Castelo de Alfaiates

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Castelo de Alfaiates
CasteloAlfaiates.JPG
Castelo de Alfaiates: vista geral.
Mapa de Portugal - Distritos plain.png
Construção ()
Estilo
Conservação
Homologação
(IGESPAR)
N/D
Aberto ao público
Site IGESPAR 71168

O Castelo de Alfaiates localiza-se na povoação e freguesia de mesmo nome, concelho de Sabugal, distrito da Guarda, em Portugal.

Embora erguido em área de planalto, a colina onde assenta, tornou-o num estratégico e importante ponto avançado na defesa da fonteira, em conjunto com a fortaleza de Almeida controlavam um vasto território. Durante a Guerra da Restauração da Independência (1640) desempenhou um papel determinante na defesa nacional, sendo considerado uma das Chaves do Reino, á semelhança de Almeida e Elvas.

Hoje em dia é o maior ponto turístico da região, do alto de suas muralhas avistam-se as terras agrestes de Ribacôa e o Rio Côa, que atravessa o Concelho é importante atracção turística da região, permitindo o turismo recreativo e desportivo, em particular a pesca de trutas.

História[editar | editar código-fonte]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Alguns autores pretendem que a primitiva ocupação humana deste sítio remonta a um castro pré-histórico, posteriormente ocupado à época da Invasão romana da Península Ibérica.

O castelo medieval[editar | editar código-fonte]

A primeira fortificação do povoado remonta à época da Reconquista cristã da Península Ibérica, quando a região foi tomada pelas forças do reino de Leão, em fins do século XII ou início do século XIII. A tradição regista que, neste período, era conhecido como Castillo de la Luna. Embora nenhum vestígio material desta estrutura tenha chegado até nós, acredita-se que se erguia na zona elevada ao centro da atual vila, junto à Igreja da Misericórdia, conforme indicado no século XVII pelo seu alcaide, Brás Garcia de Mascarenhas. Seria composta por uma torre defendida por uma cerca em estilo proto-românico, destinada a vigilância e refúgio dos moradores.

Integrante do território de Ribacôa, disputado a Leão por D. Dinis (1279-1325), a sua posse definitiva para Portugal foi assegurada pelo Tratado de Alcanices (1297). O soberano, a partir de então, procurou consolidar-lhe as fronteiras, fazendo reedificar o Castelo de Alfaiates, o Castelo de Almeida, o Castelo Bom, o Castelo Melhor, o Castelo Mendo, o Castelo Rodrigo, o Castelo de Pinhel, o Castelo do Sabugal e o Castelo de Vilar Maior.

Embora a tradição atribua a este soberano a construção do castelo, será mais correto admitir que essa conjuntura terá determinado obras de modernização e reforço na antiga fortificação leonesa, na cerca defensiva ou mesmo na torre de menagem, suposições que carecem de comprovação documental.

Apoiada em documentos da época, é tradição local que em tempo de D. Afonso IV (1325-1357) foram aqui celebradas em 1328 as núpcias da filha deste, a princesa D. Maria de Portugal, a "fermosíssima Maria" segundo Camões, neta de Isabel de Aragão, a Rainha Santa Isabel, com Afonso XI de Castela.

Visando revitalizar esta povoação, D. Manuel I (1495-1521) outorgou-lhe diversos privilégios, entre os quais o direito de couto e homízio. Ao mesmo tempo reformulou-lhe as defesas, determinando a construção de uma fortaleza (1510). O novo projeto, característico do século XVI, em vez de levar em conta o antigo castelo medieval, edificado em posição dominante no centro da vila, privilegiou um local aplainado, nos limites da mesma, prevendo uma fortificação mais moderna, adaptada ao fogo da artilharia da época. As suas obras transcorreram com lentidão, uma vez que, em 1525, Diogo de Arruda ainda lhe vistoriava os trabalhos.

A última fase arquitectónica do monumento data do início do século XVI, quando as suas defesas seriam reforçadas por uma nova cintura de muralhas[1][2], integrando baluartes e cortinas verticais. Este amplo projeto jamais foi concluído devido à Crise de sucessão de 1580, sucedida pela Dinastia Filipina, quando a Península conheceu um governo unificado.

À época da Guerra da Restauração da independência de Portugal, teve como alcaide o cavaleiro e poeta Brás Garcia de Mascarenhas.

Do século XIX aos nossos dias[editar | editar código-fonte]

Mais tarde, durante a Guerra Peninsular, Alfaiates voltaria a ter importância estratégica, juntamente com outros castelos da região, aquartelando as tropas inglesas e portuguesas que deram combate às tropas napoleónicas em retirada, sob o comando do general Massena (Abril de 1811). Posteriormente desguarnecido e abandonado, com a extinção do Concelho (1836), e possivelmente em virtude do decreto que proibiu os enterramentos dentro do recinto das igrejas em Portugal (1846), a praça de armas do castelo passou a ser utilizada como cemitério pela população da vila até cerca de 1967.

No século XX, as muralhas da vila foram demolidas e grande parte de suas pedras aproveitadas para a construção do hospital (1912).

Nos nossos dias o castelo foi classificado como Imóvel de Interesse Público por Decreto publicado em 26 de Fevereiro de 1982.

Características[editar | editar código-fonte]

O castelo apresenta planta quadrangular com uma torre quadrangular no vértice fronteiro à vila. Esta cerca interior apresenta as muralhas parcialmente arruinadas. Uma segunda cintura de muralhas integrava torreões em três ângulos.

O portão principal, apresenta-se saliente das muralhas, encimado por uma composição escultórica em estilo manuelino, composta por uma coroa régia ao centro, ladeada por duas esferas armilares e duas cruzes da Ordem de Cristo.

Alcaides do Castelo de Alfaiates[editar | editar código-fonte]

  • D. Diogo de Castro[3] (século XV)[4]
  • D. António da Cunha[5] (século XVI)[6]
  • D. Pêro da Cunha[7] (século XVI)
  • D. Brás Garcia de Mascarenhas[8] (século XVII)

Ligações externas[editar | editar código-fonte]



  1. D. Manuel I (23 de dezembro de 1520). «Contrato de Martim Teixeira sobre a obra da Cerqua dAlfayates». Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Consultado em 2016 (Transcrição moderna)  Verifique data em: |acessodata=, |data= (ajuda)
  2. [1]
  3. D. Diogo de Castro; Alcaide-Mor do Sabugal e Alfaiates 1485. ANTT; Chancelaria de D. João II, Liv. 8, fol. 63
  4. «Alcaide-Mor do Sabugal e Alfaiates». 1485 
  5. D. António da Cunha; Fidalgo da Casa Real, Alcaide-Mor do Sabugal e do Castelo de Alfaiates - Contador das Rendas e Direitos das Vilas de Sabugal e Alfaiates
  6. «D. António da Cunha, Alcaide-Mor do Sabugal e do Castelo de Alfaiates». 1524 
  7. D. Pêro da Cunha; Fidalgo da Casa Real de D. Manuel I (1519) e Fidalgo da Casa Real de D. João III (1527). Alcaide-Mor do Castelo de Alfaiates, Procurador do Numero da Vila de Alfaiates (1522), Almoxarife de Pinhel.
  8. «Brás Garcia de Mascarenhas»