Castelo (Espírito Santo)
Castelo | |
|---|---|
| Hino | |
| Gentílico | castelense[1] |
![]() | |
| Coordenadas: 20° 36′ 16″ S, 41° 12′ 13″ O | |
| País | Brasil |
| Unidade federativa | Espírito Santo |
| Municípios limítrofes | Cachoeiro de Itapemirim, Conceição do Castelo, Venda Nova do Imigrante, Domingos Martins, Vargem Alta, Muniz Freire e Alegre |
| Distância até a capital | 148 km[2] |
| Fundação | 25 de dezembro de 1928 (97 anos)[3] |
| Emancipação | 30 de dezembro de 1929 (96 anos)[3] |
| Distritos | Lista
|
| Governo | |
| • Prefeito(a) | João Paulo Silva Nali[5] (Republicanos, 2025–2028) |
| Área | |
| • Total [1] | 663,515 km² |
| • Urbana (IBGE/2019) [1] | 5,05 km² |
| População | |
| • Total (Censo IBGE/2022) [1] | 36 930 hab. |
| • Estimativa (IBGE/2025) | 39 575 hab. |
| Densidade | 55,7 hab./km² |
| Clima | temperado quente (Cfb)[6] |
| Fuso horário | Hora de Brasília (UTC−3) |
| IDH (PNUD/2010) [1] | 0,726 — alto |
| PIB (IBGE/2023) [7] | R$ 1 395 637,92 mil |
| • Per capita (IBGE/2023) | R$ 37 791,44 |
| Sítio | castelo.es.gov.br (Prefeitura) cmcastelo.es.gov.br (Câmara) |
Castelo é um município brasileiro do Espírito Santo, na Região Sudeste do Brasil. Localiza-se no sul capixaba, na bacia hidrográfica do rio Itapemirim,[6] a aproximadamente 148 km de Vitória por rodovias pavimentadas.[2] Possui área de 663,515 km², população de 36 930 habitantes no Censo de 2022 e estimativa de 39 575 habitantes em 2025.[1]
A formação histórica da localidade esteve associada às explorações minerais no interior da capitania,[8] à expansão da cafeicultura no século XIX, ao trabalho escravizado e à imigração italiana,[9][10] além da implantação de uma ferrovia que conectou Castelo a Cachoeiro de Itapemirim e Alegre.[11] O território municipal abriga o Parque Estadual do Forno Grande e o Parque Estadual de Mata das Flores, unidades de conservação administradas pelo Iema.[12][13]
História
[editar | editar código]Mineração e ocupação colonial
[editar | editar código]A documentação histórica sobre a região de Castelo está ligada às tentativas de exploração mineral no interior da então Capitania do Espírito Santo. Em carta dirigida ao rei e datada de 8 de setembro de 1735, o minerador Pedro Bueno Cacunda relatou ter encontrado ribeirões e povoado uma serra que já era chamada de “Castello”. A transcrição do documento foi reproduzida por José Teixeira de Oliveira em sua história do Espírito Santo.[8]
A mineração também esteve inserida em conflitos entre colonizadores e povos indígenas. Segundo a mesma obra, em 1771 os puris atacaram as minas do Castelo e obrigaram os trabalhadores a abandonar a região.[8]
Cafeicultura, escravidão e imigração
[editar | editar código]A expansão agrícola ganhou importância durante o século XIX. A Fazenda do Centro, estabelecida no vale do rio Caxixe em 1845, tornou-se núcleo produtor de café e outros gêneros por meio de trabalho escravizado.[9] Pesquisa de doutorado da Universidade Federal do Espírito Santo examina a relação entre fazendeiros, população negra e imigrantes no distrito de Estação do Castello entre 1891 e 1928, situando a formação territorial da localidade no contexto das grandes propriedades rurais, da cafeicultura e das transformações posteriores à abolição.[10]
No início do século XX, a Fazenda do Centro foi adquirida pela Ordem dos Agostinianos Recoletos e parcelada para famílias de imigrantes italianos. A propriedade foi tombada pelo Conselho Estadual de Cultura em 1984.[9] O Arquivo Público do Estado publicou uma obra específica sobre a fazenda e a colonização italiana no sul capixaba, baseada em memórias e documentação relacionada à propriedade.[14]
Ferrovia e formação municipal
[editar | editar código]Na década de 1880 foi construído o Ramal do Castelo, com aproximadamente 21 km, integrado à Estrada de Ferro Caravelas. A inauguração da ligação ferroviária entre Cachoeiro de Itapemirim, Castelo e Alegre ocorreu em 16 de setembro de 1887.[11] A ferrovia apoiava o transporte regional, especialmente em uma área de expansão cafeeira, e foi vendida à Leopoldina Railway em 1907. Os trechos originais permaneceram em operação, em sua maioria, até a década de 1960, quando o transporte rodoviário passou a ser priorizado no país.[11]
De acordo com a formação administrativa compilada pelo IBGE, o distrito de Estação Castelo foi criado pela Lei Estadual nº 1.887, de 31 de julho de 1891, subordinado a Cachoeiro de Itapemirim. A localidade foi elevada à categoria de vila pela Lei Estadual nº 1.687, de 25 de dezembro de 1928, instalada em 7 de maio de 1929, e elevada à condição de cidade pela Lei Estadual nº 1.720, de 30 de dezembro de 1929.[3]
Em 1963, o distrito de Conceição do Castelo foi desmembrado para formar um município próprio. A organização distrital de Castelo foi alterada nas décadas seguintes, com a criação de Estrela do Norte em 1979 e Patrimônio do Ouro em 1998, além da consolidação de Monte Pio e da denominação Limoeiro, anteriormente registrada como Aracuí.[3]
Geografia
[editar | editar código]Localização e divisão territorial
[editar | editar código]Castelo está localizado no sul do Espírito Santo e limita-se com Cachoeiro de Itapemirim, Conceição do Castelo, Venda Nova do Imigrante, Domingos Martins, Vargem Alta, Muniz Freire e Alegre.[1][6] A área municipal é de 663,515 km², dos quais aproximadamente 5,05 km² correspondiam à área urbanizada mapeada pelo IBGE em 2019.[1]
O município é composto pelos distritos de Castelo, Estrela do Norte, Limoeiro, Monte Pio e Patrimônio do Ouro.[4][3]
Relevo e clima
[editar | editar código]O território apresenta relevo acidentado e ampla variação altimétrica, característica que influencia o clima e a distribuição das atividades agrícolas. O ponto culminante municipal é o Pico do Forno Grande, com cerca de 2 039 m de altitude, situado no Parque Estadual do Forno Grande.[12]
O Proater municipal do Incaper classifica o clima de Castelo como Cfb na classificação de Köppen, descrito no documento como temperado quente, sem estação seca no inverno, com temperatura média do mês mais quente inferior a 22 °C.[6]
Hidrografia
[editar | editar código]O município integra a bacia hidrográfica do rio Itapemirim.[6] O Serviço Geológico do Brasil mantém estudo pluviométrico específico para Castelo, elaborado com dados de estação da Agência Nacional de Águas e destinado à definição de relações intensidade–duração–frequência das chuvas.[15]
Meio ambiente
[editar | editar código]O Parque Estadual do Forno Grande protege formações de Mata Atlântica e áreas montanhosas em torno do pico homônimo. A unidade mantém trilhas e visitação controlada pelo Iema.[12] O Parque Estadual Mata das Flores protege fragmentos de Mata Atlântica próximos à área urbana e recebeu inventários de vegetação realizados em cooperação com pesquisadores da Ufes.[13] Em comunicação institucional de 2023, o Iema informou que a unidade possui cerca de 800 hectares.[16]
Demografia
[editar | editar código]No Censo de 2022, Castelo registrou 36 930 habitantes. A estimativa oficial para 2025 foi de 39 575 habitantes.[1] Considerando a população censitária e a área territorial, a densidade demográfica era de aproximadamente 55,7 hab./km².
O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal é de 0,726, segundo o levantamento referente a 2010.[1]
Economia
[editar | editar código]Em 2023, o produto interno bruto municipal foi estimado pelo IBGE em 1 395 637,92 mil reais, com PIB per capita de 37 791,44 reais.[7]
A agropecuária possui importância histórica na formação econômica do município, em especial a cafeicultura. Segundo o Proater municipal, dados do Censo Agropecuário de 2017 indicavam que o café correspondia a cerca de 70% das lavouras permanentes de Castelo e alcançava produção de aproximadamente 170 mil sacas beneficiadas de 60 quilogramas naquele ano.[6]
A produção cafeeira local inclui áreas de café arábica e conilon, distribuídas conforme altitude, relevo e aptidão agroclimática. O planejamento rural descrito pelo Incaper também registra fruticultura, pecuária, horticultura e agroindústrias familiares entre as atividades do município.[6]
Infraestrutura
[editar | editar código]Transportes
[editar | editar código]Castelo está ligado a Vitória e aos municípios vizinhos por rodovias estaduais e federais. A distância rodoviária indicada pelo DER-ES até a capital é de aproximadamente 148 km.[2] O antigo Ramal do Castelo integrou a malha ferroviária regional entre o final do século XIX e a década de 1960, quando seus serviços foram descontinuados.[11]
Educação
[editar | editar código]Segundo o panorama do IBGE, a taxa de escolarização da população de 6 a 14 anos foi de 99,51% no Censo de 2022.[17]
Cultura
[editar | editar código]Patrimônio histórico e artístico
[editar | editar código]A Fazenda do Centro constitui um dos principais conjuntos históricos associados à cafeicultura, ao trabalho escravizado e à imigração italiana no município. O conjunto foi tombado pelo Conselho Estadual de Cultura em 1984.[9] Sua história é objeto de publicação específica do Arquivo Público do Estado.[14]
A Igreja Matriz Nossa Senhora da Penha foi inaugurada em 30 de maio de 1965 no centro da cidade. O edifício foi tombado pelo Conselho Estadual de Cultura por meio da Resolução nº 2/1998 e passou por iniciativa estadual de restauração de suas pinturas a partir de 2025.[18]
Corpus Christi
[editar | editar código]A confecção de tapetes durante as celebrações de Corpus Christi integra a vida religiosa e cultural local. O Arquivo Público do Estado divulgou a obra Corpus Christi em Castelo-ES: manifestação da fé e da expressão artística, de Joelma Cellin, elaborada a partir de arquivos da Paróquia Nossa Senhora da Penha, entrevistas e trabalho de campo com participantes da tradição.[14]
Turismo
[editar | editar código]Entre os atrativos naturais estão o Parque Estadual do Forno Grande e o Parque Estadual Mata das Flores, ambos administrados pelo Iema.[12][13] O Forno Grande reúne trilhas e áreas de visitação em ambiente montanhoso, enquanto a Mata das Flores preserva fragmentos de Mata Atlântica próximos à sede municipal. A Fazenda do Centro e a Igreja Matriz Nossa Senhora da Penha também possuem interesse histórico e cultural, respaldado por tombamentos estaduais.[9][18]
Administração pública
[editar | editar código]O Poder Executivo municipal é exercido por João Paulo Silva Nali, do Republicanos, e pelo vice-prefeito Rafael Rigo Assini, empossados para o mandato de 2025 a 2028.[5] O Poder Legislativo é exercido pela Câmara Municipal, composta por 13 vereadores na legislatura iniciada em 2025.[19]
Distritos
[editar | editar código]O município é formado por cinco distritos:[4][3]
- Castelo, sede municipal;
- Estrela do Norte;
- Limoeiro;
- Monte Pio;
- Patrimônio do Ouro.
Ver também
[editar | editar código]Referências
- 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. «Castelo — panorama». Consultado em 6 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 13 de julho de 2026
- 1 2 3 Departamento de Edificações e de Rodovias do Espírito Santo (2022). «Extensões rodoviárias entre municípios por rodovias estaduais e/ou federais pavimentadas» (PDF). Consultado em 6 de agosto de 2026. Cópia arquivada (PDF) em 17 de outubro de 2025
- 1 2 3 4 5 6 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. «Castelo: formação administrativa». Consultado em 6 de agosto de 2026
- 1 2 3 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (2022). «Unidades territoriais do nível Distrito — Castelo». Consultado em 6 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 24 de julho de 2026
- 1 2 Prefeitura Municipal de Castelo (3 de janeiro de 2025). «Prefeito João Paulo Silva Nali e vice-prefeito Rafael Rigo Assini tomam posse em Castelo». Consultado em 6 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 7 de setembro de 2025
- 1 2 3 4 5 6 7 Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (2020). «Programa de Assistência Técnica e Extensão Rural 2020–2023: Castelo» (PDF). Consultado em 6 de agosto de 2026. Cópia arquivada (PDF) em 21 de maio de 2026
- 1 2 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (2023). «Produto Interno Bruto dos Municípios — 2023». Consultado em 6 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 14 de julho de 2026
- 1 2 3 Oliveira, José Teixeira de (2008). História do Estado do Espírito Santo (PDF). 8 3 ed. Vitória: Arquivo Público do Estado do Espírito Santo; Secretaria de Estado da Cultura. ISBN 978-85-98928-04-3. Consultado em 6 de agosto de 2026. Cópia arquivada (PDF) em 22 de julho de 2026
- 1 2 3 4 5 Secretaria da Cultura do Espírito Santo. «Governador visita capela da Fazenda do Centro». Consultado em 6 de agosto de 2026
- 1 2 Ademildo Gomes (21 de agosto de 2023). «Fazendeiros, negros e imigrantes em Castello (1891–1928): processo histórico de poder territorial no Sul do Espírito Santo» (Tese de doutorado). Universidade Federal do Espírito Santo. Consultado em 6 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 17 de abril de 2026
- 1 2 3 4 Cláudia Silva Ferreira (2015). «Estrada de Ferro Caravelas: trilhos pioneiros no desenvolvimento socioeconômico do sul do Espírito Santo» (PDF) (Dissertação de mestrado). Universidade Federal do Espírito Santo. Consultado em 6 de agosto de 2026. Cópia arquivada (PDF) em 15 de maio de 2025
- 1 2 3 4 Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos. «Parque Estadual Forno Grande». Consultado em 6 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 7 de fevereiro de 2026
- 1 2 3 Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos. «Parque Estadual Mata das Flores». Consultado em 6 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 9 de março de 2026
- 1 2 3 Arquivo Público do Estado do Espírito Santo. «Governo do Estado lança livros inéditos voltados à história do Espírito Santo». Consultado em 6 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 21 de julho de 2022
- ↑ Serviço Geológico do Brasil (2016). «Atlas Pluviométrico do Brasil: equações intensidade–duração–frequência — município de Castelo/ES» (PDF). Consultado em 6 de agosto de 2026. Cópia arquivada (PDF) em 3 de julho de 2023
- ↑ Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (2023). «Parque Estadual Mata das Flores ganhará sede própria». Consultado em 6 de agosto de 2026
- ↑ Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. «Castelo — panorama: educação». Consultado em 6 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 13 de julho de 2026
- 1 2 Secretaria da Cultura do Espírito Santo (21 de janeiro de 2025). «Governo do Estado inicia restauração das pinturas da Igreja Matriz de Castelo». Consultado em 6 de agosto de 2026
- ↑ Câmara Municipal de Castelo (15 de janeiro de 2025). «Vereadores, prefeito e vice-prefeito tomam posse para a legislatura 2025–2028». Consultado em 6 de agosto de 2026
Bibliografia
[editar | editar código]- Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (2020). «Programa de Assistência Técnica e Extensão Rural 2020–2023: Castelo» (PDF). Consultado em 6 de agosto de 2026. Cópia arquivada (PDF) em 21 de maio de 2026
- Oliveira, José Teixeira de (2008). História do Estado do Espírito Santo (PDF). 8 3 ed. Vitória: Arquivo Público do Estado do Espírito Santo; Secretaria de Estado da Cultura. ISBN 978-85-98928-04-3. Consultado em 6 de agosto de 2026. Cópia arquivada (PDF) em 22 de julho de 2026
- Cláudia Silva Ferreira (2015). «Estrada de Ferro Caravelas: trilhos pioneiros no desenvolvimento socioeconômico do sul do Espírito Santo» (PDF) (Dissertação de mestrado). Universidade Federal do Espírito Santo. Consultado em 6 de agosto de 2026. Cópia arquivada (PDF) em 15 de maio de 2025
Ligações externas
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Media relacionados com Castelo no Wikimedia Commons- Prefeitura de Castelo
- Câmara Municipal


