Caverna Eirós

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Localização do concelho de Triacastela na Galiza, onde se localiza a Caverna Eirós.

A Caverna Eirós é uma gruta natural situada na ladeira norte do monte Penedo, na Serra do Oribio[1] entre as localidades de Cancelo e Vilavella, ambas no concelho de Triacastela, Lugo, na Galiza (Espanha).

A caverna é resultado de fenômenos cársticos sobre rocha calcária. É um sítio arqueológico que tem fornecido materiais líticos pertencentes ao Paleolítico Médio e Superior, com restos de fauna e flora da época.[1]

Em 20 de agosto de 2012 foi publicado o achado de pinturas e gravuras rupestres que se poderiam remontar a 30 000 AP, sendo a primeira mostra de arte rupestre encontrada na Galiza, e que motivaram a sua declaração como Bem de Interesse Cultural[2].

Arqueologia[editar | editar código-fonte]

A caverna de Caverna Eirós vem-se escavando desde os inícios da década de 1990. Na primeira campanha de escavações, acharam-se abundantes restos do urso das cavernas (Ursus spelaeus), e de outros mamíferos como cervos e cavalos. Nas conclusões dos estudos, apresentados em 1993, indica-se que a caverna representava o limite de expansão ocidental do Ursus spelaeus.[1]

Nesse mesmo ano de 1993 foi iniciada uma segunda campanha, na qual se escavou na entrada, sendo descobertos cinco níveis, três deles com grande potência arqueológica.[3] Os dois primeiros revelaram indústria lítica do Paleolítico Superior, nomeadamente realizada sobre quartzo. Uma sondagem no nível inferior indicou que poderia conter materiais mais antigos, do Paleolítico Médio.

Paleolítico Médio[editar | editar código-fonte]

Na recente e, por enquanto, última campanha de escavações, os arqueólogos ligados às universidades de Santiago de Compostela, de Cantábria e da Rovira i Virgili, confirmaram no final do Verão de 2008,[4] o achado de materiais líticos adscritos ao Paleolítico Médio e, portanto, ao homem de Neandertal. Os utensílios de pedra estavam trabalhados com técnica Levallois, e predomina como material base o quartzo.[5] Encontrou-se também instrumental ósseo. Embora não se encontraram restos fósseis humanos, encontraram-se restos de fauna (cervídeos, bovídeos e ursídeos) e flora (pólen) associados. A datação inicial das descobertas fixou-se cerca de 35.000 AP.

Enquadramento[editar | editar código-fonte]

Esta gruta, além de subministrar uma interessante indústria lítica realizada em boa medida sobre quartzo, um material difícil de trabalhar, permitirá conhecer a contorna ambiental que rodeava nessa época os neandertais do Oribio. Isto facilitará também a comparação com outros sítios coetâneos, especialmente do restante da Península Ibérica e, nomeadamente, os mais próximos.

A conservação de materiais orgânicos é devida à condição da pH básica dos terrenos calcários nos quais se localiza Caverna Eirós, o que não costuma acontecer na maior parte da Galiza, onde predominam solos ácidos, que apenas permitem a conservação de restos orgânicos.

Referências

  1. a b c cf. A. LOMBERA HERMIDA, X.P et al., El Paleolítico Inferior y Medio en el interior de Galicia: La Depresión de Monforte
  2. Descobertas em Triacastela as primeiras pinturas rupestres na Galiza, 20-8-2012
  3. Projeto Arqueológico Val do Sarria-Val do Mao
  4. Nota do Gabinete de Comunicação da Universidade de Santiago
  5. A Nosa Terra, 3-XI-2008

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Este artigo foi inicialmente traduzido do artigo da Wikipédia em galego, cujo título é «Cova Eirós».
  • NOGUEIRA RÍOS, S., Uma primeira aproximação ao estudo dos materiais líticos da Caverna Eirós (Triacastela-Lugo), in História Nova, IV, 1997, p. 9-29, sobre os resultados da segunda campanha de escavações no lugar.
  • A. LOMBERA HERMIDA, X.P et al., El Paleolítico Inferior e Medio en el interior de Galicia: La Depresión de Monforte, in rev. Croa. Boletim da Associação de Amigos do Castro de Viladonga, nº 16, 2006 p. 35-42, embora não toca os recentes, pode consultar-se em versão pdf no endereço: [1].