Cinema de arte

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa

O termo Cinema de arte se refere a obras cinematográficas que se diferenciam da estrutura narrativa tradicional do cinema estadunidense.[1] O termo começou a ser utilizado na década de 1950 pelos exibidores para se designar os filmes diferentes do modelo estadunidense entendido como industrial,[2] mas nunca foi largamente aceito pois tal ambivalência não se baseia em preceitos claros,[2] inclusive sendo considerado um falso dilema,[3] pois todo filme é arte em si.[4]

Com o tempo, o termo passou a ser usado também para designar obras cinematográficas experimentais e consideradas "de vanguarda".[5]

História[editar | editar código-fonte]

Os filmes de arte surgiram na França, em 1908, por iniciativa do empresário Paul Laffitte,[6] que fundou a Le Film d'Art com a intenção de levar os intelectuais ao cinema.[7] Para isso, a empresa realizou versões cinematográficas de obras literárias de autores famosos, como Charles Baudelaire, Émile Zola, Victor Hugo, Gustave Flaubert, Honoré de Balzac, Molière e outros.[5]

Louis Feuillade, diretor do estúdio Gaumont, se opõe a esse tipo de intelectualismo e leva seu estúdio a produzir cerca de 80 filmes por ano em todos os gêneros, incluindo comédias, dramas do cotidiano, épicos e melodramas,[8] mas foram seus filmes seriados sobre crimes que o levaram à fama na França e nos Estados Unidos.[9]

Cinema mudo[editar | editar código-fonte]

Durante a Primeira Guerra Mundial, o diretor estadunidense D. W. Griffith produz Intolerância, um épico de longa-metragem mudo, com três horas de duração que, junto com seu outro filme O Nascimento de uma Nação se tornaram dois dos maiores filmes da era do cinema mudo.[10]

Em 1920 o Expressionismo Alemão chega ao cinema com O Gabinete do Dr. Caligari de Robert Wiene. Esse movimento foi caracterizado, no cinema, pela estilização extrema dos sets de filmagem, atuações, iluminação e ângulos de câmera.[11] Outros notáveis desse movimento foram F. W. Murnau, com Nosferatu em 1922 e Aurora em 1927, e Fritz Lang com Metrópolis em 1927.[12]

Na França, o final da Guerra fez surgir o Impressionismo, tendo como principais expressões no cinema Louis Delluc, Marcel L'Herbier, Jean Epstein, Abel Gance e Germaine Dulac.[13] São impressionistas Napoléon (1927) e A Sorridente Madame Beudet (1922), este último considerado o primeiro filme feminista.[14]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Setaro, André (29 de outubro de 2009). «Existe um cinema de arte?». LEIAMAIS.BA. Consultado em 6 de abril de 2018. 
  2. a b Giordano, Toldo; Lopes, Fernando (Agosto de 2017). «Cinema como arte ou entretenimento: uma visão de seus realizadores e a estrutura organizacional de suas produtoras». REAd. Revista Eletrônica de Administração. 23 (2). ISSN 1413-2311. doi:10.1590/1413.2311.176.60848. Consultado em 31 de março de 2018. 
  3. Dahl, Gustavo (2012). «Arte ou Indústria?» (doc). Ancine. Consultado em 6 de abril de 2018. 
  4. Bordwell, David; Thompson, Kristin (2008). Film Art: an introduction (PDF). Nova Iorque: McGraw-Hili. p. ?. ISBN 978-0-07-353506-7. Consultado em 31 de março de 2018. 
  5. a b Freire, Pedro. «A história do Cinama de Arte - de Fortaleza para o Brasil». Cinema de Arte. Consultado em 6 de abril de 2018. 
  6. Carou, Alain (1 de dezembro de 2008). «Laffitte entrepreneur et financier, Le Film d'Art en Bourse». 1895. Mille huit cent quatre-vingt-quinze. 56. ISBN 978-2-8218-0990-1. ISSN 1960-6176. doi:10.4000/1895.4060. Consultado em 4 de abril de 2018. 
  7. Richard Abel, ed. (2004). «Filme d´Art». Encyclopedia of Early Cinema. Nova Iorque: Routledge. p. 237. ISBN 0415234409 
  8. Walz, Robin. «The Fantômas Films: Louis Feuillade». The Fantomas Website. Consultado em 10 de abril de 2018. 
  9. «Louis Feuillade». Encyclopædia Britannica. 2018. Consultado em 10 de abril de 2018. 
  10. Dirks, Tim. «Greatest Box-Office Bombs, Disasters and Flops of All-Time». Consultado em 10 de abril de 2018. 
  11. «"O Gabinete do Dr. Caligari" (1920) – expressionismo alemão e terror hipnótico». Humanoides. 27 de junho de 2015. Consultado em 10 de abril de 2018. 
  12. Cardoso, Thotti (6 de julho de 2017). «Guia Pelo Expressionismo Alemão». Metafictions. Consultado em 11 de abril de 2018. 
  13. Mauro, Heloá; Scalon, Lucas (15 de abril de 2012). «O Impressionismo Francês no Cinema». RUA - Revista Universitária do Audiovisual. Consultado em 11 de abril de 2018. 
  14. Popova, Maria. «The First Feminist Film (1922)». Brain Pickings. Consultado em 12 de abril de 2018.