Ciclo de vida

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

Ciclo de vida é o conjunto de transformações porque podem passar os indivíduos de uma espécie para assegurar a sua continuidade.

Algumas definições se referem especificamente ao ciclo de vida do indivíduo, inclusivamente considerando o seu final com a morte do organismo;[1] outras se centram no processo de reprodução sexuada, apesar de referirem os ciclos de vida assexuados.[2] [3]

Na realidade, conhecem-se variados tipos de ciclos de vida e, em muitos casos, existe alternância, ou mesmo coexistência no mesmo indivíduo, de gerações sexuadas e assexuadas. No caso das angiospermas, por exemplo, é frequente que a mesma planta que produz sementes, produza também estolhos outra forma de reprodução assexuada. Mas é através da reprodução sexuada que as espécies conseguem manter a variabilidade genética necessária à sua sobrevivência, não só através da troca de genes entre diferentes indivíduos, pela cariogamia, mas também pela recombinação que é possível durante a meiose.[4]

Ciclos de vida dos organismos eucariontes[editar | editar código-fonte]

De acordo com a nomenclatura proposta por Nils Svedelius[5] [6] , do ponto de vista da ploidia, ou seja, do número de complementos cromossómicos nas células, podem considerar-se três tipos de ciclos de vida nos organismos que se reproduzem sexuadamente:[7]

  • ciclo de vida haplobionte, em que há apenas um tipo de organismo adulto
  • ciclo de vida haplobionte haplonte, se a forma adulta é haplóide.
  • ciclo de vida haplobionte diplonte, se a forma adulta é diplóide.
  • ciclo de vida diplobionte, em que há dois tipos de forma adulta, uma haplóide e outra diplóide.

Existe alguma confusão na literatura entre as palavras "haplobionte" e "diplobionte", que são muitas vezes associadas respetivamente a indivíduos haploides e diploides. No entanto, a palavra haplobionte tem origem na língua grega e significa "seres simples", ou seja, que apresentam apenas um tipo de indivíduos, sejam haploides (ou haplontes) ou diploides (diplontes). A palavra "diplobionte" indica seres vivos com um ciclo duplo, ou seja, em que aparecem alternadamente indivíduos haploides e diploides. As palavras "haplodiplonte" e "haplodiplobionte" são ambíguas e devem, portanto, ser evitadas.[6]

Nos diversos ciclos de vida, a meiose ocorre num determinado momento. Por esse motivo a meiose tem diferentes denominações, dependendo dos ciclos de vida. Assim sendo, no ciclo de vida haplobionte-haplonte a meiose é pós-zigótica ou inicial, no haplobionte-diplonte é pré-gamética ou final e no diplobionte é pré-espórica ou intermediária.

Ciclo de vida haplobionte haplonte (H,h)[editar | editar código-fonte]

Muitos protistas e fungos apresentam todas as células somáticas haploides. Nestas espécies, apenas o zigoto, formado pela fusão de gametas, é diploide; e normalmente sofre imediatamente meiose para formar esporos (células haploides) que darão origem aos novos indivíduos por mitoses.[7] Este ciclo recebe denominações etmologicamente erradas como ciclo haplôntico, ciclo haplobiôntico, etc.

Ciclo de vida haplobionte diplonte (H,d)[editar | editar código-fonte]

Nos animais e alguns protistas, todas as células somáticas são diploides. Os animais e algumas algas possuem, no entanto, uma linhagem de células germinativas, que vão dar origem aos gametas por meiose. Este ciclo recebe denominações etmologicamente erradas como ciclo diplôntico, ciclo diplobiôntico, etc.

Ciclo de vida diplobionte (D,h+d)[editar | editar código-fonte]

As plantas vasculares, os briófitos e algumas algas apresentam alternância de gerações entre indivíduos diploides, que produzem esporos haploides por meiose, o esporófito, e indivíduos haploides que produzem gametas por mitose, o gametófito.[7]

Nas plantas vasculares, apenas os pteridófitos apresentam indivíduos diploides e haploides separados, respetivamente o indivíduo adulto e o protalo. Nas espermatófitas, o gametófito feminino, representado pelo tecido nutritivo haploide (gimnospermas) ou pelo saco embrionário (angiospermas) e o gametófito masculino, representado pelo tubo polínico (gimnospermas e angiospermas), são "parasitas" do esporófito, enquanto que nos briófitos, o esporófito está representado pelo indivíduo formado pelo pé, pela seta e pela cápsula, onde existem esporângios que formam esporos haploides por meiose. O esporófito se desenvolve a partir do zigoto, nos tecidos do gametófito, que é a forma adulta.[2] Este ciclo recebe denominações etmologicamente erradas como ciclo haplodiplôntico, ciclo haplodiplobiôntico, ciclo haplodiplonte, etc.

Ciclos de vida dos protozoários[editar | editar código-fonte]

Em muitos protozoários, não se conheçe a reprodução sexuada, uma dos modos já observada foi a fissão binária, em que apenas ocorre a mitose do núcleo; em muitos outros, no entanto, observam-se várias formas de reprodução sexuada, ocorrendo principalmente quando as condições ambientais são adversas..[8] Podemos assim dizer que, nestes organismos a reprodução é uma alternância de gerações assexuadas e sexuadas.

Para além da fissão binária, foram ainda observadas outras formas de reprodução assexuada, como o brotamento, em que uma célula continua as suas funções vitais, enquanto o núcleo se divide e migra para a membrana, onde se forma uma larva que posteriormente se liberta. Noutras espécies, como o Plasmodium (o organismo responsável pela malária), ocorrem múltiplas mitoses na mesma célula, dando origem a uma multidão de esquizoítos, num processo conhecido como esquizogonia.

No que respeita a reprodução sexuada, forma igualmente observadas várias modalidades, em que existe união de duas células. Em alguns casos, como na paramécia e outros ciliados, o micronúcleo sofre meiose e núcleos-filhos são trocados, para depois se juntarem dentro de cada uma das células; pode considerar-se este processo como um tipo de conjugação, em que as células parentais mantêm a sua individualidade. Noutros casos, as células sofrem uma singamia completa, dando origem a uma célula zigótica; nalgumas espécies não existe diferenciação, mas noutras observa-se anisogamia, com a formação de células (ou "sexos") diferentes.

Referências

Ícone de esboço Este artigo sobre Biologia é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.