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Cinza vulcânica

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vários fragmentos microscópicos de cinza vulcânica
Amostra de cinza vulcânica microscópica da erupção do Monte Santa Helena, Washington 1980

A cinza vulcânica é composta de fragmentos de rocha, cristais minerais e vidro vulcânico, criada durante erupções vulcânicas explosivas, medindo menos de 2mm em diâmetro.[1] Cinzas vulcânicas são formadas quando gases dissolvidos no magma expandem e escapam violentamente na atmosfera. A força dos gases despedaça o magma e o empurra até a atmosfera, onde ele se solidifica em fragmentos de rocha vulcânica e vidro. Cinzas vulcânicas também são produzidas a partir do contato do magma com água durante erupções freatomagmáticas, fazendo a água explodir violentamente em vapor e causando a fragmentação do magma quando no ar, cinzas podem ser transportadas por milhares de quilômetros de distância.[2]

Formação

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vulcão coberto de neve em erupção, com uma coluna de cinzas subindo
Coluna de cinzas subindo de Eyjafjallajökull em 17 de abril de 2010

Na erupção vulcânica explosiva, o magma que está subindo passa por uma descompressão muito rápida. Isso faz com que os gases dissolvidos dentro dele (vapor d`água, dióxido de carbono e dióxido de enxofre) comecem a se separar e formar bolhas. Essas vão se expandir, e com isso a pressão interna do magma aumenta, onde se rompe e se fragmenta. Esse processo é chamado de fragmentação magmática, que gera parte das cinzas vulcânicas. [3]

Além disso, se o magma entra em contato com água externa (como água do mar, de lago ou até lençol freático) isso pode intensificar ainda mais a fragmentação[4]. Esse tipo de interação, comum em erupções freatomagmáticas ou freáticas, também contribui para para a formação de uma cinza bem fina.

Composição

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As cinzas vulcânicas são formadas principalmente por materiais que são fragmentados e se originam do magma. Sua aparência se assemelha muito a poeira comum, porém suas propriedades físico-químicas são muito variadas e implicam em diversas áreas importantes da ciência, desde geologia até saúde pública.

um recipiente arredondado de vidro, com cinza vulcânica dentro
Cinzas vulcânicas da erupção do Monte Santa Helena em 1980

A composição química da cinza depende muito do magma que a gerou, as principais variações são estão na proporção de sílica (SiO2):

  • Basálticas (baixo teor de sílica, ~ 45-52%): geralmente mais escuras e densas.
  • Andesíticas (intermediárias, ~ 53-63%) cinzas cinza-escuro ou marrom.
  • Riolíticas (alto teor de sílica, >69%) cinzas mais claras, vítreas

Fisicamente as cinzas vulcânicas são compostas por três partículas principais:

  • Fragmentos de vidro vulcânico, que se formam quando o magma resfria muito rápido no ar, podem ser frágeis e quebradiças, com borda afiada e irregulares.
  • Cristais minerais, que são minerais que já estão presentes no magma antes mesmo da erupção, os mais comuns são o plagioclásio, a olivina e a piroxena, tendo formas definidas e mais resistentes que vidro.
  • Fragmentos de rochas, são pedaços de rochas que foram retirados de dentro das paredes interna do vulcão ou do solo durante a explosão. Essas rochas têm diferentes origens, podendo ser ígneas, sedimentares ou metamórficas, podendo contribuir para a compreensão da história geológica do local.

Dispersão

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As cinzas vulcânicas provenientes de uma erupção podem ser lançadas ou transportadas às regiões circundantes, às vezes por grandes distâncias. O alcance da dispersão depende de alguns fatores.[7]

Altura da coluna eruptiva

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vulcão em erupção dispersando muitos gases e cinzas
Vista do vulcão Popocatépetl com fumarola, registrada em 21 de abril de 2023, no centro do México

Um dos fatores determinantes para o alcance é a altura que a cinza alcança na atmosfera. Erupções de alta intensidade, podem formar colunas eruptivas que ultrapassam 20km de altura, atingindo a estratosfera.

Padrões de clima e vento

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Os ventos influenciam diretamente na dispersão e direção das cinzas, onde ventos da troposfera costumam dispersar cinzas regionalmente, enquanto ventos da estratosfera levam a níveis continentais. A umidade e a chuva podem acelerar a deposição das partículas.

Tempo de permanência na atmosfera
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As partículas de cinza podem permanecer no céu e na atmosfera dor dias ou até semanas. Isso vai depender do tamanho das partículas (finas ou ultrafinas), altura da pluma e camada atmosférica e interações com o vapor de água e compostos químicos.

Molde de uma pessoa sentada com os joelhos dobrados e cobrindo o rosto.
Molde de uma vítima sentada, da erupção do Monte Vesúvio em 79 d.C.; Pompeia, Itália

As cinzas vulcânicas podem causar diversos problemas humanos e ambientais. A liberação de gases e cinzas vulcânicas podem prejudicar a saúde a curto e longo prazo, causando problemas respiratórios, oculares, irritação na pele, tontura, vômitos e dor de cabeça. Por outro lado, se a exposição for a longo prazo, o impacto é maior e mais prolongado, podendo levar ao desenvolvimento de distúrbios e infecção pulmonar (câncer de pulmão) ou até a morte.[8]

As cinzas e gases lançados na erupção vulcânica podem gerar a poluição do ar, por vários dias ou até meses, causando perturbações ao tráfego aéreo, como aconteceu em 2013, no aeroporto de San Carlos de Bariloche, quando o houve o cancelamento dos voos por conta do acúmulo de cinzas vulcânicas nas instalações aeroportuárias, gerando paralisação turística na cidade argentina.[9] Também podem causar a contaminação da água, danos às plantações e ao solo.

Referências

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  1. Rose, W. I.; Durant, A. J. (30 de setembro de 2009). «Fine ash content of explosive eruptions». Journal of Volcanology and Geothermal Research. Improved Prediction and Tracking of Volcanic Ash Clouds (em inglês) (1): 32–39. ISSN 0377-0273. doi:10.1016/j.jvolgeores.2009.01.010. Consultado em 18 de janeiro de 2022 
  2. Ayris, Paul Martin; Delmelle, Pierre (16 de setembro de 2012). «The immediate environmental effects of tephra emission». Bulletin of Volcanology (9): 1905–1936. ISSN 0258-8900. doi:10.1007/s00445-012-0654-5. Consultado em 13 de julho de 2025 
  3. Cashman, K. V.; Sparks, R. S. J. (29 de janeiro de 2013). «How volcanoes work: A 25 year perspective». Geological Society of America Bulletin (5-6): 664–690. ISSN 0016-7606. doi:10.1130/b30720.1. Consultado em 12 de julho de 2025 
  4. Zimanowski, Bernd; Büttner, Ralf (2003). «Phreatomagmatic explosions in subaqueous volcanism». Washington, D. C.: American Geophysical Union: 51–60. ISBN 0-87590-999-X. Consultado em 12 de julho de 2025 
  5. Heiken, Grant; Wohletz, Kenneth (31 de dezembro de 1985). Volcanic Ash. [S.l.]: University of California Press. Consultado em 12 de julho de 2025 
  6. Heiken, Grant; Wohletz, Kenneth (31 de dezembro de 1985). Volcanic Ash. [S.l.]: University of California Press. Consultado em 12 de julho de 2025 
  7. Robock, Alan (maio de 2000). «Volcanic eruptions and climate». Reviews of Geophysics (2): 191–219. ISSN 8755-1209. doi:10.1029/1998rg000054. Consultado em 13 de julho de 2025 
  8. «Health impacts of volcanic ash | IVHHN». www.ivhhn.org. Consultado em 13 de julho de 2025 
  9. Ferreira e Mainier, Artur e Fernando (maio de 2022). «CINZAS VULCÂNICAS E O GERENCIAMENTO DO TRÁFEGO AÉREO: O CASO DO VULCÃO PUYEHUE». Universidade Federal Fluminense (UFF): 8  line feed character character in |título= at position 61 (ajuda)