Ir para o conteúdo

Catecismo

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Codex Manesse, fol. 292v, "O mestre de Eßlingen" (Der Schulmeister von Eßlingen)

O catecismo (do latim tardio catechismus, originado do termo grego κατηχισμός, derivado do verbo κατηχέω, que significa “instruir a viva voz”) ou catequese (do latim tardio catechesis, proveniente do grego κατήχησις, também derivado do verbo κατηχέω) é a instrução religiosa, isto é, o ensino da religião cristã, de seus dogmas, princípios e código moral.

Essa instrução é normalmente ministrada por um ministro autorizado pela Igreja, podendo também ser conduzida por leigo, denominados catequistas, como preparação de crianças para a Confissão ou para a primeira comunhão.

A catequese integra o rito de iniciação cristã, no qual o iniciado recebe o anúncio do Evangelho e o ensino da Doutrina Católica. Trata-se, portanto, de uma etapa mais doutrinal e aprofundada desse processo.

O termo “catecismo” significa informar, instruir e ensinar à viva voz, em contraste com o ensino realizado por meio da escrita, isto é, através dos livros. Enquanto o estudo dos livros é feito individualmente e de forma silenciosa, a catequese (ou catecismo) ocorre na presença de um instrutor, que transmite oralmente o conteúdo.

Variações da palavra “catequese” aparecem na Bíblia. Na Carta aos Gálatas (6:6), o termo “catequizando” designa “aquele que está sendo instruído na palavra de Deus”. No Evangelho de Lucas (1:1-4), afirma-se que Teófilo foi catequizado.

No Catolicismo, o Catecismo, mais conhecido como Catecismo da Igreja Católica (CIC), também se refere aos livros que expõem a e a doutrina da Igreja, reunindo os elementos fundamentais e essenciais da fé católica. A edição mais recente foi publicada em 1992.

Diferença entre Catecismo e Catequese

[editar | editar código]

Existe uma diferença entre o Catecismo (que é o texto), como o Catecismo da Igreja Católica, e a Catequese, que é o processo de evangelizar e aprofundar a fé. Catequese também pode ser o período mais aprofundado do rito de iniciação cristã.[1][2]

Catequese narrativa

[editar | editar código]

As parábolas são uma forma de ensino tipicamente judaica, muito utilizada por Jesus, induzindo o melhor entendimento do ouvinte e a identificação dele com o conceito transmitido. Por essa razão, a catequese, muitas vezes, gira em torno de parábolas. A narrativa permite que o ouvinte partilhe com o narrador uma série de tradições culturais e morais que facilitam a compreensão da mensagem cristã.

Para além da narrativa oral, outras formas narrativas foram sendo utilizadas desde o Cristianismo primitivo, de forma a que a Mensagem de Cristo fosse compreensível por todos. É o caso das imagens, das músicas e outras manifestações artísticas, cujo objetivo é a ilustração do Cristianismo e transmissão da Palavra Divina.

Como exemplo destas formas narrativas de Catequese, se encontram os vários afrescos ou painéis de azulejos, que adornam inúmeras igrejas Católicas, com cenas que ilustram o nascimento ou a Paixão de Jesus Cristo, por exemplo; o Canto gregoriano; a representação do Presépio, idealizada por São Francisco de Assis e imensamente difundida atualmente; as representações teatrais de cenas da Bíblia e muitas outras e variadas expressões artísticas.

Este tipo de ensino a catequese narrativa foi extremamente útil à evangelização de povos indígenas por missionários cristãos (principalmente jesuítas e franciscanos), como uma tentativa bem sucedida de suplantar dificuldades semânticas e incutir, nas populações, os valores morais e espirituais cristãos.

Uma catequese através de oficinas de arte: (música, dança, teatro, artes plásticas, poesia), um trabalho realizado com o apoio de leigos e jesuítas, fundamentada na conotação de histórias bíblicas, também é um exemplo.

São José de Anchieta, no passado, trabalhava muito na arte como um modo de iniciar os indígenas na experiência de fé cristã. Este termo não é novo, tem sua inspiração na catequese mistagógica dos Padres da Igreja (Santo Ambrósio de Milão, São Cirilo de Jerusalém e Tertuliano de Cartago).

A arte paleocristã é uma manifestação catequética presente no início das primeiras comunidades que faz uso da catequese narrativa, ou seja, uma catequese mistagógica através dos mosaicos, dos afrescos e das esculturas, presentes, principalmente, nas catacumbas cristãs, onde os traços são simples e trabalham basicamente com a simbologia bíblica do Antigo e Novo Testamento.

Do ponto de vista da Igreja, a catequese é muito importante para converter e fortalecer a fé dos fiéis, despertar nas crianças e nos jovens o desejo de seguir Jesus, para que acreditem na sabedoria de seus ensinamentos.

O novo ministério do catequista

[editar | editar código]

Pelo Motu Próprio Antiquum Ministerium,[3] o Papa Francisco, em 10 de maio de 2021, instituiu o ministério do catequista, que ainda precisa ser regulamentado pelo Vaticano para todas as dioceses católicas do mundo.

Lista de catecismos que se dão por exemplo

[editar | editar código]

Católicos

[editar | editar código]

Protestantes

[editar | editar código]

Evangélicos

[editar | editar código]

As igrejas evangélicas - que, no contexto popular brasileiro, são representadas pelas igrejas pentecostais e neopentecostais, que são maioria - não usam catecismos, pois julgam ser coisas da tradição Católica-Ortodoxa. As igrejas protestantes tradicionais, como a Igreja Presbiteriana, fazem uso dos seus catecismos históricos. Algo semelhante seria o "discipulado".

Ver também

[editar | editar código]

Referências

[editar | editar código]

Ligações externas

[editar | editar código]