Caso Victoria Natalini

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Caso Victoria Natalini
Local do crime Fazenda Pereiras, em Itatiba, interior de São Paulo
Data 15 de setembro de 2015 (data do desaparecimento)
desconhecido
Tipo de crime Assassinato
Vítimas Victoria Mafra Natalini

O caso Victoria Natalini refere-se à morte da estudante Victoria Mafra Natalini, que encontrava-se na Fazenda Pereiras em excursão escolar. Era estudante da escola particular Waldorf Rudolf Steiner. O caso tinha sido encerrado em 2015, com o laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontando "morte natural", mas em reviravolta, foi divulgado em rede nacional, no Fantástico em 2016, que a estudante tinha sido assassinada.[1] Em protesto, a família da estudante criou no Facebook a página "Justiça para Victoria Natalini", onde foram postados diversos questionamentos, até o caso entrar em segredo de justiça, em 2017.[1]

História[editar | editar código-fonte]

Desaparecimento[editar | editar código-fonte]

A adolescente de 17 anos, Victoria Mafra Natalini, iria residir por sete dias na Fazenda Pereiras, em Itatiba, interior de São Paulo, para um trabalho escolar.[2] Somando a estudante, o grupo era composto de 34 alunos, três técnicos de topografia e dois professores.[1] Não era permito o uso de celular na região.[1] Outros alunos relataram que viram cobras e tiveram dor de barriga enquanto estavam na fazenda.[2] Victoria Natalini desapareceu no quarto dia de excursão,[1] por volta das 14 horas do dia 15 de setembro de 2015,[2] após sair sozinha e caminhar por uma estrada para ir ao banheiro na sede da fazenda, que fica a 500 metros de distância do local onde estavam os outros estudantes.[1] Seu corpo foi encontrado no dia seguinte, dia 16,[2] por um helicóptero da Polícia Militar.[1] O corpo estava vestido e tinha marcas de escoriações.[1] Estava localizado no sentido contrário ao local que a estudante disse que iria e a 1,2km de distância.[1]

Investigação[editar | editar código-fonte]

Um tratorista de 40 anos foi a última pessoa a ver a estudante com vida.[2] O tratorista foi ouvido horas após o corpo ter sido encontrado pela Polícia Militar (PM).[2] Em trechos do depoimento que ele concedeu à polícia de Itatiba que foram divulgados à imprensa a pedido do G1, consta:

"Entre as 14h30 e 15h estava carregando a carreta tracionada pelo trator em uma estrada de terra que dá acesso ao alojamento, nesse momento viu uma jovem, que posteriormente ficou sabendo ser Victoria Mafra Natalini, vindo nessa estrada em direção ao alojamento, percebeu que ela estava um pouco agitada batendo com as mãos nos bolsos como se estivesse procurando algo, em seguida, esta retornou pelo mesmo trajeto."[2]
(…)
"Informou ainda que, aproximadamente dez minutos após, viu três jovens saindo do alojamento em direção ao local onde estavam efetuando os trabalhos, que não observou nenhuma atitude suspeita, pois passaram pelo depoente conversando normalmente."[2]

A insistência de parentes de Victoria Natalini, fez com que fosse feito um novo laudo, desta vez pelo Centro de Perícias da Secretaria da Segurança Pública (SSP).[1] A investigação do caso foi transferida da Polícia Civil de Itatiba para Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP).[1] Exames de peritos particulares contratados pela família da vítima, aponta que a causa da morte da adolescente foi por "asfixia mecânica, na modalidade de sufocação direta", diferente do laudo do IML de Jundiaí, que alegava "causa indeterminada, sugestiva de morte natural."[1] Os exames dos peritos particulares também apontam que Victoria Natalini foi mantida em "um local fechado e ficou por algumas horas até ser levada a outro local."[1]

Em trechos de outro depoimento, agora da Divisão de Homicídios do DHPP, cidade de São Paulo, o tratorista "observou uma menina que abriu a porteira, e fazia gestos de correr e parar, correr e parar e batia com os punhos em suas pernas, quando retornou para o caminho de onde vinha (…) Porém, o depoente não sabe se esta menina virou à direita rumo ao campo das medições ou seguiu rumo a estrada que dá acesso à Fazenda Pereiras."[2]

Os laudos feitos no corpo da adolescente, apontam que ela não consumiu drogas ou bebidas alcoólicas e não foram encontradas marcas de violência sexual.[2] Testemunhas dizem que Victonia Natlini era saudável.[2] Além de fornecer a saliva para exame de DNA, foram feitas perícias em todas as peças de roupa do tratorista.[2] O material foi encaminhado para análise dos peritos do Instituto de Criminalística (IC).[2] Ainda não foram divulgados os resultados dos exames e a polícia informou que não tinha nenhum suspeito do assassinato da estudante.[2] Seu corpo foi velado no Cemitério Gethsêmani, na Zona Sul de São Paulo, em 18 de setembro de 2015.[3]

Posicionamentos[editar | editar código-fonte]

Família[editar | editar código-fonte]

O pai da estudante, o empresário João Carlos Siqueira Natalini, disse que "Houve negligência de forma cabal, não há como negar que não foram tomados todos os cuidados que deveria haver, como deveria ter acontecido em uma sala de aula (…) Não havia nenhum tipo de vigia aos alunos, então eu imputo à escola a responsabilidade pelo que aconteceu."[1] Familiares criaram uma página no Facebook, chamada "Justiça para Victoria Natalini", onde eram postados diversos questionamentos sobre o caso, até entrar em segredo judicial.[1]

Escola e fazenda[editar | editar código-fonte]

Além de decretar luto,[4] a escola Waldorf disse em nota que na excursão de Itatiba, tinha cinco adultos que eram profissionais capacitados para atender os alunos e que iria "apoiar os órgãos competentes na conclusão das investigações".[1] Após a exposição da instituição, foi divulgado outro comunicado, onde a Waldorf Rudolf Steiner diz que "seguindo as orientações de seus advogados, comunica que só se pronunciará após a conclusão das investigações pelos órgãos competentes e o fechamento do inquérito atualmente em curso".[5] Um dos donos da Fazenda Pereira, lamentou o caso e disse em 2015, que a parceria com a escola, da qual ele foi aluno, fazia quase dez anos e não tinha sido registrado nenhum problema.[6][nota 1]

Polícia[editar | editar código-fonte]

O poisicionamento mais recente da polícia, foi dado ao Fantástico em 2016, pela delegada Ana Paula Rodrigues, da 5ª Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Criança e o Adolescente, dizendo que "Teria que ter um responsável sempre ao lado. Houve, sim, falhas de protocolo de segurança."[1]

Repercussão[editar | editar código-fonte]

O caso repercutiu em diversos veículos notórios de comunicação do Brasil: Folha Vitória,[8] Imirante.com,[9] Gazeta do Povo,[10] revista Veja,[11] TV UOL,[12] Correio Braziliense,[13] Folha de S.Paulo,[14] Jornal do Tocantins,[15] Jornal de Brasília,[16] jornal Correio,[17] Brasil Online (BOL),[18] IstoÉ,[19] Jovem Pan,[20] O Estado de S. Paulo,[21] Rede Meio Norte,[22] O Sul,[23] R7 (RecordTV)[24] e G1 (Rede Globo).[2]

Notas

  1. Outro estudante morreu próximo ao local de Victoria Natalini. Matheus Muniz Alves, de 12 anos, morreu afogado em 8 de outubro de 2015. Estava com um grupo de 70 alunos de uma escola estadual de Itariri, acompanhado de professosres e funcionários do Jureia Park Hotel.[7]

Referências

  1. a b c d e f g h i j k l m n o p q Kleber Tomaz (17 de julho de 2016). «Família de aluna morta em excursão escolar pede Justiça no Facebook». G1. Rede Globo. Consultado em 11 de agosto de 2019. Cópia arquivada em 18 de dezembro de 2012 
  2. a b c d e f g h i j k l m n o Kleber Tomaz (14 de julho de 2016). «Última pessoa a ver aluna viva em fazenda disse que ela estava 'agitada'». G1. Rede Globo. Consultado em 24 de agosto de 2019. Cópia arquivada em 31 de dezembro de 2018 
  3. «Aluna que morreu em excursão é enterrada em São Paulo». G1. Rede Globo. 18 de setembro de 2015. Consultado em 24 de agosto de 2019. Cópia arquivada em 25 de agosto de 2019 
  4. «Escola decreta luto por aluna achada morta em fazenda no interior de SP». G1. Rede Globo. 17 de setembro de 2015. Consultado em 24 de agosto de 2019. Cópia arquivada em 24 de agosto de 2019 
  5. «Comunicado». Escola Waldorf Rudolf Steiner. Consultado em 27 de agosto de 2019. Cópia arquivada em 27 de agosto de 2019 
  6. Natália de Oliveira (17 de setembro de 2015). «Dono de fazenda lamenta morte de estudante: 'Nunca tivemos problemas'». G1. Rede Globo. Consultado em 24 de agosto de 2019. Cópia arquivada em 24 de agosto de 2019 
  7. José Maria Tomazela (9 de outubro de 2015). «Estudante de 12 anos morre afogado em excursão da escola no interior de SP». Jornal A Tarde. Consultado em 24 de agosto de 2019. Cópia arquivada em 24 de agosto de 2019 
  8. Redação (17 de setembro de 2015). «Aluna de 16 anos é encontrada morta após se perder em excursão em Itatiba». Folha Vitória. Consultado em 24 de agosto de 2019. Cópia arquivada em 24 de agosto de 2019 
  9. Thales Matos (18 de setembro de 2015). «Aluna que morreu em excursão é enterrada em São Paulo». Imirante. Consultado em 24 de agosto de 2019. Cópia arquivada em 24 de agosto de 2019 
  10. «Aluna de 16 anos é encontrada morta após se perder em excursão em Itatiba». Gazeta do Povo. 17 de setembro de 2015. Consultado em 24 de agosto de 2019. Cópia arquivada em 24 de agosto de 2019 
  11. «Aluna que sumiu em excursão da escola foi asfixiada, diz 'Fantástico'». Revista Veja SP. Grupo Abril. 11 de julho de 2016. Consultado em 24 de agosto de 2019 
  12. «Aluna é encontrada morta após se afastar de colegas em viagem escolar». Tv UOL. Universo Online. 17 de setembro de 2015. Consultado em 24 de agosto de 2019. Cópia arquivada em 24 de agosto de 2019 
  13. «Aluna de 16 anos é encontrada morta após se perder em excursão em Itatiba». Correio Braziliense. 17 de setembro de 2015. Consultado em 24 de agosto de 2019. Cópia arquivada em 24 de agosto de 2019 
  14. Juliana Coissi (17 de setembro de 2015). «Aluna de colégio de SP é encontrada morta em fazenda após atividade escolar». Folha de S.Paulo. Consultado em 24 de agosto de 2019 
  15. «Aluna de 16 anos é encontrada morta após se perder em excursão em Itatiba». Jornal do Tocantins. 17 de setembro de 2015. Consultado em 24 de agosto de 2019. Cópia arquivada em 24 de agosto de 2019 
  16. «Aluna de 16 anos é encontrada morta após se perder em excursão em Itatiba». Jornal de Brasília. 17 de setembro de 2015. Consultado em 24 de agosto de 2019. Cópia arquivada em 24 de agosto de 2019 
  17. «Adolescente é encontrada morta em fazenda após se perder de grupo em passeio escolar». Jornal Correio. Rede Bahia. 17 de setembro de 2015. Consultado em 24 de agosto de 2019. Cópia arquivada em 24 de agosto de 2019 
  18. «Aluna é encontrada morta após se afastar de colegas em viagem escolar». Brasil Online (BOL). Universo Online. 17 de setembro de 2015. Consultado em 24 de agosto de 2019. Cópia arquivada em 24 de agosto de 2019 
  19. «Excursão, estudo e morte». Revista IstoÉ. 18 de setembro de 2016. Consultado em 24 de agosto de 2019 
  20. «"Minha filha foi vítima de homicídio", diz pai de aluna morta em excursão». Jovem Pan. Universo Online. Consultado em 24 de agosto de 2019. Cópia arquivada em 15 de janeiro de 2018 
  21. José Maria Tomazela (17 de setembro de 2015). «Aluna de 16 anos é encontrada morta após se perder em excursão em Itatiba». O Estado de S. Paulo. Grupo Estado. Consultado em 24 de agosto de 2019. Cópia arquivada em 1 de julho de 2016 
  22. «Pai de jovem morta em excursão culpa escola por negligência». Rede Meio Norte. 12 de julho de 2016. Consultado em 24 de agosto de 2019. Cópia arquivada em 24 de agosto de 2019 
  23. «Família de aluna morta em uma excursão da escola pede Justiça no Facebook». Jornal O Sul. Rede Pampa. 13 de julho de 2016. Consultado em 24 de agosto de 2019. Cópia arquivada em 24 de agosto de 2019 
  24. «Estudante morta durante excursão em fazenda pode ter sido assassinada e pai responsabiliza a escola». R7. RecordTV. 12 de julho de 2016. Consultado em 24 de agosto de 2019 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Outros projetos Wikimedia também contêm material sobre este tema:
Wikinotícias Notícias no Wikinotícias