Cebola

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Como ler uma caixa taxonómicaCebola
Cebolas

Cebolas
Classificação científica
Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Liliopsida
Ordem: Asparagales
Família: Alliaceae
Género: Allium
Espécie: A. cepa
Nome binomial
Allium cepa
L.

Cebola é o nome popular da planta cujo nome científico é Allium cepa, Lineu. Em sistemas taxonómicos mais antigos, pertencia à família das Liliáceas e subfamília das alioídeas - taxonomistas mais recentes incluem-na na família das Alliaceae. O termo refere-se, também ao seu bolbo (bulbo, no Brasil) constituído por folhas escamiformes, em camadas. As suas flores estão dispostas em umbela. As plantas jovens, com o bulbo pouco desenvolvido e sem flor, são chamadas também de cebolo.[1] [2]

Por que a cebola faz chorar[editar | editar código-fonte]

Quando as cebolas são cortadas,ela tem uma raiz profunda, chamada de queretine, então

as queretines se quebram,quando elas se quebram, sai delas um liquido muito raro chamado de corgamus, que têm duas seções, uma com enzimas chamadas alinases e outra com sulfuretos (sulfóxidos de aminoácidos). As enzimas decompõem os sulfuretos produzindo ácido sulfénico, que é instável e decompõe-se num gás volátil chamado sin-propanetial-S-óxido que, por sua vez, dissipa-se pelo ar e eventualmente chega aos olhos, onde reagirá com a água para formar uma solução muito fraca de ácido sulfúrico, que irrita as terminações nervosas do olho, fazendo-o arder.[1] Em resposta à irritação, as glândulas lacrimais entram em acção para diluir e lavar a irritação. Não obstante, são estes compostos voláteis que dão o sabor característico à cebola, e o aroma agradável quando cozinhada. Para reduzir a libertação do gás, pode-se descascar a cebola debaixo de água corrente, ou mesmo debaixo de água. Molhar as mãos e a cebola antes de a cortar reduzirá o efeito do gás nos olhos, porquanto algum do gás reagirá com a água das mãos ou da cebola (e não com a humidade dos seus olhos). O cheiro de cebola nas mãos pode ser eliminado com limão ou lavando-as em água corrente por alguns instantes, sem esfregar uma na outra. Também ajuda respirar profundamente pela boca, uma vez que grande parte do gás será inalado e menos ficará disponível para reagir com os olhos. Uma faca bem afiada danifica menos células da cebola, libertando-se menos gás — logo menos irritação. Cebolas frias tiradas do frigorífico provocarão menos irritação uma vez que as baixas temperaturas inibem a difusão das enzimas e do gás. Outras pessoas preferem arrefecer a faca por 2 minutos no frigorífico antes de cortar as cebolas para diminuir as lágrimas. Diferentes espécies de cebolas libertarão quantidades diferentes de ácidos, portanto a irritação que provocam também será diferente.

Uma forma eficaz de evitar o transtorno para os olhos é evitar cortá-la em rodelas. Cortar a cebola sempre no sentido raiz-folha ou vice-versa, dessa forma, ou seja, ferindo menos as cápsulas que contêm as substâncias voláteis. Basta cortá-la ao meio no sentido sugerido e apoiar a parte plana sobre a tábua de corte, e de preferência com a faca bem afiada, cortá-la em tiras longas na posição sugerida. Quase não agride os olhos e reduz a libertação do odor para as mãos.

Significados simbólicos[editar | editar código-fonte]

A cebola possui importância simbólica em algumas culturas e cultos espalhados pelo mundo, tendo sido inclusive objeto de culto em uma seita.

Ramakrishna compara a estrutura folhada do bulbo, que não chega a nenhum núcleo, à própria estrutura do ego, que a experiência espiritual debulha camada por camada até a vacuidade. A partir daí nada mais constitui obstáculo ao espírito universal, à fusão com Brama.

No plano mágico os egípcios se protegiam de certas doenças com hastes de cebola.

Os latinos, segundo Plutarco, proibiam o uso do bulbo, porque acreditavam que ele crescia quando a Lua diminuía. Quanto ao cheiro, provocava um sentimento de força vital.

Virtudes afrodisíacas lhe são igualmente atribuídas, tanto por sua composição química quanto por suas sugestões imaginativas.

Fonte: Dicionário de Símbolos, Jean Chevalier e Alain Cheerbrant

Valor nutricional[editar | editar código-fonte]

Cada 100 gramas de cebola (Allium cepa) contém:

  • calorias - 33 kcal
  • proteínas - 1,5 g
  • gorduras - 0,3g
  • vitamina A - 125 U.l.
  • vitamina B1 (Tiamina) - 60 mcg
  • vitamina B2 (Riboflavina) - 45 mcg
  • vitamina B3 (Niacina) - 0,15 mg
  • vitamina C (Ácido ascórbico) - 10 mg
  • potássio - 180 mg
  • fósforo - 45 mg
  • cálcio - 35 mg
  • sódio - 16 mg
  • silício - 8 mg
  • magnésio - 4 mg
  • ferro - 0,5 mg

Propriedades das cebolas[editar | editar código-fonte]

Flavonóides[editar | editar código-fonte]

Os flavonóides apresentam efeitos potenciais como antioxidantes, anti-inflamatório, protetor cardíaco, analgésico, antialérgico, anticâncer, antidiabético, antiúlcera, entre outros.

Sob o aspecto do efeito antioxidante, que pode ser explicado pela doação de um átomo de hidrogênio para os radicais livres, formando novos tipos de radicais livres que não são tão reativos quanto a espécie inicial. Esses radicais desempenham papel importante como, por exemplo, no combate aos micro-organismos invasores. [carece de fontes?]

Quercetina[editar | editar código-fonte]

Quercetina é um flavonóide amplamente distribuído no reino vegetal. Trata-se de um composto polifenólico presente naturalmente em vegetais como maçã, cebola, chá e em plantas medicinais como Ginkgo biloba, Hypericum perforatum.

Atividade antioxidante[editar | editar código-fonte]

Entre as principais ações da quercetina destaca-se o seu poder de remover os radicais livres, exercendo um papel citoprotetor em situações de risco de dano celular.

A quercetina demonstrou inibir in vitro a oxidação da lipoproteína de baixa densidade (LDL) por macrófagos e reduzir a citotoxidade da LDL oxidada.

Junto com a vitamina C, a quercetina demonstrou efeitos sinérgicos na função antioxidativa. O ácido ascórbico age como um redutor da oxidação da quercetina, de maneira que combinados, a vitamina C permite uma sobrevivência maior do flavonóide para cumprir suas funções antioxidantes. Por outro lado, a quercetina protege a vitamina E da oxidação, com a qual também apresenta efeitos sinérgicos.

Atividade cardiovascular[editar | editar código-fonte]

A mesma propriedade antioxidante descrita anteriormente é suficiente para reduzir o risco de morte por doenças e danos cardíacos. Neste sentido, a quercetina demonstrou diminuir a incidência de infarto do miocárdio e derrames cerebrais em pessoas da terceira idade. As populações que consomem produtos ricos em quercetina estatisticamente apresentam menores riscos de afecções cardiovasculares.

Em ratos pode-se observar que a quercetina melhora a função contrátil do ventrículo esquerdo e reduz a incidência de transtornos da condução cardíaca. O processo limita-se à área danificada de isquemia protegendo a ultra-estrutura das artérias coronárias, melhorando a circulação coronária e prevenindo a formação de trombos intravasculares.

Por outro lado, também demonstrou efeitos vasodilatadores na aorta isolada de ratos, efeitos antitrombóticos (por uma ligação seletiva na parede plaquetária) e diminuiu as lesões de reperfusão do miocárdio.

Devido à inibição da peroxidação lipídica, a quercetina protege o endotélio da destruição local por prostaciclina e o fator de relaxamento derivado do endotélio.

Atividade antiinflamatória[editar | editar código-fonte]

A ação antiinflamatória que muitos flavonóides possuem relaciona-se em parte com as enzimas implicadas no metabolismo do ácido araquidônico. No mecanismo antioxidante sobre a peroxidação lipídica da quercetina, está envolvida a via do ácido araquidônico o qual implica uma atividade anti-inflamatória paralela. [carece de fontes?]

Atividade antitumoral[editar | editar código-fonte]

Um dos mecanismos de ação da quercetina como agente antiproliferativo de células tumorais é através de sua capacidade antimutagênica e de seu poder antioxidante.

A adição da quercetina em alguns esquemas antitumorais com drogas sintéticas tem demonstrado aumento da atividade antitumoral.

Atividade imunológica[editar | editar código-fonte]

Diferentes estudos têm constatado o fortalecimento do sistema imunológico, em especial no trato gastrointestinal, a partir da administração de quercetina. Por exemplo, pacientes com disenteria de Flexner evidenciaram melhoras clínico-humorais significativas após receber uma combinação de quercetina e acetato de tocoferol.

Junto com o sódio tem sido demonstrado melhorar quadros de dispepsia além de evidenciar efeitos bacteriostáticos em micro-organismos patológicos do trato digestivo. Um aspecto interessante do efeito antiúlcera da quercetina é que ela inibe in vitro o crescimento de Helycobacter pylori de uma forma dose-dependente. Por outro lado, a quercetina tem demonstrado poder estabilizador nos mastócitos impedindo a ação da histamina durante as reações alérgicas e inibindo a formação de leucotrienos.

A quercetina demonstra exercer um efeito sinérgico com cromoglicato de sódio.

Também tem evidenciado um efeito antifúngico em cultivos de Candida albicans, um fungo oportunista que pode surgir em quadro de imunodepressão.

Atividade antiviral[editar | editar código-fonte]

A quercetina demonstrou ser um potente agente antiviral, podendo interferir com a infectividade e replicação de adenovírus, coronavírus e rotavírus em cultivos celulares.

Neste sentido, uma combinação de quercetina com rutina demonstrou reduzir a hemaglutinação, reduzindo a mortalidade de ratos infectados com o vírus influenza.

Efeitos na formação de catarata em diabetes[editar | editar código-fonte]

A catarata é uma complicação relativamente comum em quadros de diabetes. Entre os mecanismos de ação descobriu-se que a enzima aldolase-reductase tem papel gerador de catarata. Diferentes experiências demonstraram atividade inibitória da quercetina sobre esta enzima, que seria do tipo não-competitiva e uma das mais potentes entre os diferentes agentes inibidores testados. [carece de fontes?]

Referências

  1. a b Block, E.. Garlic and Other Alliums: The Lore and the Science. [S.l.]: Royal Society of Chemistry, 2010. ISBN 0-85404-190-7
  2. Brewster, J. L. Onions and other vegetable alliums. 2nd ed. Wallingford, UK: CABI International, 2008. ISBN 978-1845933999

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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