Centro Educacional Unificado

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

Os Centros Educacionais Unificados (CEU) são equipamentos públicos voltados à educação criados pela Secretaria Municipal de Educação de São Paulo e localizados nas áreas periféricas da Grande São Paulo, no Brasil. Foram concebidos pelo EDIF - Departamento de Edificações/PMSP como um centro local da vida urbana. Seu programa articula os equipamentos urbanos públicos dedicados à educação infantil e fundamental aos dedicados às práticas esportivas, recreativas e culturais cotidianas. O município de São Paulo conta atualmente com 46 CEUs onde estudam mais de 120 mil alunos.

Os CEUs contam com um Centro de Educação Infantil (CEI) para crianças de 0 a 3 anos; uma Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) para alunos de 4 a 6 anos; e uma Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF), que também oferece Educação de Jovens e Adultos (EJA). Alguns CEUs também possuem polos UniCEUs, que oferta cursos na modalidade à distância – semipresencial. Todos os CEUs são equipados com quadra poliesportiva, teatro (utilizado também como cinema), playground, piscinas, biblioteca, telecentro e espaços para oficinas, ateliês e reuniões. Os espaços são abertos nos finais de semana com o intuito de beneficiar tanto crianças e adolescentes como a comunidade de baixa renda do entorno.[1]

Com programação[2] variada para todas as idades, os CEUs garantem, aos moradores dos bairros mais afastados em relação à zona central da cidade, acesso a equipamentos públicos de lazer, cultura, tecnologia e práticas esportivas, contribuindo com o desenvolvimento das comunidades locais. O acompanhamento e a avaliação do processo de implementação dos CEUs, realizado em parceria com a Fundação Instituto de Administração (FIA), mostrou indicadores de satisfação das comunidades acima de 90 por cento.[3]

História[editar | editar código-fonte]

O projeto dos Centros Educacionais Unificados começou a ser estruturado pela Prefeitura de São Paulo como um projeto intersecretarial, em 2001, na gestão Marta Suplicy, a partir das consultas populares por meio do orçamento participativo. O projeto arquitetônico dos Centros Educacionais Unificados foi desenvolvido inicialmente pela equipe coordenada pelos arquitetos Alexandre Delijaicov, André Takyia e Wanderley Ariza[4][5] e foi elaborado pela equipe do Departamento de Edificações[6] (EDIF) dentro do Departamento de Edificações da Secretaria de Serviços e Obras (SSO), tendo sido concluído por essa equipe. Tal projeto se inspirou no projeto arquitetônico da Escola Parque, desenvolvida entre 1948 e 1952 em São Paulo, que, por sua vez, foi adaptada da experiência de Salvador, criada por Diógenes Rebouças e Hélio Duarte em 1947, segundo a programática do educador baiano Anísio Teixeira [7]

“Porque não considerar em cada bairro, a escola, o grupo escolar, como fonte de energia educacional, como ponto de reunião social, como sede das sociedades de “amigos de bairro”, como ponto focal de convergência dos interesses que mais de perto dizem com a vida laboriosa das suas populações?” Arquiteto Hélio Duarte, 1951[8]

Dentro da Prefeitura de São Paulo foram três ondas de construções de CEUs, cada uma com um projeto arquitetônico diferente e um custo variado.

Primeira Onda[editar | editar código-fonte]

A primeira onda, criada na gestão Marta Suplicy (2001-04) iniciou o formato entregando 21 escolas[9] ao custo de 13 milhões[10] em média por cada. O projeto arquitetônico desenvolvido por EDIF, foi elaborado pensando na pré-fabricação de materiais, todas as vigas e pilares deveriam ter no máximo 11 metros, de modo a poderem ser levadas por um caminhão comum.

Segunda Onda[editar | editar código-fonte]

A princípio o então prefeito José Serra (2005-06) cancelou a construção das 24 estruturas previstas anteriormente. Porém a segunda onda foi retomada durante a gestão de Gilberto Kassab (2007-12) com um projeto arquitetônico[11] novo elaborado pelo escritório do arquiteto Walter Mahkrol. Nesse período foram entregues novos 24 CEUs, com custo médio de 25 milhões de reais[12], anunciando ser 15% mais barato, apesar de ser quase o dobro do preço anterior.

Terceira Onda[editar | editar código-fonte]

A terceira e última onda se iniciou na gestão do prefeito Fernando Haddad, prometendo um novo formato de CEU distribuído em 20 novos centros de ensino, porém com a alegação de corte orçamentário previsto pelo Programa de Aceleração do Crescimento, foi entregue apenas um, o CEU Heliópolis[13], com custo médio de 33 milhões de reais.

Dentro dessa terceira onda também ocorreram projetos utilizando o nome CEU para o mesmo programa educacional extrapolando os limites da cidade paulistana e entregando unidades em novos municípios como Guarulhos e São Bernardo do Campo, além de um programa no âmbito do Governo Federal, com um novo nome "Centros de Artes e Esportes Unificados", e um novo escopo, não incluindo escolas no seu interior, apenas espaços de arte e esporte, apenas utilizando a mesma sigla CEU.

Objetivos[editar | editar código-fonte]

O site oficial da Prefeitura do Município de São Paulo lista três objetivos fundamentais para os CEU's:

  • Desenvolvimento integral das crianças e dos jovens;
  • Polo de desenvolvimento da comunidade;
  • Polo de inovação de experiências educacionais.

O princípio educacional que norteia o projeto dos CEU's é o de prover um tipo de educação que possibilite o desenvolvimento integral para crianças, adolescentes, jovens e adultos, incluindo a educação formal, a não formal e as atividades socioculturais, esportivas e recreativas como formas de aprendizagem. Sua proposta reuniu todas as ações educativas da Prefeitura em um único polo, juntando a Emei (Escola Municipal de Educação Infantil) e a Emef (Escola Municipal de Ensino Fundamental) em um só conjunto, dando um uso mais eficiente a equipamentos e serviços municipais. [14]

Com a implantação dos CEUs, a Prefeitura de São Paulo aumentou significativamente o emprego de equipamentos públicos na educação, expandindo a quantidade de bibliotecas de 67 para 88 (aumento de 30 por cento); o de telecentros de 52 para 73 (40 por cento); o de piscinas de 61 para 128 (109 por cento); e o de teatros 7 para 21 (300 por cento).[15]

Infraestrutura[editar | editar código-fonte]

Os Centros Educacionais Unificados dispõe de um sistema de internet de banda larga; quadras poliesportivas; livros didáticos; Programa Aluno Aprende Bem, em parceria com o governo do estado; e o programa Leve Leite.

Bloco Esportivo e Cultural (BEC)[editar | editar código-fonte]

O CEU conta com uma piscina semiolímpica (em algumas unidades, a piscina é aquecida) e mais duas piscinas, sendo uma infantil e outra recreativa. Os BECs possuem quadras externas: uma poliesportiva e outra específica para prática de voleibol; e uma quadra poliesportiva interna, localizada no mesmo prédio do teatro.

As quadras poliesportivas, instaladas nos prédios dos BECs dos novos CEUs, são construídas com piso flexível flutuante. Este piso tem o revestimento de madeira colocado entre o isopor e os barrotes de madeira, causando o efeito de um amortecedor. Esta tecnologia é utilizada em quadras oficiais para minimizar o esforço dos músculos durante a prática de atividades físicas.

Bloco Didático[editar | editar código-fonte]

O Bloco Didático é composto por uma EMEI, um CEI, e uma EMEF. Também faz parte, do Bloco Didático, o prédio administrativo, o refeitório, a biblioteca e o telecentro. Em todos os prédios deste bloco, foram instalados "solariuns", que são cercados próximos às janelas no piso inferior, os quais permitem, aos professores, um espaço extra para novas atividades com os alunos. Nas proximidades do CEI - Centro de Educação Infantil foi implantado um pequeno playground para diversão das crianças que estudam na creche.

Áreas Externas[editar | editar código-fonte]

Nas áreas externas, o pavimento foi realizado com peças intertravadas, que são instaladas com areia e pedrisco. Este tipo de pavimentação permite maior permeabilidade e, quando sofre impactos de cargas acima do previsto, acomoda as peças de concreto sem rachaduras, facilitando a manutenção.

Críticas[editar | editar código-fonte]

A proposta da construção dos CEU's foi duramente criticada pela oposição pelos seus "altos custos" de construção de escolas dotadas de vários equipamentos normalmente não encontrados em escolas públicas. A prefeita na época, em entrevista à Revista Época, quando perguntada se não seria melhor ter construído mais escolas das simples, respondeu: "Eu poderia, mas a criança da periferia não teria nenhum diferencial de vida. O objetivo do CEU é fazer com que essas crianças, que vivem em barracos, com pais desempregados, tenham chance de estudar em um lugar bonito com uniforme e material escolar. A ideia é levar cultura e lazer, além de educação. Lá, elas têm acesso a coisas que muitas nunca viram, desde uma pia e papel higiênico até computador, DVD e instrumentos musicais. A diferença de uma pessoa pobre é que não teve acesso a nada. Se elas tiverem acesso, terão mais chance na vida.[16] Atualmente, até alguns políticos elogiam os avanços na educação popular obtidos pelos CEUs: "O CEU é um excelente projeto em termos de escola integral".(Geraldo Alckmin) [17]

Unidades dos CEUs[editar | editar código-fonte]

Atualmente, existem 45 unidades dos CEUs distribuídas pelos municípios de São Paulo, Osasco e Guarulhos, sendo que a maioria das unidades se encontra nas regiões sul e leste da cidade de São Paulo. As unidades dos CEUs são:

São Paulo[editar | editar código-fonte]

Primeira Onda (2001-2004) Segunda Onda (2007-2012) Terceira Onda (2013-2016)
1 Alvarenga Alto Alegre Heliópolis
2 Aricanduva Água Azul heliopolis 2
3 Butantã Azul da Cor do Mar
4 Campo Limpo Caminho do Mar
5 Casa Blanca Cantos do Amanhecer
6 Cidade Dutra Capão Redondo
7 Inácio Monteiro Feitiço da Vila
8 Jambeiro Formosa
9 Meninos Guarapiranga
10 Navegantes Jaguaré
11 Parque São Carlos Jardim Paulistano
12 Parque Veredas Lajeado
13 Paz Jaçanã
14 Pera Marmelo Paraisópolis
15 Perus Parelheiros
16 Rosa da China Parque Anhanguera
17 São Mateus Parque Bristol
18 São Rafael Quinta do Sol
19 Três Lagos Sapopemba
20 Vila Atlântica Tiquatira
21 Vila Curuçá Três Pontes
22 Uirapuru
23 Vila do Sol
24 Vila Rubi

Bibliotecas de CEUs[editar | editar código-fonte]

  • Biblioteca Água Azul
  • Biblioteca Alto Alegre
  • Biblioteca Alvarenga
  • Biblioteca Aricanduva
  • Biblioteca Azul da Cor do Mar
  • Biblioteca Butantã
  • Biblioteca Caminho do Mar
  • Biblioteca Campo Limpo
  • Biblioteca Cantos do Amanhecer
  • Biblioteca Capão Redondo
  • Biblioteca Casa Blanca
  • Biblioteca Cidade Dutra
  • Biblioteca Feitiço da Vila
  • Biblioteca Formosa
  • Biblioteca Guarapiranga
  • Biblioteca Heliópolis
  • Biblioteca Inácio Monteiro
  • Biblioteca Jaçanã
  • Biblioteca Jaguaré
  • Biblioteca Jambeiro
  • Biblioteca Jardim Paulistano
  • Biblioteca Lajeado
  • Biblioteca Meninos
  • Biblioteca Navegantes
  • Biblioteca Paraisópolis
  • Biblioteca Parelheiros
  • Biblioteca Parque Anhanguera
  • Biblioteca Parque Bristol
  • Biblioteca Parque São Carlos
  • Biblioteca Parque Veredas
  • Biblioteca Paz
  • Biblioteca Pera Marmelo
  • Biblioteca Perus
  • Biblioteca Quinta do Sol
  • Biblioteca Rosa da China
  • Biblioteca São Mateus
  • Biblioteca São Rafael
  • Biblioteca Sapopemba
  • Biblioteca Tiquatira
  • Biblioteca Três Lagos
  • Biblioteca Três Pontes
  • Biblioteca Uirapuru
  • Biblioteca Vila Atlântica
  • Biblioteca Vila Curuça
  • Biblioteca Vila do Sol
  • Biblioteca Vila Rubi

Osasco[editar | editar código-fonte]

  • CEU Jardim Santo Antônio
  • CEU José Camargo
  • CEU Zilda Arns
  • CEU Das Artes[18]

Guarulhos[editar | editar código-fonte]

  • CEU Guarulhos - São 3 unidades até o momento.

Parelheiros[editar | editar código-fonte]

  • Localizado no Jardim Novo Parelheiros, na Zona Sul, o CEU Parelheiros foi inaugurado no dia 6 de dezembro de 2008. O bloco didático da unidade conta com 41 salas, incluindo laboratório de ciências, sala de informática e espaço multiuso com capacidade para receber até 2,8 mil alunos. Há, ainda, um prédio para a administração e outro para o refeitório, a biblioteca e o Telecentro. O CEU Parelheiros oferece, à comunidade, três piscinas: uma semiolímpica, uma recreativa e uma infantil; duas quadras poliesportivas; e um planetário com capacidade para 196 pessoas.

Referências

  1. http://portalsme.prefeitura.sp.gov.br/Anonimo/CEU/apresentacao.aspx?MenuID=159&MenuIDAberto=135
  2. «Programação dos CEUs, 2010» 
  3. «FASANO, Edson. Centro Educacional Unificado, Contraposição à Pedagogia de Lata., programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Metodista de São Paulo, sob a orientação da Profa.Dra. Maria Leila Alves, 2006, p. 85» 
  4. «GADOTTI, Moacir.Educação com Qualidade Social - Projeto, implantação e desafios dos Centros Educacionais Unificados (CEUs), São Paulo, Universidade de São Paulo, pp. 5 e 25» (PDF) 
  5. «PROJETOS - Centros Educacionais Unificados – CEU Arquitetos Alexandre Delijaicov, André Takiya e Wanderley Ariza, in ANELLI, Renato. Centros Educacionais Unificados: arquitetura e educação em São Paulo. Arquitextos 055.02, dez 2004.» 
  6. «Site de EDIF». Prefeitura de São Paulo. Consultado em 27 de dezembro de 2017 
  7. «Diógenes Rebouças: Um visionário para além do concreto., Revista BahiaInvest, Salvador: v.04, n° 8, junho de 2006» 
  8. ANELLI, Renato Luiz Sobral (dezembro de 2004). «Centros Educacionais Unificados: arquitetura e educação em São Paulo (1)». Vitruvius. Consultado em 27 de dezembro de 2017 
  9. MAZITELLI, CAMPANHA, Fábio, Diogenes (2012). «Folha, Quem paga a conta da nova escola». Folha de S.Paulo. Consultado em 27 de dezembro de 2017 
  10. MACHADO, Leandro (30 de setembro de 2016). «Centros educacionais da periferia têm disputa de paternidade e são replicados em cidades vizinhas». Folha de S. Paulo. Consultado em 27 de dezembro de 2017 
  11. «Nova proposta para o CEU revê conceito e desenho original». CBCA. 30 de outubro de 2008. Consultado em 27 de dezembro de 2017 
  12. «Governador participa da inauguração de CEU na zona Sul da Capital». Governo de São Paulo. 29 de setembro de 2007. Consultado em 27 de dezembro de 2017 
  13. CAMBRICOLI, Fabiana (2016). «Uma gestão inacabada». Estado de S.Paulo. Consultado em 27 de dezembro de 2017 
  14. «A Virada do Século: CEU. A Escola e a Cidade, Período 6, Projeto São Paulo 450 Anos» 
  15. a b «Centros Educacionais Unificados - CEUs, Prefeitura.sp.gov.br» 
  16. «LOYOLA, Leandro. Eleições Municipais: A complicada tarefa de superar Marta. São Paulo: Revista Época, Edição nº 278, 11 de setembro de 2003, 13:12» 
  17. «FLOR, Ana. Tucano elogia os adversários e faz imitação de Maluf. São Paulo: Folha de S. Paulo, 2 de setembro de 2008, in Clipping - Seleção de Notícias» 
  18. [http://www.osasco.sp.gov.br/InternaNot.aspx?id=7351|Osasco ganha CEU das Artes no Conjunto 1º de Maio] por Ricardo Datrino e Alessandra Neves em 25/11/2013

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]