Casa de Detenção de São Paulo

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Casa de Detenção de São Paulo
Localização São Paulo
Tipo Detenção
Fechamento 2002
Rebeliões Massacre do Carandiru, última rebelião deixou 111 detentos mortos em 92 por PMs do Choque de São Paulo.

A Casa de Detenção de São Paulo[1], popularmente conhecida como Carandiru por localizar-se no bairro homônimo da cidade de São Paulo, foi uma penitenciária que se localizava na zona norte de São Paulo. Foi inaugurada na década de 1920 e sua construção é do engenheiro-arquiteto Samuel das Neves.

A denominação de Casa de Detenção foi dada pelo interventor federal Ademar Pereira de Barros que em 5 de dezembro de 1938, pelo decreto estadual 9.789, extinguiu a Cadeia Pública e o Presídio Político da Capital. Este decreto previa separação de réus primários de presos reincidentes e separação dos presos pela natureza do delito.

Já chegou a abrigar mais de oito mil presos, sendo considerado à época o maior presídio da América Latina. Foi o local do massacre do Carandiru em 2 de outubro de 1992. Foi desativado e parcialmente demolido em 2002 no governo de Geraldo Alckmin, no local foi construído o Parque da Juventude.

Histórico[editar | editar código-fonte]

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O Complexo Penitenciário do Estado de São Paulo começou na década de 1920 com a criação da Penitenciária do Estado, sobre os cuidados do gênio Ramos de Azevedo.[2][3][4]

Esta unidade tem capacidade para abrigar mais 2000 presos, e atualmente está em reformas para abrigar sentenciados do sexo feminino e terá o nome modificado para Penitenciária de Santana.

Na década de 1950 com o governador da época Jânio Quadros foi criada a Casa de Detenção Profº. Flamínio Favero, que popularmente foi conhecida como a Casa de detenção do Complexo do Carandirú.

No início foram construídos três pavilhões: 2, 5, 8 todos com capacidade total para 3500 presos provisórios.

Mas a criminalidade naquela época teve um crescimento absurdo, e os Distritos Policias da Capital, o Presídio do Hipódromo (extinto em 1994) e o Presídio Tiradentes estavam superlotados.

A Casa de Detenção de São Paulo, foi entregue à população em 11 de Setembro de 1956 para abrigar todos os presos provisórios da capital paulista. Inaugurada, foi considerada por vários órgãos de Segurança do Brasil e de outros países como o 2º maior presídio do mundo e o mais seguro.

Porém, a realidade foi outra. No meio dos presos provisórios, havia também presos condenados em regime fechado.

E como não havia mais vagas em outros locais para cumprimento de penas, a Casa de Detenção de São Paulo, se transformou em um verdadeiro depósito de presos.

Cada Governador que entrava mandava construir mais um pavilhão e reformar os que estavam se deteriorando. Com a chegada da década de 1960 foram entregues mais quatro pailhões: o 4, o 7 e o 9, sendo este o último entregue e destinado a presos primários entre 18 e 25 anos e de alta periculosidade.

Durante anos a Casa de Detenção de São Paulo, foi alvo de muitas histórias horríveis: rebeliões com mortes, estupros entre os presos, extorsões, mortes entre presos, agressões, fugas espetaculares, etc.

O fato que marcou o Brasil e outros países foi o conhecido Massacre do Carandiru em 2 de Outubro de 1992, resultando em 111 presos mortos. E nesta data havia mais de 9.800 presos em todo o complexo.

Como também a mega-rebelião do Primeiro Comando da Capital (PCC) em 8 de Fevereiro de 2001 que dentro do maior presídio da América Latina, conseguiram sincronizar 30 unidades prisionais ao mesmo tempo para se rebelarem.

A mega-rebelião resultou em 16 presos mortos, além de familiares de presos feridos em circunstâncias um pouco confusas.

A Casa de Detenção fechou suas portas em meados de Setembro de 2002, após 46 anos de funcionamento, e no dia 9 de Dezembro de 2002, os pavilhões 6, 8 e 9 foram implodidos.

Os demais pavilhões, 2, 4, 5 e 7, seriam reformados e transformados em Centro de Estudos Tecnológicos, cultural, entre outros.

Em 2005 o governador Geraldo Alckmin determinou que os pavilhões 02 e 05 fossem implodidos, ficando somente o Pavilhão 4 (enfermaria) e o Pavilhão 7 para o Museu do Computador, AcessaSP-[[Parque da

Período 1920-1940[editar | editar código-fonte]

O Complexo Penitenciário do Carandiru, que se notabilizou recentemente por sua superlotação, má administração e pelos massacres violentos que ali ocorreram, foi - por ocasião de sua inauguração - considerado um presídio, tendo sido projetado para atender às novas exigências do Código Penal republicano de 1890, de acordo com as melhores recomendações do Direito Positivo da época.

O projeto do presídio que venceu a licitação foi inspirado no Centre pénitentiaire de Fresnes, na França, no modelo "espinha de peixe" (que ainda existe - em funcionamento até hoje - nos arredores de Paris) e recebeu o título de "Laboravi Fidenter". Foi elaborado pelo engenheiro Giordano Petry, tendo, no decorrer de sua execução, sofrido algumas adequações feitas por Ramos de Azevedo, razão pela qual esse último costuma ser citado, incorretamente, como sendo seu autor.

A construção dos dois pavilhões originais do presídio ficou a cargo do Escritório Técnico Ramos de Azevedo e foi executada segundo as mais modernas técnicas existentes na época, utilizando os melhores materiais, a maioria deles importados.

O custo da obra, inicialmente orçado em cerca de sete mil contos de réis, atingiu cerca de catorze mil contos de réis. Para se ter uma ideia do que significavam esses valores, na época, uma cadeia comum podia ser construída por mil contos de réis.

Por duas décadas, de 1920 a 1940 - ano em que atingiu sua capacidade projetada máxima de 1 200 detentos - o presídio, então chamado Instituto de Regeneração, foi considerado um padrão de excelência nas Américas, atraindo a visita de inúmeros políticos, estudantes de direito, autoridades jurídicas italianas e até mesmo personalidades como Claude Lévi-Strauss, que vinham a São Paulo para visitá-la.

Em 1936 Stefan Zweig - amigo pessoal de Sigmund Freud - escreveu em seu livro Encontros com homens livros e países "que a limpeza e a higiene exemplares faziam com que o presídio se transformasse em uma fábrica de trabalho. Eram os presos que faziam o pão, preparavam os medicamentos, prestavam os serviços na clínica e no hospital, plantavam legumes, lavavam a roupa, faziam pinturas e desenhos e tinham aulas."

A penitenciária do Carandiru era aberta à visitação pública e chegou a ser considerada um dos cartões postais da cidade de São Paulo.

É somente a partir de 1940 - quando a penitenciária excedeu sua lotação máxima - que ela começa a passar por sucessivas crises e brigas.

1940-2000[editar | editar código-fonte]

Numa das várias tentativas de resolver esses problemas de superlotação foi construída a Casa de Detenção, concluída em 1956 no governo de Jânio Quadros, que elevou sua capacidade para 3 250 detentos, mas que - ao mesmo tempo - era um anexo cuja arquitetura não se adequava totalmente ao projeto original do complexo, embora fosse adequado aos padrões da época.

Desde então a história do Carandiru passa a não ser nada mais que crises e rebeliões, que culminam com os famosos massacres de 1992, quando então, as autoridades penitenciárias amontoavam, em péssimas condições, cerca de oito mil detentos.

Massacre[editar | editar código-fonte]

Um dos fatos mais conhecidos da história do presídio ocorreu em 1992, quando 111 detentos foram mortos pela Polícia Militar de São Paulo durante uma rebelião, os quais resistiram às investidas policiais . Esse fato teve grande repercussão nacional e internacional. A canção "Diário de um detento", do grupo de rap Racionais MC's, versa a respeito da vida dos detentos e sobre tudo sobre o que ficou conhecido como "o massacre do Carandiru". Segundo muitos presos, o número oficial está abaixo da realidade, já que se afirma que pelo menos 250 detentos foram mortos na invasão. O comandante da operação, coronel Ubiratan Guimarães, enfrentou um júri popular em 2001 e foi condenado a seis séculos de prisão, mas recorreu e teve a absolvição concedida em 2006, por ter agido no exercício de seu dever. A ação policial tem o julgamento agendado pela Justiça de São Paulo para 28 de janeiro de 2013 e entre os réus estarão 28 dos mais de cem policiais acusados[5].

Em 2000 foi criado o grupo 509-E no interior do presídio. O grupo gravou dois álbuns dentro do presídio, obtendo uma vendagem alta de cópias para o mercado brasileiro de rap.

Resquícios da "muralha" da penitenciária foram transformados em passarelas cercadas de arborização.

Desativação[editar | editar código-fonte]

Em 2002, iniciou-se o processo de desativação do Carandiru, com a transferência de presos para outras unidades. Hoje o presídio já se encontra totalmente desativado (com exceção apenas da ala hospitalar ainda ativa atualmente), com alguns de seus prédios já demolidos e outros que foram mantidos, para serem posteriormente reaproveitados.

Atualmente o local abriga, o Parque da Juventude, a Biblioteca de São Paulo, instituições educacionais e de cultura. E, em dois pavilhões reformados, foram criadas duas escolas técnicas estaduais, a ETEC de Artes e a ETEC Parque da Juventude.

No parque, que conta com quadras de esporte e pistas de skate, ainda é possível ver os primeiros alicerces (abandonados) do que seria o Carandiru II, que serviria para ampliar os prédios já existentes.

Características[editar | editar código-fonte]

Apesar do desenho dos pavilhões serem muito similares, os mesmos possuíam diferenças em relação à população que os habitava, cada um com suas peculiaridades. Comuns a eles, é interessante citar os corredores chamados de "rua Dez". Por estarem localizados opostos às escadas, a rua Dez era propícia a acerto de contas, brigas mais sérias e mortes, pois até que os carcereiros lá chegassem, os envolvidos já teriam sido avisados pelos olheiros que ficavam nos corredores de acesso.

Pavilhão 2[editar | editar código-fonte]

Lugar para onde iam os detentos recém chegados à casa de detenção. Primeiramente havia uma passagem por esse pavilhão, para que os detentos fossem registrados, fotografados, recebessem corte de cabelo característico, calça bege (única cor permitida) e encaminhados para outros pavilhões. Nesse pavilhão os detentos recebiam a palestra inicial onde eram introduzidos às primeiras regras da detenção.

Pavilhão 4[editar | editar código-fonte]

O mais "desejado" entre os novos presos por não ser tão populoso, e contar com celas individuais. Esse pavilhão, foi criado com a intenção de ser uma área médica, e apesar de nunca tê-lo sido de forma exclusiva, acabou por manter essa característica. No térreo ficavam os presos tuberculosos, no segundo andar, os doentes mentais ou aqueles que fingiam sê-lo e no quinto, a enfermaria.

No térreo desse pavilhão existiu uma ala conhecida como masmorra ou amarelo. Celas apertadas, úmidas e escuras onde ficavam detentos jurados de morte por outros presos e que não podiam ser transferidos para outros pavilhões. Essas celas foram motivo de frequentes polêmicas com a imprensa e organizações humanitárias. Todavia, as mesmas eram uma garantia de vida para esses presos, que preferiam não sair dali, a não ser para outro presídio.

Pavilhão 5[editar | editar código-fonte]

O mais populoso dos pavilhões, também considerado o mais humilde de todos, sendo seus habitantes olhados com certo desdém pelos detentos de outros pavilhões. No primeiro andar, ficavam as celas de castigo. Semelhantes às masmorras, trancafiavam por cerca de trinta dias infratores internos (porte de drogas, armas, desacato etc.). No terceiro andar eram alojados estupradores, justiceiros (matadores "profissionais" de ladrões) e aqueles que foram expulsos de outros pavilhões. O quarto andar, possuía perfil similar ao terceiro, porém com presença de muitos travestis, na qual havia um setor conhecido como "Rua das flores", em referencia aos grupos LGBT. O quinto andar, foi conhecido como amarelo, e abrigou de forma precária muitos presos jurados de morte. Esses presos, por estarem ameaçados não tinham banho de sol, e ficavam acuados em suas celas. Por isso tinham a aparência amarelada, o que deu o apelido do setor. Devido a todos esses fatores, tal pavilhão foi sempre considerado o mais armado dos pavilhões.

Pavilhão 6[editar | editar código-fonte]

Era onde ficava a cozinha, já há muitos anos desativada. Um antigo cinema (destruído em rebelião) transformado em um grande auditório no segundo andar. Salas de administração no segundo e terceiro. Celas no quarto e quinto, sendo que este último andar ainda possuía uma área destinada a abrigar presos com o mesmo perfil que o amarelo, devido à superpopulação no pavilhão 5.

Pavilhão 7[editar | editar código-fonte]

Foi considerado de todos o mais calmo, chegando a permanecer dois ou três anos sem mortes. Criado com o intuito de ser um pavilhão de trabalho, o sete permaneceu habitado por detentos com ocupações laboriosas, como confecção de bolas, pipas, barcos e outras atividades. Este também era o preferido por aqueles que pretendiam fazer escavações e tentar a fuga, por ser o mais perto das muralhas.

Pavilhão 8[editar | editar código-fonte]

Provavelmente o lugar onde moravam os presos mais respeitados, por serem reincidentes no crime, conheciam muito bem as regras prisionais e sabiam como se comportar neste ambiente. Nem por isso deixava de ser tenso e violento. Junto a este, ficava o campo de futebol que era o maior, dentro da Casa.

Pavilhão 9[editar | editar código-fonte]

Ficou famoso fora da Casa de Detenção, pois uma torcida organizada do Sport Club Corinthians Paulista com o mesmo nome (Pavilhão 9) foi formada por detentos que abrigavam o nono pavilhão. Seus habitantes eram réus primários, o que acabava muitas vezes por gerar conflitos, já que os mesmos eram impetuosos e ainda sem a assimilação completa das regras a serem seguidas.

Além da Torcida da Gaviões do Corinthians, foi formada uma banda com mesmo nome do Pavilhão da Casa de Detenção de São Paulo (O Carandiru) conhecida também por Pavilhão 9. A banda é composta pelos integrantes Rho$$i, Doze, Ortega, Marinho, Marcelo Munari, Fernando Schaefer, DJ EBque um deles o '''Rho$$i''' também foram detentos da antiga Penitenciária de 1992 e um dos sobreviventes.

Prison Break[editar | editar código-fonte]

A terceira temporada da série de televisão americana "Prison Break" foi inspirada na Casa de Detenção de São Paulo e na Penitenciária de San Pedro - Bolívia.

Na série, a penitenciária se chama "Sona" (Penitenciária Federal de Sona)[6]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Livros sobre o presídio[editar | editar código-fonte]

  • Estação Carandiru de Dráuzio Varela
  • Diário de um detento de Jocenir
  • Vidas do Carandiru - Histórias Reais de (Humberto Rodrigues)
  • Às Cegas de Luís Alberto Mendes
  • Sobrevivente André du Rap, do Massacre do Carandiru de André du Rap
  • Código de Cela, o mistério das prisões de Guilherme S. Rodrigues
  • Memórias de um Sobrevivente de Luís Alberto Mendes
  • Cela Forte mulher de Antônio Carlos Prado
  • Pavilhão 9, Paixão e morte no Carandiru de Hosmany Ramos
  • Carandirú: o Caldeirão do diabo - Celso Bueno de Godoy
  • Uma porta para a vida - Celso Bueno de Godoy

Referências

Bibliográficas[editar | editar código-fonte]

  • AZEVEDO, José Eduardo Azevedo;A Penitenciária do Estado: a preservação da ordem pública paulista in Revista do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária; Vol. 1, nº 9; Brasília: jan/jun.1997, p. 91-102.
  • CANCELLI, Elisabeth; Repressão e Controle Prisional no Brasil: Prisões Comparadas in História: Questões e Debates; Curitiba: p. 141-156; Editora UFPr; 2005
  • CARVALHO FILHO,Luiz Francisco; A prisão; São Paulo; Publifolha; 2002.
  • SALLA,Fernando ; As prisões em São Paulo: 1822-1940 . São Paulo: Annablume/Fapesp, 1999
  • SILVA, José Ribamar da; Prisão: Ressocializar para não reincidir; Monografia submetida à Universidade Federal do Paraná, como parte dos requisitos necessários para a obtenção do Título de Especialização Modalidade de Tratamento Penal em Gestão Prisional; UFPr; 2003
  • ZWEIG, Stefan; Encontros com homens livros e países; Editora Guanabara; 1942

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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