Ceticismo metodológico

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Entende-se por cepticismo a dúvida radical sobre a possibilidade de existir conhecimento verdadeiro, absolutamente verdadeiro. Mas existem dois tipos de cepticismo: o universal e o metodológico.

O ceticismo metodológico foi desenvolvido por René Descartes e consiste em duvidar de todos os conhecimentos que não sejam irredutivelmente evidentes. Segundo Descartes, tudo aquilo que não for completamente evidente e tudo aquilo que já nos tenha enganado no passado não pode ser considerado conhecimento verdadeiro. Por isso, a primeira regra do seu método defendia que nunca devemos "aceitar como verdadeira alguma coisa sem a conhecer evidentemente como tal: isto é, 'evitar cuidadosamente a precipitação e o preconceito; não incluir nos nossos juízos senão o que se apresentasse tão clara e tão distintamente ao nosso espírito que não tivéssemos nenhuma ocasião para o pôr em dúvida'." (Discurso do Método, Segunda parte).

Ao contrário dos Gregos Antigos que acreditavam que as coisas existem simplesmente porque precisam existir, ou porque assim deve ser, Descartes instituiu a dúvida metódica como instrumento epistemológico e ontológico decisivo: só se pode dizer que existe com verdade aquilo que pode ser conhecido com evidência. Descartes consegue, assim, provar a existência do eu pensante (que na tarefa de duvidar não pode deixar de ter a certeza que existe pois essa mesma dúvida obriga-o a existir para pensar/duvidar: o célebre cogito ergo sum, "penso, logo existo" ). Prova também que, se Deus existe, a dúvida que sustenta sobre a possibilidade de ele ser um ente maligno é inconsequente porque Deus, para o ser, é algo de sumamente bom, e a bondade não pode conter o erro e o engano.

Desta forma, o ceticismo cartesiano tem como objetivo obter certezas seguras, isto é, formar uma certa dogmática que assegure a possibilidade de um conhecimento universal.

No Discurso do Método expõe as regras para um conhecimento verdadeiro: I- (expressa acima neste artigo); II- "dividir cada uma das dificuldades que eu havia de examinar em tantas parcelas quantas fosse possível e necessário para melhor as resolver."; III- "conduzir por ordem os meus pensamentos, começando pelos objectos mais simples e mais fáceis de conhecer, para subir pouco a pouco, gradualmente, até ao conhecimento dos mais compostos; e supondo mesmo certa ordem entre os que não se precedem naturalmente uns aos outros"; IV- "fazer sempre enumerações tão íntegras, e revisões tão gerais que tivesse a certeza de nada omitir."