Cidade dormitório

Cidade-dormitório é uma designação usada para se referir a aglomerados urbanos surgidos nos arredores de uma grande cidade tipicamente para servir de moradia a trabalhadores da cidade-núcleo da região. Geralmente, a divisão entre subúrbios e cidades-dormitórios é imprecisa, devido à conurbação das cidades. Cidades-dormitórios costumam estar ligadas por meios de transporte de massa aos locais de trabalho da maioria de seus residentes.[1][2]
Um resumo da definição "cidade-dormitório" pode ser o seguinte: cidades-dormitório são aquelas em que as atividades existentes não são suficientes para empregar e fixar a sua população ativa, o que leva a maioria dos moradores a se deslocarem diariamente para a cidade mais próxima (em geral, a capital do estado ou uma cidade populosa) para, aí, exercer a sua profissão.
Um grande exemplo de cidade-dormitório é no Paraná, em Almirante Tamandaré, onde não há empresas, universidades, indústrias, hipermercados, shoppings centeres ou comércio, assim obrigando os moradores virem a trabalhar em Curitiba, voltando apenas à noite para dormir.
Outros exemplos de cidade dormitório: Carapicuíba, Jandira, Taboão da Serra e Cotia, são cidades dormitórios para Capital Paulista, Osasco, Barueri, com indústria, polos educacionais e um setor de serviços forte na Grande São Paulo.
Assim como Limeira e toda a Grande Americana figuram como dormitório para Campinas, no interior de São Paulo.
Nos Estados Unidos e na Europa
[editar | editar código]Cidades-dormitório surgiram em vários países do primeiro mundo nos anos 1950, com a migração de pessoas do centro das cidades para os subúrbios em busca de qualidade de vida. Esse movimento está também associado com o baby boom, o crescimento da população dos Estados Unidos depois da Segunda Guerra Mundial, levando à construção de novas áreas residenciais para atender a uma crescente demanda por moradia.
Nesses países, o estabelecimento de cidades-dormitório foi acompanhado pela criação de uma vasta rede de autoestradas e trens de subúrbio para atender às necessidades de transporte do trabalho para o lar.
Nos países em desenvolvimento
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Os países em desenvolvimento sofrem, ou sofreram, com o êxodo rural, que é a migração de pessoas do campo para as cidades em busca de emprego e qualidade de vida. Na maioria destes países, a migração exagerada levou ao surgimento de cidades dormitório para abrigar os migrantes. Tais cidades, geralmente, apresentam sérios problemas de infraestrutura devido ao rápido crescimento e falta de planejamento, agravados pelo fato de essas cidades, muitas vezes, não possuirem nenhuma renda, servindo simplesmente como uso residencial.
Algumas cidades-dormitórios estão tentando contornar essa situação através da criação de empregos: por exemplo, a cidade brasileira de Duque de Caxias investe na criação de um polo industrial gás-químico, porém a maior parte dos seus funcionários graduados moram no Rio de Janeiro, que é uma cidade vizinha. Como resultado, a cidade possui o 13º maior produto interno bruto do país, mas convive com situações de abandono.
Muitas vezes, bairros ou distritos da metrópole também podem ser considerados cidades-dormitório: é o caso de Cidade Tiradentes, que, apesar do nome, é um distrito do extremo leste da cidade de São Paulo. Cidade Tiradentes conta com o maior aglomerado de conjuntos habitacionais da América Latina e com uma população de mais de 200 000 habitantes. Apesar do comércio da região, muitos vão até o centro da metrópole a trabalho, principalmente a regiões como o Centro de São Paulo, Avenida Paulista, Itaim Bibi e Santo Amaro. Cidades vizinhas de São Paulo se tornaram cidades-dormitório de São Paulo, como Ferraz de Vasconcelos, Suzano, Mogi das Cruzes (um importante polo industrial), Itaquaquecetuba, entre muitas outras.
Brasil
[editar | editar código]Principais "cidades-dormitórios"
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Alvorada
Águas Lindas de Goiás
Ananindeua
Carapicuíba
Aparecida de Goiânia
Belford Roxo
Cabedelo
Cariacica
Ferraz de Vasconcelos
Gravataí
Ibirité
Itapecerica da Serra
Itaquaquecetuba
Jandira
Japeri
Lauro de Freitas
Luziânia
Maracanaú
Maranguape
Mesquita
Nilópolis
Paracambi
Paulista
Poá
Queimados
Ribeirão das Neves
Santana
São José
Simões Filho
Várzea Grande
Viamão
Outras
[editar | editar código]Cidades que, apesar de apresentarem alto desenvolvimento econômico, e/ou uma considerável "independência" em termos de serviços, ainda possuem boa parte de sua população economicamente ativa trabalhando na cidade-núcleo, sendo seu produto econômico muito dependente da proximidade com essa cidade principal.
Araucária
Americana
Barueri
Betim
Camaçari
Caucaia
Contagem
Diadema
Duque de Caxias
Guarulhos
Hortolândia
Jaboatão dos Guararapes
Jaraguá do Sul
Mauá
Mogi das Cruzes
Niterói
Nova Iguaçu
Osasco
Santo André
São Bernardo do Campo
São Caetano do Sul
Itapevi
São José dos Pinhais
São Gonçalo
São Vicente
Serra
Sumaré
Suzano
Várzea Paulista
Vila Velha
Referências
- ↑ Rodrigues, Ricardo (30 de abril de 2015). «O Que Saber Sobre As Cidades Dormitório». engIobra. Consultado em 9 de janeiro de 2026
- ↑ SP, Do G1 (28 de agosto de 2012). «Sem emprego, metade da população de Carapicuíba trabalha fora da cidade». Eleições 2012 em São Paulo. Consultado em 9 de janeiro de 2026
