Catedral de Urakami

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Disambig grey.svg Nota: Para a catedral de Tóquio, veja Catedral de Santa Maria (Tóquio).
Catedral de Urakami
Urakami Tenshudō (浦上天主堂?)
Catedral de Urakami.
Nomes alternativos Catedral de Santa Maria
Tipo Catedral
Estilo dominante Neorromânico
Arquiteto Padres Francine e Regani
Construção 1877
Fim da construção 1925
Restauro 1959
Religião Católica
Diocese Arquidiocese de Nagasáqui
Website http://www1.odn.ne.jp/uracathe/
Demolição 1945
Geografia
País  Japão
Cidade Nagasáqui
Localidade Motoomachi
Coordenadas 32° 46' 34.3" N 129° 52' 6.2" E

A Catedral de Santa Maria,[1][2] também conhecida como Catedral de Urakami (浦上天主堂, Urakami Tenshudō?) por causa da sua localização em Urakami, é uma catedral católica situada em Motoomachi, na cidade de Nagasáqui, no Japão.[3][4]

História[editar | editar código-fonte]

Construção[editar | editar código-fonte]

A estátua da Santa Inês de Urakami, é uma das esculturas afetadas pela bomba atómica. Atualmente, encontra-se exposta na sede da Organização das Nações Unidas.

Em 1865, o padre francês Bernard Petitjean da Sociedade para as Missões Estrangeiras de Paris descobriu que grande parte dos habitantes da aldeia Urakami eram cristãos. Entre 1869 e 1873, mais de 3 600 habitantes da aldeia foram exilados e 650 destes morreram durante o exílio. Após sete anos de exílio, os cristãos escondidos (隠れキリシタン, Kakure Kirishitan?) que foram perseguidos, regressaram à sua aldeia natal em 1873 e decidiram construir a sua própria igreja.

A construção do edifício original da Catedral de Urakami no estilo neorromânico, teve início em 1895, após a duradoura proibição do cristianismo ter sido abolida. Os habitantes compraram a terra do chefe da aldeia, onde ocorreram os humilhantes interrogatórios durante dois séculos. Estes interrogatórios fumi-e exigiam que as pessoas pisassem nos ícones religiosos da Virgem Maria ou de Jesus. Os habitantes de Urakami consideravam o local apropriado, em memória da perseguição deles e dos seus antepassados no território. A construção da catedral foi iniciada pelo padre Francine e foi concluída sob a direção do padre Regani. Os coruchéus gémeos de sessenta e quatro metros de altura foram construídos em 1875. A construção da catedral foi concluída em 1925 (Taishō 14) e era considerada o maior templo católico da Ásia Oriental.[5]

Destruição pela bomba atómica[editar | editar código-fonte]

A Catedral de Urakami, vista a 7 de janeiro de 1946.
As ruínas da Catedral de Urakami, destruída pela bomba atómica.

A bomba atómica que caiu sobre Nagasáqui a 9 de agosto de 1945 explodiu a apenas 500 metros da catedral, tendo destruído-a completamente. Como a Festa da Assunção de Maria (15 de agosto) estava próxima, a missa foi realizada neste dia. O impacto da bomba atómica matou todos que estavam presentes na catedral e destruiu a estrutura do edifício religioso.[6] O dramaturgo Tanaka Chikao escreveu a peça A Cabeça de Maria (マリアの首, Maria no kubi?), com base nos esforços dos cristãos em Nagasáqui para reconstituir a sua fé através da reconstrução da Virgem Maria.[7]

Reconstrução[editar | editar código-fonte]

A catedral foi reconstruída em 1959, após um sério debate entre o governo da cidade de Nagasáqui e a congregação. O governo da cidade propôs a preservação da catedral destruída, como património histórico e ofereceu um novo sítio alternativo para a nova catedral. No entanto, os cristãos em Nagasáqui opuseram-se fortemente à proposta e decidiram que a catedral fosse construída no seu sítio original, como um símbolo da perseguição e sofrimento que sofreu. Em 1980, a catedral foi remodelada com a aparência semelhante do seu estilo original francês.

As estátuas e os artefactos que foram danificados pelo bombardeamento, incluindo o sino de Angelus de origem francesa, encontram-se atualmente em exposição no Museu da Bomba Atómica de Nagasáqui. Os resquícios das paredes da antiga catedral estão localizados no Parque da Paz de Nagasáqui.

Referências

  1. Lisiero, Dario (2015). Papal Apology (em inglês). Raleigh: Lulu. p. 54. ISBN 978-1329668065. Resumo divulgativoGoogle Livros 
  2. Collie, Craig (2012). Nagasaki: The Massacre of the Innocent and the Unknowing (em inglês). Crows Nest: Allen & Unwin. ISBN 978-1742372891. Resumo divulgativoGoogle Livros 
  3. «浦上教会(ウラカミキョウカイ)» (em japonês). Comité da Gestão Turística de Nagasáqui. Consultado em 23 de janeiro de 2017 
  4. Nagai, Takashi (1949). Nagasaki no Kane (長崎の鐘?) (em japonês). Tóquio: Kodansha. ISBN 978-4-7700-1845-8 
  5. Erasmus (29 de setembro de 2016). «The slow acceptance that destroying cultural heritage is a war crime». The Economist (em inglês) 
  6. Rotblat, Joseph; Konuma, Michiji (1997). Proceedings of the Pugwash Conference on Science and World Affairs (em inglês). Singapura: World Scientific. p. 199. ISBN 9789810231798. Resumo divulgativoGoogle Livros 
  7. «マリアの首». Rede das Artes Cénicas do Japão (em japonês). Fundação Japão. Consultado em 23 de janeiro de 2017 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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