Clóvis (carnaval)

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Crianças de bate bola nas ruas da cidade do Rio de Janeiro

A fantasia de bate-bola é bastante comum nos subúrbios cariocas nos dias de carnaval.

Bate-bola, Clóvis, pierrô, Clown são nomes de fantasias carnavalescas característica do subúrbio (principalmente as Zonas Norte e Oeste, e Baixada Fluminense) do Rio de Janeiro, no Brasil. A tradição foi trazida pelos colonizadores portugueses, tendo sido também influenciada pela folia de reis. Supõe-se que o nome tenha derivado do inglês clown, "palhaço", e que teria sido criado no início do século XX, a partir da interpretação popular do termo pelo qual eruditos teriam denominado os foliões fantasiados[1].

Crianças de bate bola em Madureira ( 1986)

Recordação divertida da infância de alguns, eles também representam o grande “bicho papão” de outros, um misto de adoração e terror, que faz parte daquelas boas lembranças que nos leva a sentir saudade dos tempos de criança.

Origem[editar | editar código-fonte]

Alguns dizem que surgiram no Rio de Janeiro sob a influência da colonização portuguesa e de outras festas como a folia de reis. Outros, contam que escravos libertos que por vezes eram perseguidos injustamente pela polícia, vestiam as fantasias para poder brincar livremente o carnaval e, “usar o Bate-bola” para protestar contra a opressão não seguindo regras e batendo com força no chão as bolas eram feitas a partir de bexiga de bois, para mostrar que tinham força e poder para juntos incomodar e transformar. [2]

Em entrevista ao portal da BBC, a pesquisadora Aline Gualda Pereira conta que trabalha com a hipótese da vestimenta dos bate-bolas cariocas ser uma variação de fantasias europeias com origem em mitos celtas. A denominação clóvis, segundo Aline, também possui raiz estrangeira: o termo seria uma derivação de clown (palhaço, em inglês e alemão).[3]

O coordenador do Centro de Referência do Carnaval do Instituto de Artes da Uerj, Luiz Felipe Ferreira destaca, na mesma matéria da BBC, que a disputa de espaço nas ruas realizada pelas turmas de clóvis é um tipo de diversão ligado a áreas mais rurais. Segundo ele, a tradição encontrou terreno fértil no subúrbio da cidade durante o início do século XX, quando matadouros instalados na região forneciam as bexigas de bois e porcos usadas para produzir as primeiras bolas. [4]

O coordenador do Centro de Referência do Carnaval do Instituto de Artes da Uerj, Luiz Felipe Ferreira destaca, na mesma matéria da BBC, que a disputa de espaço nas ruas realizada pelas turmas de clóvis é um tipo de diversão ligado a áreas mais rurais. Segundo ele, a tradição encontrou terreno fértil no subúrbio da cidade durante o início do século XX, quando matadouros instalados na região forneciam as bexigas de bois e porcos usadas para produzir as primeiras bolas.

Bexiga de boi amarrada em um cabo

Para a historiadora Cristiane Braz – responsável pela pesquisa do documentário Carnaval, bexiga, funk e sombrinha, de Marcus Vinicius Faustini – os primeiros bate-bolas cariocas surgiram no bairro de Santa Cruz, na Zona Oeste da cidade do RJ. Segundo Braz, o bairro, que abrigava o Matadouro de Santa Cruz e o hangar de um zepelim na década de 1930, teve importância fundamental para o aparecimento da brincadeira. No Ecomuseu do Quarteirão Cultural do Matadouro, localizado na região, há registros de que alguns militares alemães, que chegavam ao Brasil em dirigíveis, contribuíram para a nomeação dos foliões.[5]

As bolas deixaram de ser bexigas e agora são de borracha ou plástico mas a atitude amendrotadora dos bate-bolas se mantém.

Bexiga plástico bate bola
Bexiga de plástico ( bate bola)

A tradição passou de pai para filho e hoje, organizados em grupos e turmas, passam quase o ano inteiro preparando fantasias e seguindo um cronograma do seu desfile de carnaval, que tem queima de fogos na saída, equipe de som, festas e churrascos animados ao som de samba, marchinhas e funks especialmente compostos em homenagem a turma. ▼ Com o tempo, a indumentária foi incorporando novas características e, atualmente, os grupos de bate-bolas podem ser classificados em diversos tipos, tais como: bola e bandeira, leque-e-sombrinha, bicho e sombrinha, pirulito, de capa, evolution, "estilo Realengo", entre outros... ▼

TURMAS E ESTILOS DE BATE BOLA[editar | editar código-fonte]

▲ A tradição passou de pai para filho e hoje, organizados em grupos e turmas, passam quase o ano inteiro preparando fantasias e seguindo um cronograma do seu desfile de carnaval, que tem queima de fogos na saída, equipe de som, festas e churrascos animados ao som de samba e funks especialmente compostos em homenagem a turma. ▲ Com o tempo, a indumentária foi incorporando novas características e, atualmente, os grupos de bate-bolas podem ser classificados em diversos tipos, tais como: "bola-e-bandeira", "leque-e-sombrinha", "sombrinha-e-boneco", entre outros... Bola e bandeira, bicho e sombrinha,leque e sombrinha, capa, pirulito entre outros...

Bate bola de capa

Existe uma certa diferença entre estilos ( entre zona norte e oeste, culturalmente, sendo os da zona oeste um pouco mais cheios, sendo " bujão", com muito mais panos que os da zona norte)

TURMAS[editar | editar código-fonte]

Algumas turmas tem nomes ligados a sentimentos e ou ações, Exemplos: Coisa de Cinema, Humildade, Emoção, Explosão, Alegria, Bom Gosto, tirania, fascinação, etc.... As turmas da zona oeste ( em sua maioria) são nomes ligados a personagens, Exemplos: Mario, Urtigão, Kuka, Charada, Pinóquio, Emília, Saci, Eufrazino, Riquinho, Garfield, Fred e Jason, Medéia, Arrepio, Vampirinho....[6]

Bate bola de Realengo (Kuka 2008)
Bate bola de Realengo ( Pernalonga)
Bate bola de Realengo ( Medéia 1993)

Algumas turmas de bola- e- bandeira têm nomes como Tropa do beco, Tropa Embrazada, Zorra Total, Barulho, Agunia,Bombardeio, Abusados etc...[7]

Turma Agunia do sapê (1989)
Abusados CDD bate bola
    • Em 2012, a Prefeitura declarou os grupos de foliões carnavalescos denominados clóvis ou bate-bolas como Patrimônio Cultural Carioca de Natureza Imaterial. O decreto leva em consideração a importância desses grupos como personagens típicos do carnaval que refletem a forma alegre e irreverente da população suburbana festejar. E, ainda, a capacidade popular de produzir uma manifestação tradicional como forma de resistência à massificação da folia [8]

Referências

http://www.multirio.rj.gov.br/index.php/leia/reportagens-artigos/reportagens/1038-clovis-ou-bate-bolas-de-diversao-suburbana-a-patrimonio-cultural

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

  • PEREIRA, Aline Valadão Vieira Gualda. Tramas simbólicas: a dinâmica das turmas de bate-bolas do Rio de Janeiro. 2008. 1 v. Dissertação (Mestrado) - Programa de Pós-graduação em Artes, Uerj, Rio de Janeiro, 2008.