Caso Beatriz Angélica

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Caso Beatriz
Local do crime Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, Petrolina,  Pernambuco
Data 10 de dezembro de 2015
Tipo de crime Homicídio
Vítimas Beatriz Angélica Mota
Réu(s) Desconhecido

O Caso Beatriz refere-se ao assassinato da menina Beatriz Angélica Mota, de apenas sete anos, em Petrolina, Pernambuco, no dia 10 de dezembro de 2015. Ela foi encontrada morta, com 42 facadas, durante uma festa de formatura no Colégio Nossa Senhora Auxiliadora onde estudava e onde seu pai dava aula. [1] [2] [3]

O crime, que está em "segredo de justiça", permanece sem solução até hoje, Dezembro de 2020. "Após quatro anos, os pais da menina Beatriz Angélica Mota Ferreira da Silva continuam em busca de respostas sobre o assassinato da filha de 7 anos", escreveu o G1 em dezembro de 2019. [1] [4]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Beatriz Angélica Mota Ferreira da Silva nasceu em 11 de fevereiro de 2008, em Juazeiro, cidade baiana vizinha a Petrolina, no Pernambuco. Beatriz era filha do professor Sandro Romilton Mota e da deputada Maria Lúcia Mota, e tinha dois irmãos mais velhos, Samira e Leandro. Toda a família morava em uma pequena chácara na zona rural do Juazeiro, e o pai da menina lecionava inglês no Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, uma escola católica bem conhecida em Petrolina. No dia em que foi morta, a irmã de Beatriz estava se formando no terceiro ano do Ensino Médio.[1]

O crime[editar | editar código-fonte]

Praça Maria Auxiliadora e Colégio Nossa Senhora Auxiliadora. A instituição de ensino é uma das mais importantes do Sertão Pernambucano.

No dia 10 de dezembro de 2015, Beatriz acompanhou os pais à cerimônia de formatura da irmã. Tanto ela como a irmã estudavam na instituição. Durante o evento, que contou com a presença de cerca de 2.500 pessoas, Beatriz pediu permissão a sua mãe para tomar água em um bebedouro que ficava em baixo da quadra onde o evento acontecia. Seus pais notaram sua ausência cerca de meia hora depois, e seu pai interrompeu a apresentação de uma banda para chamar por ela. "Beatriz, ô minha filha, onde é que você está? Ô Bia. Está todo mundo procurando por você", chamou seu pai do palco do evento. [5]

As buscas pela menina começaram imediatamente, tendo seu corpo sido encontrado numa sala desativada pelas 22h50min. O corpo apresentava ferimentos de faca no tórax, membros superiores e inferiores. A faca usada no crime foi encontrada próximo à criança. O laudo constou que o corpo de Beatriz apresentava 42 facadas, um ato de extrema violência [1][5][6]

O local onde o crime aconteceu é incerto, mas a polícia diz que não foi onde o corpo foi encontrado. "O local onde o corpo de Beatriz foi encontrado não apresentava vestígios de que o crime ocorreu ali. Não havia fuligem no corpo da criança, o que aponta que ela não entrou no local andando ou arrastada", escreveu o G1 em março de 2016, que ainda reportou que no mês de outubro anterior, ex-alunos tinham colocado fogo nesta sala. [1] Ainda haviam duas hipóteses sobre o motivo do crime, a primeira sendo um tipo de vingança para a família da garota e a segunda sobre um possível ritual de magia negra. Sobre o local onde a menina foi morta, muitos suspeitam de um sala de balé, que ficava próximo a área do bebedouro, que foi reformada dias depois do crime.

"Ocorreu a execução do crime em um outro local da escola, a criança foi transportada e jogada dentro do depósito, atrás do armário. Isso é uma conclusão que a polícia científica chegou. O laudo só saiu agora e por isso estamos fazendo essa divulgação. Isso traz questionamentos, como se deu toda essa logística confirma a probabilidade de que mais de uma pessoa teve participação", disse o delegado à G1 na época.

As investigações[editar | editar código-fonte]

Primeiras investigações[editar | editar código-fonte]

Em fevereiro de 2016, o primeiro delegado responsável pelas investigações, Marceone Ferreira, disse que não descartava a participação de mais de uma pessoa no crime. Na época também, um retrato falado de um suspeito, um homem de camisa verde que foi visto na área dos bebedouros, foi divulgado. [7]

O andamento do caso[editar | editar código-fonte]

Conforme as investigações seguiam, uma perícia apontou 3 meses depois que ao menos cinco pessoas estavam, de alguma forma, envolvidas no crime, sendo que todas eram funcionárias da escola. O promotor do Ministério Público (MP) de Petrolina, Carlan Carlo da Silva, declarou que o assassinato poderia ter motivação religiosa, para atingir o colégio católico. Ele também disse que poderiam ter ocorrido falhas da Polícia Civil nas primeiras horas da investigação do crime. [7] [1]

Em setembro de 2016, a polícia divulgou um vídeo do suspeito andando ao redor do colégio e entrando na quadra onde acontecia a festa, 20 minutos antes de Beatriz ser vista pela última vez. [7]

Novas imagens do suspeito foram divulgadas em março de 2017. [1]

Em junho de 2017, a seção da OAB em Juazeiro-BA, cidade vizinha à Petrolina, criou uma comissão especial para acompanhar as investigações sobre a morte da menina e divulgou uma carta aberta em que cobrava da polícia a resolução do caso. [1]

Em julho de 2018, Alisson Henrique Carvalho Cunha foi conduzido coercitivamente pela polícia para prestar depoimento por ter apagado as imagens de uma câmera de segurança, no entanto, o advogado do colégio diz que as imagens não foram apagadas na escola, mas sim por um erro da polícia. Alisson, que era funcionário do colégio na época do crime, chegou a ter a prisão decretada, decisão revogada depois porque o "inquérito não estaria concluído". [1]

Em outubro de 2019, quase quatro anos após o crime, os pais resolveram começar uma investigação paralela à da polícia. [1]

Em dezembro de 2019, ao se completarem quatro anos do assassinato de Beatriz, a Polícia Civil emitiu uma nota onde escreveu que "reafirma a seriedade e a dedicação com que está sendo conduzida a investigação do caso Beatriz, que corre em segredo de justiça. Por isso, não podem ser fornecidas informações do andamento dos trabalhos. Por fim, a PCPE reitera a confiança de elucidar esse bárbaro assassinato e apresentar quem cometeu esse crime à justiça". [1]

Em abril de 2020, uma denúncia revelou que suspeito de matar Beatriz poderia estar no Piauí. [8]

Fatos comprovados nas investigações[editar | editar código-fonte]

  • Um homem de camisa verde havia abordado outra criança na área do bebedouro antes de Beatriz. No entanto, a criança, assustada, se afastou. Outras pessoas também chegaram a ver o suspeito. [1]
  • Outro fato comprovado é que um molho com 3 chaves havia sumido 10 dias antes do crime, chaves que davam acesso a todas as rotas de entrada e saída do colégio. [1]
  • Há imagens de uma câmera de segurança que ficava a cerca de 50m do local onde o corpo foi encontrado, mas elas estão comprometidas. [1]
  • A polícia conseguiu encontrar traços de DNA e uma digital no cabo da faca usada no crime. [9]
  • O local exato da morte nunca foi descoberto. [9]

Pai acusa polícia de atrapalhar as investigações[editar | editar código-fonte]

O pai de Beatriz disse em outubro de 2019 que um investigador particular contratado pela família afirmou que agentes da polícia estariam atrapalhando as investigações. "Na nossa investigação paralela, a gente descobriu coisas que nem gostaria de falar. Está tendo certo desvio de função. A gente está descobrindo que alguns agentes que participaram da investigação de Beatriz, de uma certa maneira, atrapalharam as investigações", disse para uma rádio. Já a Polícia Civil se pronunciou dizendo que continuava "empenhada na elucidação do caso". [10]

Em 2018, o advogado do Colégio Nossa Senhora Auxiliadora já havia dito que imagens haviam sido apagadas por uma falha da Polícia Civil no manuseio dos HDs. [11]

Troca de delegados[editar | editar código-fonte]

Até maio de 2020, cinco delegados já haviam trabalhado no caso: Marceone Ferreira foi o primeiro delegado a conduzir as investigações; em dezembro de 2017, a delegada Gleide Ângelo assumiu o caso; em dezembro de 2018, a delegada Pollyanna Neri foi indicada para chefiar as investigações; em março de 2020, Isabella Cabral Fonseca Pessoa e João Leonardo Freire Cavalcanti foram indicados para liderar o caso. [12] [1] [13]

Atualizações[editar | editar código-fonte]

  • Em novembro de 2017, a mãe da menina viajou até Recife para conversar com o governador e pedir acesso ao inquérito policial. Na época, a família já aguardava há três meses uma resposta ao pedido de acesso aos documentos. [1]
  • Em abril de 2019, o corpo foi transferido do jazigo da família em Juazeiro, novamente exumado e depois enterrado em Petrolina.
  • Em agosto de 2019, a mãe de Beatriz se encontrou novamente com o governador de Pernambuco para pedir a "federalização" das investigações. [14]
  • Em 10 de dezembro de 2019, os pais organizaram um protesto para lembrar a morte da menina e "clamar por justiça". [15]
  • Em abril de 2020, uma denúncia revelou que o suspeito de matar Beatriz Mota poderia estar no Piauí. [8]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. a b c d e f g h i j k l m n o p Petrolina, Taisa AlencarDo G1 (29 de março de 2016). «Perícia aponta envolvimento de ao menos 5 pessoas na morte de Beatriz». Petrolina e Região. Consultado em 28 de maio de 2020 
  2. Petrolina, Taisa AlencarDo G1 (11 de dezembro de 2015). «Criança de 7 anos é assassinada durante festa em colégio particular». Petrolina e Região. Consultado em 28 de maio de 2020 
  3. «Mistério! Criança aparece morta em escola durante evento de final de ano». R7.com. 16 de dezembro de 2015. Consultado em 28 de maio de 2020 
  4. «Caso Beatriz: Polícia Civil cumpre mandado de busca na casa do suspeito de apagar imagens da escola onde menina foi morta». G1. Consultado em 28 de maio de 2020 
  5. a b Petrolina, Taisa AlencarDo G1 (23 de fevereiro de 2016). «Vídeo mostra imagens de Beatriz antes de ser assassinada em Petrolina». Petrolina e Região. Consultado em 28 de maio de 2020 
  6. Pessoa, Marília. «Mãe da menina Beatriz pede para Paulo Câmara federalizar investigação». interior.ne10.uol.com.br. Consultado em 28 de maio de 2020 
  7. a b c «Caso Beatriz: assassinato da menina completa quatro anos e segue sem solução». G1. Consultado em 28 de maio de 2020 
  8. a b Pessoa, Marília. «Denúncia revela que suspeito de matar Beatriz Mota pode estar no Piauí». interior.ne10.uol.com.br. Consultado em 28 de maio de 2020 
  9. a b Somos todos Beatriz no Facebook Watch, consultado em 28 de maio de 2020 
  10. Pessoa, Marília. «Família de Beatriz diz que polícia teria atrapalhado investigações». interior.ne10.uol.com.br. Consultado em 28 de maio de 2020 
  11. Miranda, Ana Maria. «Petrolina se prepara para o Campeonato Pernambucano». interior.ne10.uol.com.br. Consultado em 28 de maio de 2020 
  12. «Delegada Gleide Ângelo assume caso da menina Beatriz, morta há um ano em Petrolina». G1. Consultado em 28 de maio de 2020 
  13. «Caso Beatriz: Delegada Polyanna Neri deixa o comando das investigações». G1. Consultado em 28 de maio de 2020 
  14. Carlos, Erasmo. (1968). Lucinha. [S.l.: s.n.] OCLC 498571335 
  15. Pessoa, Marília. «Protesto em Petrolina relembra 4 anos sem Beatriz Mota». interior.ne10.uol.com.br. Consultado em 28 de maio de 2020 

16. https://www.didigalvao.com.br/justica-beatriz-se-viva-fosse-completaria-neste-domingo-11-dez-anos-de-idade/

Ligações externas[editar | editar código-fonte]