Colônia de Holandeses de Monte Alegre

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Colônia de Holandeses de Monte Alegre
  Bairro do Brasil  
Igreja da Colônia de Holandeses de Monte Alegre.
Igreja da Colônia de Holandeses de Monte Alegre.
Localização
Unidade federativa  Paraná
História
Criado em 1949
Características geográficas
População total 150 habitantes hab.
Fonte: Não disponível

A Colônia de Holandeses de Monte Alegre foi uma colônia de imigrantes neerlandeses que se formou no município de Telêmaco Borba, na região dos Campos Gerais do Paraná.

Em 1949[1][2] um grupo de aproximadamente 23 famílias,[3] com cerca de 125 imigrantes[4] neerlandeses do norte dos Países Baixos,[5] mais precisamente das regiões da Frísia, da Holanda do Norte e de Groninga,[6] fixaram-se na Fazenda Monte Alegre,[7][8][9][10] formando uma colônia entre as localidades de Harmonia e Mina de Carvão,[11] localidade que ficou conhecida como Colônia de Holandeses.[12] A Klabin S.A.[13] colocou a fazenda à disposição destes imigrantes para que fornecessem laticínios aos seus funcionários. A colônia chegou a ser visitada pelo presidente Getúlio Vargas durante sua passagem pela Klabin em 1953.[14]

Antecedentes, imigração e formação[editar | editar código-fonte]

As casas da colônia.
Vista da colônia e os campos agriculturáveis.
O gado leiteiro e as pastagens na colônia.

Uma das primeiras iniciativa de emigração dos holandeses para Monte Alegre foi tomada pelo reverendo Jan van Dijk (1899-1980) de Schildwolde, em Groninga. No final de 1945, ele estabeleceu uma associação de colonização. Ele foi ajudado nisso, entre outros, por Rinke Slump (1910-1950) que também migrou para o Brasil e liderou o primeiro grupo.[15] Essa associação explorou as possibilidades de emigração para o Canadá, após essa exploração, a associação entrou em contato com a Klabín, que havia estabelecido uma grande serraria e uma cidade para seus funcionários no Paraná. Para o suprimento de alimentos desta cidade, a companhia estava procurando por vários agricultores holandeses habilidosos. A Klabin inicialmente estabeleceu um terreno de 75 hectares e uma casa disponível para cada família de emigrantes.[15]

Em 1949 um grupo de holandeses desembarcaram na cidade de São Paulo e dali seguiram viagem de trem até a cidade de Piraí do Sul. De Piraí do Sul seguiram de ônibus até a localidade de Lagoa, a partir dali foram acompanhados pelo cônsul holandês de Curitiba, o reverendo William Vincent Muller, além do imigrante húngaro Touranie representando a Klabin, chefe do Departamento de Agricultura, que estavam os esperando.[16] Chegando na localidade de Lagoa, as famílias holandesas foram recepcionadas, sendo servido alimento e depois, acomodadas para pousos até que fossem enviadas para suas casas na colônia. O cônsul dos Países Baixos, era holandês e havia vindo dos Estados Unidos para o Brasil para dar assistências às famílias holandesas, especialmente no Paraná, chegando em Carambeí em 1925. Ele era casado com a norte-americana Charlotte. O casal foi fundamental para as comunidades holandesas na região, desenvolvendo um trabalho que uniu os imigrantes. O reverendo Muller apoiou e deu suporte para que as famílias se acomodassem em Monte Alegre, dando-lhe segurança e conforto.[16]

Embora a colônia existiu por um período relativamente curto, pouco mais de duas décadas, sua criação contribui muito para o abastecimento de alimentos nas redondezas. Com a experiência holandesa em produção de leite de qualidade, a expectativa inicial era o fornecimento de laticínios, se bem que a produção alimentícia na colônia acabou indo além, produzindo e fornecendo para a Klabin também cereais, e até mesmo aves e suínos.[17]

Cultura e religião[editar | editar código-fonte]

A Igreja da Colônia de Holandeses.

Em relação aos hábitos culturais desses imigrantes, eles buscavam manter uma determinada tradição,[18] tentando encontrar um modo de vida que fizesse lembrar sua terra de origem. Mantinham o idioma, a culinária, o vestuário, o mobiliário, os hinos cristãos e eram considerados fechados culturalmente.[19][20] Os moradores criaram então uma escola e fundaram uma igreja. A pequena escola contava com uma professora vinda da Holanda e a igreja era atendida por um reverendo. Com o tempo a igreja passou a denominar-se Igreja Reformada Libertada de Monte Alegre, tendo a comunidade iniciado contato com os demais grupos holandeses na região, iniciando os primeiros laços com a comunidade de Carambeí, sendo assim, começaram então a receber os cuidados espirituais do reverendo William Vincent Muller que atuava lá.[21] Até que em setembro de 1956 a colônia de Monte Alegre recebeu o reverendo Los,[13] que atendeu a comunidade até outubro de 1965 e no que se tem registro, este reverendo chegou a receber no dia 22 de outubro de 1959 em sua residência na colônia a visita do príncipe consorte dos Países Baixos, Bernardo de Lippe-Biesterfeld, quando este passou pela região.[13]

Sabe-se que mais tarde a igreja da comunidade passou a ser denominada Igreja Evangélica Reformada, unindo-se com as igrejas das colonias de Carambeí, Castrolanda e Arapoti. Para os colonos a religião era de fundamental importância, tanto para preservar a fé, como para promover a união na comunidade. Embora vários dos imigrantes tinham sido membros de diferentes igrejas do ramo calvinista na Europa, aqui no Paraná viviam como se fossem todos membros de uma só igreja.[22]

A dissolução[editar | editar código-fonte]

O término do contrato com a empresa na década de 1970 resulta na dispersão da colônia, onde em 1971 a maioria das famílias na verdade acabou retornando aos Países Baixos ou remigrando[3] para o Canadá ou para a África do Sul.[13] Entretanto, alguns colonos acabaram indo para outras localidades no Paraná e outras famílias ainda acabaram fundando mais tarde uma colônia no município de Unaí, em Minas Gerais, denominada de Brasolândia. A colônia de Brasolândia é considerada a principal ligação com a antiga colônia em Monte Alegre, portanto, sendo um remanescente desta.[23][24]

Por fim, a escola e a igreja na localidade foram fechadas e extintas e os empreendimentos agrícolas e pecuários paralisados e posteriormente encerrados de maneira definitiva pela Klabin.[13]

Referências

  1. «Stukjes Nederland in Brazilië» (em neerlandês). Holambra. Consultado em 6 de dezembro de 2016 
  2. «Hollandse kolonie in Brazilië opgeheven» (em neerlandês). Digibron. 16 de setembro de 1971. Consultado em 6 de dezembro de 2016 
  3. a b Fernando Lázaro de Barros Basto (16 de outubro de 2007). «Síntese da história da imigração no Brasil». Consultado em 7 de setembro de 2015 
  4. Diva Benevides Pinho (1963). «Cooperativeas e desenvolvimento econômico: o cooperativismo na promoção do desenvolvimento econômico do Brasil, Edições 7-8». Universidade de São Paulo. Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras. Consultado em 7 de setembro de 2015 
  5. L.A.H.C. Hulsman (2012). «Nederlandse groepsmigratie naar Brazilië 1822-1992» (PDF) (em neerlandês). Nationaal Archief en de New Holland Foundation. Consultado em 6 de dezembro de 2016 
  6. Sonia Maria Bibe Luyten (1981). «Comunicação e aculturação: a colonização holandesa no Paraná». Edições Loyola. Consultado em 7 de setembro de 2015 
  7. Enne Koops (2010). «De dynamiek van een emigratiecultuur - De emigratie van gereformeerden, hervormden en katholieken naar Noord-Amerika in vergelijkend perspectief (1947-1963)» (PDF) (em neerlandês). Consultado em 6 de dezembro de 2016 
  8. Hilda de Oliveira Ladeira (1976). «Um estudo sôbre a imigração holandesa nos campos gerais». Universidade Estadual de Ponta Grossa. Consultado em 6 de setembro de 2015 
  9. Maria Luiza M. S. Marques Dias, Rasângela Diniz Chubak, Verônica Toledo (1994). «Projeto realidade: alfabetização em Ponta Grossa». Instituto Nacional de Estudos e Políticas Educacionais. Consultado em 7 de setembro de 2015 
  10. «História do Paraná, Volume 1». Gráfica Editôra Paraná Cultural. 1969. Consultado em 7 de setembro de 2015 
  11. André Miguel Coraiola (2003). «Capital do papel: a história do município de Telêmaco Borba - Colônia Holandesa». Consultado em 6 de setembro de 2015 
  12. «Folhas Topográficas 1:100.000 - Folhas: MI2806; MI2807». Instituto de Terras, Cartografia e Geociências. 1967. Consultado em 7 de setembro de 2015 
  13. a b c d e Door Roel Kleine (2004). «Nederlanders in Brazilië» (em neerlandês). Consultado em 6 de setembro de 2015 
  14. Altiva Pilatti Balhana (1968). «Campos Gerais». Universidade Federal do Paraná. Consultado em 7 de setembro de 2015 
  15. a b «De verdwenen kolonie Monte Alegre» (em neerlandês). Holambra. 28 de dezembro de 2017. Consultado em 9 de abril de 2018 
  16. a b «Op weg naar Monte Alegre (6)» (em neerlandês). Holambra. 9 de março de 2018. Consultado em 9 de abril de 2018 
  17. «Nummer 1 en 2 van het Maandblad ten dienste van de Gereformeerde kolonie te Monte Alegre – Paraná - Brasil». Jornal (em neerlandês). 1. 1966 
  18. C.J.M. Wijnen (1976). «Holambra I: nederlandse boeren in coöperatief verband in Brazilië» (em neerlandês). Landbouw-Economisch Instituut. Consultado em 6 de dezembro de 2016 
  19. C.J.M. Wijnen (2001). «De Nederlandse Agrarische Groepsvestigingen in Brazilië» (em neerlandês). Consultado em 6 de dezembro de 2016 
  20. Centrale Archief Selectiedienst (2009). «Inventaris van het archief van de Directie voor de Emigratie van het Ministerie van Sociale Zaken en Werkgelegenheid, (1933) 1945 - 1994» (PDF). Nationaal Archief, Den Haag. Consultado em 6 de dezembro de 2016 
  21. «História da IER no Brasil». Igrejas Evangélicas Reformadas no Brasil. Consultado em 6 de dezembro de 2016 
  22. Wilson de Lima Lucena (2009). «Igreja Evangélica Reformada no Brasil em Castrolanda - Religião, Educação e Trabalho em uma Colônia Holandesa: um estudo de caso» (PDF). Universidade Presbiteriana Mackenzie. Consultado em 6 de dezembro de 2016 
  23. «Aangeboden Op Brasolandia» (em neerlandês). Brasolândia. Consultado em 6 de dezembro de 2016 
  24. «Omgeving Brazilie Recreatie Brasolandia» (em neerlandês). Brasolândia. Consultado em 6 de dezembro de 2016 

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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