Caso Manchinha

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Caso Manchinha
Local do crime Osasco, São Paulo
Data 28 de novembro de 2018
Tipo de crime Maus-tratos aos animais
Arma(s) mortadela com veneno para ratos e barra de alumínio
Vítimas Cão de rua
Promotor Marco Antônio de Souza[1]

O Caso Manchinha refere-se ao assassinato da cadelinha vira-lata Manchinha, ocorrido em 28 de novembro de 2018, nos arredores de uma das lojas da rede Carrefour, situada no município brasileiro de Osasco, na Grande São Paulo. O caso gerou repercussão nacional e internacional,[2][3][4] levando o Congresso do Brasil a aprovar uma lei que aumentou a pena para maus-tratos a animais.[5]

Manchinha[editar | editar código-fonte]

Uma fêmea abandonada sem raça definida (vira-lata), o cão recebeu o nome de Manchinha por um funcionário do hipermercado Carrefour, de Osasco, São Paulo, onde vivia e era alimentada por clientes e funcionários.[6][7][8]

Antecedentes e crime[editar | editar código-fonte]

No mês de novembro de 2018, os donos da loja Carrefour, situada em Osasco, foram notificados de que receberiam a visita de um dos supervisores da matriz. Um dos funcionários do estabelecimento, responsável pela segurança do local, recebeu ordens para retirar um cão sem raça definida, denominado Manchinha, que permanecia no estacionamento do Hipermercado e fora abandonado meses antes do ocorrido, recebendo alimentação e água.[9] Para cumprir as ordens, o homem teria oferecido ao animal mortadela com veneno para ratos, além de espancado-o, utilizando-se de uma barra de alumínio. A loja alegou que Manchinha foi vítima de atropelamento, mas admitiu, posteriormente, a agressão. O cão chegou a ser resgatado por funcionários do centro de Zoonoses da cidade, mas morreu depois de ser agredido.[10] A veterinária que o atendeu concluiu que o animal morreu por hemorragia.[11][12][7]

O segurança responsável pelo crime foi identificado e afastado de suas atividades.[10][13] O caso demorou três dias para ser denunciado às autoridades.[14] Ele confessou o crime, declarando-se arrependido.[15][16][17] Após a conclusão do inquérito, em 18 de dezembro de 2018, o funcionário foi considerado réu pelo crime de abuso e maus-tratos a animais. No entanto, não foi preso imediatamente, respondendo em liberdade.[1]

Repercussão[editar | editar código-fonte]

O caso, divulgado por redes sociais, repercutiu rapidamente, gerando uma onda de protestos pelo Brasil, contra as lojas da rede. Vários famosos, como Tatá Werneck e Luciano Huck, publicaram notas de repúdio ao caso em suas redes. A apresentadora e ativista Luisa Mell ingressou com uma ação judicial contra o estabelecimento.[18] A Polícia Civil de São Paulo instaurou um inquérito para apurar as causas do falecimento do animal, e vários funcionários da loja tiveram que prestar depoimento.[19]

Manchinha recebeu várias homenagens após sua morte.[20] Em fevereiro de 2019, o caso serviu de justificativa para a proposição de leis mais rigorosas ao crime de maus-tratos a animais.[21] O Congresso Nacional aprovou o PL 1.095/2019, aumentando a pena e a multa para responsáveis por maus-tratos a animais, de dois a cinco anos, com multa máxima de mil salários mínimos.[22][23][5] Em setembro de 2020, o presidente Jair Bolsonaro sancionou o projeto, convertendo-o em lei.[24][5]

Em março de 2019, o Carrefour, após acordo com o Ministério Público, transferiu R$ 1 milhão para um fundo de proteção aos animais criado pelo município de Osasco. A empresa também realizou um censo para identificar animais que viviam em suas unidades, de modo a resgatá-los e levá-los para abrigos. Em novembro de 2019, o Carrefour relatou que havia recebido aproximadamente 600 mil comentários em suas redes sociais sobre o ocorrido – com a maioria tendo teor negativo.[25]

Referências

  1. a b Kleber Tomaz (18 de dezembro de 2018). «Polícia de SP conclui inquérito e culpa segurança do Carrefour por agressão e morte de cachorro». G1. Consultado em 16 de fevereiro de 2019 
  2. «Cachorro morto brutalmente em Carrefour de Osasco gera onda de protestos». iG. 4 de dezembro de 2018. Consultado em 16 de fevereiro de 2019 
  3. Félix Eduardo Gutierrez (6 de dezembro de 2018). «Brutal muerte de un perro callejero desata polémica en Brasil». elciudadano.com (em espanhol). Consultado em 16 de fevereiro de 2019 
  4. Pierre Lentz (6 de dezembro de 2018). «Polémique au Brésil après la mort d'un chien tué par le vigile d'un Carrefour» (em francês). HuffPost. Consultado em 16 de fevereiro de 2019 
  5. a b c «Lojas do Carrefour já foram palco de outros casos de violência e racismo». Poder 360. 20 de novembro de 2020. Consultado em 20 de novembro de 2020 
  6. Lívia Machado (4 de dezembro de 2018). «Cachorro abandonado é envenenado e espancado por funcionário de Carrefour em Osasco, dizem ativistas». G1. Consultado em 11 de dezembro de 2018 
  7. a b Kleber Tomaz (6 de dezembro de 2018). «Hemorragia matou cachorro do Carrefour de Osasco, diz à polícia veterinária que tentou salvá-lo». G1. Consultado em 11 de dezembro de 2018 
  8. «Vídeo mostra funcionário agredindo cachorro em supermercado». O Estado de S. Paulo. Uol. 5 de dezembro de 2018. Consultado em 11 de dezembro de 2018 
  9. Amanda Oliveira (5 de dezembro de 2018). «Cachorro agredido no Carrefour: entenda o caso e o que se sabe até agora». Capricho. Consultado em 16 de fevereiro de 2019 
  10. a b «Vídeos mostram segurança, barra de metal e cão ferido; MP abre inquérito». UOL. 5 de dezembro de 2018. Consultado em 16 de fevereiro de 2019 
  11. «Cachorro do Carrefour em Osasco morreu por hemorragia, aponta veterinária que o socorreu». Folha da Terra. 6 de dezembro de 2018. Consultado em 11 de dezembro de 2018 
  12. «Hemorragia teria provocado a morte da Cachorra Mancinha no Carrefour, diz veterinária». ODN. 7 de dezembro de 2018. Consultado em 11 de dezembro de 2018 
  13. «Cachorro morto era chamado de Manchinha; segurança do Carrefour foi intimado». Oito e Meia. 5 de dezembro de 2018. Consultado em 20 de novembro de 2020 
  14. José Maria Tomazela (6 de dezembro de 2018). «Segurança do Carrefour confirma agressão a cachorro e diz estar arrependido em depoimento». O Estado de S. Paulo. Consultado em 16 de fevereiro de 2019 
  15. «Segurança confessa agressões a cachorro morto no Carrefour». Catraca Livre. 7 de dezembro de 2018. Consultado em 11 de dezembro de 2018 
  16. Kleber Tomaz (8 de dezembro de 2018). «Segurança do Carrefour que aparece em vídeo com barra espantando cão que morreu alega que não quis ferir animal». G1. Consultado em 11 de dezembro de 2018 
  17. «Segurança acusado de matar cadela no Carrefour em Osasco confessa agressões». Extra. 7 de dezembro de 2018. Consultado em 11 de dezembro de 2018 
  18. José Maria Tomazela (5 de dezembro de 2018). «Vídeo mostra funcionário agredindo cãozinho com barra metálica no Carrefour». Portal Terra. Consultado em 16 de fevereiro de 2019 
  19. «Inquérito é aberto para apurar morte de cachorro em supermercado na Grande SP». R7. 3 de dezembro de 2018. Consultado em 16 de fevereiro de 2019 
  20. «Cervejas terão ilustração de cadela morta no Carrefour; renda irá para ONGs». jornaldebrasilia.com.br. 31 de janeiro de 2019. Consultado em 16 de fevereiro de 2019 
  21. «Deputada propõe cassar inscrição estadual de empresa que maltrata animais». Correio Braziliense. 12 de fevereiro de 2019. Consultado em 1 de março de 2019 
  22. «Cão Manchinha inspira projeto de lei». O Antagonista. 9 de dezembro de 2018. Consultado em 11 de dezembro de 2018 
  23. Sara Resende (11 de dezembro de 2018). «Senado aprova pena maior para quem maltratar animais; multa será de até mil salários mínimos». G1. Consultado em 11 de dezembro de 2018 
  24. «Maus-tratos contra cães e gatos agora podem dar até 5 anos de prisão; saiba o que muda». Diário do Nordeste. 29 de setembro de 2020. Consultado em 20 de novembro de 2020 
  25. Kleber Tomaz (4 de novembro de 2019). «Um ano após caso Manchinha, 'censo' do Carrefour identifica 300 animais abandonados em supermercados no país». G1. Consultado em 29 de abril de 2020