Centro de Preparação de Oficiais da Reserva de São Paulo

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Fachada do Centro de Preparação de Oficiais da Reserva de São Paulo no bairro de Santana.
O brasão do CPOR/SP

O Centro de Preparação de Oficiais da Reserva de São Paulo (CPOR/SP) é a unidade de ensino do Exército Brasileiro responsável, na cidade de São Paulo, pela formação de oficiais da reserva do Exército.

História[editar | editar código-fonte]

Com o sucesso do primeiro Centro de Preparação de Oficiais da Reserva criado no Rio de Janeiro em 1927, o então Ministro da Guerra autorizou o comandante da 2ª Região Militar, general-de-divisão Hastimphilo de Moura, a colocar em funcionamento o Centro de Preparação de Oficiais da Reserva de São Paulo.

Sua instalação foi, a princípio, nas dependências do 4º Esquadrão do 2º Regimento de Cavalaria Diviwsionária, sediado em Quitaúna. A primeira formatura foi realizada no dia 14 de julho de 1930, sendo comandado pelo Diretor, denominação da época para o comandante do Centro, o Capitão Aurélio Alves de Souza Ferreira. Inicialmente era formado pelos Cursos de Infantaria, Cavalaria e Artilharia e o período letivo era de dois anos tendo suas instruções apenas aos finais de semana (sistema que permaneceu por muitos anos, diferente do atual com instruções ao longo da semana). Os materiais, equipamentos e animais utilizados pertenciam às unidades da área, como o 4º RI, 4º BC, 2º GIAP e IV/2ºRCD. Em 7 de novembro de 1931 se forma sua primeira turma de aspirantes sendo, 33 de Infantaria, 22 de Cavalaria e 22 de Artilharia.

Ainda em 1931 transfere sua sede para a Praça dos Correios, na capital, ocupando três salas no 4º andar da Delegacia Fiscal do Tesouro Nacional. As instruções eram ministradas no Mackenzie College (Colégio Mackenzie) e no tiro de Guerra nº 35, permanecendo a parte prática das instruções nas unidades da Guarnição.

Ao se iniciar a Revolução Constitucionalista, os alunos do CPOR/SP foram incorporados às Forças Revolucionárias por ordem do Comandante da 2ª Região Militar, general Bertoldo Klinger, participando de várias frentes de Combate. Com a derrota dos paulistas veio a extinção do CPOR/SP em 26 de setembro de 1932, mas em maio de 1934, o Ministro da Guerra, General Pedro Aurélio de Gois Monteiro, autoriza o Comandante da 2ª Região Militar, General Olympio da Silveira a reorganizar o Centro, que passa ter sede em um prédio alugado, situado na Avenida Tiradentes, nº 13. Suas aulas práticas continuam se realizando nas Organizações Militares da área, agora, também com o apoio do Regimento de Cavalaria da Força Pública do estado de São Paulo.

Em 1936 é instalado o Curso de Intendência, naquela época com a denominação de "Administração" e em 1942 se inicia o Curso de Engenharia que não haviam sido implementados antes em virtude da limitação física do Centro.

Em dezembro de 1942, completa-se a transferência do Centro para um prédio alugado na Rua Abílio Soares, bairro do Paraíso, próximo a outras unidades do Exército, que apoiam os exercícios no terreno dos futuros oficiais e utilizando a área do Parque do Ibirapuera para a prática de suas instruções.

O ingresso do Brasil na II Grande Guerra Mundial iniciou a mobilização nacional o que fez com que grande parte dos oficiais subalternos que combateram nos campos de batalha da Itália fossem oriundos da reserva, destes, trinta e nove eram oriundos do CPOR/SP, entre os quais o Tenente Amaro Felicíssimo da Silveira, que morreu em combate sendo considerado um herói de guerra.

Ao final da guerra, o Exército sofreu mudanças, dentre elas a transferência da Unidade do 4º Batalhão de Caçadores. Sua sede, localizada no Solar dos Andradas, em Santana, passou, a partir de março de 1948, a ser ocupada pelo Centro de Preparação de Oficiais da Reserva de São Paulo que lá se encontra até os dias de hoje.

Em 1995 começa a funcionar no Centro os cursos de Comunicações e Material Bélico.

Ao longo de toda sua história o CPOR/SP já formou 19.062 (até dez 2016) Aspirantes-a-Oficial, contando em seus quadros com dezenas de figuras ilustres da história de São Paulo e do Brasil.

O Solar dos Andradas[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Solar dos Andradas

A primeira data em que se tem notícia da existência desse prédio é 1734, pois no alto da colina de Santana os jesuítas instalaram a sede da fazenda, uma construção tipo solar, e uma capela. Quando da expulsão dos jesuítas em 1761 e a transferência de seus bens para a Coroa, desaparecem as informações sobre a utilização do edifício, supondo-se que o Governo Provincial passou a usá-lo como residência para algum de seus funcionários. Essa conclusão pode ser constatada pois, em 1821, residiam no solar os conselheiros José Bonifácio de Andrade e Silva e Martim Francisco e o Solar não se inclui no inventário do Patriarca feito em 1838.

O edifício fez parte de um episódio de vulto na história do Brasil. Durante o período que se passou antes da independência do Brasil, o Clube da Resistência, organizado no Rio de Janeiro, enviou emissários a São Paulo e Minas Gerais. O portador da carta a São Paulo era Pedro Dias Pais Leme, que chegou na noite de 23 de dezembro, dirigindo-se imediatamente para o alto de Santana. José Bonifácio era, na ocasião, vice-presidente da província e se encontrava doente. Seu irmão Martim Francisco era secretário. As condições do tempo, com chuva torrencial e a hora adiantada impediram que os demais membros da administração provincial fossem ouvidos. Os três passaram, então, a madrugada toda redigindo um documento exigindo a permanência de D. Pedro no Brasil. Ao amanhecer de 24 de dezembro de 1823, os três saíram do Solar em Santana com destino ao centro da cidade, para providenciar a reunião dos membros do Governo, colher as assinaturas e mandar a delegação ao Rio de Janeiro. A Representação dos Paulistas foi fator preponderante para a decisão de D. Pedro de permanecer no país e foi efetivada em 9 de janeiro de 1822 conhecida, a partir de então, como o Dia do Fico. Em 1850 o solar passou a ser sede do Seminário dos Educandos de Santana, uma escola pública. Mais tarde, em 1875, o governo da província aproveitou para instalar ali um hospital para doentes de varíola. Com a mudança do hospital o local foi ocupado pela "Tramway da Cantareira", onde instalou suas oficinas em 1892. O imóvel foi desocupado em 1894, sendo transformado em quartel das tropas federais de São Paulo. A primeira Unidade ali aquartelada foi o 3º Regimento de Artilharia de Campanha, e a seguir todas as forças do Exército estacionadas em São Paulo.

A deterioração do edifício se tornou cada vez mais acentuada e, em 1915, foi demolido. Neste mesmo ano iniciou-se a construção de um novo prédio, concluído em 1917 e inaugurado em 15 de novembro, com a instalação da 1ª Companhia do 43º Batalhão de Caçadores. A seguir foram construídos dois pavilhões laterais que abrigaram as 2ª e 3ª Companhias. Em 1919 a 6ª RM passou a ser denominada 2ª RM e o 43 BC transformou-se em 4º Batalhão de Caçadores. Foram construídas as garagens em 1941, e em 1946 demoliu-se um pavilhão para o erguimento da Companhia de Metralhadoras, atual Companhia de Comando e Serviços. De 3 a 10 de março de 1948 transfere-se para o prédio o Centro de Preparação de Oficiais da Reserva de São Paulo onde permanece até hoje.

Láureas militares[editar | editar código-fonte]

Como reconhecimento da atuação em favor do Movimento Constitucionalista, a Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, outorgou a Medalha da Constituição ao CPOR/SP, homenageando sua bandeira com a láurea em 1962. Quatro anos mais tarde a Sociedade de Veteranos de 1932 condecora o estandarte do Centro com o Florão e a Medalha MMDC A 4 de agosto de 1962, o Exmo Sr. Presidente da República, na qualidade de Grão Mestre da Ordem do Mérito Militar, agracia o Pavilhão Nacional do CPOR/SP com as insígnias dessa ordem.

Em 15 de Abril de 1980, o Estandarte do CPOR/SP é condecorado com a Medalha Governador Pedro de Toledo e com a Medalha MMDC, pela Associação dos Veteranos.

Em 28 de junho de 1994, o Centro de Preparação de Oficiais da Reserva de São Paulo, através de seu pavilhão, foi homenageado pelo Tribunal Superior do Trabalho com a Ordem do Mérito Judiciário do Trabalho, em retribuição aos serviços prestados pelo Centro

Em 30 de outubro de 2003, o Centro de Preparação de Oficiais da Reserva de São Paulo, através de seu estandarte, foi homenageado pelo Conselho da Ordem do Ministério Público Militar, que concedeu a Ordem do Mérito Público Militar.

Cursos e ingresso[editar | editar código-fonte]

A formação básica inicia-se em meados de janeiro, após uma criteriosa seleção, onde os conscritos se tornam ALUNOS.

Até metade do ano, os alunos são ambientados na vida militar e concluem um curso básico de formação combatente. Após esta fase, ocorre a ESCOLHA DA ARMA, ou seja, o aluno que até então não tinha uma QM (Qualificação Militar) especifica, vai escolher em qual arma (ou curso) deseja se especializar: Infantaria, Cavalaria, Artilharia, Engenharia, Intendencia, Comunicações ou Material Bélico.

Após aproximadamente 6 meses, em dezembro, são declarados ASPIRANTE-A-OFICIAL e estão aptos a servir em uma unidade do Exército Brasileiro, até o posto de 1º TENENTE e/ou pelo período máximo de 8 anos.

Para saber mais sobre cada uma das armas, quadro e serviço, clique abaixo:

O ingresso se dá com os mesmos critérios e métodos dos demais CPOR e NPOR (ver www.cporsp.ensino.eb.br).

Uma curiosidade: O acampamento mais frio registrado teve a temperatura de -5º, na fazenda Itahiê, em São Paulo, em junho de 2000, com a Turma Brasil 500 anos. Ainda assim, nenhuma baixa foi registrada.

Ver também[editar | editar código-fonte]

  • Departamento de Educação e Cultura do Exército
  • Diretoria de Educação Superior Militar

Ligações externas[editar | editar código-fonte]