Caxiapa

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Estátua de Caxiapa em Andra Pradexe
Uma cabeça chinesa esculpida em madeira representa a Caxiapa; Dinastia Tangue (618-907)

Caxiapa[1] (em védico: कश्यप; romaniz.: Kaśiapa), no hinduísmo, é um rixi (sábio) e um dos sete saptarixis.

Os outros saptarixis eram:

O avatar Vamanadev (filho de Caxiapa com Aditi) na corte do rei Bali
O avatara Varaja mata a Jiraniaksha

Segundo a mitología indiana, foi o pai dos devas, asuras, nagas e de toda a humanidade. Está casado com Aditi, com quem foi pai de Agni, os Aditias, e o mais importante: do próprio deus Vixenu, que nasceu com o nome de Vamana (o avatar anão), como filho de Aditi, no sétimo manu antara.[3] Com sua segunda esposa, Diti, teve aos daitias (demónios). Diti e Aditi eram filhas do rei Daquexa e irmãs de Daquexaiani (esposa do poderoso asceta Xiva). Caxiapa recebeu o mundo de mãos de Paraxurama, quem tinha-o conquistado ao matar ao rei Kartaviria Aryuna e desde esse momento à Terra chama-lha Caxiapi.

Há um Caxiapa autor do tratado Caxiapa Samita (ou Braddha Yivakiia Tantra), que é considerado um livro de referência clássico sobre o Airveda, especialmente em cuidado do menino (pediatria), ginecologia e obstetrícia.[4][5][6]

Geralmente supõe-se que teve vários Caxiapas e que o nome indica o status e não a um indivíduo.

Nascimento e linhagem de Caxiapa[editar | editar código-fonte]

Caxiapa era filho de Marichi, que era um dos dez manasa-putras (filhos mentais) do deus criador Brama.

Seu sogro foi o prajapati Daquexa, que tinha tido treze filhas:

  1. Aditi
  2. Diti
  3. Kadru
  4. Danu
  5. Arishta
  6. Surasa
  7. Surabhi
  8. Vinata
  9. Tamra
  10. Krodhavasa
  11. Ida
  12. Khasa
  13. Muni[7]

Filhos de Caxiapa[editar | editar código-fonte]

Eles começaram a dinastia solar (Suria vansha), que mais tarde conhecer-se-ia como a dinastia Ikshuaku, depois de sua bisneto, o rei Ikshwaku, cujos reis seguintes foram Kukshi, Vikukshi, Bana, Anarania, Prithu, Trishanku e Raghu, após o qual a dinastia se chamou raghu vansha (dinastia de Raghu), onde terminaria aparecendo o rei Ramo, filho do rei Dasharatha.[8]

  • Filhos com sua esposa Diti:
    • Jiraniakashipu (demónio que foi morto pelo deus leão Narasimja; teve quatro filhos: Anujlada, Jlada, Prajlada e Sanjlada, que estenderam aos daitias).
    • Jirania Akshá (demónio matado pelo deus jabali Varaja).
    • Sinka (filha que mais tarde se casou com Viprachitti).
  • Filhos com sua esposa Vinata[9]
    • Garuda (o ave portadora de Vishnu) e
    • Aruna (o mágico cochero do deus do Sol).
  • Filhos com sua esposa Kadru
    • nagas (serpentes humanas).
  • Filhos com sua esposa Danu.
    • danavas (demónios).
  • Filhos com sua esposa Muni

Na linha familiar de Caxiapa, há outros dois criadores de mantras (aparte dele):

  • Avatsara e seus dois filhos (netos de Caxiapa).
    • Nidhruva e
    • Rebha
  • Asita.
    • Shandila, quem não foi escritor de mantras mas começou a famosa dinastia (gotra) Shandilia.

Vale de Caxiapa[editar | editar código-fonte]

O vale de Caxemira

Acha-se que o vale e a região de Caxemira (nos Himalaias) receberam seu nome de Caxiapa.

A lenda diz que o actual vale de Caxemira era um imenso lago de altura que se chamava Caxiapa-olha (mar de Caxiapa). Caxiapa mandou-o drenar, e ali ficou um formoso vale. Com o tempo seu nome converteu-se em Kash-mir.

Em outros manu-antaras[editar | editar código-fonte]

Caxiapa converteu-se num dos saptarixis no actual período manuantara (que dura milhões de anos dantes de voltar a se repetir).

No período manu-antara (‘dentro de [do período de] um Manu’) chamado Swarochisha, Caxiapa foi um dos sete sábios principais.

Notas

  1. Pereira 1991, p. 271.
  2. Habitantes de los mundos», de Mahanirvana Tantra, traduzido por Arthur Avalon (sir John Woodroffe escriveu a introdução e o prefácio em 1913): «Os rishi são videntes que sabem, e por seu conhecimento são os criadores de shastra e vêm todos os mantras.
  3. «Lista dos variados Manus y Manwantaras», de Visnu-purana, traduzido por Horace Hayman Wilson (em 1840), livro 3, capítulo 1, 265: «Vishnu, a pedido dos deuses, nasceu como um enano, Vamana, o filho de Aditi e Caxiapa; ele le pediu limosna ao rey Bali, quem le prometeu que le daria qualquer coisa que pedira, apesar de que Śukra, o guru dos daitias, lhe avisou com quêm estava tratando.
  4. Kashyap Samhita Arquivado em 12 de junho de 2008, no Wayback Machine., traduzido por o profesor P. 
  5. Q7 Arquivado em 14 de março de 2008, no Wayback Machine. IndianMedicine.nic.in] (pergunta 7).
  6. Os principais textos clássicos acerca dos princípios da medicina hinduista são:
  7. a b Visnú-purana, livro 1, capítulo 15.
  8. ValmikiRamayan.net (a linhagem de Caxiapa, no Ramaiana do escritor Valmiki, aiodhia kanda [capítulo sobre Ayodhia], sarga 110).
  9. Nascimiento de Garuda Majabharata traduzido por Kisari Mohan Ganguli (entre 1883 e 1896), livro 1: Adi Parva, Astika Parva, secção 31, pág. 110.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Pereira, A. B. de Bragança (1991). Etnografia da Índia Portuguesa. Vol. I - As Civilizações da Índia. Introdução. Nova Déli, Madras: Serviços Educacionais Asiáticos 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]