Colónia

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Em política, chama-se colónia (português europeu) ou colônia (português brasileiro) a um território ocupado e administrado por um grupo de indivíduos com poder militar, ou por representantes do governo de um país a que esse território não pertencia (metrópole).

Tal pode acontecer contra a vontade dos seus habitantes que muitas vezes são desapossados de parte dos seus bens (como terra arável ou de pastagem) e de eventuais direitos políticos que detinham. Como o foi com os índios que habitavam nas Américas e tiveram as suas terras ocupadas e colonizadas pelos europeus. Tal é o caso do Brasil, Canadá, Argentina, Estados Unidos, Bolívia, Austrália, Cabo Verde, Barbados e outros, antes habitados por indígenas.

História da colonização

O termo vem do latim, designando o estabelecimento de fraternidades do Império Romano, geralmente para fins agrícolas e pecuários, fora do território de Roma. Ao longo da história, a formação de colónias foi a forma como a raça humana se espalhou pelo mundo. Nesse período da pré-história, a colonização de territórios não era geralmente acompanhada pelo uso da força – a não ser para lutar contra eventuais animais que os ocupassem.

As primeiras colónias conhecidas também não foram fundadas com o uso da força, uma vez que se pensa que esses territórios não eram ainda habitados. A Suméria, que deu origem à grande civilização da Mesopotâmia, começou há cerca de 5000 anos, com base em pequenas colónias ou cidades-estados.

No entanto, a medida que a população foi crescendo, a colonização passou a ter o carácter de dominação de povos que ocupavam determinado território - foi dessa forma que Roma colonizou quase toda a Europa sendo um exemplo a Hispânia região onde hoje fica Portugal e Espanha. Antes dos romanos, os fenícios tinham também estabelecido colónias a toda a volta do Mediterrâneo e na Península Ibérica, tendo-se também estabelecido em Goa por volta de 1775 a.C.; mais tarde, os árabes ocuparam muitas partes dessa região, para além de regiões a oriente e conquistaram quase toda o Reino Visigótico na Península Ibérica que se tornou conhecida como Al Andaluz.

No final da Idade Média na Europa, alguns países costeiros – dos quais o primeiro foi Portugal – começaram a explorar o mundo, como forma de expandir os seus mercados. Primeiro, estabelecendo acordos com os povos que "descobriam", mas depois entrando em conflito com eles – e uns com os outros – no sentido de tentarem obter o monopólio de determinados produtos e rotas comerciais. Esta foi a primeira forma de imperialismo, em que vários países europeus, principalmente Portugal, Espanha, França e a Inglaterra (mais tarde o Reino da Grã-Bretanha), constituíram grandes impérios coloniais abrangendo praticamente todo o mundo.

Colonização recente

Colónias em 1945.

A exploração desenfreada dos recursos dos territórios ocupados – incluindo a sua população, quase totalmente aniquilada, como nas Américas, ou transformada em escravos que espalharam pelo resto do mundo, neste caso aproveitando-se das sociedades escravocratas africanas – levou a movimentos de resistência dos povos locais e, finalmente à sua independência, num processo denominado descolonização, terminando estes impérios coloniais em meados do século XX.

Em uma situação colonial os nativos do território colonizado carecem de autonomia – embora possam estar politicamente representados em corpos governamentais – e estão sujeitos à soberania do território metropolitano. Grande parte da África e a totalidade da América foram colônias das potências da Europa durante séculos (especialmente entre o XV e o XIX), até que as guerras de independência do século XIX e o processo de descolonização auspiciado pela ONU imediatamente depois da Segunda Guerra Mundial permitiram aos territórios ganhar sua independência.

Situação atual

Atualmente, 16 territórios no mundo são considerados colônias (Anguilla, Bermuda, Gibraltar, Guam, ilhas Caimão, ilhas Malvinas, Turks e Caicos, ilhas Virgens Britânicas, ilhas Virgens Americanas, Montserrat, Nova Caledônia, Pitcairn, Saara Ocidental, Samoa Americana, Santa Helena (território) e Tokelau), ainda que a denominação possesões ultramarinas contenha um bom número de entidades sujeitas a um status jurídico similar. Outras unidades, ainda que não correspondam exatamente a esta definição, são consideradas às vezes colónias por elementos nacionalistas, como os Açores, a Madeira e as Ilhas Canárias.

Não existem colónias no sentido político estrito referido acima – a última a ganhar a sua independência foi provavelmente o Timor-Leste, em 2002 –, mas existem colonatos nos territórios árabes ocupados por Israel e o Saara Ocidental encontra-se ocupado pelo Marrocos, o que podem considerar-se formas de colonização.

Por outro lado, a ingerência das potências industrializadas nos assuntos internos de outros países menos desenvolvidos, tem sido considerado como uma forma de colonização, referida como neocolonialismo. Como exemplos, podem apontar-se a exportação maciça de armamento russo para Moçambique e outros países recém-independentes ou a recente invasão do Iraque pela coligação de países ocidentais.

Alguns territórios decidiram democraticamente manter-se ligados à antiga potência colonial, como "territórios ultramarinos", que gozam de autonomia, têm governo próprio e apenas se subordinam à "mãe-pátria" em termos militares e diplomáticos, não podendo, portanto, considerar-se colónias, no sentido político do termo. Exemplos destes territórios são várias ilhas das Caraíbas, como Guadeloupe e Martinica, que são dependências de França, as Antilhas Neerlandesas, dependência dos Países Baixos, e a Bermuda, dependente do Reino Unido.