Cinco discursos de Mateus

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No cristianismo, o termo Cinco discursos de Mateus é uma referência a cinco discursos específicos proferidos por Jesus no Evangelho de Mateus[1][2]. São eles: o "Sermão da Montanha", o "Discurso Missionário" (ou "da Missão"), o "Discurso das Parábolas", o "Discurso sobre a Igreja" e o "Discurso sobre o Fim dos Tempos". Todos foram relatados, em versões mais curtas, nos evangelhos de Marcos ou Lucas[3].

Estrutura[editar | editar código-fonte]

Estudiosos geralmente concordam com a existência de cinco diferentes discursos no Evangelho de Mateus, embora existam discussões e diferentes opiniões sobre detalhes específicos[4][5]. Começando com B. W. Bacon no início do século XX, estudiosos tem argumentado que existem de fato cinco narrativas (mais um prólogo e um epílogo) em Mateus, enquanto outros (como Jack Kingsbury ou Craig Blomberg) defendem três grandes segmentos em Mateus nos quais os cinco discursos se desenrolam[1][2].

Blomberg demonstrou como esta estrutura pode ser utilizada para relacionar a estrutura de mais alto nível de Mateus com a de Marcos, Lucas e João[2]. Em seu mapeamento, Mateus 13 é o centro, como são também Marcos 8:30 e João 12. Ele depois separou o Evangelho de Lucas em três partes demarcadas pelos versículos Lucas 9:51 e Lucas 18:14[2].

Cada um dos discursos tem também paralelos, mais curtos, nos evangelhos de Marcos e Lucas. O primeiro se relaciona com Lucas 6:20-49. O segundo, com Marcos 6:7-13, Lucas 9:1-6 e Lucas 10:1-12. O trecho correspondente ao terceiro discurso é Marcos 4:3-34. O quarto está em Marcos 9:35-48 e o último, em Lucas 21:5-36 e Marcos 13:5-37[3].

Os cinco discursos[editar | editar código-fonte]

Sermão da Montanha[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Sermão da Montanha

O primeiro discurso, que se estende pelos capítulos 5, 6 e 7, é chamado de "Sermão da Montanha" e é uma das mais conhecidas e citadas partes do Novo Testamento[6]. Ele inclui as Bem-aventuranças e o Pai Nosso. Para a maior parte dos fieis, o Sermão da Montanha contém os principais pilares da fé cristã[6]. As Bem-aventuranças são um elemento chave do sermão, na forma de "bençãos", Jesus apresenta um novo conjunto de ideais cristãos baseados no amor e na humildade e não na força e na obediência, ecoando os mais altos ideais da doutrina de Jesus sobre a misericórdia, espiritualidade e compaixão[7][8].

Discurso da Missão[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Discurso da Missão

O segundo discurso em Mateus 10 é uma instrução aos doze apóstolos e é, por vezes, chamado de "Discurso da Missão" ou "Discurso Missionário"[5] ou ainda "Comissão Menor", num contraste com a mais famosa Grande Comissão. Direcionado aos doze nomeados em Mateus 10:2-3, Jesus aconselha-os sobre como viajar de cidade em cidade, a não levarem nada consigo e a pregarem apenas para comunidades israelitas. Ele pede ainda que tenham cuidado com os adversários, mas que não tenham medo, pois saberão o que dizer para se defender quando for necessário «porque o Espírito Santo vos ensinará naquela hora o que deveis dizer.» (Lucas 12:12)[9].

Discurso das Parábolas[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Discurso das Parábolas

O terceiro discurso, em Mateus 13, é uma reunião de diversas parábolas sobre o Reino dos Céus e é geralmente chamado de "Discurso das Parábolas" ou "Discurso Parabólico"[5]. A primeira parte do discurso, em Mateus 13:1-35, se passa quando Jesus deixa uma casa e se senta à beira de um lago para falar aos discípulos e à multidão que se aglomerou para ouvi-lo[10]. Neste trecho estão O Semeador, O Joio e o Trigo, O Grão de Mostarda e O Fermento. Na segunda, Jesus volta para dentro da casa e fala apenas aos discípulos, um trecho que contém O Tesouro Escondido, A Pérola e A Rede[10].

Discurso sobre a Igreja[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Discurso sobre a Igreja

O quarto discurso, em Mateus 18, é geralmente chamado de "Discurso sobre a Igreja"[5] e inclui as parábolas da Ovelha Perdida e do Credor Incompassivo, que também são referências ao Reino dos Céus. O tema geral do discurso é uma antecipação de uma futura comunidade de fieis e o papel dos apóstolos, que a liderarão[11][12]. Falando aos seus apóstolos em Mateus 18:18, Jesus afirma que "tudo o que ligardes sobre a terra, será ligado no céu; e tudo o que desligardes sobre a terra, será desligado no céu". Este poder é dado primeiro a Pedro no capítulo 16 depois de sua confissão de fé. Além do poder de ligar e desligar, Pedro recebeu as chaves do Reino dos Céus e é considerado a "rocha" sobre a qual Cristo construiu sua Igreja. O discurso destaca a importância da humildade e do auto-sacrifício como virtudes elevadas na comunidade cristã e ensina que, no Reino de Deus, é a humildade das crianças que importa e não a proeminência social ou as aparências[11][12].

Discurso das Oliveiras[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Discurso das Oliveiras

O discurso final, em Mateus 24, é geralmente chamado "Discurso das Oliveiras" por ter sido proferido no Monte das Oliveiras, "Discurso sobre o Fim dos Tempos"[5] ou ainda como "Sermão profético" e corresponde aos capítulos Marcos 13 e Lucas 21. Ele trata basicamente do julgamento e da conduta esperada de um seguidor de Jesus, além da necessidade de vigilância destes seguidores em vista do iminente juízo que se aproxima[13]. Jesus inicia o discurso depois de receber uma pergunta dos discípulos sobre o "fim dos tempos" (o "fim do mundo" e o início do mundo que virá), sua mais longa resposta à qualquer pergunta no Novo Testamento[14]. O discurso é geralmente visto como sendo uma referência à destruição futura do Templo em Jerusalém e também ao fim do mundo e à Segunda Vinda de Cristo, mas muitas opiniões acadêmicas sobrepõem estes dois episódios e decidir qual versículo se refere ao qual evento permanece um tema complexo e discutível[11][13].

Referências

  1. a b The Cradle, the Cross, and the Crown: An Introduction to the New Testament by Andreas J. Köstenberger, L. Scott Kellum 2009 ISBN 978-0-8054-4365-3 pages 194-196
  2. a b c d Jesus and the Gospels: An Introduction and Survey by Craig L. Blomberg 2009 ISBN 978-0-8054-4482-7 pages 143-146
  3. a b The Gospel of Matthew by R. T. France 2007 ISBN 978-0-8028-2501-8 page 9 Google-books link
  4. The Gospel of Matthew by Craig S. Keener 2009 ISBN 978-0-8028-6498-7 pages 37-38
  5. a b c d e Preaching Matthew's Gospel by Richard A. Jensen 1998 ISBN 978-0-7880-1221-1 pages 25 & 158
  6. a b The Sermon on the mount: a theological investigation by Carl G. Vaught 2001 ISBN 978-0-918954-76-3 pages xi-xiv
  7. A Dictionary Of The Bible by James Hastings 2004 ISBN 1-4102-1730-2 page 15-19
  8. The Synoptics: Matthew, Mark, Luke by Ján Majerník, Joseph Ponessa, Laurie Watson Manhardt 2005 ISBN 1-931018-31-6, pages 63-68
  9. A theology of the New Testament by George Eldon Ladd 1993ISBN page 324
  10. a b Matthew by Charles H. Talbert 2010 ISBN 0-8010-3192-3 (Discourse 3) pages 162-173
  11. a b c Matthew by Larry Chouinard 1997 ISBN 0-89900-628-0 page 321
  12. a b Behold the King: A Study of Matthew by Stanley D. Toussaint 2005 ISBN 0-8254-3845-4 pages 215-216
  13. a b The Gospel according to Matthew by Leon Morris 1992 ISBN 0-85111-338-9 pages 593-596
  14. Matthew 24-28 by John MacArthur 1989 ISBN 0-8024-0765-X pages