Ana Jansen

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Ana Joaquina Jansen Pereira, também conhecida como Donana, (São Luís do Maranhão, 1793 - 11 de abril de 1869), foi uma empresária e política brasileira, que se tornou uma personagem controversa na história do Maranhão.[1] Por sua crueldade com seus escravos, criou-se uma lenda sobre seu espírito vagar pelas ruas de São Luís, conduzindo uma carruagem fantasmagórica.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Filha de Vicente Gomes de Lemos Albuquerque e Rosa Maria Jansen Müller, foi uma rica proprietária de terras e imóveis, além de portadora de títulos nobiliárquicos e ativista política e dos movimentos sociais.

Descendente da nobreza europeia, sua família se instalou no Brasil, na cidade de São Luís, capital do Estado Colonial do Maranhão e Grão-Pará (após a independência, província do Maranhão).[1]

Ainda adolescente teve um filho de pai desconhecido no registro, tornando-se duplamente desonrada, por não ser mais virgem e ser mãe solteira. Supõe-se que um namorado a abandonou grávida, ou que o pai do bebê era casado, mas ela nunca revelou quem era realmente o pai de seu filho, ou talvez por ela mesma não saber quem fosse. Mesmo criada com muito rigor, era namoradeira, sumia de casa e passava horas fora e ninguém sabia com quem ela estava.[1]

Expulsa de casa pelo pai com o filho recém-nascido, pobre e marginalizada, sofreu muito sozinha no mundo. Após um tempo de grandes dificuldades, até se prostituindo para sobreviver, conhece e torna-se amante por muitos anos do rico coronel Isidoro Rodrigues Pereira, pertencente à família mais rica da época, com quem teve alguns filhos, passando de amante a esposa após a morte da primeira mulher do coronel, que aceitou criar seu filho sem pai.[1] Ele a sustentava, lhe deu casa e uma vida digna para criar seu filho, apesar de que era alvo de preconceito por no início criar o filho sozinha, pois ainda não tinha casado com o coronel e só morava ela e o filho numa casa cedida por ele.[1]

Sua situação melhora aos poucos, depois que se tornou amante do coronel, o homem mais rico da província. Esse relacionamento mal visto transforma Ana Jansen num alvo fácil para a sociedade moralista da época, personificada acima de tudo por sua maior inimiga: Dona Rosalina Ribeiro, que conservava a moral e os bons costumes com muito rigor, não admitia uma mulher não ser casada, ter filho de um homem que ninguém sabe quem é e ainda por cima ser amante de outro, ainda casado. O comportamento liberal e avançado de Ana era chocante para as mulheres da época, que se casavam cedo e viviam uma vida de submissão ao marido.[1]

Isidoro assumiu oficialmente a relação com Ana depois da morte de sua esposa, dona Vicência. O casal permaneceu junto por quinze anos até a morte de Isidoro, que deixa mais seis filhos para Ana criar.[1]

Voltou a ser aceita pela sociedade maranhense aos poucos, após seu casamento milionário, passou a ser mais respeitada. Os anos passaram e com a morte de seu marido, transformou-se na viúva mais rica e em uma poderosa senhora de terras, de escravos e líder política, sendo chamada de "Rainha do Maranhão".[1]

Após a morte de Isidoro, Ana tornando-se rica, independente e poderosa, assumiu a Fazenda Santo Antônio, propriedade do falecido coronel e, logo em seguida, conseguiu triplicar a fortuna herdada.

Perseverante e ambiciosa, Ana transformou o dinheiro em poder, assumindo a liderança política da cidade e reativando o esfacelado partido liberal Bem-te-Vi, passando a comandá-lo.

Manteve forte rivalidade política com o Comendador Meireles, líder do Partido Conservador. Seu temperamento forte, explosivo e competitivo, além de sua capacidade de liderança alcançam a corte de D. Pedro II e ela passou a ser chamada, informalmente, de Rainha do Maranhão. Passou também a ser conhecida pela dureza que tratava os inimigos e pelo autoritarismo extremo com que tratava seus funcionários e escravos.[1] Não tinha piedade de quem atrapalhasse seus planos, açoitava os negros que não a obedeciam, os mutilava, cobrava pela distribuição de água na cidade, sendo que já possuía serviços e ela escondia de todos. Ela comandou a distribuição de água por 15 anos, o que lhe gerava bons lucros.

Embora seja consenso histórico de que Ana Jansen fosse realmente cruel com seus escravos, de acordo com o historiador Rodrigo do Norte, muitos dos relatos seriam exagerados, de modo que ela não os maltrataria mais do que a média dos escravagistas de sua época.[2]

Depois da morte de Isidoro, Ana se tornou amante por muitos anos do Desembargador Francisco Vieira de Melo, que aumenta sua fortuna a sustentando. Com ele teve mais quatro filhos, totalizando 11 filhos: 1 de pai desconhecido, 6 de Isidoro e 4 de Francisco. Francisco nunca quis casar com Ana e sim desejando viver com ela as escondidas e ela, por ser uma mulher avançada em seus ideais, nunca viu problemas em ser amante e nem ligava para o que as mulheres casadas diziam, pois sempre ela aparecia grávida em público, mas nem casada estava, e todos ficavam totalmente chocados.

Mais tarde, já aos 60 anos, vivendo sozinha, pois se separou de seu amante, casou-se pela segunda vez oficialmente com o comerciante paraense Antônio Xavier, com quem não teve filhos. Esse casamento também aumentou seu dinheiro.

Ana morreu aos 76 anos.

Homenagens[editar | editar código-fonte]

Atualmente, em São Luis, existem ruas com o nome dela e uma lagoa em sua homenagem.

Lenda da carruagem[editar | editar código-fonte]

No folclore de São Luís, existe uma lenda sobre a carruagem de Ana Jansen. De acordo com esta lenda, por maltratar seus escravos, Ana Jansen teria sido condenada a vagar perpetuamente pelas ruas da cidade numa carruagem assombrada. O coche maldito partiria do cemitério do Gavião, em noites de quinta para sexta-feira. Um escravo sem cabeça conduziria a carruagem, puxada por cavalos também decapitados[3], ou por uma puxada por uma mula-sem-cabeça em outras versões.[4]

A história é uma fábula universal da figura do Ogro personificado, isto é, de personagens reais da aristocracia de uma localidade que assumiram entre o imaginário folclórico as características de um ser aterrorizante pelos seus terríveis feitos, tal como o Vlad, o Empalador na Romênia, Gilles de Rais na França e Isabel Bathory na Hungria.

Referências

  1. a b c d e f g h i Fernando Costa (31 de Janeiro de 2018). «O verdadeiro medo da poderosa Ana Jansen». Consultado em 30 de novembro de 2018 
  2. Juliana Vieira (8 de setembro de 2016). «O que está por trás das lendas que povoam o imaginário de São Luis». Consultado em 3 de dezembro de 2018 
  3. O Imparcial (19 de Julho de 2018). «AS histórias de terror e lendas urbanas de São Luis». Consultado em 30 de novembro de 2018 
  4. institutocea.org.br (18 de setembro de 2013). «LENDA DA CARRUAGEM DE ANA JANSEN». Consultado em 30 de novembro de 2018 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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