Colaboração de classes

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Colaboração de classes é um princípio de organização social baseado na crença de que a divisão da sociedade numa hierarquia de classes sociais é um aspecto positivo e essencial da civilização.

Visões[editar | editar código-fonte]

Fascismo[editar | editar código-fonte]

A colaboração de classes é um dos principais pilares da engenharia social no fascismo. Nas palavras de Benito Mussolini, o fascismo "afirma a desigualdade irremediável, frutífera e benéfica dos homens."[1] Dada essa premissa, os fascistas concluem que a preservação da hierarquia social é do interesse de todas as classes e, portanto, todas as classes devem colaborar na sua defesa. Tanto as classes mais baixas como as mais elevadas devem aceitar seus papéis e desempenhar seus respectivos deveres.

No pensamento fascista, o princípio da colaboração de classe é combinado com um forte nacionalismo. A estabilidade e a prosperidade da nação foram vistas como o objetivo final da colaboração entre as classes.

Comunismo[editar | editar código-fonte]

Comunistas são ideológica e fundamentalmente opostos à colaboração de classes, defendendo a luta de classes, favorecendo uma sociedade sem classes.

Considerando que a doutrina da luta de classes instiga as classes mais baixas a derrubar a classe dominante e a ordem social existente com o propósito de estabelecer a igualdade, a doutrina da colaboração de classes os exorta a aceitar a desigualdade social como parte do estado natural das coisas e preservar a ordem social. Além disso, afirma que apenas o Estado "reconcilia" os antagonismos de classe na sociedade e que a luta que dá origem ao comunismo pode ser harmonizada.

Alguns marxistas usam o termo "colaboração de classes" como um termo pejorativo que descreve as organizações da classe trabalhadora que não perseguem a luta de classes. Nesse sentido, o termo ecoa as conotações do colaboracionismo.

Ao mesmo tempo, no entanto, os comunistas não rejeitam necessariamente todas as alianças entre as classes. Alguns comunistas argumentam que, em um país com uma grande população camponesa, a transição para o comunismo pode ser realizada por uma aliança entre duas classes, o campesinato e o proletariado, unidos contra a classe burguesa.[2] O conceito de "Nova Democracia" de Mao Tsé-Tung clama pelo "campesinato, o proletariado, a pequena burguesia e os elementos nacionais e patrióticos da burguesia a operar coletivamente para a construção de uma sociedade socialista"

Cristianismo[editar | editar código-fonte]

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Na encíclica Rerum Novarum (1891), o Papa Leão XIII incentiva a colaboração de classes.[3] Desde a publicação de Rerum Novarum, a igreja católica, doutrinariamente anticomunista [4] (ver: Decreto contra o Comunismo), rejeita a luta de classes e aponta a cooperação entre as classes sociais como essencial para as mudanças sociais e, para a defesa dos direitos humanos.[3] A encíclica Quadragesimo anno, publicada em 1931 pelo Papa Pio XI, reforçou a ideia de contribuição entre as classes.

Democratas cristãos europeus afirmam, enfaticamente, que a colaboração de classes é decisiva para impedir luta de classes.[5] O extinto partido Democrazia Cristiana (DC) da Itália, fundado por Alcide De Gasperi, pregava que a colaboração de classes é benéfica para todos os integrantes da coletividade, independente de classe, orientação política ou origem geográfica.[6]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Enciclopedia Treccani - Fascismo. Arturo Marpicati - Benito Mussolini. Gioacchino Volpe - Enciclopedia Italiana (1932). (em italiano) Acessado em 12/11/2017.
  2. Marxists.org - How We Should Reorganise the Wokers' and Peasants' Inspection. Lenin, 23 de Janeiro de 1923, (em inglês) Acessado em 12/11/2017.
  3. a b Human Rights and the Mission of the Church in Nigeria. Autor: Paul Odoeme. LIT Verlag Münster, 2013, pág. 133, (em inglês) ISBN 9783643901996 Adicionado em 12/11/2017.
  4. American Anti-Communism: Combating the Enemy Within, 1830-1970. Autor: M. J. Heale. JHU Press, 1990, pág. 197, (em inglês) ISBN 9780801840517 Adicionado em 12/11/2017.
  5. Between Cross and Class: Comparative Histories of Christian Labour in Europe 1840-2000. Autores: Lex Heerma van Voss, Patrick Pasture & Jan de Maeyer. Peter Lang, 2005, pág. 262, (em inglês) ISBN 9783039100446 Adicionado em 12/11/2017.
  6. Italian Christian Democracy: The Politics of Dominance. Autores: Robert Leonardi & Douglas A. Wertman. Springer, 1989, págs. 26-27, (em inglês) ISBN 9781349088942 Adicionado em 12/11/2017.