Castelo de Ourém

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Castelo de Ourém
Castelo estatua ourem.jpg
Castelo de Ourém, Portugal: terreiro de Santiago e estátua de D. Nuno Álvares Pereira.
Mapa de Portugal - Distritos plain.png
Construção D. Afonso Henriques (Século XII)
Estilo Românico
Conservação quase a cair
Homologação
(IGESPAR)
MN
Aberto ao público

O Castelo de Ourém, também conhecido como Paço dos Condes de Ourém, localiza-se na cidade de mesmo nome, freguesia de Nossa Senhora das Misericórdias, concelho de Ourém, distrito de Santarém, em Portugal.

Em posição dominante sobre a vila medieval e a ribeira de Seiça, é considerado um dos mais belos castelos portugueses.

História[editar | editar código-fonte]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Embora as informações acerca da primitiva ocupação humana de seu sítio sejam escassas, a sua localização e características particulares (em torno de uma fonte de água) levam os estudiosos a acreditar que tenha se desenvolvido desde a pré-história, sucessivamente ocupado por Romanos, Visigodos e Muçulmanos. Estes últimos aí terão erguido uma fortificação.

O castelo medieval[editar | editar código-fonte]

À época da Reconquista cristã da península Ibérica, incorporada a região aos domínios de Portugal, a toponímia Portus de Auren ou Portum Ourens encontra-se mencionada como termo de Leiria, na Carta de Foral passada a esta vila em 1142. Essa toponímia também consta no documento de doação do Castelo de Cera à Ordem dos Templários (1159), e num documento do Bispo de Lisboa a D. Afonso Henriques sobre uma disputa territorial com os Templários (1167). Acredita-se, desse modo, que a primitiva povoação se localizasse num dos vaus da ribeira de Seiça, provavelmente em algum ponto entre as atuais Sabacheira e Seiça.

Castelo de Ourém, Portugal: à direita vê-se o Paço dos Condes com os torreões de entrada e, mais atrás, a cidadela antiga.

A antiga fortificação muçulmana deverá ter sido reconstruída nos primeiros tempos da monarquia, uma vez que a primeira referência a um castelo de planta triangular no alto do monte remonta a 1178.

A povoação e seus domínios foram doados por D. Afonso Henriques (1112-1185) a sua filha, D. Teresa, em data anterior a 1180, visto que neste ano a infanta lhe outorgou Carta de Foral. Em seu testamento, em 1183, se esclarece que o local se denominava anteriormente Abdegas: "Aprouve-me fazer testamento do eclesiástico de Auren, que antes se chamava Abdegas".

O rei D. Afonso II (1211-1223) confirmou o foral dado pela infanta à vila. Diante do casamento de D. Sancho II (1223-1248) com D. Mécia Lopes de Haro (anteriormente a 1245), preocupados com a descendência ilegítima que poderia advir desta união entre primos, os partidários do infante D. Afonso, encabeçados por Raimundo Viegas Portocarrero, raptaram-na, levando-a para o Castelo de Ourém, que resistiu ao cerco das forças do soberano (1246). D. Mécia retirou-se pouco depois para Castela, tendo se intitulado, até à morte, rainha de Portugal.

O rei D. Dinis (1279-1325) doou a vila e o respectivo castelo à sua esposa, a rainha Santa Isabel (1282). Diante do fraco povoamento, entretanto, esses domínios reverteram para a Coroa, sendo doados, em 1299, a Martim Lourenço da Cerveira, com obrigação de os povoar.

Sob o reinado de D. Pedro I (1357-1367), o termo da vila foi elevado a condado, sendo 1° conde de Ourém o nobre D. João Afonso Telo de Menezes.

Quando da eclosão da crise de 1383-1385, a povoação e seu castelo, governados pelo conde de Barcelos, D. João Afonso Telo de Menezes, irmão da rainha viúva D. Leonor Teles, tomaram o partido por D. Beatriz. Foram conquistados pelas forças do Mestre de Avis, no início do Verão de 1384.

Paço dos Condes de Ourém, Portugal: ruínas.
Castelo de Ourém, Portugal: antiga passagem secreta entre o Paço dos Condes e o castelo.

Data do século XV a fase de grande esplendor da vila, sob a direção de D. Afonso, 4° conde de Ourém, que promoveu grandes reformas no conjunto do castelo medieval, fazendo erguer ainda o edifício do Paço e a Igreja da Colegiada.

Do terramoto de 1755 aos nossos dias[editar | editar código-fonte]

O conjunto defensivo foi vítima do terramoto de 1755, que lhe causou danos. Posteriormente, no contexto da Guerra Peninsular, sofreu extensos danos causados quando da ocupação da vila pelas tropas napoleônicas sob o comando do general André Masséna (1810).

Classificado como Monumento Nacional por Decreto publicado em 23 de Junho de 1910, o conjunto foi posteriormente restaurado pela Fundação da Casa de Bragança.

A Vila Nova de Ourém foi elevada a cidade de Ourém em 16 de Agosto de 1991.

Características[editar | editar código-fonte]

O castelo ergue-se no topo de uma colina, na cota de 330 metros acima do nível do mar. Apresenta planta no formato triangular irregular, com torres nos vértices.

Ao centro da sua praça de armas abre-se uma cisterna de planta ogival, alimentada por uma fonte.

A torre Noroeste é conhecida como Torre de D. Mécia, por ali ter sido confinada aquela infortunada esposa de D. Sancho II.

No lado Norte do castelo abre-se o Terreiro de Santiago, com uma estátua do Condestável D. Nuno Álvares Pereira ao centro.

No conjunto destacam-se ainda:

  • o Paço do Condes, que foi utilizado como residência oficial do conde D. Afonso.
  • Os torreões de entrada, erguidos por volta de 1450. À época, uma passagem coberta unia o Paço a uma torre cilíndrica, da qual nos resta a base, e daí se fazia a ligação ao castelo. O Paço e os dois torreões apresentam traços de inspiração veneziana, onde se destacam as cimalhas de tijolos salientes.
  • a Igreja da Colegiada onde se destaca a cripta.
  • a fonte em estilo gótico.
  • o Pelourinho em estilo barroco.

Igreja da Colegiada de Nossa Senhora da Misericórdia[editar | editar código-fonte]

O templo inicial foi fundado por D. Afonso Henriques. O Conde D. Afonso (4.º Conde de Ourém) remodelou e ampliou a igreja (1445), instituindo nela a Colegiada de Nossa Senhora das Misericórdias. O terramoto de 1755 destruiu a igreja na sua quase totalidade, tendo sobrevivido apenas a parte posterior da abside e a cripta, uma notável sala subterrânea (localizada sob a Capela-Mor) que apresenta semelhanças estruturais com a Sinagoga de Tomar. Este espaço, de teto abobadado apoiado em seis colunas com capitéis lavrados com motivos vegetalistas e geométricos, alberga o túmulo do Conde D. Afonso (o corpo foi trasladado para aqui em 1487), da autoria do escultor quatrocentista Diogo Pires-o-Velho; assinale-se a excecional qualidade da escultura jacente e do minucioso trabalho em pedra que decora as suas quatro faces. A reconstrução do templo data de 1758-70, apresentando uma estrutura simples e decoração barroca.[1][2][3]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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Referências

  1. «Igreja da Colegiada». Turismo de Portugal. Consultado em 5 de abril de 2015 
  2. «Concelho de Ourém». Ecos do Ribatejo. Consultado em 5 de abril de 2015 
  3. «Na Vila Velha de Ourém». Selecções do Reader's Digest. Consultado em 5 de abril de 2015 


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