Caso Martha Cosac

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O caso Martha Cosac foi um dos crimes que mais ganhou destaque na mídia e chocou o estado de Goiás. Martha era empresária e parente dos políticos Lamis Cosac e Rubens Cosac, que foi deputado federal e presidente da Assembléia Legislativa do estado.

O caso[editar | editar código-fonte]

No dia 7 de outubro de 1996, a Polícia Civil é informada sobre um crime no início da manhã. Uma mulher e um menino de 11 anos foram assassinados. A única pista da autoria é um instrumento cortante deixado na cena do crime, cravado nas costas do garoto. Os peritos do Instituto Médico Legal iniciam os trabalhos já no local. A morte choca pela crueldade e o crime vira manchete. Mas nos anos seguintes, a incerteza tornou-se companhia dos parentes e familiares da empresária do ramo de confecção Martha Maria Cosac morta aos 44 anos, e do sobrinho dela Henrique Talone Ribeiro. Martha Cosac, a empresária, e o sobrinho dela, Henrique Talone, foram mortos a violentos golpes de faca no mesmo dia que a polícia foi informada do crime, no interior da empresa de confecção Última Página, de propriedade de Martha Cosac, no Setor Sul em Goiânia. Ela foi encontrada nua, com vendas nos olhos e amordaçada. O garoto, de 11 anos, tinha uma faca cravada nas costas. O carro da empresária, placa KBN 6448, de Goiânia, foi roubado e abandonado nas proximidades do Lago das Rosas logo após o crime.

Foram apontados como os responsáveis pelas mortes Frederico da Rocha Talone e o capitão da Polícia Militar Alessandri da Rocha Almeida. Segundo a denúncia do Ministério Público, depois de cometerem o crime, Frederico e Alessandri teriam roubado a carteira de identidade, cartões de crédito e de banco dela, aparelho de som, jóias, dinheiro e obrigado a empresária a preencher um cheque do Banco Regional de Brasília, no valor de 1.500 reais, que foi descontado.

O dia do crime[editar | editar código-fonte]

Frederico era empregado de Martha, responsável por serviços de contabilidade da empresa, tendo acesso à senha pessoal da conta dela. Consta da denúncia que, no dia do crime, Martha havia chegado de viagem a Cristalina, e telefonado para Frederico, pedindo que ele comparecesse à confecção no dia seguinte, para que entregasse cheques de terceiros que estavam sob a sua guarda.

De acordo com o MP, Frederico e Alessandri foram à confecção no mesmo dia, por volta das 23 horas Martha abriu o portão para eles. Os dois então lhe aplicaram golpes de artes marciais em regiões vitais do corpo, amarraram-lhe as mãos e os pés. Em seguida, aplicaram-lhe golpes de faca. Henrique foi morto em seguida, por ter presenciado o crime.

O inquérito[editar | editar código-fonte]

O delegado pediu ao Ministério Público que denunciasse Alessandri da Rocha Almeida e Frederico Talone por homicídio qualificado, mas o promotor Fernando Aurvalle Krebs entendeu que, ao contrário do que queria o delegado, o crime foi um latrocínio (roubo seguido de morte) e não um homicídio.

O inquérito foi redistribuído para a 10ª Vara Criminal. O inquérito que apura o duplo assassinato vem passando pelas mãos de vários delegados, criando muita polêmica entre imprensa, testemunhas e familiares de indiciados. O inquérito vem sendo investigado pelo titular à época do 16°DP de Goiânia, pela Delegacia Estadual de Furtos e Roubos de Veículos (DEFRVA), Delegacia Estadual de Investigações Criminais (Deic) e, por fim, pela Delegacia de Homicídios e pelo Serviço Reservado da Polícia Militar.

Foram solicitados exames cadavéricos nas vítimas, rastreamento das ligações telefônicas da empresária, feitas inúmeras reconstituições no local do crime. Frederico Talone, que hoje mora e estuda nos Estados Unidos, ficou preso por 60 dias, mas o delegado Carlos Fernandes não conseguiu apresentar provas objetivas que o incriminasse perante a justiça.

Testemunhas[editar | editar código-fonte]

A mãe de Frederico, Elcione Maria da Rocha Talone, afirmou que quando Martha Cosac foi assassinada havia apenas 27 dias que Frederico trabalhava na confecção. "Foi a própria Martha quem pediu a ele para trabalhar na confecção. Ela disse que estava sendo muito lesada lá e precisava de alguém de sua confiança", comentou.

A coleta de depoimentos de três testemunhas arroladas pela defesa, tendo o primeiro depoimento sido prestado pela administradora de empresas Lorena Michele Giolo Silva foi feito sem grandes conclusões. Lorena Michele relatou que foi namorada de Frederico durante três anos, mas ambos já haviam rompido na época do crime. Segundo ela, a relação com o réu era tranqüila. "Meus pais o adoram e nós também adoramos toda a família dele. É um amor de pessoa, assim como Alessandri", afirmou, acrescentando que nunca foi agredida por Frederico nem tem conhecimento se ele ou Alessandri já usaram drogas.

Em seu depoimento,o tenente coronel da Polícia Militar (também chamada de PM) João Dias Milhomens Júnior disse que foi chefe do Serviço de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública de 1999 a 2003 e, nesse período, recebeu um expediente da chefia de gabinete do então secretário e agora senador Demóstenes Torres, para que ouvisse informalmente um agente de nome Olacir, que possuia algumas denúncias a respeito da morte da empresária e do afilhado. Segundo ele, Olacir lhe disse que o autor do crime se chamava Rex e, naquela época, estava preso no Cepaigo.

Também ouvida, a empresária Maria Cristina Craveiro Campos disse que um dia antes do fato esteve na confecção de propriedade da Martha Cosac e encontrou-se com a vítima. Na ocasião, encomendou-lhe algumas roupas e Martha lhe disse que passaria a trabalhar com roupas de festa, enquanto Frederico iria cuidar da parte administrativa do negócio. "Eu sentia que ela tinha confiança nele e que o relacionamento entre ambos era de muito carinho", afirmou.

O policial civil Olacir Bonifácio Guimarães confirmou que, em conversa com o preso Marcos Mendanha, quando trabalhava no Cepaigo, foi informado que o crime havia sido cometido por outras pessoas, conhecidas como Rex, Noemi e Cida. Segundo ele, Mendanha relatou que no dia do fato os três chegaram à sua residência com jóias, carteira de identidade de Martha Cosac, entre outros objetos, que estavam enrolados em um tecido e foram queimados. Olacir não soube, contudo, explicar por que o preso o escolheu para contar o caso.

Por sua vez, o cabo da PM Rosemar Pereira da Silva disse que, no ano passado, ao efetuar a prisão de Marcos Mendanha em razão de um assalto na casa da deputada Raquel Teixeira, o preso perguntou-lhe se estava sendo pego "por causa do crime de Martha Cosac", ao que lhe respondeu que não. Segundo ele, há cerca de sete ou oito anos, Mendanha estava preso no Cepaigo e comentou que Alessandri não tinha nenhuma relação com o crime pois quem tinha participado dele se chamava Rex.

A promotora Gislene Silva Barbosa diz que, se não for descoberto quem levou o carro da empresária, o aparelho de som e descontou o cheque no valor de 1,5 mil reais, não há como dar seqüência ao inquérito. "Pedi mais perícias e novos depoimentos de pessoas que já foram ouvidas ou não. Se nessas diligências não surgirem fatos novos, o caso fica como está", conclui a promotora. Gislene Barbosa tem sob sua responsabilidade 1.200 processos. O inquérito que apura o assassinato de Martha Cozac e Henrique Talone já tem quase 3 mil páginas e poucas provas que podem ajudar a identificar o autor ou autores do crime. "A partir de agora o caso passa a ser um crime contra o patrimônio. Se for identificado o autor do roubo, o julgamento será feito por um juiz singular. Da forma como o delegado queria os indiciados iriam responder por homicídio e seriam levados a júri popular", esclarece a promotora.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]