Cataguás

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Os Cataguás (também conhecidos como Cataguases) foram uma tribo indígena brasileira. Descendentes da tribo Teremembés, os Cataguás eram considerados guerreiros valentes. O predomínio dos Cataguases foi tão grande que o território de Minas Gerais ocupado pela tribo era conhecido como “País dos Cataguás” ou até “Campos Gerais dos Cataguases”, denominação que só desapareceu depois de criada a Capitania de Minas Gerais.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

A palavra “Cataguás” é de origem indígena e a tradução mais aceita é “gente boa”, sendo “catu-auá” a forma original do termo. Para os Cataguases, os paulistas eram "gente ruim", os "poxi-auás"[1]. Outra tradução para o vocábulo é “terra das lagoas tortas” ou “povo que mora do país das matas”. A palavra, que originalmente serviu para denominar a tribo indígena, atualmente serve para denominar o município no estado mineiro e um vilarejo chamado Catauá no município de Lagoa Dourada, também em Minas Gerais.

Mas para Aryon Dall Igna Rodrigues, Silveira Bueno e outros, especificamente quanto aos valores atribuídos a cada palavra, "caá-etá-guá" seria a expressão originária do etnônimo "cataguá", sendo "caá" (mata ou floresta), "etá" ou "tá" (verdadeira = farta em caça) e "iguá" ou "guá" (enseada, foz). Supõe-se então que a origem ou assentamento desse povo foi onde há um rio com a foz circundada por mata virgem. A primeira versão acima, "gente boa", contém o étimo "catu" (bom, boa), cuja vogal "u" em sílaba tônica dificilmente seria aglutinada. Quanto a "terra das lagoas tortas", o étimo "guá" não era o preferido pelos falantes originais para definir "lagoa", mas "enseada (de rio)"; "lagoa" seria "ipaba", "ipá" ou "pá" na forma mais reduzida. É de se observar que os cataguás foram extintos no século XVII e pouco ou nada se conhece de seu idioma, usos e costumes. É certo que não eram de língua do tronco tupi, de cujos falantes seriam inimigos (apud D'Evreux). A maioria ou totalidade das etnias indígenas brasileiras têm um nome em tupi, tronco linguístico predominante no Brasil e principal formador das duas maiores línguas gerais, o tupi do norte ou nheengatu (na Amazônia) e o abanheém, também chamado tupi-paulista ou tupi-do-sul, com base no tupi-guarani (na rota São Paulo-Paraguai). Essas duas línguas gerais eram compostas por palavras do tupi, do português, do espanhol e de outras línguas indígenas de povos circundantes.

História[editar | editar código-fonte]

Os Cataguás estavam indo do Sul do Brasil rumo ao Norte quando encontraram os Carijós e as duas tribos travaram uma grande luta. Os Carijós deixaram as terras e foram para o Oeste e os Cataguases, vencedores, passaram a ocupar boa parte da região. No total, a tribo vitoriosa habitou as regiões Sul, Oeste e Centro-Oeste do estado mineiro[2]. Hoje, apesar de ser reconhecida a importância dos povos indígenas para a história de Minas Gerais, o que se sabe a respeito dos Cataguás carece de fontes.

Canibalismo[editar | editar código-fonte]

Os índios Cataguases eram muito temidos pelos conquistadores, pois além de ótimos guerreiros, tinham ainda a fama de devorarem os prisioneiros de guerra. Pouco se sabe sobre a veracidade de tal fama, mas é fato que os combates entre os bandeirantes e os índios eram extremamente violentos. Os Cataguás eram muito corajosos quando se tratava de defender suas terras, fosse de outra tribo ou dos conquistadores. Não à toa, os Cataguases eram conhecidos por seu caráter belicoso[3].

Extermínio[editar | editar código-fonte]

Por volta de 1670, o Governo Português resolveu tomar sérias medidas contra os índios Cataguás, assim começando as expedições dos bandeirantes pelas terras dos Cataguases. Uma das primeiras bandeiras a alcançar tais terras foi comandada por Fernão Dias Paes Leme, acompanhado de aproximadamente 600 homens. Apesar da dedicação de Fernão Dias, o bandeirante paulista Lourenço Castanho Taques é apontado como aquele que derrotou definitivamente os Cataguás.

Referências