Circuncisão

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Pênis que passou por circuncisão...
... comparado a um pênis não circuncidado.

Circuncisão, exérese do prepúcio, peritomia ou postectomia é uma operação cirúrgica[1] [2] que consiste na remoção do prepúcio, prega cutânea que recobre a glande do pênis. Essa remoção é praticada há mais de 5 mil anos. De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 30% dos homens no mundo são circuncidados (algo em torno de 665 milhões de homens), [3] [4] a maioria por motivos religiosos, uma vez que 68% deles são muçulmanos ou Judeus.

O Programa de Combate a AIDS da Organização das Nações Unidas (ONU) defende que a circuncisão reduz o risco de contágio do HIV, no caso de cópula vaginal, mas também afirma que o uso do preservativo é indispensável.[5] [6]

Depois do corte do cordão umbilicalonfalotomia – a circuncisão talvez seja o mais antigo tipo de cirurgia.[carece de fontes?] O termo circuncisão deriva da junção de duas palavras latinas, circum e cisióne, e significa literalmente «cortar ao redor». Atualmente, a circuncisão masculina ainda é praticada como ritual religioso e também social por vários povos, como judeus e muçulmanos. No século XIX e em princípios do século XX, no mundo ocidental, a circuncisão médica tinha em muitos casos como motivação principal a prevenção da masturbação, pois o prepúcio é um tecido erógeno. A partir de meados do século XX, a circuncisão tornou-se uma prática médica vulgar, especialmente nos Estados Unidos, onde se estima que entre 20 e 80% dos homens sejam circuncidados.[carece de fontes?] No entanto, a sua frequência reduziu-se progressivamente, pois hoje a prática regular de hábitos de higiene genital, que têm o mesmo efeito da circuncisão, tornou-se cada vez mais comum. O Masculinismo a tem objetado como sendo mutilatória e equiparável à mutilação genital feminina, ou circuncisão feminina, e que ambas as mutilações estão tendo tratamentos não isonômicos.

Origens e fatores culturais e religiosos da circuncisão[editar | editar código-fonte]

Em algumas culturas a circuncisão no início da puberdade é rito de passagem masculino que marca, ou originalmente marcava, a maioridade, e manteve-se como tradição cultural atualmente desvinculada de aspectos sociais e jurídicos, como na Turquia e povos do nordeste da África. Como muitos dos ritos de passagem masculinos, era um exercício e uma prova de estoicismo, por ser feita sem lenitivos em região de alta sensibilidade tátil. Serve ainda como um sinal identitário permanente, como prova de pertencimento a um grupo social ou religioso.

A circuncisão na cultura judaica[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Brit milá

Embora alguns acreditem que os hebreus tenham assimilado a prática da circuncisão dos egípcios, não há sinais consistentes que apoiem essa teoria. O mais provável é que os próprios hebreus tenham, em suas raízes mais remotas da época patriarcal, inserido tal prática em seus costumes de maneira independente a quaisquer outros povos, mantendo a tradição em suas práticas religiosas até à presente época.

No Antigo Israel, a circuncisão tinha de ser realizada no 8.º dia do nascimento. Tem o sentido de um sinal da aliança entre Deus e Abraão e seus descendentes e de um rito de inserção no povo eleito. Deus terá tornado obrigatória a prática da circuncisão masculina para Abraão, um ano antes de nascer Isaque. Todos os homens da casa de Abraão, tanto seus descendentes como dependentes, estavam incluídos, e todos os escravos receberam em si este «sinal do pacto», com o qual entregavam a Deus a sua aliança de carne (anel prepucial), mostrando a reciprocidade deste ato de no corpo (Levítico).

A desconsideração deste requisito era punível com a morte. A circuncisão torna-se um requisito obrigatório na Lei dada a Moisés (Levítico 12:2-3). Isto era tão importante que, mesmo que o 8.º dia calhasse no sabá, a circuncisão teria de se realizar. No primeiro século da Era Cristã, era costume social entre os judeus dar nome ao recém-nascido do sexo masculino no momento da circuncisão. Mas os profetas do Antigo Testamento mostravam que mais importante do que a circuncisão literal é a circuncisão figurativa ou «circuncisão do coração» (Deuteronômio 10:16; Deuteronômio 30:6; Jeremias 4:4; Jeremias 9:25). Aos judeus insensíveis às palavras dos profetas chama-se figurativamente «incircuncisos» (Jeremias 6:10; Atos 7:51).

Sempre no oitavo dia[editar | editar código-fonte]

«Com base na consideração das determinações de vitamina K e de protrombina, o dia perfeito para se realizar uma circuncisão é o oitavo dia» (citação de «Nenhuma Dessas Doenças», Dr. S. I. McMillen, 1986, pág. 21, em inglês). Seguir esta regra ajudava a evitar o perigo de uma grande hemorragia. A circuncisão era usualmente feita pelo chefe de família. Mais tarde, passou-se a recorrer a uma pessoa especialmente preparada. Um mohel, no caso dos judeus, geralmente um médico, circuncidador, ou então uma pessoa que tenha conhecimento da cirurgia, e das rezas realizadas, no processo. Deus instituiu este ato para distinguir o seu povo de outros povos, sendo que o homem deveria obedecer ao mandado Dele. Uma outra interpretação aponta para uma prática de higiene, para poupar o povo a doenças indesejáveis, tornando-a uma prática de .

A circuncisão de Jesus[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Circuncisão de Jesus

De acordo com a Bíblia, completados os oito dias que determina a tradição judaica, Jesus Cristo foi apresentado ao templo de Jerusalém por sua família para ser circuncidado, quando então foi abençoado por Simeão e Ana. O prepúcio retirado de Jesus é conhecido como prepúcio sagrado. Considerado uma relíquia ao longo da história, sua posse foi reclamada ou contestada por diversas igrejas e catedrais. Há vários milagres e poderes atribuídos a esta relíquia, muito cobiçada no período medieval.

Influência da cultura grega[editar | editar código-fonte]

A influência da cultura grega começou a predominar no Médio Oriente e culminou no abandono da circuncisão por muitos povos. Mas, quando o rei sírio Antíoco IV Epifânio proscreveu a circuncisão, deparou-se com mães judias dispostas antes a morrer do que a negar aos seus filhos o «sinal do pacto». Anos mais tarde, o imperador romano Adriano (117-138) obteve a mesma reação quando proibiu aos judeus circuncidar seus recém-nascidos. No intuito de evitar zombaria e ridículo, alguns atletas judeus que desejavam participar nos jogos helenísticos procuravam tornar-se «incircuncisos» por meio de uma operação destinada a restabelecer certa semelhança de prepúcio.

A circuncisão e o cristianismo[editar | editar código-fonte]

Com a fundação do Cristianismo, a circuncisão deixou de ser um requisito religioso obrigatório para os judeus cristãos, embora não fosse expressamente proibida (Atos 15:6-29). A perspetiva da Igreja Católica é contrária à circuncisão (rito judaico) desde os primeiros dias. Conforme o Papa Eugênio IV oficializou na Bula de União com os Coptas, de 1442, a Igreja manda a todos os seus fieis que «…não pratiquem a circuncisão, seja antes ou depois do batismo, pois, ponham ou não sua esperança nela, ela não pode ser observada sem a perda da salvação eterna»[7] .

Circuncisão como medida profilática[editar | editar código-fonte]

Circuncisão no mundo.

Os defensores da circuncisão afirmam que existe um valor prático na circuncisão masculina, como ato médico [8] . E também como medida de higiene já que impede a acumulação de uma secreção genital chamada esmegma, no espaço entre a glande e o prepúcio que a recobre [9] . Se não for removido, o esmegma torna-se mal cheiroso e campo de cultivo de bactérias, que causam grande irritação e são foco de infeções[carece de fontes?]. O esmegma acumula-se também no clitóris e nos pequenos lábios, o que justificaria a combatida circuncisão ou mutilação genital feminina. É realizada em certos casos de fimose e parafimose ou quando a glande masculina não pode ser libertada. Para estes últimos casos, existe, como alternativa à circuncisão, uma terapia local de creme esteroide que parece ser eficaz; e, mesmo quando esta falha, há ainda a prepucioplastia, uma cirurgia que corrige o prepúcio sem o remover.

Excessivamente longo prepúcio pode ser uma indicação para a circuncisão.
Ilustração e...
...fotografias das...
...fases de uma circuncisão.

Circuncisão de adultos[editar | editar código-fonte]

Os médicos especialistas recomendam a circuncisão de adultos quando estes sofrem de fimose. No entanto, devido à maior complicação que esta circuncisão pode representar, é recomendável que os pais detectem a fimose no rapaz ainda criança, para que ela possa realizar-se mais cedo.[carece de fontes?]

A circuncisão de adultos pode ser mais dolorosa do que em crianças por uma série de fatores. O primeiro é que, no pós-operatório, as ereções nocturnas (normais e saudáveis num homem adulto) podem tornar-se muito dolorosas até à retirada dos pensos e dos pontos da sutura [10] . O segundo é que os adultos demoram mais tempo a habituar-se à condição de circuncidados, podendo ter que mudar de hábitos no que toca à roupa interior ou aos calções de banho, devido à extrema sensibilidade da glande até então protegida e ora exposta, até que com o tempo essa sensibilidade naturalmente se reduza. No caso de homens que já tenham tido vivência sexual pode haver, por comparação que não ocorre em crianças, frustração pela perda de sensibilidade erógena, tanto da própria glande quanto pela perda dos receptores nervosos existentes na superfície interna do prepúcio.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Commons
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Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]