Colos

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Portugal Portugal Colos 
  Freguesia  
Símbolos
Brasão de armas de Colos
Brasão de armas
Gentílico Colense
Localização
Colos está localizado em: Portugal Continental
Colos
Localização de Colos em Portugal
Coordenadas 37° 44' 01" N 8° 27' 34" O
Município ODM.png Odemira
Código 021118
Administração
Tipo Junta de freguesia
Características geográficas
Área total 109,76 km²
População total (2021) 820 hab.
Densidade 7,5 hab./km²
Código postal 7630
Outras informações
Orago Nossa Senhora da Assunção

Colos é uma freguesia portuguesa do município de Odemira, com 106,29 km² de área e 820 habitantes (censo de 2021)[1]. A sua densidade populacional é 7,7 hab./km². Foi sede de um concelho próprio entre 1499 e 1836,[2] passando a fazer parte do concelho de Cercal do Alentejo até 1855,[3] quando foi integrado no de Odemira.[2]

Vista geral da vila de Colos. Fotografia publicada na obra Album Alentejano, de 1931.

Descrição[editar | editar código-fonte]

A povoação de Colos está situada a cerca de 26 Km da sede do concelho, a vila de Odemira, no sentido Norte.[4]

Património cultural e natural[editar | editar código-fonte]

O património da freguesia inclui o conjunto arquitectónico tradicional da vila de Colos, principalmente nas áreas mais antigas da povoação, que estavam anteriormente dentro de um recinto de muralhas, e apresentam ruas de traçado ainda medieval.[2]

Em termos de edifícios históricos, destaca-se a Capela de Nossa Senhora do Carmo,[5] a Ermida de Nossa Senhora das Neves,[6] a Igreja da Misericórdia,[7] e a Igreja Paroquial.[8]

Um dos principais eventos tradicionais de Colos é a Feira de São João, dedicada ao artesanato, aos produtos locais e à pecuária, que é normalmente realizada no mês de Junho.[9][10]

As paisagens de campos floridos, campos cultivados, longas planícies e montanhas, tornam esta vila num local de extrema beleza natural. Colos apresenta belas paisagens em que abunda a vegetação, como o sobreiro, a azinheira e a oliveira.[carece de fontes?]

Património[editar | editar código-fonte]

Demografia[editar | editar código-fonte]

A população registada nos censos foi:[1]

População da freguesia de Colos
AnoPop.±%
1864 907—    
1878 1 059+16.8%
1890 1 120+5.8%
1900 1 389+24.0%
1911 1 855+33.5%
1920 2 181+17.6%
1930 2 367+8.5%
1940 3 056+29.1%
1950 3 045−0.4%
1960 2 618−14.0%
1970 1 869−28.6%
1981 1 682−10.0%
1991 1 428−15.1%
2001 1 243−13.0%
2011 1 005−19.1%
2021 820−18.4%

Nota: Com lugares desta freguesia foi criada pela Lei n.º 56/88, de 23 de Maio, a freguesia de Bicos


Distribuição da População por Grupos Etários[11]
Ano 0-14 Anos 15-24 Anos 25-64 Anos > 65 Anos
2001 162 150 566 365
2011 91 96 502 316
2021 61 62 420 277
Trabalho rural conhecido como descamisada, na freguesia de Colos. Fotografia publicada na obra Album Alentejano, de 1931.

História[editar | editar código-fonte]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

O local onde se ergue a vila de Colos foi originalmente ocupado por um povoado fortificado,[2] que se situava no ponto mais elevado da colina, conhecido como Alto da Igreja.[12] A própria orografia da área onde se situa Colos, e a sua organização da malha urbana, podem ser um testemunho da presença de um antigo povoado fortificado.[12] Com efeito, este cerro poderá ter sido a origem do nome da povoação, tendo o escritor Pinho Leal, na sua obra Portugal antigo e moderno, publicada em 1874, avançado a teoria que o topónimo vem de colina ou colo.[3]

Neste local foram encontrados vestígios de várias estruturas das épocas romana e moderna, que incluem uma necrópole nas imediações da escola primária, com ossadas e fragmentos de cerâmica, e diversos silos ou tulhas abertos no solo rochoso em xisto.[12] Estes tinham profundidades superiores a 1,5 m, e eram de formas ovais ou circulares, sendo nalguns casos cobertos por uma camada de argamassa muito dura, e continham moedas, vestígios osteológicos e peças de cerâmica.[12] Um destes estava situado na Rua Carlos da Maia,[13] enquanto que outro estava situado entre a Rua do Jardim e a Rua Júlia Brito Pais Falcão, tendo sido descoberto durante obras na rede pública de abastecimento de água, em 2005.[14] Este último é de especial interesse pelo seu espólio, que incluía uma grande diversidade de cerâmicas, como peças de fogo, de mesa, alguidares e contentores, de tipologias comum, comuns, vidrada e esmaltada, além de faianças, e restos de vários tipos de fauna, como mamalógica, malacológica e ictiofauna, pedaços de carvão, e moedas e outras peças metálicas, principalmente em ferro.[14] Também como parte dos trabalhos de abastecimento de água em 2005, foi escavada uma vala na Rua da Farmácia, que revelou os vestígios de duas camadas arqueológicas dustintas.[15] Na primeira foi descoberto um conjunto de material que pertence principalmente a épocas modernas, como telhas, fragmentos de peças de cerâmica, e moedas, enquanto que a segunda encerrava partes de ânforas romanas, peças decorativas em bronze, um elemento que provavelmente seria um projéctil, e um movente de uma mó de vaivém, além de outros materiais cerâmicos enquadrados nas épocas modernas, e talvez medievais.[15] No conjunto do espólio de Colos, destaca-se também a descoberta de moedas dos imperadores Honório e Constantino.[12] Regista-se também a presença do chamado Tesouro de Colos, composto por cinco braceletes em ouro dos finais da idade do bronze, que foi provavelmente encontrada na área da vila.[16]

Um casamento na vila de Colos. Fotografia publicada na obra Album Alentejano, de 1931.

Fundação do concelho[editar | editar código-fonte]

A povoação de Colos tornou-se sede de concelho e foi elevada a vila por um foral de 26 de Junho de 1499, emitido pelo rei D. Manuel.[2] Até então, fazia parte do concelho de Sines.[2] Apenas onze anos depois, em 20 de Setembro de 1510, recebeu uma nova carta de foral.[2] Segundo o investigador Carlos Julio, existe uma teoria de que teria sido em Colos, e não em Alcácer do Sal, que o monarca teria recebido a notícia da morte do seu antecessor, D. João II.[4]

Um dos seus privilégios era a isenção de direitos reais, nos contratos que fizesse com a vila de Sines.[3] Foi também no século XVI que o território conheceu uma importante expansão em termos de santuários cristãos, sendo desta centúria a Capela de Nossa Senhora do Carmo, a Igreja da Misericórdia,[7] e a Igreja Paroquial.[8], tendo sido provavelmente construída neste período a Ermida de Nossa Senhora das Neves.[6] Pinho Leal referiu a povoação pertenceu à Ordem de Santiago, sendo o posto de prior e um beneficiado ocupados por irmãos daquela ordem.[3] A comenda pertenceu ao Condado das Galveias.[3]

Séculos XVIII e XIX[editar | editar código-fonte]

Segundo Pinho Leal, em 1757 Colos contava com 180 fogos.[3] Quando era concelho, tinha uma câmara e vários oficiais próprios, como juiz ordinário, procurador do concelho e escrivães, sendo todos sujeitos ao ouvidor da comarca, que estava instalado em Messejana.[3] Em 1836 o concelho de Colos deixou de existir, como parte de um programa do governo de reoganização administrativa,[2] passando a fazer parte do concelho de Cercal do Alentejo.[3] Em 1855 este concelho foi extinto, tendo Colos sido integrado no concelho de Odemira.[2]

A povoação foi descrita por Pinho Leal como tendo a categoria de vila, com 235 fogos, e contando com hospital e Santa Casa da Misericórdia.[3] Estava situada a cerca de 24 Km de Ourique, 40 Km de Sines, 100 Km de Évora, e a 145 Km de Lisboa.[3] O orago era de Nossa Senhora da Assunção, e pertencia ao bispado e ao distrito de Beja.[3] Em termos económicos, refere que os terrenos eram muito férteis para a produção de cereais, contando também com muita caça e gado.[3]

Fotografia do aviador Brito Pais.

Séculos XX e XXI[editar | editar código-fonte]

Nos princípios da década de 1930, era servida pela estação ferroviária de estação de Amoreiras-Odemira, situada a cerca de 6 Km de distância.[4] Nessa época, as vias rodoviárias na freguesia eram muito deficientes, sendo as estradas até à vila de Odemira compostas por simples caminhos, que se tornavam intransitáveis no Inverno.[4] Contava então com três aglomerados populacionais importantes: Seissal, Cai-Logo e Campo Redondo.[4] O jornal Diário Popular de 30 de Abril de 1955 noticiou que uma comissão formada por representantes das freguesias de Abela, Alvalade, Cercal, São Domingos da Serra, Colos e Vale de Santiago, e dos concelhos de Odemira e Santiago do Cacém, tinha-se encontrado com o Ministro das Obras Públicas, no sentido de instalar novas estradas no concelho de Santiago do Cacém e acessos à Barragem de Campilhas.[17]

Em 2013 ocorreu uma nova reorganização administrativa, tendo a freguesia de Bicos sido eliminada, e o seu antigo território transitado para a freguesia de Colos.[2] Em Junho de 2018, o banco Caixa Geral de Depósitos anunciou a sua intenção de encerrar a agência de Colos, que também servia as freguesias de Vale de Santiago, Relíquias e São Martinho das Amoreiras. Esta medida foi criticada por Pedro Gonçalves, deputado do Bloco de Esquerda na Assembleia Municipal de Odemira, que a classificou como «mais uma decisão cega, a régua e esquadro, onde não são tidos em consideração os interesses das populações», acrescentando que foi «mais um golpe nestas freguesias, depois de tantos outros encerramentos de serviços essenciais, de extinção de freguesias, encerramentos de escolas, extensões de saúde, deslocalizações de farmácias e outros».[18]

Figuras ilustres[editar | editar código-fonte]

Uma das personagens mais destacadas que nasceu na freguesia de Colos foi o aviador militar Brito Pais, nascido em 15 de Junho de 1884,[19] que foi um dos pioneiros da aviação no país, e que em 1924 iniciou uma viagem aérea entre Portugal e Macau, em conjunto com Sarmento de Beires, e que se teve o seu ponto inicial em Vila Nova de Milfontes.[2] Faleceu num desastre aéreo em 22 de Fevereiro de 1934, tendo o cortejo funerário passado por Monte Velho, onde estava o solar da família Brito Pais, e o corpo foi enterrado no cemitério de Colos.[20]

E também, Augusto da Fonseca Júnior, que foi presidente da Direcção do Sport Lisboa e Benfica entre 1939 e 1943.[carece de fontes?]

Esta foi a primeira povoação em Portugal a que se atribuiu o local de nascimento do navegador Cristóvão Colombo[21].

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b Instituto Nacional de Estatística (23 de novembro de 2022). «Censos 2021 - resultados definitivos» 
  2. a b c d e f g h i j k «Colos». Câmara Municipal de Odemira. Consultado em 25 de Dezembro de 2022 
  3. a b c d e f g h i j k l LEAL, 1874:361-362
  4. a b c d e JULIO, Carlos (1931). «Cólos» (PDF). Album Alentejano: Distrito de Beja. Lisboa: Imprensa Beleza. Consultado em 28 de Dezembro de 2022. Arquivado do original (PDF) em 20 de Janeiro de 2022 
  5. FALCÃO, José; PEREIRA, Ricardo (1996). «Capela de Nossa Senhora do Carmo». Sistema de Informação para o Património Arquitectónico. Direcção-Geral do Património Cultural. Consultado em 25 de Dezembro de 2022 
  6. a b FALCÃO, José; PEREIRA, Ricardo (1999). «Ermida de Nossa Senhora das Neves». Sistema de Informação para o Património Arquitectónico. Direcção-Geral do Património Cultural. Consultado em 25 de Dezembro de 2022 
  7. a b FALCÃO, José; PEREIRA, Ricardo (1996). «Igreja da Santa Casa da Misericórdia de Colos / Capela de Santa Isabel». Sistema de Informação para o Património Arquitectónico. Direcção-Geral do Património Cultural. Consultado em 25 de Dezembro de 2022 
  8. a b FALCÃO, José; PEREIRA, Ricardo (1996). «Igreja Paroquial de Colos / Igreja de Nossa Senhora da Assunção». Sistema de Informação para o Património Arquitectónico. Direcção-Geral do Património Cultural. Consultado em 25 de Dezembro de 2022 
  9. «Feira de S. João em Colos dias 24, 25 e 26 de Junho» (PDF). Câmara Municipal de Odemira. 15 de Junho de 2016. Consultado em 3 de Janeiro de 2023 
  10. «Colos celebra o S. João». Rádio Pax. 21 de Junho de 2014. Consultado em 3 de Janeiro de 2023 
  11. INE. «Censos 2011». Consultado em 11 de dezembro de 2022 
  12. a b c d e «Colos». Portal do Arqueólogo. Direcção-Geral do Património Cultural. Consultado em 27 de Dezembro de 2022 
  13. «Colos - Rua Carlos da Maia, 29». Portal do Arqueólogo. Direcção-Geral do Património Cultural. Consultado em 27 de Dezembro de 2022 
  14. a b «Colos - Rua do Jardim/Rua Júlia Brito Pais Falcão». Portal do Arqueólogo. Direcção-Geral do Património Cultural. Consultado em 27 de Dezembro de 2022 
  15. a b «Colos - Rua da Farmácia, 1». Portal do Arqueólogo. Direcção-Geral do Património Cultural. Consultado em 27 de Dezembro de 2022 
  16. «Tesouro de Colos». Portal do Arqueólogo. Direcção-Geral do Património Cultural. Consultado em 27 de Dezembro de 2022 
  17. «Jornal da Manhã» (PDF). Diário Popular. Ano XIII (4498). Lisboa: Sociedade Nacional de Imprensa. 30 de Abril de 1955. p. 6. Consultado em 29 de Dezembro de 2022 – via Hemeroteca Municipal de Lisboa 
  18. «Bloco de Esquerda contesta fecho do balcão da CGD em Colos». Rádio Pax. 12 de Junho de 2018. Consultado em 3 de Janeiro de 2023 
  19. «Deu-se hoje em Sintra um grande desastre». Diário de Lisboa. Ano 13 (4047). 22 de Fevereiro de 1934. p. 1-5. Consultado em 29 de Dezembro de 2022 – via Casa Comum / Fundação Mário Soares 
  20. «Tenente-Coronel Brito Pais: Um heroi e um santo» (PDF). Vida Alentejana (29). Lisboa: Alentejana Editora. 4 de Abril de 1935. p. 1. Consultado em 29 de Dezembro de 2022 – via Hemeroteca Municipal de Lisboa 
  21. Ribeiro, Patrocínio (1927). A nacionalidade portuguesa de Cristovam Colombo. Solução do debatidissimo problema da sua verdadeira naturalidade, pela decifração definitiva da firma hieroglífica (...). Lisboa: Livraria Renascença. pp. 55–73 
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Bibliografia[editar | editar código-fonte]


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