Cinza vulcânica

A cinza vulcânica é composta de fragmentos de rocha, cristais minerais e vidro vulcânico, criada durante erupções vulcânicas explosivas, medindo menos de 2mm em diâmetro.[1] Cinzas vulcânicas são formadas quando gases dissolvidos no magma expandem e escapam violentamente na atmosfera. A força dos gases despedaça o magma e o empurra até a atmosfera, onde ele se solidifica em fragmentos de rocha vulcânica e vidro. Cinzas vulcânicas também são produzidas a partir do contato do magma com água durante erupções freatomagmáticas, fazendo a água explodir violentamente em vapor e causando a fragmentação do magma quando no ar, cinzas podem ser transportadas por milhares de quilômetros de distância.[2]
Formação
[editar | editar código]Na erupção vulcânica explosiva, o magma que está subindo passa por uma descompressão muito rápida. Isso faz com que os gases dissolvidos dentro dele (vapor d`água, dióxido de carbono e dióxido de enxofre) comecem a se separar e formar bolhas. Essas vão se expandir, e com isso a pressão interna do magma aumenta, onde se rompe e se fragmenta. Esse processo é chamado de fragmentação magmática, que gera parte das cinzas vulcânicas. [3]
Além disso, se o magma entra em contato com água externa (como água do mar, de lago ou até lençol freático) isso pode intensificar ainda mais a fragmentação[4]. Esse tipo de interação, comum em erupções freatomagmáticas ou freáticas, também contribui para para a formação de uma cinza bem fina.
Composição
[editar | editar código]As cinzas vulcânicas são formadas principalmente por materiais que são fragmentados e se originam do magma. Sua aparência se assemelha muito a poeira comum, porém suas propriedades físico-químicas são muito variadas e implicam em diversas áreas importantes da ciência, desde geologia até saúde pública.
Química[5]
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A composição química da cinza depende muito do magma que a gerou, as principais variações são estão na proporção de sílica (SiO2):
- Basálticas (baixo teor de sílica, ~ 45-52%): geralmente mais escuras e densas.
- Andesíticas (intermediárias, ~ 53-63%) cinzas cinza-escuro ou marrom.
- Riolíticas (alto teor de sílica, >69%) cinzas mais claras, vítreas
Física[6]
[editar | editar código]Fisicamente as cinzas vulcânicas são compostas por três partículas principais:
- Fragmentos de vidro vulcânico, que se formam quando o magma resfria muito rápido no ar, podem ser frágeis e quebradiças, com borda afiada e irregulares.
- Cristais minerais, que são minerais que já estão presentes no magma antes mesmo da erupção, os mais comuns são o plagioclásio, a olivina e a piroxena, tendo formas definidas e mais resistentes que vidro.
- Fragmentos de rochas, são pedaços de rochas que foram retirados de dentro das paredes interna do vulcão ou do solo durante a explosão. Essas rochas têm diferentes origens, podendo ser ígneas, sedimentares ou metamórficas, podendo contribuir para a compreensão da história geológica do local.
Dispersão
[editar | editar código]As cinzas vulcânicas provenientes de uma erupção podem ser lançadas ou transportadas às regiões circundantes, às vezes por grandes distâncias. O alcance da dispersão depende de alguns fatores.[7]
Altura da coluna eruptiva
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Um dos fatores determinantes para o alcance é a altura que a cinza alcança na atmosfera. Erupções de alta intensidade, podem formar colunas eruptivas que ultrapassam 20km de altura, atingindo a estratosfera.
Padrões de clima e vento
[editar | editar código]Os ventos influenciam diretamente na dispersão e direção das cinzas, onde ventos da troposfera costumam dispersar cinzas regionalmente, enquanto ventos da estratosfera levam a níveis continentais. A umidade e a chuva podem acelerar a deposição das partículas.
Tempo de permanência na atmosfera
[editar | editar código]As partículas de cinza podem permanecer no céu e na atmosfera dor dias ou até semanas. Isso vai depender do tamanho das partículas (finas ou ultrafinas), altura da pluma e camada atmosférica e interações com o vapor de água e compostos químicos.
Impactos
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As cinzas vulcânicas podem causar diversos problemas humanos e ambientais. A liberação de gases e cinzas vulcânicas podem prejudicar a saúde a curto e longo prazo, causando problemas respiratórios, oculares, irritação na pele, tontura, vômitos e dor de cabeça. Por outro lado, se a exposição for a longo prazo, o impacto é maior e mais prolongado, podendo levar ao desenvolvimento de distúrbios e infecção pulmonar (câncer de pulmão) ou até a morte.[8]
As cinzas e gases lançados na erupção vulcânica podem gerar a poluição do ar, por vários dias ou até meses, causando perturbações ao tráfego aéreo, como aconteceu em 2013, no aeroporto de San Carlos de Bariloche, quando o houve o cancelamento dos voos por conta do acúmulo de cinzas vulcânicas nas instalações aeroportuárias, gerando paralisação turística na cidade argentina.[9] Também podem causar a contaminação da água, danos às plantações e ao solo.
Referências
[editar | editar código]- ↑ Rose, W. I.; Durant, A. J. (30 de setembro de 2009). «Fine ash content of explosive eruptions». Journal of Volcanology and Geothermal Research. Improved Prediction and Tracking of Volcanic Ash Clouds (em inglês) (1): 32–39. ISSN 0377-0273. doi:10.1016/j.jvolgeores.2009.01.010. Consultado em 18 de janeiro de 2022
- ↑ Ayris, Paul Martin; Delmelle, Pierre (16 de setembro de 2012). «The immediate environmental effects of tephra emission». Bulletin of Volcanology (9): 1905–1936. ISSN 0258-8900. doi:10.1007/s00445-012-0654-5. Consultado em 13 de julho de 2025
- ↑ Cashman, K. V.; Sparks, R. S. J. (29 de janeiro de 2013). «How volcanoes work: A 25 year perspective». Geological Society of America Bulletin (5-6): 664–690. ISSN 0016-7606. doi:10.1130/b30720.1. Consultado em 12 de julho de 2025
- ↑ Zimanowski, Bernd; Büttner, Ralf (2003). «Phreatomagmatic explosions in subaqueous volcanism». Washington, D. C.: American Geophysical Union: 51–60. ISBN 0-87590-999-X. Consultado em 12 de julho de 2025
- ↑ Heiken, Grant; Wohletz, Kenneth (31 de dezembro de 1985). Volcanic Ash. [S.l.]: University of California Press. Consultado em 12 de julho de 2025
- ↑ Heiken, Grant; Wohletz, Kenneth (31 de dezembro de 1985). Volcanic Ash. [S.l.]: University of California Press. Consultado em 12 de julho de 2025
- ↑ Robock, Alan (maio de 2000). «Volcanic eruptions and climate». Reviews of Geophysics (2): 191–219. ISSN 8755-1209. doi:10.1029/1998rg000054. Consultado em 13 de julho de 2025
- ↑ «Health impacts of volcanic ash | IVHHN». www.ivhhn.org. Consultado em 13 de julho de 2025
- ↑ Ferreira e Mainier, Artur e Fernando (maio de 2022). «CINZAS VULCÂNICAS E O GERENCIAMENTO DO TRÁFEGO AÉREO: O CASO
DO VULCÃO PUYEHUE». Universidade Federal Fluminense (UFF): 8 line feed character character in
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