Categorias (Aristóteles)

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

Categorias (em grego: Κατηγορίαι, em latim: Categoriae) é o texto que abre não apenas o Organon — o conjunto de textos lógicos de Aristóteles — como também o Corpus aristotelicum. O livro é dividido em duas partes: a primeira, que se estende do capítulo I ao IX, é chamada de Prædicamenta e considera-se genuinamente aristotélica; já a segunda parte, que se estende do capítulo X ao XV é chamada de Post-Prædicamenta e não há certeza se a autoria é de Aristóteles.

O objetivo de Aristóteles nesta obra é classificar e analisar dez tipos de predicados ou gêneros do ser (κατηγορία significa justamente predicado), isto é, quais são as dez categorias que todo objeto no mundo pode ser classificado

As categorias são: substância (οὐσία, substantia), quantidade (ποσόν, quantitas), qualidade (ποιόν, qualitas), relação (πρός τι, relatio), lugar (ποῦ, ubi), tempo (ποτέ, quando), estado (κεῖσθαι, situs), hábito (ἔχειν, habere), ação (ποιεῖν, actio) e paixão (πάσχειν, passio). Algumas vezes, as categorias são também chamadas de classes.

Segundo o filósofo:

As palavras sem combinação umas com as outras significam por si mesmas uma das seguintes coisas: o que (substância), o quanto (quantidade), o como (qualidade), com o que se relaciona (relação), onde está (lugar), quando (tempo), como está (estado), em que circunstância (hábito), atividade (ação) e passividade (paixão). Dizendo de modo elementar, são exemplos de substância, homem, cavalo; de quantidade, de dois côvados de largura, ou de três côvados de largura; de qualidade, branco, gramatical; de relação, dobro, metade, maior; de lugar, no Liceu, no Mercado; de tempo, ontem, o ano passado; de estado, deitado, sentado; de hábito, calçado, armado; de ação, corta, queima; de paixão, é cortado, é queimado (Cat., IV, 1 b).

Desde a antiguidade, há muitas incertezas quanto ao tema das Categorias. Há quem diga ser o texto um tratado de lógica, enquanto outros pensam tratar-se de uma obra sobre metafísica. Estas possibilidades de interpretação são problematizadas por Porfírio em Isagoge, em que Porfírio questiona se os gêneros e as espécies (substâncias segundas) são realidades subsistentes ou apenas conceitos mentais. Foi justamente a Isagoge e este questionamento originado pelas Categorias que veio a desencadear a querela dos universais na filosofia medieval.

Traduções[editar | editar código-fonte]

Em língua portuguesa, existem as seguintes traduções das Categorias:

Aristóteles, Categorias. Tradução, introdução e comentário por Ricardo Santos. Porto: Porto Editora. 1995.

Aristóteles, Órganon. Tradução do grego, textos adicionais e notas de Edson Bini. Bauru: Edipro, 2005. 608p. pp. 39-80.

Aristóteles, Órganon. Tradução do grego e notas de Pinharanda Gomes. Lisboa: Guimarães Editores, 1985. 174p. VOL. I. pp. 123-169.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

  • Edição grega de I. Bekker: Aristoteles: Kategoriai. In: Immanuel Bekker (editor): Aristotelis. Opera. 1831-1837
  • Aristoteles: Categoriae vel praedicamenta. Tradução para o latim de Boécio. In: Lorenzo Minio-Paluello (ed.): Aristoteles Latinus. Vol. I, Parte 1-5. Paris: De Brouwer, 1961.
  • Classical Library HTML (em inglês)
  • MIT Classical Archive HTML (em inglês)
  • Capítulos 1 à 5 traduzidos por John L. Ackrill, 1963 PDF (em inglês)