Cidade antitouradas

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Manifestação antitouradas em Saragoça.

Cidade antitouradas[1][2] é uma declaração de uma afirmação ética e política aprovada pelos municípios na qual, os mesmos não apoiam, sob forma alguma a realização de eventos tauromáquicos no seu concelho e afirmam serem contra a prática da tourada e a favor dos principios dos direitos animais.

O conceito de cidade antitouradas, não é no entanto, proibitivo da prática das corridas de touros. Para que a mesma declaração seja adoptada pelos municípios locais, as associações e entidades de defesa dos animais exercem a sua influência e pressão junto dos respectivos autarcas, no sentido em que os mesmos declarem os seus municípios como antitouradas.

A forma de implementação das campanhas não é necessariamente igual em todos os países, sendo que cada organização local decide qual a estratégia que prefere utilizar, tendo sempre em consideração os diferentes aspectos políticos.

Uma das estratégias adoptada por algumas campanhas é também a sensibilização junto dos turistas que frequentam cidades com tradições tauromáquicas, no sentido de se exercer a pressão económica como factor dissuador e penalizadora das touradas.

História[editar | editar código-fonte]

A primeira cidade a adoptar o conceito de cidade antitouradas foi Tossa de Mar, localizada em Espanha,[3][4] na comunidade autónoma da Catalunha, em 1989, através do então alcaide, Telm Zaragoza, tornando-a assim como a primeira cidade antitouradas do mundo.[2]

O município vivia então um clima de agitação política e de contestações de várias entidades de protecção dos animais relativamente a um vereador da região, que defendia que era necessário promover a tourada, porque os turistas somente encontravam esta tradição na cultura catalã. Facto que originou que fossem criadas as condições para se dar início do movimento.

A mentora da implementação do conceito foi Pilar Taberner, na altura, membro do partido ecologista "Os Verdes" de Espanha e que nove anos antes havia iniciado uma série de contactos para a criação de um movimento internacional contra as touradas, e que propôs ao então alcaide de Tossa de Mar, Telm Zaragoza, que declarasse a mesma como cidade antitouradas.[5]

Anteriormente, em 1988, Pilar Taberner havia estado presente na realização de um congresso internacional em Gijon, no norte de Espanha, que contou com a participação de entidades de vários países para encontrar uma forma conjunta de combater a tauromaquia e onde surgiu a primeira ideia de se solicitar aos alcaides espanhóis que declarassem as suas cidades como antitouradas.

A mesma ideia acabou por servir como base da proposta para a resolução da polémica de Tossa de Mar, como recorda a responsável decorridos cerca de 19 anos após o acontecimento no site da Anubis, uma associação de defesa dos animais em Espanha, à qual pertence: "O Alcaide, Sr. Telm Zaragoza, quis parar o escândalo, e ao perguntar-me como, eu lhe propus que declarasse a cidade antitourada."

O alcaide acabou então por aceitar a sugestão da activista, facto que deu origem à declaração da primeira cidade do género a nível mundial.

Pilar Taberner lembra no site da Anubis que no entanto, a concretização da iniciativa acabou também por ser influênciada pela estratégia de divulgação levada a vários países.

Segundo a activista, o autarca "esquecer-se-ia da promessa se não lhe tivessem chegado milhares de cartas de felicitação do mundo inteiro", facto que se tornou público "e era necessário ter continuidade."

Com a acção de Tossa de Mar, foram assim lançadas as bases para o desenvolvimento do conceito de cidade antitouradas, que se espalhou por várias outras cidades.

Posteriormente, com o decorrer dos anos, várias associações de protecção dos animais de diferentes países adoptaram o conceito e lançaram iniciativas e campanhas com o objectivo que as cidades onde se verificam as corridas de touros o apliquem.

A aceitação do seu conceito nem sempre foi fácil, implicando uma grande sensibilização junto das entidades políticas, num contexto com muitos argumentos a favor e contra a actividade tauromáquica.

Cidades anti-touradas actualmente existentes[editar | editar código-fonte]

Colombia[editar | editar código-fonte]

  1. Medellín (Fevereiro 2008)
  2. Zapatoca (Fevereiro 2008)
  3. Bello (Julho 2008)

Espanha[editar | editar código-fonte]

  1. Coslada (2005 - Madrid)
  2. Basauri (Junho 2008 - País Basco)
  3. Castrillón (Julho 2008 - Astúrias)
  4. Costitx (Julho 2009 - Maiorca, Ilhas Baleares)

França[editar | editar código-fonte]

  1. Mouans-Sartoux (Dezembro 2004 )
  2. Bully les Mines (Dezembro 2006)
  3. Montignac- (Novembro 2007)

Portugal[editar | editar código-fonte]

  1. Viana do Castelo (Dezembro 2008)[1][6]
  2. Póvoa de Varzim (Julho 2018)

Venezuela[editar | editar código-fonte]

  1. Carrizal (Outubro 2008)
  2. Caracas (April 2009)

Fontes e referências[editar | editar código-fonte]

  1. a b «Iniciativa do executivo de Defensor Moura. Viana do Castelo é a primeira "cidade anti-touradas" do país Público 27/02/2009» 🔗 [ligação inativa]
  2. a b «Los alcaldes antitaurinos cierran el grifo a las corridas Público 22/03/2009 (em castelhano)» 🔗 
  3. «Antitaurines cities (em inglês)» 🔗. Arquivado do original em 26 de julho de 2011 
  4. «Bull Fighting in the Canary Islands (em inglês)» 🔗 
  5. «Cataluña antitaurina. Ciudades y pueblos antitaurinos en Cataluña Anubisgrup. Verão 2005. (em castelhano)» 🔗 
  6. «¡Victoria!: Viana do Castelo, primera ciudad antitaurina en Portugal AnimaNaturalis 01/03/2009 (em castelhano)» 🔗 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Antitouradas