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Carta de Cambon

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A Carta de Cambon (primeira página)

A carta de Cambon foi uma carta não publicada do diplomata francês Jules Cambon endereçada ao diplomata sionista Nahum Sokolow. Foi emitida pelo governo francês em junho de 1917, durante a Primeira Guerra Mundial, anunciando apoio ao projeto sionista na Palestina, então uma região otomana com uma pequena população judaica minoritária. Dizia:

Você teve a gentileza de apresentar o projeto ao qual está dedicando seus esforços, que tem como objetivo o desenvolvimento da colonização judaica na Palestina. Você considera que, se as circunstâncias permitirem e a independência dos Lugares Sagrados for salvaguardada, por outro lado, seria um ato de justiça e de reparação contribuir, sob proteção das Potências Aliadas, com o renascimento da nacionalidade judaica naquela Terra da qual o povo de Israel foi exilado há tantos séculos.O Governo Francês, que entrou nesta guerra atual para defender um povo injustamente atacado, e que continua a lutar para assegurar a vitória do direito sobre a força, não pode deixar de sentir simpatia pela sua causa, cujo triunfo está ligado ao dos Aliados. Fico feliz em dar-lhe aqui essa garantia.[1]

Foi argumentado que a carta era uma pré-condição necessária para a Declaração Balfour.

História

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Em 11 de março de 1916, em um telegrama aos embaixadores russo e francês, Edward Grey apresentou uma proposta para que os Aliados emitissem juntos uma declaração pública apoiando as aspirações judaicas na Palestina. Verete, em seu relato dos desenvolvimentos que levaram a esta proposta, explica: “aqui está a raiz e a fonte da política pró-sionista dos governos britânicos até à Declaração de Balfour”.[2]

O historiador Martin Kramer argumenta que o consentimento dos aliados britânicos França e Estados Unidos, e do Vaticano, que controlava muitos locais sagrados para o cristianismo na Terra de Israel, era condição prévia necessária para a Declaração de Balfour.[3]

Tanto o diplomata britânico Mark Sykes quanto o diplomata francês François Georges-Picot estavam em Petrogrado na época aconselhando seus embaixadores na questão de garantir o consentimento russo ao Acordo Sykes-Picot e aos seus termos em relação a uma futura divisão da Palestina. Houve pouco entusiasmo pela proposta por parte dos franceses ou dos russos. Brecher faz um relato das motivações e atitudes francesas em relação à questão durante os anos de guerra.[4]

Houve poucos desdobramentos até a mudança de governo na Grã-Bretanha, embora estivesse mantida a necessidade de acordo com os franceses, que estavam decididos a cumprir os termos do Sykes-Picot. Em um memorando datado de 21 de abril de 1917, Lord Robert Cecil, que substituiu Arthur Balfour como Secretário dos Negócios Estrangeiros durante a Missão Balfour na América,[5] escreveu que:

Reconheço perfeitamente a grande dificuldade de se executar a política sionista, uma vez que ela envolve uma forte preferência por um protetorado britânico na Palestina. Parece-me mais desejável que a França se junte a nós em uma expressão de simpatia pelas aspirações nacionalistas judaicas.[6]

Uma viagem à França e à Itália foi organizada para Mark Sykes, que havia sido nomeado no início do ano para liderar as negociações com os sionistas, e o diplomata sionista Nahum Sokolow, durante abril e maio de 1917. Eles garantiram o consentimento do Papa Bento XV em 4 de maio de 1917.[3] Depois de se encontrarem com vários oficiais franceses em abril, eles visitaram a Itália e Sokolow garantiu o apoio verbal do Papa Bento XV em 4 de maio de 1917. Em seu regresso à França, Sokolow conseguiu obter a carta de Cambon contendo o compromisso francês por escrito, embora a mantivesse inédita.[3] A carta foi aparentemente enviada a Ronald Graham por Sokolow; Picot foi convidado a ir a Londres no final de outubro para comparecer a uma reunião do Gabinete e explicar a posição francesa em relação ao movimento sionista. Kaufman cita Stein como considerando viável a possibilidade de que o documento não tenha sido levado ao conhecimento de Lord Balfour ou que ele tenha se esquecido de sua existência e também cita Verete como acreditando que o documento fora provavelmente perdido.[7]

Kramer fornece mais informações, bem como uma análise do contexto e das motivações da carta de Cambon e do endosso da Declaração de Balfour por Pichon.[3]

Referências

  1. «French support for the Zionist cause in 1917». balfourproject.org. Balfour Project. Setembro de 2014. Consultado em 14 de junho de 2017
  2. Vereté, Mayir (1970). «The Balfour Declaration and Its Makers». Taylor & Francis, Ltd. Middle Eastern Studies. 6 (1): 48–76. JSTOR 4282307. doi:10.1080/00263207008700138
  3. 1 2 3 4 Kramer, Martin (12 de junho de 2017). «How the Balfour Declaration Became Part of International Law». Mosaic. Consultado em 14 de junho de 2017
  4. Brecher, F.W. (1993). «French Policy toward the Levant». Middle Eastern Studies. 29 (4): 641–663. doi:10.1080/00263209308700971
  5. Friedman, Isaiah, The Question of Palestine: British-Jewish-Arab Relations, 1914-1918, ISBN 978-1-4128-3868-9, Transaction Publishers, pp. 150–
  6. Sanders, Ronald (janeiro de 1984), The high walls of Jerusalem: a history of the Balfour Declaration and the birth of the British mandate for Palestine, ISBN 978-0-03-053971-8, Holt, Rinehart and Winston, p. 507
  7. Kaufman, Edy (2006). «The French pro-Zionist declarations of 1917–1918». Middle Eastern Studies. 15 (3): 374–407. doi:10.1080/00263207908700418