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Classificação bibliográfica

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Uma estante de biblioteca em Hong Kong organizada usando a classificação decimal de Dewey

A classificação bibliográfica é uma área de estudos da Biblioteconomia, relacionada à representação temática de documentos,[1]:798 abrangendo os sistemas utilizados em bibliotecas para organizar materiais, incluindo livros, gravações de áudio e vídeo, materiais eletrônicos etc., tanto nas estantes quanto em catálogos e índices.

As vantagens de tal atividade é proporcionar ao material uma identificação única e torná-lo mais fácil de ser encontrado em um acervo, além de tornar a recuperação mais acessível e rápida. O objetivo da classificação bibliográfica é a organização do conhecimento de modo que o mesmo seja dividido por áreas, para facilitar que o usuário encontre o documento que procura.[1]:799-800

Cada item recebe normalmente um número de chamada, que identifica sua localização dentro do sistema. Os materiais podem ser organizados por muitos fatores diferentes, geralmente em uma estrutura hierárquica em árvore baseada no assunto ou utilizando um sistema de classificação facetada, que permite a atribuição de diversas classificações a um objeto, possibilitando que as classificações sejam ordenadas de diferentes maneiras.[2][3]:33

Etimologia

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A origem da palavra "classificar" remonta ao termo em Latim "classis" (classes), usado para se referir as divisões sociais do povo romano. Segundo autores da área, "classificação" é a junção de classis e facere ("fazer" ou "formar", em latim), utilizados no sentido de agrupar conhecimentos a partir do fim do século XVIII.[3]:23[4]

Apesar de ter seu uso intensificado apenas a partir do século XIX, o termo "bibliografia" é atribuído aos franceses Gabriel Naudé (1627) e Louis Jacob (1643). Sua origem se dá no grego antigo, como uma junção das palavras βιβλίον (biblion, livro) e γράφειν (gráphein, escrever).[5]:130 Deste modo, a classificação bibliográfica se refere a organização a partir da representação temática de documentos.[6]:35-36

Descrição

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A classificação bibliográfica é um aspecto fundamental da biblioteconomia e ciência da informação. Ela se distingue da classificação científica por ter como objetivo proporcionar uma ordenação útil dos documentos, em vez de uma organização teórica do conhecimento.[7] Embora tenha o propósito prático de criar uma ordenação física dos documentos, ela geralmente busca aderir ao conhecimento científico aceito.[8] A classificação bibliográfica ajuda a acomodar toda a literatura recém-publicada em uma ordem de arranjo já criada em sequência filial.[9]

Livros dispostos em estantes na Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo

A classificação bibliográfica pode ser definida como a disposição de livros nas estantes, ou sua descrição, da maneira mais útil para os leitores, com o objetivo final de agrupar itens semelhantes. A classificação bibliográfica visa alcançar quatro propósitos: ordenar os campos do conhecimento de forma sistemática, reunir itens relacionados na sequência mais útil, proporcionar acesso ordenado nas estantes e fornecer uma localização para o item na estante.[10]

A classificação bibliográfica distingue-se da aplicação de palavras-chave pelo fato de a classificação organizar o conhecimento em ordem sistemática, enquanto as palavras-chave fornecem acesso a materiais intelectuais por meio de termos de vocabulário que podem ou não estar organizados como um sistema de conhecimento.[11]

As características que uma classificação bibliográfica exige para alcançar esses propósitos são: uma sequência útil de assuntos em todos os níveis, uma notação concisa e memorável, e um conjunto de técnicas e dispositivos de síntese numérica.[12]

História

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As classificações bibliográficas foram precedidas pelas classificações sociais ou filosóficas. As tentativas de organização do conhecimento humano remontam à pré-história, em que as sociedades primitivas buscaram maneiras simples de classificar objetos conforme a sua necessidade. Muitos autores tratam a necessidade humana de separar em categorias como algo instintivo:[13]:2[14]:16[15]:13-14[16]:3

Encontramos inúmeros exemplos de classificações inscritas e actuantes nos mais variados domínios das relações sociais, tal como se nos apresentam no quotidiano. Basta pensar na maneira como as pessoas tratam umas com as outras, ou se referem a terceiras, atribuindo estatutos de superioridade ou inferioridade social, considerando umas distintas e outras vulgares, umas sérias e outras desonestas, umas competentes e outras incapazes, umas merecedoras de mais respeito e outras de menos, e por aí fora.

Antonio Firmino da Costa, Classificações sociais, p. 66[17]

Classificações filosóficas

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Na Antiguidade, os filósofos clássicos buscaram meios de sistematizar o conhecimento humano, dada a preocupação com a origem das coisas e a ordem das ciências.[14]:60 Neste momento, o acesso aos documentos não estava ao alcance do público em geral e o ato de classificar podia ser visto como uma arte, não ainda como ciência.[16]:3

A descoberta mais antiga de tabletes com informações bibliográficas físicas data de 1300 a.C., encontrada em escavações feitas em região habitada por hititas. Dentre as informações registradas nos tabletes, estavam um número de série e o título da obra. Na Biblioteca de Nínive (650 a.C.), a organização do acervo se dava de forma semelhante, dividindo o acervo em dois grupos intitulados Ciências da Terra e Ciências do Céu, conforme constatado em estudos arqueológicos do século XX.[14]:69[18]:12-13

Árvore de Porfírio

Uma das primeiras tentativas de classificação do conhecimento documentadas foi a de Aristóteles, que contava com três critérios: ausência ou presença do homem nos seres investigados, imutabilidade e critério da modalidade prática. Seu sistema de classificação serviu de base para a criação de outros por cerca de 2000 anos. Os sistemas de organização do conhecimento humano criados por filósofos clássicos como ele e Platão ficaram conhecidos posteriormente como classificações filosóficas.[6]:33[14]:61

Ainda na Grécia Antiga, Porfírio desenvolveu um sistema de classificação com base na oposição, a partir de princípios estabelecidos por Platão e Aristóteles. Sua teoria marca o início da dicotomia na classificação e ficou conhecida como Árvore de Porfírio.[19]

Na biblioteca mais famosa da Antiguidade, a Biblioteca de Alexandria, Calímaco elaborou um dos esquemas de classificação mais antigos por volta do século 250 a.C., o Pínakes [en]. Em sua classificação, constavam o número de linhas de cada obra e suas palavras iniciais, bem como dados bibliográficos sobre os autores. Mais tarde, a criação do conceito do autor como ponto de acesso a uma obra foi atribuído aos gregos.[18]:13

Na Idade Média, a base dos estudos bibliográficos estava nos trabalhos de divisão e classificação de Martianus Capella (439 d.C.) e Cassiodoro, que aprimorou o trabalho de Capella um século mais tarde. Capella propôs uma divisão das artes liberais em sete grupos: Gramática, Dialética, Retórica, Geometria, Astronomia, Música e Aritmética. Cassiodoro utilizou a mesma divisão mas as reuniu em dois grandes grupos intitulados Trivium e Quatrivium.[15]:44[14]:63

Em 1545, na Suíça, Conrad Gessner baseou-se em Cassiodoro e publicou o Pandectarium sive partitionum universalis parte de sua obra Bibliotheca Universalis, onde classificou por assunto o acervo da biblioteca. A contribuição de Gessner marca o início da transição das classificações filosóficas para as classificações bibliográficas propriamente ditas, sendo o seu catálogo considerado o primeiro do tipo.[15]:45

Para diferentes autores, a contribuição de Francis Bacon com a sua publicação Chart of learning em 1605 é a maior contribuição filosófica para os estudos modernos de classificação bibliográfica. Sua divisão da ciência segundo as faculdades intelectuais memória, imaginação e razão inspiraram muitos trabalhos posteriores, como enciclopédias do século XVIII, a classificação dos livros de Thomas Jefferson, a Classificação da Biblioteca do Congresso dos EUA e a classificação decimal de Dewey.[15]:47[13]:3[3]:27[16]:4

Posteriormente, Auguste Comte trouxe o conceito moderno da hierarquia da ciência, apontando "que cada nova ciência que surge depende da precedente".[3]:27 Também dividiu as ciências em abstratas (fundamentais) e concretas (derivadas). Além de Comte, destacam-se outros filósofos cujo trabalho não era primordialmente voltado para classificações bibliográficas, mas contribuíram indiretamente para a mesma, como Descartes (1596-1650), os ingleses Hobbes (1588-1679) e Locke (1632-1704) e o alemão Leibnitz (1646-1715).[14]:64

Classificações bibliográficas

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Durante o período da renascentista e da Reforma Protestante, "as bibliotecas eram organizadas de acordo com os caprichos ou o conhecimento das pessoas responsáveis".[20] Isso alterou o formato pelo qual os diversos materiais eram classificados. Algumas coleções podiam ser classificadas por idioma e outras pela forma como eram impressas. Após a revolução da imprensa no século XVI, o aumento dos materiais impressos disponíveis tornou essa classificação ampla inviável, e classificações mais detalhadas para materiais de biblioteca precisaram ser desenvolvidas no século XIX.[21]

Em 1627, Gabriel Naudé publicou um livro intitulado Advis pour dresser une bibliothèque. Na época, trabalhava na biblioteca particular do Président à mortier Henri de Mesmes II. Mesmes possuía cerca de 8.000 livros impressos e muitos outros manuscritos gregos, latinos e franceses. Embora fosse uma biblioteca privada, estudiosos com referências podiam acessá-la. O propósito do livro era identificar regras para colecionadores particulares de livros organizarem suas coleções de forma mais ordenada, aumentando a utilidade e a beleza da coleção. Naudé desenvolveu um sistema de classificação baseado em sete classes diferentes: teologia, medicina, jurisprudência, história, filosofia, matemática e humanidades. Essas sete classes seriam posteriormente ampliadas para doze.[22] O livro tratava de uma biblioteca particular, mas no mesmo texto, Naudé defendeu a ideia de bibliotecas públicas abertas a todas as pessoas, independentemente de sua capacidade de pagar pelo acesso à coleção. Uma das bibliotecas mais famosas que Naudé ajudou a melhorar foi a Bibliothèque Mazarine [en] em Paris, onde passou dez anos como bibliotecário. Graças à forte crença de Naudé no acesso livre às bibliotecas, a Bibliothèque Mazarine tornou-se a primeira biblioteca pública da França por volta de 1644.[23]

Na mesma época, registra-se o surgimento do "Sistema Francês" ou "sistema dos livreiros de Paris", utilizado por diferentes profissionais.[14]:71 Muitas alterações foram feitas ao sistema, com destaque para a classificação dos livreiros parisienses desenvolvida em 1842 por Jacques Charles Brunet, geralmente considerada a primeira das classificações modernas de livros. Brunet estabeleceu cinco classes principais: teologia, jurisprudência, ciências e artes, belas-letras e história.[21][24] Apesar da contribuição francesa ser reconhecida mundialmente, outros países também tiveram avanços na classificação bibliográfica, ainda que locais, como é o caso da Alemanha e da Itália.[14]:71

A partir do fim do século XIX

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Dados coloridos com fundo quadriculado
Classificação decimal de Dewey sendo utilizada em uma biblioteca da Turquia

No fim do século XIX e o século XX, a classificação bibliográfica passa a tomar forma como ciência mais robusta, registrando as principais colaborações significativas para a atividade moderna.[25]:8 Em 1876, o bibliotecário estadunidense Melvil Dewey idealizou o primeiro sistema de classificação que utiliza números decimais e agrupa o conhecimento em dez classes principais, inspirado em diversos trabalhos anteriores. Seu sistema, a classificação decimal de Dewey (CDD), foi considerado de fácil memorização e ganhou força em bibliotecas de todo o mundo, sendo utilizado até hoje.[26]:8

Uma das inovações de Dewey foi organizar os livros nas estantes em função de outros livros sobre temas semelhantes. Quando o sistema foi introduzido pela primeira vez, a maioria das bibliotecas nos Estados Unidos utilizava um sistema de posicionamento fixo: a cada livro era atribuída uma posição permanente na estante com base na altura do livro e na data de aquisição.[27]:321 As estantes das bibliotecas eram geralmente de acesso restrito, apenas aos usuários mais privilegiados, de modo que a consulta livre nas estantes não era considerada importante. O uso do sistema decimal Dewey aumentou no início do século XX, à medida que os bibliotecários se convenceram das vantagens do posicionamento relativo e do acesso livre às prateleiras para os usuários.[27]:321

Em 1892, a Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos contava com uma divisão da sua coleção em 18 classes, baseadas nas classificações de Francis Bacon.[26]:6 Cinco anos depois, em 1897, iniciou-se o desenvolvimento de um sistema de classificação mais eficaz para o acervo que chegava a quase um milhão de documentos. Para tal, James Hanson e seu assistente se basearam em diversos sistemas e métodos de classificação anteriores, como a CDD, a classificação expansiva de Cutter, e o modelo de Halle-Oldeman.[28]:11 A Classificação da Biblioteca do Congresso conta com 21 classes principais e sua notação é mista, "contendo letras maiúsculas, e algarismos arábicos, de 1 a 9.999, precedidos por um ponto, chamada de números de Cutter, por ser semelhante as conhecidas Author marks, projetadas por Cutter". Apesar de ter sido inicialmente pensada para a Biblioteca do Congresso americano, a classificação é atualizada com frequência e utilizada mundialmente.[26]:7[28]:11

Equipe do Repertoire Bibliographique universal, redigindo e classificando registros em 1900

Os belgas Paul Otlet e Henri La Fontaine são creditados com a criação de outro sistema de classificação amplamente utilizado atualmente. A partir do interesse comum por bibliografia, fundaram o Office International de Bibliographie, com a finalidade de organizar uma bibliografia universal que foi intitulada de Repertoire Bibliographique universal. Com sua primeira edição publicada em 1905, a classificação decimal universal (CDU) se inspirou na classificação de Dewey:[29]:32-33

Precisávamos de um sistema de classificação, e descobrimos o sistema americano, idealizado por Melvil Dewey em que todo o conhecimento humano é dividido em 10 categorias principais, numeradas de 0 a 9. Cada categoria é por sua vez dividida em dez divisões, que também estão divididas em dez seções e assim por diante, conforme necessário de acordo com a precisão do assunto. Classificação decimal é comparável a um sol, cujos raios espalhem-se e multipliquem-se conforme eles se afastam do centro.

Paul Otlet

O Repertoire Bibliographique universal atingiu mais de onze milhões de registros no período anterior à Primeira Guerra Mundial. O catálogo e seu conteúdo, organizado segundo a CDU, ainda podem ser consultados no Mundaneum, em Mons, na Bélgica. Em 2013, esse catálogo foi inscrito no Registro Internacional "Memória do Mundo" da UNESCO, sendo reconhecido como patrimônio documental de importância mundial.[30]

Na década de 1930, o bibliotecário indiano Shiyali Ramamrita Ranganathan desenvolve uma de suas muitas contribuições para a biblioteconomia. Sua classificação, conhecida como Classificação de Dois Pontos (Colon Classification), é baseada em facetas, onde cabe ao classificador construir os números de classificação, segundo uma fórmula apresentada no início da classe.[16]:5-6[14]:74 Neste quesito, o sistema elaborado por Ranganathan se difere de seus antecessores, permitindo "uma abordagem que abarca diversos pontos de vista de um mesmo assunto, em contraposição aos sistemas enumerativos".[13]:15

Apesar de não ser tão disseminado na prática bibliotecária mundial como outros sistemas de classificação, o sistema facetado é amplamente utilizado em bibliotecas da Índia e passível de ser aplicado como fundamento para a organização de recursos digitais em portais online e no desenvolvimento de sistemas hipertextuais.[13]:16[31]:51 Com o avanço tecnológico, a classificação passou a ser vista além da localização física, mas também como um provedor de acesso por assunto à informação em um ambiente em rede,[32] uma vez que a necessidade de recuperação e organização da informação é presente em meios digitais.[16]:13

Existem muitos sistemas padronizados de classificação bibliográfica em uso, e muitos outros foram propostos ao longo dos anos. Em geral, porém, os sistemas de classificação podem ser divididos em três tipos conforme sua aplicação:[33]

  • Classificações universais: abrangem todos os assuntos, como a classificação decimal de Dewey (CDD), a classificação decimal universal (CDU) e a classificação de dois pontos (CC);[13]:11-12, 15
  • Sistemas de classificação específicos: abrangem assuntos específicos ou tipos específicos de materiais, como o Iconclass (arte), o British Catalogue of Music Classification e a classificação de Dickinson (música), ou a Classificação da Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos (medicina);[33]
  • Classificações nacionais: criadas especialmente para determinados países, como o sistema sueco de classificação bibliográfica, SAB (Sveriges Allmänna Biblioteksförening). A Classificação da Biblioteca do Congresso (LC) foi concebida em torno do acervo da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos e possui viés americano, europeu e cristão. Ainda assim, é amplamente utilizada em grandes bibliotecas acadêmicas e de pesquisa.[34][13]:5-6

Em termos de funcionalidade, os sistemas de classificação costumam ser divididos em:[33]

  • Enumerativos: as notações são listadas em ordem alfabética ou cronológica, com números atribuídos a cada tópico em ordem predefinida;[35]
  • Hierárquicos: os assuntos são divididos hierarquicamente, do mais geral ao mais específico.[35]
  • Facetados ou analítico-sintéticos: os assuntos são divididos em facetas mutuamente exclusivas e ortogonais. Existem poucos sistemas completamente enumerativos ou facetados; a maioria dos sistemas é uma combinação, favorecendo um tipo ou outro. Os sistemas de classificação mais comuns, LCC e CDD, são essencialmente enumerativos, embora com alguns elementos hierárquicos e facetados (mais no caso da CDD), especialmente nos níveis mais amplos e gerais. O primeiro sistema verdadeiramente facetado foi a Classificação de Dois Pontos de S. R. Ranganathan.[36][3]:14-15

Já para Ranganathan, os sistemas de classificação podem ser divididos em cinco categorias:[14]:67-68

  • Sistemas enumerativos (Classificação da Biblioteca do Congresso);
  • Sistemas quase-enumerativos, que contam com longas tabelas enumerativas para a maioria dos assuntos, acompanhadas de algumas tabelas de subdivisões comuns (CDD);
  • Sistemas quase-facetados, unem tabelas enumerativas, de subdivisões comuns e especiais (CDU);
  • Sistemas rigidamente facetados, tabelas de assuntos básicos, de subdivisões comuns, auxiliares especiais e "determinações rígidas sobre a sequência em que devem ser combinados os vários conceitos" (Classificação de Dois Pontos, até sua 3ª edição);
  • Sistemas livremente facetados ou analítico-sintéticos, contam com as mesmas ferramentas que o tipo anterior, mas sem uma ordem estabelecida para a combinação dos vários conceitos (Classificação de Dois Pontos, após sua 3ª edição).

Métodos ou sistemas

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Os tipos de classificação designam a classificação ou categorização de acordo com a forma, características ou qualidades de um esquema ou esquemas de classificação. Métodos ou ou sistemas designam os esquemas de classificação, como a classificação decimal de Dewey ou a classificação decimal universal. Os tipos de classificação servem para fins de identificação, compreensão, educação ou pesquisa, enquanto o método de classificação refere-se a sistemas como CDD e CDU.[33][35]

Sistemas universais de classificação

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Sistema de Classificação de Moys utilizado pela biblioteca jurídica do Tribunal Superior de Hong Kong

Há diversos sistemas de classificação bibliográfica universais. Os mais conhecidos e adotados são:[33]

Outros sistemas incluem:

  • Book Industry Standards and Communications (BISAC), originalmente desenvolvido para uso por vendedores de livros norte-americanos, tornou-se cada vez mais popular em bibliotecas;[37]
  • Classificação bibliográfica de Bliss [en], utilizada em algumas bibliotecas britânicas;[26]:4
  • Classificação de dois pontos (CC);[36]
  • Classificação Garside, utilizada na maioria das bibliotecas do University College London;[38]
  • Classificação da Biblioteca de Gladstone, concebida por W. E. Gladstone e utilizada exclusivamente na Biblioteca de Gladstone [en];[39]
  • Classificação Harvard-Yenching, um sistema de classificação em inglês para materiais em língua chinesa;[40]:66
  • Regensburger Verbundklassifikation (RVK), sistema alemão utilizado em bibliotecas acadêmicas na Alemanha, Áustria, Itália e Suíça;[41]
  • Sistema de classificação de livros para bibliotecas chinesas (Classificação de Liu);[42]
    • Novo Esquema de Classificação para Bibliotecas Chinesas;[43]
  • Classificação Decimal do Japão [en] (NDC);[44]
  • Classificação Bibliográfica Chinesa [en] (CLC);[43]
  • Classificação Decimal Coreana (KDC);[45]
  • Classificação Bibliográfica Russa (BBK);[46]
  • Sistema sueco de classificação bibliográfica (SAB).[47]

Sistemas universais de classificação baseados em síntese (sistemas facetados)

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Os sistemas de classificação mais recentes tendem a utilizar amplamente o princípio da síntese (combinação de códigos de diferentes listas para representar os diferentes atributos de uma obra), o que é comparativamente menos presente na LC ou na CDD.[26]:11[3]:32

A classificação bibliográfica está associada à catalogação (descritiva) em bibliotecas sob o âmbito da catalogação e classificação, às vezes agrupadas sob o termo "serviços técnicos". O profissional de biblioteca que realiza o processo de catalogação e classificação de materiais é denominado catalogador ou bibliotecário catalogador. Os sistemas de classificação bibliográfica são uma das duas ferramentas utilizadas para facilitar o acesso por assunto. A outra consiste em linguagens de indexação alfabética, como tesauros e sistemas de cabeçalhos de assunto.[1]:798[35]

A prática da classificação bibliográfica é uma forma da tarefa mais geral de classificação. Em uma visão resumida do processo, o trabalho de classificação consiste em duas etapas: primeiramente, determina-se o assunto ou tema do material e, em seguida, atribui-se à obra um número de chamada (essencialmente o endereço de um livro) com base no sistema de classificação em uso na biblioteca, utilizando a notação do sistema.[25]:3, 5 Não obstante, essas etapas podem ser subdivididas em outros processos de acordo com diferentes autores.[14]:202-3 A prática da classificação também conta com o apoio de índices e tabelas pertinentes ao sistema utilizado na unidade de informação.[48][15]:29

Livros sobre Java classificados conforme a Classificação da Biblioteca do Congresso na Universidade Iorque, em Toronto. O uso do ponto indica o emprego dos números de Cutter.

Ao contrário dos cabeçalhos de assunto ou tesauros, nos quais múltiplos termos podem ser atribuídos à mesma obra, nos sistemas de classificação bibliográfica cada obra só pode ser colocada em uma classe. Isso se deve a fins de arrumação nas estantes: um livro só pode ter um lugar físico.[25]:5 Contudo, em catálogos classificados podem existir entradas principais e entradas adicionais. A maioria dos sistemas de classificação, como a classificação decimal de Dewey (CDD) e a Classificação da Biblioteca do Congresso, também acrescenta a cada obra um número de Cutter, que adiciona um código para a entrada principal (ponto de acesso primário) da obra (por exemplo, o autor).[15]:17[14]:157

Os sistemas de classificação em bibliotecas desempenham geralmente dois papéis. Em primeiro lugar, facilitam o acesso por assunto, permitindo ao usuário descobrir quais obras ou documentos a biblioteca possui sobre determinado assunto.[49] Em segundo lugar, fornecem uma localização conhecida para que a fonte de informação possa ser encontrada (por exemplo, onde está na estante), facilitando a recuperação da informação.[26]:2

Até o século XIX, a maioria das bibliotecas possuía estantes fechadas ao público, de modo que a classificação bibliográfica servia apenas para organizar o catálogo [en] por assunto. No século XX, as bibliotecas foram abertas ao público e passaram a dispor os próprios materiais bibliográficos de acordo com alguma classificação bibliográfica, de modo a simplificar a navegação por assunto.[25]:5

Alguns sistemas de classificação são mais adequados para facilitar o acesso por assunto do que para a localização nas estantes. Por exemplo, a classificação decimal universal, que utiliza uma notação complexa com sinais de adição e dois-pontos, é mais difícil de usar para fins de arranjo nas estantes, mas é mais expressiva do que a CDD em termos de demonstração das relações entre assuntos.[26]:10-11[50]:2 Da mesma forma, os sistemas de classificação facetada são mais difíceis de utilizar para o arranjo nas estantes, a menos que o usuário conheça a ordem de citação.[51]

Dependendo do tamanho do acervo, algumas bibliotecas podem utilizar sistemas de classificação exclusivamente para um propósito ou outro. Em casos extremos, uma biblioteca pública com pequeno acervo pode usar um sistema de classificação apenas para a localização dos recursos, sem adotar um sistema complexo de classificação por assunto. Nesse caso, todos os recursos podem ser agrupados em poucas classes amplas (viagens, policial, revistas etc.). Esse método é tido como uma classificação por interesse do leitor (em inglês: Reader Interest Classification).[52][53]

Comparação entre sistemas de classificação bibliográfica

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Em razão das diferenças de notação, história, uso de enumeração, hierarquia e facetas, os sistemas de classificação podem diferir nos seguintes aspectos:

Tipo de notação

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A notação pode ser pura (composta apenas de numerais, por exemplo) ou mista (composta de letras e numerais, ou letras, numerais e outros símbolos).[14]:39[15]:34

Sistema Tipo de notação
CDD (classificação decimal de Dewey) Pura, apenas algarismos arábicos (exemplo: 726.7710222 Desenhos arquitetônicos de abadias beneditinas.)
LC (Classificação da Biblioteca do Congresso) Mista, (CT3710 Biografia de mulheres chinesas)
CDU (classificação decimal universal) Mista, emprega algarismos decimais, sinais gráficos e, às vezes, letras e palavras (329.05(81) "1968" (043) Tese sobre o movimento dos partidos políticos no Brasil em 1968)

Expressividade

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Refere-se ao grau em que a notação pode expressar relações entre conceitos ou estrutura.[14]:41-43[15]:185

Sistema Expressividade
CDD Moderada, estrutura hierárquica, mas limitada a assuntos pré-definidos
LC Baixa, enumerativa, "listas estáticas"
CDU Alta, com símbolos (+,:, =)

Mnemônica

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Outra característica que é levada em conta na comparação de sistemas de classificação é o "caráter memorizável ou mnemónico de suas notações".[15]:35[14]:41-43 Por exemplo, o número 44 na notação CDD frequentemente indica que se trata de algum aspecto relacionado à França. Na classificação de Dewey, por exemplo, 598.0944 diz respeito a "Aves na França", onde 09 indica divisão geográfica e 44 representa a França.[54][55]

Sistema Mnemônica
CDD Forte (mesmo número (44) = França em vários temas)
LC Fraca, sem caráter memorizável sistemático (A = Geral, B = Filosofia, inconsistente)
CDU Moderada , utiliza auxiliares comuns (09 = geográfico, 44 = França)

Hospitalidade

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A hospitalidade é o grau em que o sistema é capaz de acomodar novos assuntos. Na quinta lei de Ranganathan (a biblioteca é um organismo em crescimento), é implícito o princípio de hospitalidade, em que os sistemas de classificação devem ser flexíveis o suficiente para aceitar novos conhecimentos sem exigir uma reestruturação completa.[14]:41-43[56]

Sistema Nível de hospitalidade
CDD Moderado, atualizado regularmente, mas ainda enumerativo
LC Baixo, enumerativo
CDU Alto, permite combinar para criar novos assuntos

Brevidade

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A extensão da notação para expressar o mesmo conceito.[14]:46-47

Sistema Brevidade da notação
CDD Curta (598.0944)
LC Média (QL696.C5)
CDU Longa (598:0944, a síntese produz notações mais longas)

Outros critérios

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Diferentes autores apontam outras características para diferenciar e comparar sistemas de classificação bibliográfica. Especialmente com o avanço tecnológico, a velocidade de atualização e grau de suporte de um sistema é um fator importante a ser considerado.[34][6]:46 Entre outros fatores estão a consistência (uniformidade das regras no sistema), a simplicidade e a usabilidade.[14]:83-84[15](202)

Ver também

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Referências

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Leitura adicional

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Ligações externas

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