Colégio Moderno

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Emblem-scales.svg
A neutralidade deste artigo ou se(c)ção foi questionada, conforme razões apontadas na página de discussão.
Question book.svg
Esta página ou secção não cita fontes confiáveis e independentes, o que compromete sua credibilidade (desde dezembro de 2017). Por favor, adicione referências e insira-as corretamente no texto ou no rodapé. Conteúdo sem fontes poderá ser removido.
Encontre fontes: Google (notícias, livros e acadêmico)
Colégio Moderno
Fundação 1936 (82 anos)
Localização Portugal
Bairro Campo Grande
Director(a) Isabel Soares
Página oficial http://www.colegiomoderno.pt
Entrada do Colégio Moderno

O Colégio Moderno é um estabelecimento de ensino privado de Lisboa localizado no Campo Grande, em Lisboa. É uma escola laica e aberta que adota um espírito de grupo e família e pretende ser um espaço de liberdade e de diálogo permanentes entre as várias correntes de pensamento.

Tem cerca de 2000 alunos divididos em quatro secções que vão dos bebés ao final do Ensino Secundário: Infantário (4 meses aos 2 anos), Infantil (3 aos 5 anos), Primária (1.º Ciclo do Ensino Básico) e Liceu (2.º e 3.º Ciclos do Ensino Básico e Ensino Secundário). Além dos programas curriculares destes níveis de ensino, oferece atividades extracurriculares como Música, Ballet, Ginástica, Judo, Ténis, Andebol e Futebol. Mantém, ainda, um protocolo com o British Council para o ensino de inglês por professores ingleses. Desde 2012/13, o Colégio tem uma Escola de Música aberta a alunos externos.

História[editar | editar código-fonte]

O Colégio foi fundado pelo pedagogo João Lopes Soares, pai do político português Mário Soares, em 1936, com base nos grandes valores humanistas e propondo uma educação não limitada ao ensino, promovendo também o respeito pelo outro, pela diferença e a defesa da solidariedade. Formado em Teologia, João Lopes Soares chegara a ser sacerdote católico, tendo-se desordenado em 1927. Defensor dos ideais republicanos, esteve preso no final da monarquia (1908) e destacou-se, enquanto político, durante a Primeira República Portuguesa, regime em que foi deputado, governador civil e ministro.

Apaixonado pela educação, João Soares foi um dos fundadores do Instituto dos Pupilos do Exército, instituição de relevo na I República. Mais tarde, a oposição ao Estado Novo (Portugal) tornou-o persona non grata para o ditador António de Oliveira Salazar, pelo que sentiu a necessidade de criar os seus próprios espaços de ensino, primeiro no Bairro Escolar do Estoril, com João de Deus Ramos, depois no Colégio Moderno.

De início o Colégio oferecia as opções de externato e internato, tendo nascido como uma escola mista – coisa rara naqueles tempos. A inovação não duraria muito: o Estado Novo instituiu a separação dos sexos nas escolas, pelo que o Colégio passou a ser masculino. Só depois da Revolução de 25 de Abril de 1974 voltou a ter rapazes e raparigas. O Colégio sempre quis incluir todos os níveis de ensino. De início ia da Escola Primária ao 7.º ano do Liceu, que era o último. No início dos anos 1960 criou-se a Infantil (3 aos 5 anos) e um curso noturno para adultos, que terminaria no início dos anos 1970. Na década seguinte nasceria o infantário (dos 4 meses aos 2 anos). Hoje um aluno pode frequentar o Colégio desde o berço até ir para a Universidade.

A Diretora do Colégio é, desde 1985, a psicóloga Isabel Soares, neta do fundador. Foram seus antecessores no cargo figuras como Mário Soares, José Luís Mota Costa e Rogério Araújo, merecendo uma palavra especial Maria de Jesus Barroso, que assumiu os comandos do Colégio desde a década de 1950, em condições difíceis que incluíram o exílio do seu marido e a doença do sogro. Impedida de lecionar pelo regime de Salazar, pois desde sempre defendera a liberdade e a democracia, também viu a ditadura cortar o seu percurso de atriz, destacada no teatro e no cinema. No Colégio foi como uma mãe para muitos alunos. Deixou o cargo na sequência da eleição de seu marido para Presidente da República Portuguesa, mas jamais perdeu a ligação a esta escola, onde vinha quase diariamente, de manhã cedo, até ao fim da vida.

A figura de Mário Soares – antigo professor e diretor do Colégio – encarna igualmente os valores humanistas e democráticos que orientam este estabelecimento de ensino. Opositor ao Estado Novo desde a juventude, várias vezes preso por defender a liberdade, foi fundador da ala juvenil do Movimento de Unidade Democrática (MUD) e do Partido Socialista (Portugal). Já em democracia, foi sucessivamente deputado constituinte, ministro dos Negócios Estrangeiros, deputado à Assembleia da República, Primeiro-Ministro de Portugal, Presidente da República e deputado ao Parlamento Europeu. Nunca deixou de visitar o Colégio, dando conferências, conversando com os alunos e interessando-se pelo pensamento dos mais novos.

Entre muitos outros professores que passaram pelo Colégio Moderno em mais de oito décadas, estiveram intelectuais e homens de letras como Mário Dionísio, Álvaro Salema, Jorge de Macedo, José Fernandes Fafe, Jaime Gama, Eduardo Prado Coelho, João Bénard da Costa, Gastão Cruz ou Urbano Tavares Rodrigues. O líder doPartido Comunista Português Álvaro Cunhal foi regente de estudos, num tempo em que era perseguido pela ditadura. O seu camarada de partido Octávio Pato chegou a estar escondido da Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE) nas instalações do Colégio.

O Colégio sempre teve a preocupação de dar um estímulo intelectual aos alunos que fosse para lá do mero cumprimento dos programas letivos. Vêm do tempo de Jaime Cortesão as conferências que ainda hoje se organizam com personalidades de excelência dos sectores artístico, científico, político ou literário. Espelho da vitalidade de pensamento do Colégio tem sido a publicação de jornais, desde o “Gente moça” dos primórdios ao “Moderno”, nascido nos anos 1990, e mesmo ao “Moderninho”, da lavra dos alunos do 1.º Ciclo. Noutro campo, o Colégio participou já por duas vezes no concurso Parlamento Europeu Juvenil (PEJ), na década de 1980 e no ano letivo 2011-12, em que venceu a competição nacional e representou Portugal na Assembleia Anual do PEJ, em Istambul.

Empenhado na formação artística, o Colégio desde cedo fomentou um Grupo de Teatro e exposições de arte em todos os grupos etários. A música é outra vertente privilegiada, existindo, além da componente curricular, aulas de vários instrumentos, uma orquestra com mais de 20 anos de vida e, desde o ano letivo 2012-13, uma Escola de Música que veio cumprir um velho sonho da Direção.

Dirigida pela professora Inês Saraiva e pelo maestro César Viana, referências no meio musical português, a Escola de Música conta com um leque de professores de grande qualidade, a que se juntaram os professores de música do Colégio. Inicialmente vocacionada para o ensino de instrumentos de cordas, a pedido de pais e alunos alargou a sua atividade ao ensino de piano, tendo como coordenadora dos professores deste instrumento a pianista Jill Lawson.

Embora a maioria dos seus alunos frequente o Colégio Moderno, a Escola de Música é uma instituição autónoma, aberta ao exterior. Não pretende que todos os seus alunos venham a ser instrumentistas profissionais, mas assume a missão de os preparar para essa eventualidade. Está aberta a crianças a partir dos três anos e não tem limite de idade. A estrutura curricular acompanha as idades dos alunos dos vários graus de ensino oficial. Não obstante, qualquer pessoa pode candidatar-se, sendo encaminhada para o grau que mais se lhe adequa.

O Colégio também não esquece o desporto, tendo desde há longa data uma vasta oferta de modalidades extra-curriculares, promovendo torneios internos de vários desportos e participando, ainda, em competições com outras escolas. Futebol, basquetebol, judo, ténis, ténis de mesa, voleibol e ginástica são algumas das disciplinas em que os seus alunos se têm destacado.

Docentes[editar | editar código-fonte]

No mesmo já leccionaram Álvaro Cunhal, David Mourão-Ferreira, Mário Soares, Agostinho da Silva, Álvaro Salema, João Bénard da Costa, Mário Dionísio ou Manuel Lereno (professor de arte de dizer e cultura).

Alumni[editar | editar código-fonte]

Muitos alunos do Colégio Moderno tornaram-se figuras de relevo em diversas áreas da vida pública portuguesa. Contam-se entre eles:

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

Ícone de esboço Este artigo sobre escolas ou colégios é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.