Charles-Ferdinand Walsin Esterhazy
| Charles-Ferdinand Walsin Esterhazy | |
|---|---|
Comandante Esterházy (1898). | |
| Nascimento | 16 de dezembro de 1847 Paris |
| Morte | 21 de maio de 1923 (75 anos) Harpenden |
| Sepultamento | Hertfordshire |
| Cidadania | França |
| Progenitores |
|
| Alma mater | |
| Ocupação | militar, espião |
| Empregador(a) | La Libre Parole, L'Éclair |
Marie Charles Ferdinand Walsin Esterházy (Paris, 16 de dezembro de 1847 – Harpenden, 21 de maio de 1923) foi um oficial do exército francês envolvido no caso Dreyfus. Ficou conhecido por ser o verdadeiro autor do le bordereau, documento usado para acusar falsamente o capitão Alfred Dreyfus de traição, em um dos mais célebres escândalos políticos e judiciais da Terceira República Francesa.[1][2]
Origem e formação
[editar | editar código]Esterházy descendia de uma família nobre húngara, os Esterházy de Galántha, da qual um ramo se estabeleceu em França no final do século XVII. Seu avô teria servido na criação de um regimento de cavalaria húngara (os hussardos), o que reforçou o prestígio militar do nome. Apesar da origem aristocrática, a família de Ferdinand enfrentava dificuldades financeiras no século XIX, e o jovem ingressou no exército buscando recuperar o status social de seus antepassados.[3][4]
Carreira militar
[editar | editar código]Esterházy ingressou no Exército Francês em 1869, servindo durante a Guerra Franco-Prussiana (1870–1871). Após o conflito, continuou sua carreira no corpo de infantaria, mas acumulou dívidas e má reputação entre colegas, sendo conhecido por comportamento arrogante e por especulações financeiras.[5][6]
Em 1894, um documento secreto — o bordereau — foi encontrado no lixo da embaixada alemã em Paris, contendo informações militares confidenciais. A investigação concluiu, de forma apressada, que o autor era o capitão Alfred Dreyfus, o único oficial judeu do Estado-Maior. Mais tarde, demonstrou-se que a caligrafia pertencia, na verdade, a Esterházy, que havia vendido segredos à Alemanha.[7][8]
Envolvimento no caso Dreyfus
[editar | editar código]Apesar das evidências, a hierarquia militar protegeu Esterházy, temendo o escândalo que sua condenação provocaria. Em janeiro de 1898, foi submetido a um conselho de guerra secreto e absolvido em apenas dois dias — decisão que provocou comoção pública e levou Émile Zola a publicar o célebre artigo J'accuse no jornal L'Aurore. A partir desse momento, o caso Dreyfus transformou-se em uma crise política nacional, dividindo a França entre dreyfusards e antidreyfusards.[9][10]
Exílio e últimos anos
[editar | editar código]Após a absolvição, Esterházy foi amplamente repudiado pela opinião pública. Temendo represálias, fugiu para a Inglaterra no final de 1898, estabelecendo-se em Harpenden, no condado de Hertfordshire, sob o nome falso de “Conde Jean de Voilemont”.[11][12] Tornou-se colaborador do jornal anti-dreyfusista La Libre Parole e, entre 1911 e 1917, escreveu artigos para L'Éclair.
Manteve-se afastado da vida pública e nunca foi formalmente condenado pela justiça francesa. Faleceu em Harpenden em 21 de maio de 1923, em relativo anonimato.[13]
Legado
[editar | editar código]O nome de Esterházy permanece associado à injustiça do caso Dreyfus e ao antissemitismo que marcou a França da virada do século XIX para o XX. Sua figura é frequentemente lembrada como símbolo da manipulação institucional e da fragilidade do Estado de direito diante da pressão política e ideológica.[14]
Ver também
[editar | editar código]- Antissemitismo sob a Terceira República Francesa
- Caso Dreyfus
- Cronologia do caso Dreyfus
- Hipóteses relacionadas ao caso Dreyfus
- J'accuse
Referências
- ↑ «Charles-Ferdinand Walsin Esterhazy». Biblioteca Nacional da Alemanha (em alemão). Consultado em 16 de maio de 2020
- ↑ Bredin, Jean-Denis (1983). L’Affaire: L’Affaire Dreyfus. Paris: Gallimard
- ↑ Winock, Michel (2010). La Belle Époque: La France de 1900 à 1914. Paris: Seuil
- ↑ Burns, Michael (1991). Dreyfus: A Family Affair, 1789–1945. Nova Iorque: HarperCollins
- ↑ Begley, Louis (2009). Why the Dreyfus Affair Matters. New Haven: Yale University Press
- ↑ Bredin, Jean-Denis (1983). L’Affaire: L’Affaire Dreyfus. Paris: Gallimard
- ↑ Birnbaum, Pierre (1994). L’affaire Dreyfus: la République en péril. Paris: Gallimard
- ↑ Harris, Ruth (2010). Dreyfus: Politics, Emotion, and the Scandal of the Century. Nova Iorque: Metropolitan Books
- ↑ Birnbaum, Pierre (1994). L’affaire Dreyfus: la République en péril. Paris: Gallimard
- ↑ Harris, Ruth (2010). Dreyfus: Politics, Emotion, and the Scandal of the Century. Nova Iorque: Metropolitan Books
- ↑ Begley, Louis (2009). Why the Dreyfus Affair Matters. New Haven: Yale University Press
- ↑ Harris, Ruth (2010). Dreyfus: Politics, Emotion, and the Scandal of the Century. Nova Iorque: Metropolitan Books
- ↑ Burns, Michael (1991). Dreyfus: A Family Affair, 1789–1945. Nova Iorque: HarperCollins
- ↑ Winock, Michel (2003). La France politique (XIXe–XXe siècle). Paris: Seuil
