Centro Educacional Unificado

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Os Centros Educacionais Unificados (CEU) são equipamentos públicos voltados à educação criados pela Secretaria Municipal de Educação de São Paulo e localizados nas áreas periféricas da Grande São Paulo, no Brasil. Foram concebidos pelo EDIF - Departamento de Edificações/PMSP como um centro local da vida urbana. Seu programa articula os equipamentos urbanos públicos dedicados à educação infantil e fundamental aos dedicados às práticas esportivas, recreativas e culturais cotidianas. O município de São Paulo conta atualmente com 45 CEUs onde estudam mais de 120 mil alunos.

Os CEUs contam com um Centro de Educação Infantil (CEI) para crianças de 0 a 3 anos; uma Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) para alunos de 4 a 6 anos; e uma Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF), que também oferece Educação de Jovens e Adultos (EJA). Todos os CEUs são equipados com quadra poliesportiva, teatro (utilizado também como cinema), playground, piscinas, biblioteca, telecentro e espaços para oficinas, ateliês e reuniões. Os espaços são abertos nos finais de semana com o intuito de beneficiar tanto crianças e adolescentes como a comunidade de baixa renda do entorno.[1]

Com programação[2] variada para todas as idades, os CEUs garantem, aos moradores dos bairros mais afastados em relação à zona central da cidade, acesso a equipamentos públicos de lazer, cultura, tecnologia e práticas esportivas, contribuindo com o desenvolvimento das comunidades locais. O acompanhamento e a avaliação do processo de implementação dos CEUs, realizado em parceria com a Fundação Instituto de Administração (FIA), mostrou indicadores de satisfação das comunidades acima de 90 por cento.[3]

História[editar | editar código-fonte]

O projeto dos Centros Educacionais Unificados começou a ser estruturado pela Prefeitura de São Paulo como um projeto intersecretarial, em 2001, a partir das consultas populares por meio do orçamento participativo. O projeto arquitetônico dos Centros Educacionais Unificados foi desenvolvido inicialmente pela equipe coordenada pelos arquitetos Alexandre Delijaicov, André Takyia e Wanderley Ariza[4] [5] e foi elaborado pela equipe do Departamento de Edificações da Secretaria de Serviços e Obras (SSO), tendo sido concluído por essa equipe. Tal projeto se inspirou no projeto arquitetônico da Escola Parque, desenvolvida entre 1948 e 1952 em São Paulo, que, por sua vez, foi adaptada da experiência de Salvador, criada por Diógenes Rebouças e Hélio Duarte em 1947, segundo a programática do educador baiano Anísio Teixeira [6]

Objetivos[editar | editar código-fonte]

O site oficial da Prefeitura do Município de São Paulo lista três objetivos fundamentais para os CEU's:

  • Desenvolvimento integral das crianças e dos jovens;
  • Polo de desenvolvimento da comunidade;
  • Polo de inovação de experiências educacionais.

O princípio educacional que norteia o projeto dos CEU's é o de prover um tipo de educação que possibilite o desenvolvimento integral para crianças, adolescentes, jovens e adultos, incluindo a educação formal, a não formal e as atividades socioculturais, esportivas e recreativas como formas de aprendizagem. Sua proposta reuniu todas as ações educativas da Prefeitura em um único polo, juntando a Emei (Escola Municipal de Educação Infantil) e a Emef (Escola Municipal de Ensino Fundamental) em um só conjunto, dando um uso mais eficiente a equipamentos e serviços municipais. [7]

Cquote1.svg Os Centros Educacionais Unificados - CEUs são espaços que visam a promover o desenvolvimento integral de crianças, jovens e adultos, por meio de experiências educacionais inovadoras, conjugadas a atividades artísticas, culturais, esportivas e de inclusão digital. Cquote2.svg
[8]

Com a implantação dos CEUs, a Prefeitura de São Paulo aumentou significativamente o emprego de equipamentos públicos na educação, expandindo a quantidade de bibliotecas de 67 para 88 (aumento de 30 por cento); o de telecentros de 52 para 73 (40 por cento); o de piscinas de 61 para 128 (109 por cento); e o de teatros 7 para 21 (300 por cento).[8]

Infraestrutura[editar | editar código-fonte]

Os Centros Educacionais Unificados dispõe de um sistema de internet de banda larga; quadras poliesportivas; livros didáticos; Programa Aluno Aprende Bem, em parceria com o governo do estado; e o programa Leve Leite.

Bloco Esportivo e Cultural (BEC)[editar | editar código-fonte]

O CEU conta com uma piscina semiolímpica (em algumas unidades, a piscina é aquecida) e mais duas piscinas, sendo uma infantil e outra recreativa. Os BECs possuem quadras externas: uma poliesportiva e outra específica para prática de voleibol; e uma quadra poliesportiva interna, localizada no mesmo prédio do teatro.

As quadras poliesportivas, instaladas nos prédios dos BECs dos novos CEUs, são construídas com piso flexível flutuante. Este piso tem o revestimento de madeira colocado entre o isopor e os barrotes de madeira, causando o efeito de um amortecedor. Esta tecnologia é utilizada em quadras oficiais para minimizar o esforço dos músculos durante a prática de atividades físicas.

Bloco Didático[editar | editar código-fonte]

O Bloco Didático é composto por uma EMEI, um CEI, e uma EMEF. Também faz parte, do Bloco Didático, o prédio administrativo, o refeitório, a biblioteca e o telecentro. Em todos os prédios deste bloco, foram instalados "solariuns", que são cercados próximos às janelas no piso inferior, os quais permitem, aos professores, um espaço extra para novas atividades com os alunos. Nas proximidades do CEI - Centro de Educação Infantil foi implantado um pequeno playground para diversão das crianças que estudam na creche.

Áreas Externas[editar | editar código-fonte]

Nas áreas externas, o pavimento foi realizado com peças intertravadas, que são instaladas com areia e pedrisco. Este tipo de pavimentação permite maior permeabilidade e, quando sofre impactos de cargas acima do previsto, acomoda as peças de concreto sem rachaduras, facilitando a manutenção.

Críticas[editar | editar código-fonte]

A proposta da construção dos CEU's foi duramente criticada pela oposição pelos seus "altos custos" de construção de escolas dotadas de vários equipamentos normalmente não encontrados em escolas públicas. A prefeita na época, em entrevista à Revista Época, quando perguntada se não seria melhor ter construído mais escolas das simples, respondeu: "Eu poderia, mas a criança da periferia não teria nenhum diferencial de vida. O objetivo do CEU é fazer com que essas crianças, que vivem em barracos, com pais desempregados, tenham chance de estudar em um lugar bonito com uniforme e material escolar. A ideia é levar cultura e lazer, além de educação. Lá, elas têm acesso a coisas que muitas nunca viram, desde uma pia e papel higiênico até computador, DVD e instrumentos musicais. A diferença de uma pessoa pobre é que não teve acesso a nada. Se elas tiverem acesso, terão mais chance na vida.[9] Atualmente, até alguns políticos elogiam os avanços na educação popular obtidos pelos CEUs: "O CEU é um excelente projeto em termos de escola integral".(Geraldo Alckmin) [10]

A história das críticas[editar | editar código-fonte]

Esse gênero de críticas, feitas por certos setores da sociedade brasileira, e periodicamente encampadas pelos políticos que os representam, são centradas sobretudo no argumento de que "é caro demais" e já se tornaram históricas, passando a fazer parte da cultura brasileira. Nos idos de 1956, o educador Anísio Teixeira via-se obrigado a rebatê-las perante as oposições de então para defender sua Escola Parque:

Cquote1.svg Obrigatória, gratuita e universal, a educação só poderia ser ministrada pelo Estado. Impossível deixá-la confiada a particulares, pois estes somente podiam oferecê-la aos que tivessem posses (ou a 'protegidos') e daí operar antes para perpetuar as desigualdades sociais, que para removê-las. A escola pública, comum a todos, não seria, assim, o instrumento de benevolência de uma classe dominante, tomada de generosidade ou de medo, mas um direito do povo, sobretudo das classes trabalhadoras, para que, na ordem capitalista, o trabalho (não se trata, com efeito, de nenhuma doutrina socialista, mas do melhor capitalismo) não se conservasse servil, submetido e degradado, mas, igual ao capital na consciência de suas reivindicações e dos seus direitos. A escola pública universal e gratuita não é doutrina especificamente socialista, como não é socialista a doutrina dos sindicatos e do direito de organização dos trabalhadores, antes são estes os pontos fundamentais por que se afirmou e possivelmente ainda se afirma a viabilidade do capitalismo ou o remédio e o freio para os desvios que o tornariam intolerável. A sobrevivência do capitalismo, em grande parte do mundo, não se explica senão por estes dois recursos ou instrumentos de defesa contra a desigualdade excessiva que o capitalismo provocaria e provoca, sempre que faltem ao povo escola pública e sindicato livre. Cquote2.svg

Unidades dos CEUs[editar | editar código-fonte]

Atualmente, existem 45 unidades dos CEUs distribuídas pelos municípios de São Paulo, Osasco e Guarulhos, sendo que a maioria das unidades se encontra nas regiões sul e leste da cidade de São Paulo. As unidades dos CEUs são:

São Paulo[editar | editar código-fonte]

  • Água Azul
  • Alto Alegre
  • Alvarenga
  • Aricanduva
  • Azul da Cor do Mar
  • Butantã
  • Caminho do Mar
  • Campo Limpo
  • Cantos do Amanhecer
  • Capão Redondo
  • Casa Blanca
  • Cidade Dutra
  • Feitiço da Vila
  • Formosa
  • Guarapiranga
  • Inácio Monteiro
  • Jaçanã
  • Jaguaré
  • Jambeiro
  • Jardim Paulistano
  • Lajeado
  • Meninos
  • Navegantes
  • Paraisópolis
  • Parelheiros
  • Parque Anhanguera
  • Parque Bristol
  • Parque São Carlos
  • Parque Veredas
  • Paz
  • Pera Marmelo
  • Perus
  • Quinta do Sol
  • Rosa da China
  • São Mateus
  • São Rafael
  • Sapopemba
  • Tiquatira
  • Três Lagos
  • Três Pontes
  • Uirapuru
  • Vila Atlântica
  • Vila Curuça
  • Vila do Sol
  • Vila Rubi

Osasco[editar | editar código-fonte]

  • CEU Jardim Santo Antônio
  • CEU José Camargo
  • CEU Zilda Arns
  • CEU Das Artes[12]

Guarulhos[editar | editar código-fonte]

  • CEU Guarulhos - São 3 unidades até o momento.

Parelheiros[editar | editar código-fonte]

  • Localizado no Jardim Novo Parelheiros, na Zona Sul, o CEU Parelheiros foi inaugurado no dia 6 de dezembro de 2008. O bloco didático da unidade conta com 41 salas, incluindo laboratório de ciências, sala de informática e espaço multiuso com capacidade para receber até 2,8 mil alunos. Há, ainda, um prédio para a administração e outro para o refeitório, a biblioteca e o Telecentro. O CEU Parelheiros oferece, à comunidade, três piscinas: uma semiolímpica, uma recreativa e uma infantil; duas quadras poliesportivas; e um planetário com capacidade para 196 pessoas.

Referências

  1. http://portalsme.prefeitura.sp.gov.br/Anonimo/CEU/apresentacao.aspx?MenuID=159&MenuIDAberto=135
  2. Programação dos CEUs, 2010.
  3. FASANO, Edson. Centro Educacional Unificado, Contraposição à Pedagogia de Lata., programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Metodista de São Paulo, sob a orientação da Profa.Dra. Maria Leila Alves, 2006, p. 85.
  4. GADOTTI, Moacir.Educação com Qualidade Social - Projeto, implantação e desafios dos Centros Educacionais Unificados (CEUs), São Paulo, Universidade de São Paulo, pp. 5 e 25.
  5. PROJETOS - Centros Educacionais Unificados – CEU Arquitetos Alexandre Delijaicov, André Takiya e Wanderley Ariza, in ANELLI, Renato. Centros Educacionais Unificados: arquitetura e educação em São Paulo. Arquitextos 055.02, dez 2004..
  6. Diógenes Rebouças: Um visionário para além do concreto., Revista BahiaInvest, Salvador: v.04, n° 8, junho de 2006.
  7. A Virada do Século: CEU. A Escola e a Cidade, Período 6, Projeto São Paulo 450 Anos.
  8. a b Centros Educacionais Unificados - CEUs, Prefeitura.sp.gov.br.
  9. LOYOLA, Leandro. Eleições Municipais: A complicada tarefa de superar Marta. São Paulo: Revista Época, Edição nº 278, 11 de setembro de 2003, 13:12.
  10. FLOR, Ana. Tucano elogia os adversários e faz imitação de Maluf. São Paulo: Folha de S. Paulo, 2 de setembro de 2008, in Clipping - Seleção de Notícias.
  11. TEIXEIRA, Anísio. A escola pública universal e gratuita. Rio de Janeiro: Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos, v.26, n.64, out./dez. 1956, p.3-27, in ROCHA, João Augusto de Lima. Referências à Revolução na Obra de Anísio Teixeira. Brasília: Revista de Pedagogia, Universidade de Brasília, ano 2 – número 4 – Terceiro especial sobre Anísio Teixeira p.6.
  12. [http://www.osasco.sp.gov.br/InternaNot.aspx?id=7351|Osasco ganha CEU das Artes no Conjunto 1º de Maio] por Ricardo Datrino e Alessandra Neves em 25/11/2013

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]