Chico Buarque de Hollanda (álbum)
| Chico Buarque de Hollanda | ||||
|---|---|---|---|---|
| Álbum de estúdio de | ||||
| Lançamento | 1966 | |||
| Gêneros | MPB samba Samba-canção Bossa nova Marcha-rancho (Marchinha)[1][2][3] | |||
| Duração | 27:08 | |||
| Idioma | português | |||
| Gravadora | RGE | |||
| Produção | Manuel Barenbeim | |||
| Cronologia de Chico Buarque | ||||
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Chico Buarque de Hollanda é o álbum de estreia do cantor e compositor brasileiro Chico Buarque, lançado em 1966 pela gravadora Philips.[4] Marcando o início da carreira solo de um dos maiores nomes da música popular brasileira, o disco é considerado um marco na música brasileira, especialmente no gênero MPB (Música Popular Brasileira), por sua poesia refinada e crítica social sutil.[5]
Antecedentes
[editar | editar código]Antes do lançamento de seu álbum de estreia em 1966, Chico Buarque já era reconhecido no cenário musical brasileiro como um talentoso compositor e letrista. Nascido em 1944, no Rio de Janeiro, filho do renomado historiador Sérgio Buarque de Holanda, Chico teve contato com a cultura e a literatura desde cedo, o que influenciou profundamente sua produção artística.[6]
Nos anos 1960, o Brasil vivia uma efervescência cultural marcada pelo surgimento da bossa nova, que renovava a música popular brasileira com arranjos sofisticados e um novo estilo de interpretação.[7] Chico Buarque, influenciado por artistas como João Gilberto, Tom Jobim e Vinicius de Moraes, começava a compor músicas que logo chamariam a atenção por sua poesia e crítica social.
Antes de lançar o disco, Chico já havia conquistado notoriedade ao compor letras para grandes nomes da música brasileira, como Nara Leão e Nélson Gonçalves.[8] Seu estilo único, que combinava a simplicidade da melodia com letras profundas e muitas vezes irônicas, preparava o terreno para seu trabalho como intérprete.
A transição para o papel de cantor solista veio acompanhada do desejo de expressar pessoalmente suas composições e mensagens. Assim, o lançamento do álbum "Chico Buarque de Hollanda" representou não apenas o início da sua carreira como intérprete, mas também a materialização de uma nova fase na MPB, que unia a poesia literária com a música popular.[9]
Contexto e produção
[editar | editar código]O álbum foi gravado em um momento em que a bossa nova e a música popular brasileira estavam em grande efervescência.[10] Chico Buarque, que até então era mais conhecido como letrista e compositor, inicia aqui sua trajetória como intérprete. A produção do disco ficou a cargo do maestro Sérgio Ricardo, que também regeu os arranjos.
A obra tem influência da bossa nova, samba e elementos da música erudita, com arranjos sofisticados que destacam a voz e a violão de Chico, além de corais e orquestrações discretas.[11] O disco traz letras carregadas de poesia, temas sociais e existenciais que marcaram o início da carreira do artista.
Lançamento
[editar | editar código]O álbum Chico Buarque de Hollanda foi lançado em 1966 pela gravadora Philips, em um momento decisivo para a música popular brasileira. O lançamento aconteceu em meio à ascensão da bossa nova e da MPB, gêneros que estavam conquistando o público nacional e internacional.[12]
O disco foi produzido por Sérgio Ricardo, maestro e arranjador renomado, que deu ao álbum uma sonoridade que combinava simplicidade e sofisticação, destacando a voz suave e a interpretação singular de Chico.[13]
A faixa "A Banda" foi lançada como single e rapidamente ganhou popularidade, chegando a vencer o Festival de Música Popular Brasileira da TV Record em 1966, o que alavancou a carreira do jovem artista e contribuiu para o sucesso do álbum.[14]
O lançamento do disco foi acompanhado por apresentações em programas de TV e rádios, fortalecendo a imagem de Chico Buarque como um novo talento da MPB.[15]
Recepção
[editar | editar código]| Críticas profissionais | |
|---|---|
| Pontuações agregadas | |
| Fonte | Avaliação |
| Album of the Year | 90/100[16] |
| Avaliações da crítica | |
| Fonte | Avaliação |
| All Music Guide | |
| Movimento | |
O álbum Chico Buarque de Hollanda foi muito bem recebido pela crítica especializada e pelo público desde seu lançamento em 1966. A combinação de letras poéticas, melodia sofisticada e interpretação delicada de Chico conquistou elogios, posicionando o artista como uma voz inovadora dentro da MPB.[19]
A música "A Banda" foi destaque e se tornou um grande sucesso, ganhando o Festival de Música Popular Brasileira da TV Record em 1966, o que impulsionou ainda mais a visibilidade do disco.[20] Críticos ressaltaram a habilidade de Chico em tratar temas sociais e existenciais com sutileza, utilizando uma linguagem literária e melódica que dialogava com diferentes públicos.[21]
Apesar do clima político tenso da época, com o início do regime militar no Brasil, o disco conseguiu alcançar grande popularidade sem abrir mão das mensagens sutis de crítica social que se tornariam marca registrada do artista.[22] Com o tempo, o álbum consolidou-se como um clássico da MPB, sendo estudado e celebrado como um importante marco na música brasileira.[23]
Prêmio
[editar | editar código]| Ano | Premiação | Categoria | Resultado | Ref. |
|---|---|---|---|---|
| 1966 | Festival de Música Popular Brasileira | Música Popular Brasileira | Venceu | [24] |
Faixas
[editar | editar código]| N.º | Título | Compositor(es) | Duração |
|---|---|---|---|
| 1. | "A Banda" | Chico Buarque | 2:11 |
| 2. | "Tem Mais Samba" | Chico Buarque | 1:45 |
| 3. | "A Rita" | Chico Buarque | 2:01 |
| 4. | "Ela e Sua Janela" | Chico Buarque | 2:10 |
| 5. | "Madalena Foi pro Mar" | Chico Buarque | 1:41 |
| 6. | "Pedro Pedreiro" | Chico Buarque | 2:36 |
| N.º | Título | Compositor(es) | Duração |
|---|---|---|---|
| 1. | "Amanhã, Ninguém Sabe" | Chico Buarque | 2:08 |
| 2. | "Você Não Ouviu" | Chico Buarque | 2:43 |
| 3. | "Juca" | Chico Buarque | 1:50 |
| 4. | "Olê, Olá" | Chico Buarque | 3:06 |
| 5. | "Meu Refrão" | Chico Buarque | 2:43 |
| 6. | "Sonho de um Carnaval" | Chico Buarque | 2:14 |
Legado
[editar | editar código]O álbum Chico Buarque de Hollanda é considerado um marco na música popular brasileira. Lançado quando o cantor tinha apenas 22 anos, o disco revelou Chico Buarque como um dos mais promissores compositores e letristas da nova geração da MPB.[25]
A obra é frequentemente lembrada por inaugurar o estilo lírico, socialmente engajado e esteticamente sofisticado que caracterizaria a carreira do artista. Canções como "Pedro Pedreiro", "A Banda" e "Tem Mais Samba" tornaram-se clássicos e continuam sendo regravadas por diversos intérpretes ao longo das décadas.[26]
Além disso, o disco foi responsável por abrir as portas para uma nova fase da MPB, marcada pela combinação de música popular com poesia refinada e crítica social, ajudando a estabelecer uma ponte entre a tradição sambista e a linguagem moderna da bossa nova e do teatro de revista.[27]
Em retrospectiva, críticos e pesquisadores o consideram um dos álbuns de estreia mais impactantes da música brasileira, por apresentar um artista com linguagem própria, já plenamente desenvolvido em termos de estilo e conteúdo.[28]
Meme de internet
[editar | editar código]A partir de aproximadamente 2013, a capa do álbum, que apresenta Chico Buarque com expressões contrastantes — sorridente à esquerda e sério ou melancólico à direita — passou a ser amplamente utilizada como meme na internet. A imagem ganhou popularidade tanto no Brasil quanto no exterior, sendo empregada de forma humorística em redes sociais e publicações digitais, inclusive por artistas internacionais como a dupla Cheech & Chong.[29]
O próprio Chico Buarque demonstrou bom humor com a viralização da imagem, utilizando a estética do meme ao criar seu perfil oficial no Instagram em julho de 2017.[30]
Apesar da popularização espontânea, o artista não autoriza o uso comercial da imagem. Em 2015, chegou a mover uma ação judicial contra um shopping center em Teresina, que utilizou a foto de forma promocional em sua página oficial, sem autorização.[31]
Ver também
[editar | editar código]Referências
- ↑ Ricardo Romano (15 de novembro de 2021). «Chico Buarque – Chico Buarque de Hollanda (1966)». Altamont. Consultado em 25 de maio de 2025
- ↑ Sylvio Túlio Cardoso (10 de maio de 2019). «Crítica do primeiro álbum de Chico Buarque». Movimento Revista. Consultado em 25 de maio de 2025. Cópia arquivada em 23 de maio de 2022
- ↑ Juarez Fonseca (10 de junho de 2024). «Vale a pena ouvir ou reouvir os três primeiros discos de Chico Buarque». GaúchaZH. Consultado em 25 de maio de 2025. Cópia arquivada em 6 de dezembro de 2025
- ↑ Discogs. «Chico Buarque de Hollanda - Chico Buarque (1966)». Discogs
- ↑ Letra Mús. «Perfil de Chico Buarque». Letra Mús. Consultado em 25 de maio de 2025. Cópia arquivada em 28 de julho de 2026
- ↑ Encyclopaedia Britannica. «Chico Buarque - Biography». Britannica. Consultado em 25 de maio de 2025. Cópia arquivada em 22 de junho de 2025
- ↑ MPB.com.br. «História da Bossa Nova». MPB.com.br. Consultado em 25 de maio de 2025
- ↑ Fernanda Caldas. «Biografia de Chico Buarque». Fernanda Caldas. Consultado em 25 de maio de 2025
- ↑ Revista Música (20 de julho de 2018). «Chico Buarque e a revolução na MPB». Revista Música. Consultado em 25 de maio de 2025
- ↑ Rolling Stone Brasil (10 de março de 2020). «Entrevista: Chico Buarque fala sobre seu álbum de estreia». Rolling Stone Brasil. Consultado em 25 de maio de 2025
- ↑ MPBNet. «Biografia de Chico Buarque». MPBNet. Consultado em 25 de maio de 2025
- ↑ Discogs. «Chico Buarque de HollandaTexto em itálico - Chico Buarque (1966)». Discogs
- ↑ MPBNet. «Biografia de Chico Buarque». MPBNet. Consultado em 25 de maio de 2025
- ↑ Folha de S.Paulo (15 de junho de 1966). «Crítica do álbum Chico Buarque de Hollanda». Folha de S.Paulo. Consultado em 25 de maio de 2025
- ↑ TV Cultura (1966). «Apresentação de Chico Buarque na TV em 1966». YouTube. Consultado em 25 de maio de 2025
- ↑ «Chico Buarque de Hollanda - Chico Buarque de Hollanda». albumoftheyear. Consultado em 23 de maio de 2025. Cópia arquivada em 1 de agosto de 2026
- ↑ «Chico Buarque de Hollanda, Vol. 1 - Chico Buarque». AllMusic. Consultado em 23 de maio de 2025. Cópia arquivada em 14 de janeiro de 2025
- ↑ Sylvio Túlio Cardoso (10 de maio de 2019). «Crítica do primeiro álbum de Chico Buarque». Movimento Revista. Consultado em 25 de maio de 2025. Cópia arquivada em 23 de maio de 2022
- ↑ Folha de S.Paulo (15 de junho de 1966). «Crítica do álbum Chico Buarque de Hollanda». Folha de S.Paulo. Consultado em 25 de maio de 2025
- ↑ TV Record (1966). «A Banda - Festival de Música Popular Brasileira 1966». YouTube. Consultado em 25 de maio de 2025
- ↑ Rolling Stone Brasil (10 de março de 2020). «Análise crítica do álbum de estreia de Chico Buarque». Rolling Stone Brasil. Consultado em 25 de maio de 2025
- ↑ Memorial da Democracia. «Chico Buarque e a resistência cultural na ditadura». Memorial da Democracia. Consultado em 25 de maio de 2025
- ↑ Letra Mús. «Perfil e legado de Chico Buarque». Letra Mús. Consultado em 25 de maio de 2025. Cópia arquivada em 28 de julho de 2026
- ↑ Folha de S.Paulo (15 de junho de 1966). «Chico Buarque vence o Festival de Música Popular Brasileira com "A Banda"». Folha de S.Paulo. Consultado em 25 de maio de 2025
- ↑ Sylvio Túlio Cardoso (10 de maio de 2019). «Crítica do primeiro álbum de Chico Buarque». Movimento Revista. Consultado em 25 de maio de 2025. Cópia arquivada em 23 de maio de 2022
- ↑ Ricardo Romano (15 de novembro de 2021). «Chico Buarque – Chico Buarque de Hollanda (1966)». Altamont. Consultado em 25 de maio de 2025
- ↑ Juarez Fonseca (10 de junho de 2024). «Vale a pena ouvir ou reouvir os três primeiros discos de Chico Buarque». GaúchaZH. Consultado em 25 de maio de 2025. Cópia arquivada em 6 de dezembro de 2025
- ↑ Usuários do site. «User Reviews: Chico Buarque de Hollanda». Album of The Year. Consultado em 25 de maio de 2025
- ↑ Redação (16 de abril de 2015). «Capa do disco de Chico Buarque vira meme até com Cheech & Chong». Rolling Stone Brasil. Consultado em 25 de maio de 2025
- ↑ Redação (31 de julho de 2017). «Chico Buarque faz estreia no Instagram com meme da capa de disco». O Globo. Consultado em 25 de maio de 2025
- ↑ G1 Piauí (18 de maio de 2015). «Chico Buarque processa shopping por uso de imagem em publicidade». G1. Consultado em 25 de maio de 2025