Ciro Pessoa

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Ciro Pessoa
Pessoa em um show no Auditório Ibirapuera em 2010
Informação geral
Nome completo Ciro Pessoa Mendes Corrêa
Também conhecido(a) como Tenzin Chöpel
Nascimento 12 de junho de 1957 (58 anos)
Origem São Paulo
País  Brasil
Gênero(s) Rock, pós-punk, rock psicodélico
Instrumento(s) Voz, guitarra, violão
Período em atividade 1981–atualmente
Gravadora(s) Voiceprint Records
Rosa Celeste
Afiliação(ões) Titãs
Cabine C
Ira!
Os Jetsons
Ricotas do Harlem
CPSP
Ciro Pessoa & Ventilador
Nu Descendo a Escada
Página oficial http://calebav.com/ciro/

Ciro Pessoa Mendes Corrêa (São Paulo, 12 de junho de 1957), também conhecido pelo seu nome Dharma Tenzin Chöpel, é um cantor-compositor, guitarrista, roteirista, jornalista, escritor, ativista e poeta brasileiro, famoso por ser um dos membros fundadores da influente banda de rock Titãs e por seu posterior trabalho com a pioneira banda de pós-punk/rock gótico Cabine C. Também formou inúmeros outros projetos menos conhecidos e de curta duração entre meados das décadas de 1980 e 1990 antes de começar carreira solo em 2003.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Pessoa nasceu em São Paulo em 1957. Aos 7 anos de idade aprendeu a tocar violão, e aos 12 começou a tocar em festivais musicais pela cidade. Quando adolescente estudou no Colégio Equipe, onde conheceria Arnaldo Antunes, Paulo Miklos, Nando Reis, Marcelo Fromer, Branco Mello, Tony Bellotto e Sérgio Britto — unidos por seus gostos musicais em comum, formariam em 1981, junto a André Jung, a banda de rock Titãs do Iê-Iê, que eventualmente mudaria o nome para apenas Titãs futuramente.[1] Pessoa nunca chegaria a gravar nada com os Titãs durante sua estadia com eles, mas compôs alguns dos mais memoráveis sucessos da banda, tais como "Sonífera Ilha", "Toda Cor", "Homem Primata" e "Babi Índio", entre outros. Deixou os Titãs em 1983 devido a divergências criativas que culminaram com um desentendimento entre ele e André Jung. Logo após, Pessoa formaria duas bandas concomitantes: Os Jetsons, com seu ex-parceiro dos Titãs Branco Mello e Charles Gavin (que ainda tocava com o Ira! na época), e Ricotas do Harlem, uma dupla de soul com Fernando Salem. Ambas as bandas tiveram curtíssima duração porém, e não chegariam a gravar nenhum álbum ou até mesmo a realizar shows.

Em 1984 formou o Cabine C, uma das primeiras e mais conhecidas bandas brasileiras de rock gótico, ao lado da então esposa Wania Forghieri, Edgard Scandurra do Ira!, Sandra Coutinho das Mercenárias (que acabaria por deixar a banda e ser substituída pelo também membro do Ira! Ricardo Gaspa) e Charles Gavin. Com esta formação chegaram a gravar algumas músicas e shows, mas todos, com exceção de Pessoa e Forghieri, acabariam por deixar a banda a fim de focalizar em seus respectivos projetos alternativos. Scandurra, Gaspa e Gavin foram eventualmente substituídos pelas ex-membros do Akira S e As Garotas Que Erraram Anna Ruth dos Santos e Marinella Setti. Esta nova formação do Cabine C acabaria por lançar seu primeiro (e único) álbum de estúdio, Fósforos de Oxford, em 1986; apesar de ter sido bem recebido pelo público e pela crítica, foi um fracasso de vendas. A banda chegaria ao seu fim em 1987, devido a problemas judiciais com sua gravadora, a RPM Discos, fundada e gerenciada por Paulo Ricardo e Luiz Schiavon da banda homônima. Antes de seu término a banda estava trabalhando num segundo álbum de estúdio, que se chamaria Cotonetes Desconexos; quatro músicas que o integrariam foram gravadas, mas o álbum acabaria por ser abandonado. Junto a Forghieri Pessoa também compôs a trilha sonora do filme de 1993 Oceano Atlantis, também roteirizado por ele e que estrelou Antônio Abujamra.[2]

Ao decorrer da década de 1990 Pessoa escreveu algumas canções que eventualmente seriam tocadas pelo Ira!, entre elas "Efeito Bumerangue", "Tantas Nuvens", "A Natureza Sobre Nós", "Mistério", "Correnteza" e "Inundação de Amor" (originalmente escrita por ele para o Cabine C em parceria com Júlio Barroso da Gang 90 e as Absurdettes no início da década de 1980, antes da morte de Barroso), e formou em 1990 a banda Ciro Pessoa e Seu Pessoal, ou CPSP, junto a Kiko Nogueira, Roger "Vapt-Vupt" Lima, ao ex-Ira! Fábio Scattone e Abrão Levin. Contrastando com o som obscuro e gótico do Cabine C, o CPSP rumou a uma direção mais leve e pop que, de acordo com Pessoa, foi inspirada por cantores da Jovem Guarda como Odair José, Roberto Carlos e Jerry Adriani.[3] A banda nunca chegou a gravar nenhum álbum, mas viajaram extensivamente pelo Estado de São Paulo antes de chegarem ao fim. Nesta época também Pessoa começou a escrever alguns artigos, relatos de viagem e poemas em prosa para revistas e jornais como a Playboy, a Folha de S.Paulo e sua revista semanal, Superinteressante, Galileu, VIP e Viagem e Turismo; "Caminho Afora" (2002) e "O Mundo dos Sonhos" (2004), dois relatos de viagem que escreveu para a última, o primeiro discorrendo sobre os Caminhos de Santiago, foram agraciados com o Prêmio Abril de Jornalismo. A maioria dos artigos e poemas de Pessoa estão compilados em seu blog oficial no WordPress, "O Mundo de Mantraman", e também em seu perfil no Tumblr. Seu primeiro livro, Relatos da Existência Caótica, saiu em 23 de outubro de 2015 pela editora Chiado; é uma compilação de cinco antologias de poemas que Pessoa escreveu no início de sua carreira, mas que até então permanceram não publicadas: O Labirinto do Sr. Eno, Ecos de um Encantamento Distante, Manual das Mãos, Patagônia Mentalis e Os Emblemas.[4] [5]

Em fins da década de 1990 Pessoa formou outro projeto de curta duração, Ciro Pessoa & Ventilador, ao lado de seus ex-parceiros do CPSP Kiko Nogueira e Fábio Scattone, e novos membros Tchelo Nogueira (irmão de Kiko), Laudir de Oliveira, Serjão e Boris. Este reteve a sonoridade pop rock do CPSP, mas acrescentando elementos mais experimentais. Gravaram um álbum até então não lançado, Batuca Aqui.[6]

Em 2001 Pessoa e Branco Mello escreveram música e letras para um álbum conceitual infantil, Eu e Meu Guarda-Chuva, sobre um garoto chamado Eugênio e seu inseparável guarda-chuva.[7] O álbum se tornou um livro (escrito por Mello em parceria com Hugo Possolo) em 2003 e um filme de longa-metragem (dirigido por Toni Vanzolini e estrelado por Lucas Cotrim, Paolla Oliveira, Daniel Dantas e Leandro Hassum) em 2010;[8] nem o livro ou o filme tiveram o envolvimento de Pessoa, porém.

Em 2003 Pessoa começou carreira solo com o lançamento de No Meio da Chuva Eu Grito "Help" pela gravadora Voiceprint Records. Em 2010 assinou com a gravadora independente Rosa Celeste para lançar seu segundo álbum, Em Dia com a Rebeldia. Um álbum demasiadamente experimental e psicodélico, Pessoa o concebeu como sendo um tributo às bandas das décadas de 1960 e 1970 que cresceu escutando, mais notavelmente The Jimi Hendrix Experience, Os Mutantes, Pink Floyd, The Beatles e Secos & Molhados, e à obra de pintores e poetas surrealistas como Salvador Dalí, René Magritte e André Breton. Um grande show para promover o álbum aconteceu no Auditório Ibirapuera em São Paulo no mesmo ano. Desde janeiro de 2016 Pessoa está planejando seu (por enquanto sem título) terceiro álbum.

Começando em meados da década de 2010 Pessoa tornou-se um ferrenho crítico do governo petista brasileiro, e começou a promover uma série de hangouts nos quais disserta sobre sua visão da política brasileira, frequentemente acompanhado pelo também músico Lobão e pelo jornalista Claudio Tognolli, entre outros.

Pessoa atualmente viaja pelo Brasil com seu mais novo projeto, Nu Descendo a Escada (assim chamado em homenagem à pintura epônima de 1912, feita por Marcel Duchamp), que foi formado em 2010 e desde 2016 é composto por Kim Kehl (guitarra), Luiz Domingues (baixo) e Carlos Machado (bateria).

Vida pessoal[editar | editar código-fonte]

Pessoa converteu-se ao budismo Vajrayana em fins da década de 1990, assim obtendo o nome Dharma Tenzin Chöpel, que utilizou para assinar a maioria dos artigos que escreveu para as revistas e jornais para os quais trabalhou.

Entre meados das décadas de 1980 e 1990 Pessoa foi casado com sua colega do Cabine C Wania Forghieri. Casou-se pela segunda vez com Isabela Johansen e teve com ela uma filha, Antônia. Se divorciaram em janeiro de 2016.

Discografia[editar | editar código-fonte]

Com o Cabine C[editar | editar código-fonte]

Solo[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Relatos da Existência Caótica (2015)

Referências[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]