Cerqueira César (bairro de São Paulo)

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Cerqueira César
Instituto do Câncer de São Paulo Octavio Frias de Oliveira
Bairro de São Paulo Bandeira da cidade de São Paulo.svg
Fundação: 1890
Distrito: Consolação, Bela Vista
e Jardim Paulista
Subprefeitura: e Pinheiros
Região Administrativa: Centro e Oeste

Cerqueira César é um bairro do município de São Paulo, capital do estado de São Paulo. Tem como limites ao noroeste Avenida Rebouças e Rua da Consolação; ao nordeste: Rua Caio Prado, Rua Frei Caneca, Rua Dr. Penaforte Mendes e Rua Herculano de Freitas; ao sudeste a Rua Plínio Figueiredo, a Avenida Nove de Julho e a Alameda Casa Branca; e ao sudoeste a Rua Estados Unidos.[1]

Sua área localizada ao sul da Avenida Paulista costuma frequentemente ser classificada como parte da região dos Jardins. Já a região localizada ao norte da mesma avenida recebe o nome de Baixo Augusta.[2] Está situado em uma das regiões mais altas da cidade, chamada de Espigão da Paulista.

Limita-se com os bairros: Higienópolis, Jardim Paulista, Vila Buarque, República, Jardim América, Bela Vista e Pacaembu.

História[editar | editar código-fonte]

O bairro surgiu com o nome de Villa América em 1890, do loteamento de propriedades rurais, como: a chácara Água Branca, chácara dos Pinheiros e sítio Rio Verde. Todas pertenciam ao Dr. José Oswald Andrade, pai do escritor paulista Oswald de Andrade.[3].

Horácio Belfort Sabino, também, possuía uma extensa gleba de terra nas extensões do atual bairro de Cerqueira César. Era casado com América Milliet - filha de Afonso Augusto Milliet - razão do nome do bairro vizinho ser Jardim América. Ele construiu, em 1902, sua residência projetada pelo arquiteto Victor Dubugras [4], onde encontra-se, atualmente, o Conjunto Nacional. Coincidentemente seu neto e bisneto de Cesário Cecílio de Assis Coimbra, Horácio Sabino Coimbra - descendente, por seu pai Cesário de Lacerda Coimbra, do Barão de Arary e do Barão de Araras - foi casado na família Cerqueira César, com Maria Yolanda Cerqueira Cesar.

Vista do bairro em 1936, ao fundo, os futuros bairros de Perdizes e Pacaembu.
Residência Joaquim Franco de Melo na Avenida Paulista, resquício da ocupação inicial do bairro.

Anos antes houve a inauguração do Parque Trianon e da Avenida Paulista, via destinada a construção de imóveis horizontais de alto-padrão, tendo seu crescimento ligado à evolução da mesma.[3] Assim como Pinheiros e Consolação, bairros vizinhos, tornou-se um tradicional bairro da classe média alta paulistana. Em 1938 tornou-se subdistrito da capital. Seu nome é uma homenagem ao ex-vice-presidente do Estado de São Paulo Dr. José Alves de Cerqueira César.[3]

Após a segunda metade do século XX a região onde se encontra adquire características comerciais, tornando-se o principal centro financeiro da cidade. Esse desenvolvimento levou à verticalização do bairro com a perda de suas características essenciais. Prova dessa mudança foi a construção do Conjunto Nacional e do Museu de Arte de São Paulo, símbolos da nova economia. Com o passar dos anos antigas residências tornavam-se pequenos prédios de escritórios e comércio.

Na reforma de distritos ocorrida em 1991 o bairro fora fragmentado entre os distritos de Consolação, Bela Vista e Jardim Paulista. Seu cartório de registro civil, porém, continua em operação com os limites da divisão anterior.[1]

Em 2008 foi inaugurado em sua extensão o Instituto do Câncer de São Paulo Octavio Frias de Oliveira, administrado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, sendo o maior centro de oncologia da América Latina.[5]

Moradores e ex-moradores[editar | editar código-fonte]

Atualidade[editar | editar código-fonte]

Cerqueira César é um dos bairros mais dinâmicos e valorizados da cidade, situado numa região nobre apresenta uma vida noturna agitada, teatros, cinemas e grande oferta de comércio e serviços. Reúne diversos flats e hotéis de luxo, a maior concentração da cidade. Exemplos deles são: Renaissance, Emiliano e Fasano. Além do mais, conta com diversos heliportos espalhados, principalmente ao longo da Avenida Paulista.[9]

Em seu território encontram-se os consulados: argentino, australiano, belga, boliviano, colombiano, dinamarquês, dominicano, francês, grego, hondurenho, indiano, italiano, jamaicano, japonês, sueco e sul-coreano.[10][11]

O bairro é classificado pelo CRECI como "Zona de Valor B", assim como outras áreas nobres da capital como: Brooklin, Alto de Santana e Jardim Paulistano.[12] Atualmente é protegido pela ONGs: Sociedade dos Amigos e Moradores do Bairro Cerqueira César[13] e Associação Paulista Viva.[14]

O Baixo Augusta ou Baixo Paulista, localizado na região norte do bairro, é um reduto da comunidade GLBT, concentrada principalmente nas ruas Augusta e Frei Caneca, onde existem diversos estabelecimentos do gênero.[15] Possui movimentada vida noturna[16], responsável por grande parte da vida cultural da cidade [2], é conhecida por ser um lugar de prostituição, com grande concentração de boates principalmente na sua principal via, a Augusta. Em virtude da gentrificação e expansão imobiliária, a região ganha cada vez mais bares, boates e clubes noturnos, sendo até destaque no The New York Times.[17]

Associação de Moradores: SAMORCC - Sociedade dos Amigos Moradores e Empreendedores do Bairro Cerqueira César (Jardins e Consolação) www.samorcc.org.br

Cultura e educação[editar | editar código-fonte]

Abriga instituições culturais e educacionais diversas, tais como: o Colégio Dante Alighieri e Colégio São Luís, tradicionais escolas da elite paulistana; o Museu de Arte de São Paulo, um dos mais importantes do país[18]; o Teatro Procópio Ferreira, que data de 1948, palco das gravações do humorístico Sai de Baixo na década de 1990;[19] o Ballet Stagium, o Teatro Renaissance, além de inúmeras galerias de arte como a Galeria Luisa Strina, Monica Filgueiras Galeria de Arte e Galeria Berenice Arvani. Também é lugar onde localiza-se a SVOC (Serviço de Verificações de Obitos da Capital), onde atualmente abriga o Serviço Funerário Móvel de São Paulo, uma iniciativa e novidade do Serviço Funerário do Município de São Paulo.

Compras[editar | editar código-fonte]

Um dos ícones do bairro é a Rua Augusta, que marcou época ao ditar a moda dos anos 1960 e que atualmente reúne um comércio variado, bares e lanchonetes. Ali funciona a Galeria Ouro Fino, com lojas alternativas frequentadas por DJs, modelos, músicos, fashionistas e modernos em geral.[20] Outras referências do bairro são o Conjunto Nacional[21], o Shopping Center 3 e o Shopping Frei Caneca, importantes centros comerciais.

Outro ícone é a Rua Oscar Freire, onde é possível encontrar ícones da joalheria como Tiffany & Co., Cartier e Bvlgari, luxuosas grifes como Dior, Versace e Giorgio Armani como também produtos das marcas Louis Vuitton, Montblanc e Bang & Olufsen. A lista de marcas caras e famosas é tão extensa que fez a Mystery Shopping International eleger a Oscar Freire como a oitava melhor rua de comércio de luxo do mundo.[22]

Gastronomia[editar | editar código-fonte]

Alguns dos melhores restaurantes do Brasil, de acordo com o conceituado Guia Quatro Rodas, estão localizados no bairro. Entre eles está o restaurante D.O.M., do chef Alex Atala, premiado pela revista inglesa Restaurant Magazine como um dos melhores do mundo em 2006 e 2007. Destaca-se ainda a alta gastronomia italiana do Fasano e cuja propriedade pertence ao restauranteur Rogério Fasano, proprietário dos restaurantes Gero e Nonno Rugero também localizados no bairro.[23] Outra instituição paulistana é o Massimo, dos irmãos Massimo e Venanzio Ferrari, cotado pelo crítico Josimar Melo, da Folha de S.Paulo, como um dos melhores da cidade.

Destacam-se também, as cozinhas dos restaurantes Antiquarius (chef Antônio Alves), A Figueira Rubaiyat (chef Luciano Nardeli e Francisco Gameleira), La Pasta Gialla (chef Sergio Arno, um dos cinco melhores chefs em culinária italiana do mundo e o melhor chef de cozinha italiana da América Latina pela Costigliole d'Asti na Itália) e Bistrô Charlô (chef Charlô). As opções, ainda que predominantemente italianas como em toda a cidade, vão da cozinha judaica à asiática, passando pelas culinárias orgânica, mediterrânea, contemporânea e internacional.[24]

Referências

  1. a b «Abrangência geográfica do Cartório Cerqueira César». cartoriocerqueiracesar.com.br 
  2. a b «Baixo-Augusta, onde convivem elite e prostituição». repique.blog.terra.com.br 
  3. a b c «História do Bairro». www.arpensp.org.br 
  4. «clique aqui para ver a casa». www.estadao.com.br 
  5. «SP ganha hoje o maior centro de câncer da América Latina». www1.folha.uol.com.br 
  6. «Desaparecimento de Belchior leva a polícia de São Paulo a suspeitar de assassinato.». www.vooz.com.br 
  7. «Um exemplo a ser seguido». www.samorcc.org.br 
  8. «Morte de Raul Seixas completa vinte anos.». musica.ig.com.br 
  9. «Hotéis do bairro». www.turisbarra.com 
  10. «Consulados». www.saopaulotour.com.br 
  11. «Consulados Internacionais». www.fmo.org.br 
  12. «Pesquisa CRECI» (PDF). 11 de julho de 2009. Consultado em 13 de julho de 2009 
  13. «SAMORCC - Sociedade dos Amigos e Moradores do Bairro Cerqueira César». www.samorcc.org.br 
  14. «Associação Paulista Viva». www.paulistaviva.com.br 
  15. «Novos bares movimentam o Baixo Augusta». rraurl.com 
  16. «Baixo Augusta Dos travecos aos descolados, a melhor noite do Brasil». viajeaqui.abril.com.br 
  17. «Crazy Nights in São Paulo». travel.nytimes.com 
  18. «Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand - MASP». www.masp.art.br 
  19. «Teatro Procópio Ferreira». www.vcvai.com 
  20. «Rua Augusta tem cultura, balada e consumo!». www.obaoba.com.br 
  21. «Condomínio Conjunto Nacional». www.ccn.com.br 
  22. «História da Oscar Freire». elle.abril.com.br 
  23. «Restaurante Fasano». Veja São Paulo 
  24. «Jardim Paulista se torna novo polo de culinária japonesa, em SP». www1.folha.uol.com.br