Linguado-de-areia-costeiro
Linguado-de-areia-costeiro
| |||||||||||||||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
Desenho de 1902 de Barton Warren Evermann e Millard Caleb Marsh preservado na coleção da Universidade de Washington | |||||||||||||||||
| Estado de conservação | |||||||||||||||||
Pouco preocupante (IUCN 3.1) [1] | |||||||||||||||||
| Classificação científica | |||||||||||||||||
| |||||||||||||||||
| Nome binomial | |||||||||||||||||
| Citharichthys arenaceus Evermann & Marsh, 1900 | |||||||||||||||||
| Sinónimos[2] | |||||||||||||||||
| |||||||||||||||||
O linguado-de-areia-costeiro ou solha[3] (nome científico: Citharichthys arenaceus) é um peixe plano demersal da família dos paralictiídeos (Paralichthyidae).
Etimologia
[editar | editar código]O vernáculo linguado é formado por "língua" + "-ado" e foi registrado em 1500 como lingoados e em 1716 como linguado.[4] Solha trata-se de uma designação comum dada às espécies de linguados e foi formado a partir do latim solĕa,ae, tanto em sua acepção de peixe como na acepção de "sandália, sola". Foi registrado no {século XIII como ssolha, no século XIV como solla, no século XV como solha e em 1610 como solho.[5] O nome genérico Citharichthys é formado pelo latim cithara, "lira, cítara", e o grega ikhthýs (em grego: ἰχθύς), "peixe".[6]
Taxonomia
[editar | editar código]O linguado-de-areia-costeiro foi descrito em 1900 por Barton Warren Evermann e Millard Caleb Marsh.[2]
Descrição
[editar | editar código]O linguado-de-areia-costeiro atinge até 20 centímetros de comprimento. Tem corpo moderadamente profundo (mais de 45% do comprimento padrão), com perfil inferior da cabeça angular. O focinho é mais longo que o olho e não há protuberâncias nem espinhos na cabeça. Os olhos situam-se no lado esquerdo, sendo o olho superior ligeiramente anterior ao inferior. O espaço entre os olhos não é muito estreito e não está completamente preenchido pela crista óssea. A boca é longa, medindo entre 39% e 44% do comprimento da cabeça, e termina sob a parte traseira do olho inferior.[7]
Os dentes são aproximadamente iguais em ambos os lados das mandíbulas, dispostos em uma fileira externa de dentes curvos e fixos e em uma ou duas fileiras internas de dentes depressíveis em cada mandíbula; os dentes da frente são maiores, sem presença de caninos. Os rastros branquiais são longos e delgados, totalizando de 15 a 21 (em média 18), com 3 a 7 rastros superiores, geralmente entre 4 e 6. A nadadeira dorsal inicia-se antes da narina posterior, com 68 a 77 raios; o primeiro raio dorsal mede de 22% a 29% do comprimento da cabeça. A nadadeira anal possui de 48 a 56 raios. As nadadeiras peitorais estão presentes em ambos os lados do corpo e têm raios ramificados. As nadadeiras pélvicas são simetricamente posicionadas no ventre, e a base da nadadeira ocular está na linha média do corpo, com bases curtas. A nadadeira caudal apresenta ponta romba.[7]
A papila urinária localiza-se no lado cego, logo atrás do ânus. A linha lateral é bem desenvolvida em ambos os lados, enquanto a linha ocular é praticamente reta, com uma pequena protuberância sobre a base da nadadeira peitoral, estendendo-se da borda do opérculo até a base da cauda. Não há ramificações sob o olho inferior. O lado ocular possui escamas ásperas, e a linha lateral apresenta de 42 a 50 escamas porosas. O olho é marrom, com muitas pequenas manchas escuras, e as nadadeiras dorsal e anal são manchadas a barradas.[7]
Distribuição e habitat
[editar | editar código]O linguado-de-areia-costeiro distribui-se no Atlântico Ocidental desde o sudeste da Flórida, no sul dos Estados Unidos, no Golfo do México (México e Costa Rica) desde o noroeste de Cuba e no Caribe desde Cuba até Trindade (presente em Anguila, Antígua e Barbuda, Barbados, Bonaire, Santo Eustáquio, Saba, Haiti, Dominica, República Dominicana, Granada, Guadalupe, Martinica, Monserrate, Porto Rico, São Bartolomeu, São Cristóvão e Neves, Santa Lúcia, São Martinho (porção francesa), São Vicente e Granadinas, São Martinho (porção neerlandesa) Ilhas Virgens Britânicas e Ilhas Virgens Americanas, mas ausente nas ilhas Caimã e Jamaica). Também está presente ao longo da América Central (Honduras, Nicarágua e Panamá) e da América do Sul, até Santa Marta, na Colômbia, na península de Pária (Venezuela), no escudo das Guianas (Guiana, Suriname e Guiana Francesa) e ao longo do litoral do Brasil (Amapá, Pará, Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná).[1]
Os registros examinados até o momento confirmaram a profundidade de ocorrência desta espécie em até dois metros. Sua área de distribuição estimada (EOO) no Golfo do México é de 18 166 quilômetros quadrados (com base num polígono convexo mínimo desenhado ao redor da extensão de sua distribuição numa camada batimétrica de 0-5 metros). Sua área de distribuição estimada (AOO) no Golfo do México é de 1 414 quilômetros quadrados (calculada recortando o polígono de distribuição à camada batimétrica de 0-5 m extraída do ETOPO). Ocorre em ambientes marinhos e estuarinos, incluindo baías, lagoas e águas costeiras rasas com substrato macio, como areia ou lama, além de estar presente em afluentes de rios e riachos de mangues. Evidências indicam que é uma espécie estuarina dependente.[1]
Ecologia
[editar | editar código]O linguado-de-areia-costeiro é carnívoro e alimenta-se de peixes ósseos, crustáceos e moluscos (gastrópodes e bivalves) bentônicos móveis. A reprodução envolve fase larval pelágica, com os indivíduos permanecendo na coluna d'água desde o estágio larval até a dispersão, caracterizando um desenvolvimento tipicamente pelágico.[7] Atinge a maturidade sexual em menos de um ano. Desova no final da primavera e início do verão na baía de Guaratuba, no Paraná, no Brasil, um período que coincide com o aumento das temperaturas e a diminuição da salinidade. A presença de todas as classes de tamanho ao longo do ano indica residência permanente nas lagoas de manguezais da baía de Guaratuba.[1]
Conservação
[editar | editar código]A Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) classifica o linguado-de-areia-costeiro como pouco preocupante (LC), pois é amplamente distribuído e comum em grande parte de sua área de ocorrência, especialmente em regiões costeiras e estuarinas. É considerada de baixa abundância em Porto Rico quando comparado a outros peixes achatados, mas é comum e abundante em estuários e mangues ao longo da costa norte do Brasil.[1] A espécie é capturada incidentalmente em pescarias com arrasto de praia e esportiva e por vezes é localmente consumida.[8] Devido à sua presença em águas rasas, costeiras e estuarinas - especialmente em áreas de manguezal -, algumas populações podem ser impactadas pelo avanço do desenvolvimento urbano e pela degradação desses habitats. Nas proximidades de Havana, por exemplo, seu ambiente é fortemente afetado pela poluição resultante do intenso desenvolvimento costeiro e do despejo de esgoto proveniente da cidade vizinha.[1] Em 2018, foi classificada como pouco preocupante (LC) no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).[9]
Referências
- ↑ a b c d e f Carpenter, K.E.; Munroe, T.; Robertson, R. (2015). «Sand Whiff, Citharichthys arenaceus». Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas. 2015: e.T16438001A16510227. doi:10.2305/IUCN.UK.2015-4.RLTS.T16438001A16510227.en
. Consultado em 12 de julho de 2025
- ↑ a b Froeser, R.; Pauly, D. «Citharichthys arenaceus Evermann & Marsh, 1900». World Register of Marine Species (WoRMS). Consultado em 11 de julho de 2025. Cópia arquivada em 17 de maio de 2025
- ↑ Freire, Kátia Meirelles Felizola; Filho, Alfredo Carvalho (2009). «Richness of common names of Brazilian reef fishes» (PDF). PANAMJAS: Pan-American Journal of Aquatic Sciencs. 4 (2): 96-145
- ↑ Grande Dicionário Houaiss, verbete linguado
- ↑ Grande Dicionário Houaiss, verbete solha
- ↑ «Citharichthys arenaceus Evermann & Marsh, 1900». FishBase. Consultado em 11 de julho de 2025. Cópia arquivada em 23 de dezembro de 2024
- ↑ a b c d «Citharichthys arenaceus, Sand Whiff». Sistema de informação online Shorefishes of the Greater Caribbean. Consultado em 11 de julho de 2025. Cópia arquivada em 30 de maio de 2025
- ↑ Freire, Kátia de Meireles Felizola; Alves, Geovanine Araújo; Lins-Oliveira, Jorge Eduardo; Garcia Júnior, José; dal Negro, Thiago; Rotundo, Matheus Marcos (2021). «Long-term changes in a tropical coastal recreational fishery off Maranhão, Brazil» (PDF). Acta Fisheries and Aquatic Resources. 9 (1): 38–48. doi:10.46732/actafish.2021.9.1.38-48. Consultado em 22 de maio de 2025
- ↑ «Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção» (PDF). Brasília: Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Ministério do Meio Ambiente. 2018. Consultado em 3 de maio de 2022. Cópia arquivada (PDF) em 3 de maio de 2018
- Espécies pouco preocupantes
- Citharichthys
- Peixes de Anguila
- Peixes de Antígua e Barbuda
- Peixes de Barbados
- Peixes de Bonaire
- Peixes de Santo Eustáquio
- Peixes de Saba
- Peixes da Colômbia
- Peixes da Costa Rica
- Peixes de Cuba
- Peixes da Dominica
- Peixes da República Dominicana
- Peixes da Guiana Francesa
- Peixes de Granada
- Peixes de Guadalupe
- Peixes de Guiana
- Peixes do Haiti
- Peixes de Honduras
- Peixes da Martinica
- Peixes de Monserrate
- Peixes da Nicarágua
- Peixes do Panamá
- Peixes de Porto Rico
- Peixes de São Bartolomeu (coletividade)
- Peixes de São Cristóvão e Neves
- Peixes de Santa Lúcia
- Peixes de São Martinho (França)
- Peixes de São Vicente e Granadinas
- Peixes de São Martinho (Países Baixos)
- Peixes do Suriname
- Peixes de Trindade e Tobago
- Peixes do México
- Peixes dos Estados Unidos
- Peixes da Venezuela
- Peixes das Ilhas Virgens Britânicas
- Peixes das Ilhas Virgens Americanas
- Peixes do Amapá
- Peixes do Pará
- Peixes do Maranhão
- Peixes do Piauí
- Peixes do Ceará
- Peixes do Rio Grande do Norte
- Peixes da Paraíba
- Peixes de Pernambuco
- Peixes de Alagoas
- Peixes de Sergipe
- Peixes da Bahia
- Peixes do Espírito Santo (estado)
- Peixes do Rio de Janeiro (estado)
- Peixes de São Paulo (estado)
- Peixes do Paraná
- Espécies descritas em 1900
- Espécies citadas no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção