época, esses grupos eram chamados indiscriminadamente de cordões, ranchos ou blocos. Em 1890, Chiquinha Gonzaga compôs a primeira marcha carnavalesca, "Ô Abre Alas!". A música havia sido composta para o cordão Rosas de Ouro que desfilava pelas ruas do Rio de Janeiro durante o carnaval. Os foliões costumavam frequentar os bailes fantasiados, usando máscaras e disfarces inspirados nos bailes de máscaras parisienses. As fantasias mais tradicionais e usadas até hoje são as de Pierrot, Arlequim e Colombina, originárias da commedia dell'arte.

O Carnaval é uma das principais festas do Brasil, ocupando lugar de destaque entre diversas camadas da população e da mídia. Em São Paulo, teve sua origem ligada à manifestação do entrudo, uma brincadeira na qual os foliões atiravam água e outros líquidos entre si, existente desde o século XV. Por volta de 1870, a maneira como a população divertia-se no período carnavalesco passou a apresentar mudanças decorrentes do enriquecimento proporcionado pela expansão cafeeira.

A formação do carnaval popular paulistano tem como base fundamental as festas de caráter religioso-profano das pequenas cidades interioranas nas quais a população pobre manifestava-se por meio de suas danças e músicas, o primeiro cordão carnavalesco paulistano foi criado por Dionísio Barbosa, em 1914, e chamava-se Cordão da Barra Funda (posteriormente Camisa Verde e Branco). A influência dos cordões foi determinante para as primeiras escolas de samba de São Paulo na mesma medida em que os ranchos influenciaram as escolas cariocas.

Atualmente, em São Paulo e em várias grandes e pequenas cidades, as escolas de samba fazem desfiles organizados, verdadeiras disputas para a eleição da melhor escola do ano segundo uma série de quesitos. Com o crescimento vertiginoso dessas agremiações o processo de criação se especializou gerando muitos empregos concentrados, principalmente, nos chamados barracões das escolas de samba.

Por região[editar | editar código-fonte]

Sudeste[editar | editar código-fonte]

Desfile da Portela no Carnaval do Rio de Janeiro de 2014.
Carro abre-alas da Gaviões da Fiel no Carnaval de São Paulo de 2005.

O carnaval de rua do Rio de Janeiro é designado pela Guinness World Records como o maior carnaval do mundo, com aproximadamente dois milhões de pessoas por dia.[9] As escolas de samba são grandes entidades sociais com milhares de membros, e desfilam no Sambódromo da Marquês de Sapucaí. Algumas das mais famosas incluem Portela, Estação Primeira de Mangueira, Acadêmicos do Salgueiro, Beija-Flor de Nilópolis, Mocidade Independente de Padre Miguel, Imperatriz Leopoldinense, Unidos de Vila Isabel e, recentemente, Unidos da Tijuca, Acadêmicos do Grande Rio e União da Ilha do Governador. Os turistas locais pagam 500-950 dólares, dependendo do traje, para comprar um traje de samba e dançar no desfile. Cerca de 30 escolas no Rio reúnem centenas de milhares de participantes. Os blocos de carnaval são pequenos grupos informais com um tema definido em seu samba, geralmente satirizando a situação política. Mais de 440 blocos operam no Rio. Bandas são bandas musicais de samba, também chamadas de "bandas de carnaval de rua", geralmente formadas dentro de um único bairro ou fundo musical. A cadeia da indústria de Carnaval acumulou em 2012 quase 1 bilhão de dólares em receita.[10]

O Carnaval de São Paulo é composto pelo desfile das escolas de samba no sambódromo do Anhembi, bailes em clubes e blocos de rua. Atualmente, é considerado um dos maiores e mais importantes eventos populares do Brasil. As comemorações carnavalescas e o próprio samba diferiam um pouco da cidade do Rio de Janeiro para a cidade de São Paulo, exceto por uma nítida diferença de andamento da cadência do som, ou seja, a grosso modo, de velocidade, de tempo da música. O sambista paulista, acostumado à árdua vida nas lavouras de café e migrando para a cidade para realizar o trabalho operário, fazia o que Plínio Marcos denominou de "samba de trabalho, durão, puxado para o batuque", contrastando com o lirismo e a cadência do samba carioca. Além disso, o samba paulistano era decisivamente influenciado por outros ritmos fortemente percussivo. Data dessa época o início da relação entre o Carnaval e o direito: a repressão policial sofrida pelos sambistas, feita de forma dura e sem critério. Os sambistas, não só no Carnaval, mas durante todo o ano, eram vistos como marginais e duramente perseguidos pelas autoridades.[11] Em 1933, foi instituída em 1933 a Taça Arthur Friendenreich pela Frente Negra Brasileira, com o objetivo de valorizar as agremiações de raiz africana,que era relacionada principalmente com as características rítimico-musicais e coreografias do samba,[12] que até então eram excluídas dos certames oficiais. Dela participaram o Cordão da Barra Funda, Bloco do Boi, Cordão das Bahianas e Bloco da Mocidade.[13] Graças à influência da Rádio Nacional, que começara a transmitir os desfiles carnavalescos do Rio, nasce a Primeira de São Paulo, no ano de 1935, considerada a primeira escola de samba da capital paulista. Nesse ano, agremiações de cunho mais popular foram incluídas no Carnaval oficial da Prefeitura de São Paulo, que passou a oferecer local, arquibancadas, infraestrutura, além de apoiar e oficializar campeonatos[13] através do Conselho dos Festejos Populares, Recreações e Divertimentos da Cidade, ou das federações. Nessa época, não havia ainda uma diferenciação clara em São Paulo entre cordões, blocos e escola de samba, que desfilavam competindo.[13]

O Carnaval de Belo Horizonte acontece desde em 1897, antes mesmo da inauguração da cidade.[14][15] A folia na capital mineira ficou mais organizada nos anos seguintes, com a criação de grandes sociedades carnavalescas, a exemplo do que era feito no Rio de Janeiro. O primeiro grupo de carnaval de Belo Horizonte chamava-se Club Demônios de Luneta, de 1899. Nos anos seguintes, também ficaram famosos os corsos carnavalescos. Nos anos 1950 e 1960, os jornais concorrentes Estado de Minas e Folha de Minas promoviam desfiles para disputar quem fazia a melhor festa. [16] Em 2017, Belo Horizonte teve o maior carnaval da sua história e terceiro maior do Brasil.[17]

O Carnaval de Vitória, cujos desfiles ocorrem no Sambão do Povo, é realizado antes do Carnaval oficial - isto é, do feriado - e ganhou projeção ao ser transmitido pela Rede Bandeirantes, de 2013 a 2015.

Norte e Nordeste[editar | editar código-fonte]

Carro abre-alas do GRC Primos da Ilha no Carnaval de Manaus de 2016.

O Carnaval de Manaus reúne uma série de atrações, a principal delas é o tradicional desfile de escolas de samba que acontece todos os anos no sambódromo, o maior em capacidade do país, comportando mais de 100.000 pessoas.[18] O desfile é considerado o terceiro maior do Brasil[19] e chegou a ser transmitido em rede nacional pela extinta TV Manchete em 1994.[20][21][22]

O Carnaval Recife–Olinda é marcado pelo desfile do maior bloco de carnaval do mundo, o Galo da Madrugada. Este desfile acontece no primeiro sábado do Carnaval (sábado de Zé Pereira), passa pelo centro da cidade de Recife e tem, como símbolo, um galo gigante posicionado na Ponte Duarte Coelho. Neste bloco, há uma grande variedade de ritmos musicais, mas o mais presente é Frevo (ritmo característico de Recife e Olinda que foi declarado Património Imaterial da Humanidade pela Unesco). Em 1995, o Guinness Book declarou o Galo da Madrugada como o maior bloco de carnaval do mundo.[23]

O Carnaval de Salvador tem grandes celebrações carnavalescas, incluindo o axé, uma música típica do estado da Bahia. Um caminhão com alto-falantes gigantes e uma plataforma, onde os músicos tocam canções de gêneros locais como axé, samba-reggae e arrocha, percorre a cidade com uma multidão seguindo enquanto dançam e cantam. Três circuitos compõem o festival. Campo Grande é o mais longo e tradicional. Barra-Ondina é o mais famoso, à beira-mar da Praia da Barra e Praia Ondina e Pelourinho.[24]

Corte real[editar | editar código-fonte]

Corte real carnavalesca é o nome dado ao cortejo do carnaval, composto pelo Rei Momo, rainha e princesas do carnaval. sendo realizados em todo o Brasil, de formas diferentes, sendo organizados em concurso, por ligas de carnaval e instituições públicas, ligadas ao turismo, como a Riotur.

Rei Momo[editar | editar código-fonte]

Rei Momo do Carnaval de Florianópolis de 2005.
Ver artigo principal: Rei Momo

O Rei Momo é considerado o dono do Carnaval, quem comanda a folia. possuindo uma personalidade zombeteira, delirante e sarcástica. Vindo da mitologia grega, é filho do sono e da noite, sendo expulso do Olimpo porque tinha como diversão ridicularizar as outras divindades. foi escolhido para decidir qual deus, entre Zeus, Atena e Poseidon poderia fazer algo bom. Mas botou defeito em todas as criações.

Hoje existe concurso para a escolha do Rei Momo em várias cidades do Brasil, sendo o mais noticiado o do Carnaval do Rio de Janeiro. Para ser rei-momo é preciso ser muito simpático e esbanjar alegria, além de pesar no mínimo 120 quilos. Esta última exigência vem sendo abandonada nos últimos anos, considerando-se os problemas de saúde causados pela obesidade, sendo que em 2004, um candidato magro acabou eleito como rei-momo, devido à mudança do peso pelos organizadores.

Rainha e princesas[editar | editar código-fonte]

Rainha e princesas são o trio de beldades que compõe o cortejo real e, ao lado do Rei Momo, abre as festividades carnavalescas. Após o reinado, muitas delas se tornam rainhas ou madrinhas de bateria,[25][26][27][28][29] embora haja casos de rainhas ou madrinhas de bateria que se tornaram rainhas e princesas do carnaval.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d «História do Carnaval: Igreja reconheceu a festa em 590 d.C.». Universo Online 
  2. UOL, ed. (9 de fevereiro de 2018). «Carnaval deve movimentar R$ 6 bilhões e gerar 20 mil empregos». Consultado em 11 de fevereiro de 2018. 
  3. Alberto Vieira admite que Carnaval da Madeira poderá ter influenciado festividades no Brasil dnoticias.pt. (Fevereiro, 2015).
  4. Historiador diz que Carnaval da Madeira pode ter influenciado festividades no Brasil Sic Noticias. (Fevereiro, 2015).
  5. Carnaval da Madeira pode ter influenciado Brasil] Correio da Manhã. (Fevereiro, 2015).
  6. Carnaval da Madeira poderá ter influenciado festividades no Brasil diáriodigital. (Fevereiro, 2015).
  7. «Caindo na folia muito antes do frevo». Diario de Pernambuco. Consultado em 28 de fevereiro de 2017. 
  8. «Carnaval: A maior alegria do mundo - Xapuri». Xapuri. 23 de fevereiro de 2016 
  9. Largest Carnival Guinness World Records.
  10. Sarah de Sainte Croix. «Rio's Carnival: Not just a local party anymore». MarketWatch 
  11. «História do Carnaval de SP :: .». emcimadahorasp.webnode.com.br. Consultado em 26 de abril de 2017. 
  12. «HISTÓRICA - Revista Eletrônica do Arquivo do Estado». www.historica.arquivoestado.sp.gov.br. Consultado em 27 de abril de 2017. 
  13. a b c Zélia Lopes da Silva (dezembro de 2012). «A memória dos carnavais afro-paulistanos na cidade de São Paulo nas décadas de 20 e 30 do século XX» (PDF). Dialogos - Revista do Departamento de Historia e do Programa de Pós-Graduação em História, vol. 16, Universidade Estadual de Maringá. pp. 37–68. Consultado em 10 de maio de 2014.. Cópia arquivada em 10 de maio de 2014 
  14. História do carnaval em Belo Horizonte Câmara Municipal de Belo Horizonte
  15. SRZD-Carnaval/MG (9 de agosto de 2013). «Carnaval/MG: conheça a história». 09h34. Consultado em 31 de agosto de 2013. 
  16. «Veja 50 fotos que contam a história do Carnaval em Belo horizonte - Autofocus». Autofocus. 5 de fevereiro de 2016 
  17. Minas, Estado de (3 de março de 2017). «Kalil diz que Belo Horizonte fez». Estado de Minas 
  18. «| Portal da Cultura |». www.cultura.am.gov.br (em pt_BR). Consultado em 3 de fevereiro de 2017. 
  19. «Desfile oficial do Carnaval de Manaus 2018 leva 20 horas de programação para o Sambódromo - Prefeitura Municipal de Manaus». Prefeitura Municipal de Manaus 
  20. «Folha de S.Paulo - TV vai mostrar desfile ao vivo para todo o país - 6/2/1994». www1.folha.uol.com.br. Consultado em 29 de junho de 2018. 
  21. «Escolas de samba do Grupo Especial desfilam no Sambódromo de Manaus». Carnaval 2016 no Amazonas. 7 de fevereiro de 2016 
  22. «As escolas de samba e a cidade de Manaus» 
  23. Enéas Freire O Nordeste. (Junho, 2008).
  24. Carnaval.salvador.ba.gov.br Arquivado em 6 de junho de 2013[Erro data trocada] no Wayback Machine.
  25. Mengão de Coração. «Ana Paula Pereira é Rainha da Bateria da Mangueira 1997» 
  26. Cesar Tartaglia (29 de novembro de 1993). «A Rainha do Rio». Pagina 12. Consultado em 10 de fevereiro de 2015. 
  27. Na avenida (11 de junho de 2012). «Império Serrano de Uruguaiana em festa». Consultado em 20 de novembro de 2012. 
  28. EGO (22 de outubro de 2012). «Modelo do 'Esquenta' tenta brilhar em escola do grupo de acesso». Consultado em 4 de novembro de 2012. 
  29. EXTRA (2 de fevereiro de 2010). «Alegria da Zona Sul coroou Jéssica Maia em Copacabana». Consultado em 28 de outubro de 2010. 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]