Colonização neerlandesa da América

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O processo de colonização neerlandesa da América começou com postos de comércio e plantações neerlandesas nas Américas, cujo estabelecimento precedeu as atividades de colonização bem mais conhecidas dos holandeses na Ásia. Enquanto o primeiro forte holandês na Ásia foi construído em 1600 (na atual Indonésia), os primeiros fortes e assentamentos no rio Essequibo na Guiana datam da década de 1590. A colonização real, com a colonização holandesa nas novas terras, não era tão comum como com outras nações europeias. Muitos dos assentamentos holandeses foram perdidos ou abandonados até o final do século XVII, mas os Países Baixos conseguiram manter a posse do Suriname até a sua independência em 1975, bem como das Antilhas Neerlandesas, que permanecem no Reino dos Países Baixos até hoje.

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Após a sua fundação a República Holandesa tornou-se uma potência marítima e econômica. Com sua liberdade religiosa a República Holandesa acolheu refugiados neerlandeses do sul, huguenotes e judeus sefarditas durante a Revolta Holandesa contra Felipe II da Espanha. Em 1621, os holandeses fundaram a Companhia Holandesa das Índias Ocidentais que recebeu dos Estados Gerais o monopólio do comércio holandês nas Américas.[1] Com a ajuda dos imigrantes a Holanda começou a competir com a Espanha, Portugal, Inglaterra e a França em estabelecer colônias no continente americano.

Colonização neerlandesa por região[editar | editar código-fonte]

América do Norte[editar | editar código-fonte]

Ver artigos principais: Novos Países Baixos e Nova Amsterdã

A serviço da Companhia Holandesa das Índias Orientais o explorador inglês Henry Hudson partiu de Amsterdã com o navio Halve Maen e explorou a região em torno da atual cidade de Nova Iorque em 1609, descobrindo o rio Hudson que posteriormente foi batizado com seu nome.[2][3]

Em 1614, Adriaen Block desenhou um mapa da região que ele nomeou de Novos Países Baixos.[3] No mesmo ano, as quatro empresas comerciais neerlandesas, preocupadas com o impacto negativo de uma rivalidade entre elas, uniram-se e receberam dos Estados Gerais o monopólio do comércio de peles no território conquistado entre os paralelos de 40° e 45° durante o período de três anos.[4]

Depois de tentativas fracassadas de colonização, a Companhia Holandesa das Índias Ocidentais (WIC) organizou um processo de colonização da região e em 1624 trinta familias neerlandesas estabeleceram-se na atual Manhattan, formando um povoado. Em 1626, Peter Minuit fundou o assentamento Nova Amsterdã após ter comprado a ilha de Manhattan dos índios.[5] Em torno da Nova Amsterdã ele construiu o forte Amsterdã que deu origem ao assentamento.[5] Após a conquista britãnica de Nova Amsterdã o assentamento foi renomeado Nova Iorque.

Caribe[editar | editar código-fonte]

Antilhas Neerlandesas

Após a fundação da Nova Holanda e dos Novos Países Baixos os holandeses seguiram para o Caribe, onde conquistaram as ilhas caribenhas de Aruba, Bonaire, Curaçao, Saba, Santo Eustáquio e São Martinho. Durante as Guerras Napoleônicas os britânicos ocuparam o grupo de ilhas, porém eles devolveram as ilhas caribenhas tomadas dos neerlandeses depois da guerra. Em 1954, o grupo de ilhas passou a ser parte constituinte do Reino dos Países Baixos, sob o nome de Antilhas Neerlandesas. Aproximadamente cinquenta e seis anos depois, as Antilhas Neerlandesas foram apartadas.

América do Sul[editar | editar código-fonte]

Nova Holanda
Ver artigo principal: Nova Holanda

Desde o século XV, os neerlandeses desempenharam o papel de financiadores da indústria açucareira no Brasil Colonial e executavam a refinação do açúcar e a distribuição do produto na Europa. Com o estabelecimento da União Ibérica, a parceria comercial entre o Reino de Portugal e a República Holandesa chegou ao fim por causa do embargo econômico espanhol imposto à Holanda. Visando reestabelecer a participação da Holanda na economia açucareira no Brasil a República Holandesa enviou uma frota ao Brasil. Em 1624, a frota holandesa ocupou Salvador, então capital do Brasil Colônia. Um ano depois, o domíno holandês da capitania da Baía de Todos os Santos chegou ao fim.

Com a conquista da frota da prata espanhola em 1628, a Companhia Holandesa das Índias Ocidentais (WIC) possuía capital suficiente para patrocinar uma nova expedição ao Brasil. Em 1630, os holandeses conseguiram ocupar Olinda, então capital da capitania de Pernambuco, e o então povoado de pescadores Recife. Os territórios conquistados foram renomeados Nova Holanda pela WIC que em 1636 nomeou o conde Maurício de Nassau como governador-geral das possessões holandesas no Brasil.[6] Ele expandiu o território da colônia Nova Holanda[6] e fundou o assentamento Cidade Maurícia. Após a partida do conde Maurício de Nassau em 1644 a colônia entrou em declínio e chegou posteriormente ao fim. Porém, o desfecho do domínio holandês no Brasil deu-se com a firmação do Tratado da Haia em 1661.

Imigração neerlandesa no Brasil
Ver artigo principal: Imigração neerlandesa no Brasil

Aproximadamente dois séculos depois, teve início a imigração de holandeses para o Brasil. Lá eles estabeleceram várias colônias, entre as quais Carambeí, Holambra e Não-Me-Toque. Os imgrantes holandeses e seus descendentes encontram-se, em sua maioria nos estados do Paraná, Rio Grande do Sul, Espírito Santo e São Paulo.[7] As estimativas quanto ao número de holandeses que vivem no Brasil vão de dez a trinta mil.[7]

Guiana Neerlandesa
Ver artigo principal: Guiana Neerlandesa

Originalmente colonizada pelos britânicos, Suriname caiu sob o domínio dos neerlandeses em 1667. Após a conquista britânica da Nova Amsterdã foi firmado o Tratado de Breda. Esse tratado afirmou os direitos dos holandeses sob Suriname e dos ingleses sob os Novos Países Baixos. Suriname foi uma colônia holandesa até 1975, quando foi concedida a sua independência.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. West-Indische Compagnie. Encarta 98 Encyclopedie Winkler Prins Editie, 9 de setembro de 1997 (em neerlandês)
  2. Henry Hudson, poolonderzoeker en ontdekkingsreiziger. Historiek.net, 3 de fevereiro de 2009. Consultado em 17 de setembro de 2017
  3. a b Jacobs, J. e Roper. L.H. (2014). The Worlds of the Seventeenth-Century Hudson Valley. Nova Iorque: SUNY Press, p.172. ISBN 978-1-4384-5099-5
  4. Jacobs. J. (2005). New Netherland: A Dutch Colony in Seventeenth-Century America. Boston/Leida: Editora Brill, p.34
  5. a b Peter Minuit - Dutch colonial governor. Encyclopædia Britannica. Consultado em 12 de setembro de 2017
  6. a b John Maurice Of Nassau. Encyclopedia Britannica. Consultado em 12 de setembro de 2017
  7. a b Imigração Holandesa no Brasil. Faculdade de Educação da Unicamp. Consultado em 13 de setembro de 2017

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Israel, J.I., Dutch primacy in world trade, 1585–1740, Oxford University Press, 1989
  • Klooster, Wim. The Dutch Moment: War, Trade, and Settlement in the Seventeenth-Century Atlantic World. (Cornell University Press, 2016). 419 pp.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]