Classificação de crédito

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Em investimento, classificação de crédito (também chamada de nota de risco, rating, classificação de risco, avaliação de risco, notação de risco ou notação financeira de risco) avalia o valor do crédito de emissões da dívida de uma empresa ou um governo. É análogo às notações de crédito para pessoas físicas.[1]

Essa classificação é feita através de notas representadas sob letras e sinais aritméticos dadas a partir de uma avaliação concedida pelas principais agências de classificação de risco, como a Fitch Ratings, Moody's e Standard & Poor's, e avalia a possibilidade de esta entidade saldar suas dívidas.[1] [2]

Classificação e grau de investimento[editar | editar código-fonte]

Classificação de crédito dos países pela Standard & Poor's (S&P).[3] [4]
Classificação da S&P dos países europeus (janeiro de 2012):
  AAA
  AA
  A
  BBB
  BB
  B
  CCC
  Não avaliado
  AAA
  AA
  A
  BBB
  BB
  B
  Moratória
  Não avaliado

As agências de notas de crédito, também conhecidas como agências de rating, classificam todos os países do mundo em dois grandes grupos: os que possuem grau especulativo e os que possuem grau de investimento.[1]

Dentro de cada um desses dois grandes grupos, são atribuídas notas. Nas agências Fitch Ratings e Standard & Poor's, a nota mais baixa de todas é a D, que está situada, obviamente, na categoria de risco alto de inadimplência, juntamente, em ordem crescente,com as notas C, CC, CCC. Em seguida são atribuidas as notas em categoria de especulação, em ordem crescente, B-, B, B+, BB-, BB e BB+. Essas duas categorias formam o grupo especulativo. A nota mais baixa do grupo de investimento é a nota BBB-, considerada juntamente com BBB, BBB+ a qualidade média de investimento. Seguem-se, em ordem crescente, as notas de maior grau de investimento A-, A, A+, AA-, AA, AA+ e AAA.

Na Moody's, a nota mais baixa de todas é a C,considerada risco alto de inadimplência, seguida de Ca, Caa3, Caa2, Caa1. Imediatamente, segue o grau de especulação, em ordem crescente, B3, B2, B1, Ba3, Ba2, Ba1. E o grupo de maior qualidade e menor risco de investimento completa a escala, em ordem crescente, Baa3, Baa2, Baa1, A3, A2, A1,Aa3, Aa2, Aa1, Aaa. As três primeiras notas do grupo de investimento são consideradas categorias medianas de investimentos.

Moody's S&P Fitch  
Longo prazo Curto prazo Longo prazo Curto prazo Longo prazo Curto prazo  
Aaa P-1 AAA A-1+ AAA F1+ Prime
Aa1 AA+ AA+ Grau elevado
Aa2 AA AA
Aa3 AA- AA-
A1 A+ A-1 A+ F1 Grau médio elevado
A2 A A
A3 P-2 A- A-2 A- F2
Baa1 BBB+ BBB+ Grau médio baixo
Baa2 P-3 BBB A-3 BBB F3
Baa3 BBB- BBB-
Ba1 Not prime BB+ B BB+ B Grau de não-investimento
especulativo
Ba2 BB BB
Ba3 BB- BB-
B1 B+ B+ Altamente especulativo
B2 B B
B3 B- B-
Caa1 CCC+ C CCC C Risco substancial
Caa2 CCC Extremamente especulativo
Caa3 CCC- Em moratória com uma pequena
expectativa de recuperação
Ca CC
C
C D / DDD / Em moratória
/ DD
/ D

Brasil[editar | editar código-fonte]

O Brasil foi considerado grau de investimento no dia 30 de abril de 2008 pela agência de avaliação Standard & Poor's.[5] O país estava situado na categoria de países com grau especulativo e sua nota era BB+. O anúncio fez a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) bater um recorde. O pregão do dia fechou com alta de 6,33%, número que não era visto desde outubro de 2002.

As outras agências de classificação de risco de crédito posteriormente seguiram a classificação. A agência Fitch anunciou o grau de investimento para o Brasil em em 29 de maio de 2008 e a Moody's em setembro de 2009.[6]

Ratings ao final de cada ano para as agências Moody's, S&P e Fitch [7]
1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006
Moody's B1 B2 B2 B1 B1 B2 B2 B1 Ba3 Ba3
S&P BB- BB- B+ B+ BB- B+ B+ BB- BB- BB
FITCH B+ B+ B BB- BB- B B+ BB- BB- BB-


Em 9 de setembro de 2015, considerando as dificuldades políticas do Brasil em implementar o ajuste fiscal e a previsão de déficit orçamentário feita pelo governo, a S&P rebaixou a nota do país para o nível "especulativo" (BB+).[8] [9] Horas antes, o vice-presidente de comunicação estratégica da Moody's havia declarado que sua agência, ao contrário da S&P, havia mantido o selo de bom pagador ao país.[10] A Fitch também manteve a nota atribuída ao Brasil (BBB), embora tenha expressado preocupação quanto ao ritmo de crescimento do país.[11]

Histórico do grau de investimento do Brasil[12]

2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015
Moody's - B1 Ba3 Ba2 Ba1 Ba1 Baa3 Baa3 Baa2 Baa2 Baa2 Baa2 Baa3
S&P - BB- BB- BB BB+ BBB- BBB- BBB- BBB BBB BBB BBB- BB+
FITCH B+ BB- BB- BB BB+ BBB- BBB- BBB BBB BBB BBB BBB BB+

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c "Entenda o que é "rating" ou nota de risco" Folha Online [S.l.] Consult. 23 de setembro de 2009. 
  2. R7Agência de avaliação de risco melhora perspectiva sobre a economia do Brasil (28 de junho de 2010). Visitado em 20 de fevereiro de 2012.
  3. "S&P | Ratings Sovereigns Ratings List | Americas". Standard & Poor's. Consult. August 7, 2011. 
  4. Reference for the United States: "United States of America Long-Term Rating Lowered To 'AA+' On Political Risks And Rising Debt Burden; Outlook Negative" (PDF). Standard & Poor's. Consult. August 5, 2011. 
  5. UolBrasil recebe título de grau de investimento pela agência S&P (30 de abril de 2008). Visitado em 21 de fevereiro de 2012.
  6. UolAgência de classificação de risco eleva nota de risco do Brasil. (4 de abril de 2011). Visitado em 21 de fevereiro de 2012.
  7. Tesouro Nacional (2006). Standard & Poor´s eleva ratings do Brasil para os melhores níveis históricos Tesouro Nacional. Visitado em 17/08/2015.
  8. ValorS&P tira selo de grau de investimento do país e viés ainda é negativo. (10 de setembro de 2015). Visitado em 10 de setembro de 2015.
  9. Credit Rating Agencies and Brazil: Why The S&P’s Rating About Brazil Sovereign Debt Is Nonsense. Por Felipe Rezende. New Economic Perspectives, 12 de setembro de 2015
  10. Moody's diz que só revisa nota do Brasil se acontecer 'evento brusco'. Por Thais Bilenky. Folha de S. Paulo, 9 de setembro de 2015
  11. Fitch diz que mau desempenho do Brasil está se tornando estrutural. Folha de S. Paulo/Reuters, 8 de setembro de 2015
  12. Veja o histórico das notas de crédito do Brasil pelas agências de rating. Visitado em 2015-09-10.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]