Catarina Vorontsova-Dashkova

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Catarina Vorontsova-Dashkova
Nome completo Catarina Romanovna Vorontsova-Dashkova
Nascimento 28 de março de 1743
São Petersburgo, Rússia
Morte 15 de janeiro de 1810 (66 anos)
Moscovo, Rússia
Nacionalidade Russa
Progenitores Mãe: Marfa Ivanovna Surmina
Pai: Romano Larionovich Vorontsov
Parentesco Irmãos: Isabel Vorontsova
Simeão Vorontsov
Alexandre Vorontsov
Maria Romanovna Buturlin

Miguel Illarionovich Vorontsov (tio)
Cônjuge Miguel Ivanovich Dashkov

Catarina Romanovna Vorontsova-Dashkova (em russo: Екатерина Романовна Воронцова-Дашкова), (São Petersburgo, 28 de março de 1743Moscovo, 15 de janeiro de 1810) foi a amiga mais próxima da imperatriz Catarina, a Grande e uma figura importante do Iluminismo Russo. É mais conhecida por princesa Dashkov.

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Nascida como condessa Vorontsova, Catarina era a terceira filha do conde Romano Larionovich Vorontsov, um membro do Senado que se distinguiu pelos seus dotes intelectuais. O seu tio, Miguel Illarionovich, e o seu irmão Alexandre Romanovich foram chanceleres imperiais enquanto o seu irmão Simeão serviu como embaixador russo na Grã-Bretanha. Catarina teve uma educação excecional, tendo mostrado desde muito nova os talentos e gostos que tornaram a sua carreira tão singular. Era muito boa a matemática, curso que estudou na Universidade de Moscovo. Na literatura, os seus autores preferidos eram Bayle, Montesquieu, Boileau, Voltaire e Helvétius.

O Golpe de Estado de Catarina[editar | editar código-fonte]

Catarina por Ozias Humphrey.

Quando era ainda uma criança, Catarina já tinha fortes ligações à corte russa e tornou-se uma das líderes de um partido político que apoiava a grã-duquesa Catarina Alexeyevna.

Em Fevereiro de 1759, antes de completar dezasseis anos de idade, Catarina casou-se com o príncipe Miguel Ivanovich Dashkov, um proeminente nobre russo descendente dos Rurikid (a antiga dinastia russa), e foi viver com ele em Moscovo. Enquanto lá vivia aprendeu a falar russo para poder comunicar com a família do marido. Quando o príncipe Dashkov morreu, Catarina passou a dedicar-se apenas aos seus filhos, à literatura e à política.[1]

Em 1762, Catarina estava em São Petersburgo e, segundo a própria, teve um papel importante no golpe de estado que levou Catarina, a Grande ao trono. Se os acontecimentos se tivessem desenrolado de outra forma, era provável que o poder fosse parar às mãos da irmã da princesa Catarina, Isabel, que era amante do czar Pedro III que tinha como intenção enviar a nova imperatriz para um convento para se poder casar com Isabel.

Viagens ao estrangeiro[editar | editar código-fonte]

Catarina.

A relação de Catarina com a nova imperatriz não era cordial, mas manteve-se extremamente leal a ela. Catarina muitas vezes não gostava dos homens que a imperatriz escolhia para seus amantes e ofendia-se com as graças e presentes que ela lhes oferecia. Os seus modos bruscos, o desdém que mostrava pelos amantes da imperatriz que, a seus olhos, davam mau nome à corte, e talvez o facto de sentir que o seu mérito não era reconhecido, fizeram com que as duas amigas se começassem a afastar, o que levou Catarina a pedir permissão à imperatriz para viajar. A permissão foi concedida e pouco depois Catarina partiu, mas manteve-se uma apoiante leal da imperatriz e as duas amigas permaneceram, apesar de tudo, amigas. Dizia-se que a verdadeira razão pela qual Catarina tinha decidido partir foi o facto de a imperatriz se ter recusado a torná-la coronel da guarda imperial.

Quando o seu marido morreu em 1768, Catarina deu inicio a uma longa viagem pela Europa, tendo sido muito admirada nas cortes estrangeiras, tendo a sua reputação literária e cientifica permitido a sua entrada nas várias sociedades intelectuais das capitais europeias.

Em Paris, Catarina tornou-se grande amiga e foi admirada por Diderot e Voltaire. Expressou várias vezes o seu gosto pela Grã-Bretanha e pelos britânicos, tendo mantido correspondência com Garrick, Dr. Blair e com o diretor Robertson. Quando passou por Edimburgo, onde foi muito bem recebida, conseguiu fazer com o diretor Robertson educasse o seu filho, Paulo Mikhailovich, príncipe Dashkov. Viveu em Edimburgo entre 1777 e 1779 e doou a sua coleção de medalhas comemorativas russas à Universidade de Edimburgo.[2] O seu filho tornou-se um ajudante de Gregório Alexandrovich Potemkin.[3]

Também viajou até à Irlanda onde pode ser vista a observar uma inspeção aos voluntários irlandeses num quadro de Francis Wheatley em Novembro de 1779. Tornou-se amiga de Georgiana Shipley, filha de Jonathan Shipley, em Londres. Conheceu Benjamin Franklin, em Paris, a 3 de Fevereiro de 1781.[4]

Exposição[editar | editar código-fonte]

Uma exposição intitulada "The Princess and the Patriot: Ekaterina Dashkova, Benjamin Franklin and the Age of Enlightenment" ocorreu em Filadélfia, nos Estados Unidos entre fevereiro e dezembro de 2006. Benjamin Franklin e Catarina só se cruzaram uma vez, em Paris, em 1781, quando Benjamin tinha 75 anos e Catarina 37. Os dois ficaram muito impressionados um com o outro. Benjamin convidou Catarina a juntar-se à Sociedade Filosófica Americana, sendo a primeira mulher a ter essa honra e a única a consegui-lo em mais de oitenta anos. Mais tarde, Catarina retribuiu a honra ao fazer de Benjamin o primeiro americano a entrar na Academia Russa. A parte mais importante da exposição foram as cartas trocadas entre os dois.[5]

Diretora de duas academias[editar | editar código-fonte]

Catarina por Petr Drozhdin.

Em 1782 Catarina regressou à capital russa e voltou a entrar nas boas graças da imperatriz que partilhava os seus gostos literários e o seu desejo de elevar a Rússia a um lugar mais alto nas línguas literárias europeias.

Logo depois do seu regresso, a princesa foi nomeada diretora da Academia Imperial das Artes e Ciências (conhecida atualmente como Academia Russa das Ciências). Teoricamente, o diretor da Academia foi sempre o seu presidente, contudo, o conde Kirill Razumovsky. que tinha sido nomeado presidente em 1746 quando tinha apenas dezoito anos de idade, tinha um papel muito reduzido na Academia e na sua liderança que sempre pertenceu aos vários directores que prestaram serviço durante o seu mandato.

Catarina foi a primeira mulher na História a liderar uma academia nacional de ciências. Apesar de não ser uma cientista, voltou a dar prestígio e respeito à instituição que tinha vindo a passar por dificuldades. A sua intervenção surgiu numa época crítica na história das ciências que estavam a passar por uma transformação desde daquilo que era chamado de filosofia natural, uma área exercida principalmente por amadores com talento, para uma área profissional.

Em 1784 Catarina também se tornou a primeira presidente da recém-criada Academia Russa. Também nesta posição mostrou o seu talento. Lançou o projecto da Academia Russa para criar um dicionário de seis volumes da língua russa, organizou-o e foi ela a fazer parte do trabalho.

Em 1783 foi eleita membro honorário da Academia Real de Ciências da Suécia, sendo a primeira estrangeira e segunda mulher (depois de Eva Ekeblad) a merecer a honra.

Pouco depois da morte de Catarina, as duas amigas tinham-se zangado por causa de uma obra literária que a princesa tinha deixado a Academia publicar e que, segundo a imperatriz, continha alguns princípios revolucionários. As duas reconciliaram-se parcialmente, mas Catarina nunca mais regressou à corte.

Exílio e legado[editar | editar código-fonte]

Quando o czar Paulo subiu ao trono em 1796, Catarina perdeu todas as suas posições e recebeu ordens para passar a viver numa pequena vila em Novgorod como castigo pela sua participação no golpe de estado de 1762. Depois de algum tempo, esta sentença foi reduzida a pedido dos seus amigos e Catarina teve permissão para passar os seus últimos anos de vida na sua propriedade em Moscovo onde morreu no dia 4 de Janeiro de 1810.

O seu filho, o último membro da família Dashkov, morreu em 1807 e deixou a sua fortuna ao primo, Ivan Vorontsov, que, depois de obter uma autorização da coroa, passou a usar o apelido Vorontsov-Dashkov. O filho de Ivan, o conde Illarion Ivanovich Vorontsov-Dashkov, foi funcionário do czar entre 1881 e 1897 antes de ganhar fama como governador-geral do Cáucaso entre 1905 e 1915.

Trabalhos[editar | editar código-fonte]

Além do seu trabalho no dicionário russo, a princesa Catarina também editava uma revista mensal e escreveu pelo menos dois trabalhos teatrais: "O Casamento de Fabian" e uma comédia intitulada "Toissiokoff". A sua autobiografia foi publicada em francês, em Paris, em 1804 com o título "Mon Histoire", e, em inglês, em 1840, numa edição de dois volumes intitulada "Memoirs of the Princess Daschkaw, written by herself".[6] A versão em inglês da sua autobiografia foi editada por Mrs. W. Bradford que, ainda com o seu nome de solteira, Catherine Wilmot, tinha vivido com a princesa entre 1803 e 1808, tendo sido a própria a sugerir a publicação da autobiografia.

Referências

  1. «Dashkoff, Ekaterina Romanovna, Princess». The New International Encyclopædia. Consultado em 28 de março de 2022 
  2. "The Dashkov Medals"
  3. Montefiore, Sebag (7 de novembro de 2001). The Prince of Princes: The Life of Potemkin (em inglês). [S.l.]: Macmillan 
  4. Benjamin Franklin and Russia
  5. http://www.apsmuseum.org/princess.html
  6. «Ekaterina Dashkova – Russiapedia History and mythology Prominent Russians». russiapedia.rt.com. Consultado em 28 de março de 2022 
Commons
O Commons possui imagens e outros ficheiros sobre Catarina Vorontsova-Dashkova